Conciliar a chegada dos filhos com o avanço profissional continua sendo um dos maiores desafios enfrentados por mulheres no mercado de trabalho. Muitas profissionais sentem que precisam escolher entre a dedicação à família e o crescimento na carreira, enquanto lidam com cobranças internas, expectativas sociais e estruturas profissionais que nem sempre consideram as diferentes fases da vida.
Por isso, a pergunta como conciliar maternidade e carreira vai muito além de organizar uma agenda. Ela envolve planejamento, divisão de responsabilidades, rede de apoio, flexibilidade, desenvolvimento profissional, saúde mental e, principalmente, um ambiente de trabalho que não penalize mulheres por serem mães.
Essa discussão é importante porque a realidade brasileira mostra que as responsabilidades de cuidado ainda são distribuídas de maneira desigual. Em 2022, as mulheres dedicaram, em média, 21,3 horas semanais aos cuidados de pessoas e aos afazeres domésticos, enquanto os homens dedicaram 11,7 horas, segundo dados do IBGE sobre as mulheres brasileiras.
A consequência dessa divisão não aparece somente dentro de casa. Ela também pode afetar a participação no mercado de trabalho, o número de horas remuneradas, as oportunidades de desenvolvimento e a progressão profissional.
O próprio IBGE identificou que, em 2019, o nível de ocupação das mulheres de 25 a 49 anos que viviam em domicílios com crianças de até três anos era de 54,6%, enquanto entre mulheres que não viviam em domicílios com crianças nessa faixa etária o índice chegava a 67,2%. O instituto relaciona esse cenário, entre outros fatores, à divisão dos cuidados e à disponibilidade de creches.
Isso ajuda a entender por que a maternidade e a carreira não podem ser tratadas como uma questão exclusivamente individual.
A mulher pode organizar melhor sua rotina, negociar horários, desenvolver competências e construir uma rede de apoio. Mas empresas, famílias e sociedade também precisam participar dessa transformação.
Neste guia, você vai entender como conciliar maternidade e carreira, quais são os principais desafios dessa jornada, o que significa a penalidade da maternidade no mercado de trabalho, como se preparar para voltar ao trabalho após a licença maternidade, quais estratégias ajudam na carreira após a maternidade, como lidar com maternidade e promoção no trabalho e o que empresas podem fazer para criar ambientes mais inclusivos.
Neste conteúdo você vai ler (Clique no conteúdo para seguir)
- Como conciliar maternidade e carreira na prática?
- Quais são os principais desafios para equilibrar maternidade e carreira?
- O que é a penalidade da maternidade no mercado de trabalho?
- Por que a presença de crianças pequenas pode afetar a carreira das mulheres?
- Como se preparar para voltar ao trabalho após a licença-maternidade?
- Como fazer uma reintegração gradual?
- Como negociar flexibilidade depois da maternidade?
- Home office resolve o problema da maternidade?
- Como organizar a rotina para conciliar filhos e carreira?
- Como dividir responsabilidades dentro de casa?
- Como construir uma rede de apoio?
- Como manter a carreira ativa durante a maternidade?
- Como planejar a carreira após a maternidade?
- Como lidar com maternidade e promoção no trabalho?
- O que igualdade salarial tem a ver com maternidade e carreira?
- Mentoria e patrocínio podem ajudar?
- Como recuperar a confiança profissional depois da licença?
- Como manter a visibilidade profissional depois da maternidade?
- Como evitar que a maternidade seja usada contra a carreira?
- Quais são os direitos trabalhistas mais importantes para mães?
- A gestante tem estabilidade no emprego?
- Quais são os direitos relacionados à amamentação no trabalho?
- Como escolher uma empresa pensando na maternidade?
- Como a empresa pode apoiar mães que voltam da licença?
- Como a empresa pode reduzir a penalidade da maternidade?
- Como o onboarding pode ajudar no retorno da licença?
- Como a Serasa Experian apoia a carreira depois da maternidade?
- Como conciliar maternidade e uma carreira de liderança?
- Como usar o PDI para retomar a carreira?
- E quando a maternidade leva a uma mudança de carreira?
- Como voltar ao mercado depois de uma pausa para cuidar dos filhos?
- Como falar sobre maternidade em uma entrevista de emprego?
- Como explicar uma pausa profissional causada pela maternidade?
- Como proteger a saúde mental ao conciliar maternidade e carreira?
- Como construir uma cultura organizacional favorável à maternidade?
- Como avaliar se uma empresa realmente apoia mães?
- Como criar um plano de 90 dias depois da licença?
- Como lidar com imprevistos envolvendo os filhos?
- Como conciliar maternidade e carreira sem abrir mão dos objetivos?
- Carreira após maternidade: 7 estratégias para continuar crescendo
- Perguntas frequentes sobre como conciliar maternidade e carreira
- Conclusão: maternidade e carreira podem caminhar juntas
Como conciliar maternidade e carreira na prática?
Antes de pensar em ferramentas de produtividade, é importante abandonar a ideia de que conciliar maternidade e carreira significa fazer tudo perfeitamente.
Na prática, equilíbrio não é uma divisão matemática de tempo entre trabalho e família.
É a construção de uma rotina possível e sustentável.
Em alguns períodos, uma criança poderá demandar mais atenção. Em outros, um projeto profissional poderá exigir mais dedicação. Há momentos em que a prioridade será uma consulta médica, uma adaptação escolar ou uma mudança na rotina familiar. Em outros, será necessário assumir uma responsabilidade estratégica na empresa.
Por isso, conciliar não significa manter tudo exatamente igual todos os dias.
Significa reorganizar prioridades sem abandonar completamente aquilo que é importante para você.
A literatura acadêmica brasileira sobre maternidade e trabalho já identifica essa necessidade de administrar simultaneamente diferentes papéis. Estudos sobre mulheres profissionais apontam conflitos entre demandas familiares e profissionais, além da importância das redes de apoio e de estratégias específicas para enfrentar essa realidade.
Na prática, isso pode envolver:
- reorganizar horários;
- dividir tarefas domésticas;
- negociar flexibilidade;
- buscar apoio para os momentos mais críticos;
- ajustar expectativas;
- rever objetivos profissionais temporariamente;
- continuar investindo na carreira em pequenas etapas.
O mais importante é não transformar a conciliação em uma competição entre duas partes da própria identidade.
Ser mãe não elimina a profissional. E ter ambição profissional não diminui a maternidade.
Quais são os principais desafios para equilibrar maternidade e carreira?
A chegada de um filho muda horários, prioridades, necessidades e até a maneira como a profissional enxerga sua carreira.
Uma rotina que antes permitia reuniões no início da manhã, viagens frequentes ou horas extras pode não ser mais compatível com a nova realidade.
Isso não significa falta de comprometimento.
Significa que a estrutura mudou.
A sobrecarga de responsabilidades
Um dos maiores desafios é a soma entre trabalho remunerado e responsabilidades domésticas e familiares.
Além das tarefas que precisam ser executadas, existe a chamada carga mental: lembrar compromissos, acompanhar prazos escolares, organizar consultas, antecipar necessidades, planejar refeições, resolver imprevistos e coordenar diferentes partes da rotina.
Os dados do IBGE sobre trabalho doméstico e cuidado mostram que essa responsabilidade continua sendo distribuída de forma desigual.
Essa diferença tem consequências práticas.
Quando uma pessoa assume uma parcela maior do trabalho não remunerado, sobra menos tempo disponível para descanso, qualificação, networking e desenvolvimento profissional.
O sentimento de culpa
Outro desafio frequente é a culpa.
Algumas mães sentem que estão trabalhando demais. Outras sentem que estão investindo pouco na carreira. Há ainda quem se cobre por não conseguir aproveitar plenamente o tempo com os filhos.
Esse ciclo pode criar a sensação de que nada está sendo feito o suficiente.
Por isso, uma estratégia importante é substituir a busca pela perfeição pela busca por sustentabilidade.
Uma rotina sustentável é aquela que pode ser repetida ao longo do tempo sem exigir que a profissional funcione constantemente no limite.
Nesse processo, cuidar também da saúde mental no trabalho é importante.
O medo de ficar para trás
A profissional também pode temer perder espaço depois da maternidade.
Esse receio pode aparecer em pensamentos como:
“Será que vou continuar sendo considerada para uma promoção?”
“Será que meus projetos continuarão sendo estratégicos?”
“Será que minha liderança vai interpretar minhas novas responsabilidades familiares como falta de disponibilidade?”
Esse medo não deve ser simplesmente descartado.
Existem evidências de que a maternidade pode produzir impactos sobre a permanência das mulheres no mercado formal e sobre suas trajetórias profissionais.
Mas reconhecer esse risco não significa aceitar que ele determinará o futuro profissional.
Há estratégias que podem ajudar a preservar visibilidade, desenvolvimento e oportunidades.
O que é a penalidade da maternidade no mercado de trabalho?
A expressão penalidade da maternidade no mercado de trabalho descreve desvantagens que podem afetar a trajetória profissional das mulheres depois que elas se tornam mães.
Essas desvantagens podem aparecer como redução de participação profissional, interrupções de carreira, redução de rendimentos, dificuldade de progressão e menor acesso a cargos de liderança.
A discussão também se relaciona ao conceito internacional de motherhood penalty.
Um dos estudos brasileiros mais citados sobre o tema foi desenvolvido pela Fundação Getulio Vargas para analisar a trajetória profissional das mulheres após a licença-maternidade.
A pesquisa acompanhou mães por 47 meses antes e 47 meses depois da licença, utilizando dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais). Os resultados mostraram que a probabilidade de permanência no emprego formal aumenta antes da licença e cai depois dela. Após 24 meses, quase metade das mulheres analisadas estava fora do mercado de trabalho, padrão que permanecia 47 meses depois.
O estudo também encontrou diferenças conforme a escolaridade: a queda do emprego era menor entre mulheres com maior nível educacional do que entre aquelas com escolaridade mais baixa.
Esses resultados ajudam a explicar por que discutir carreira após maternidade exige olhar não somente para o momento do nascimento da criança ou da licença, mas também para os anos seguintes.
A penalidade da maternidade não é falta de competência
É importante deixar essa distinção clara.
O conceito de penalidade da maternidade não significa que as mulheres tenham se tornado profissionais menos capazes depois de terem filhos.
Ele descreve um conjunto de efeitos associados a fatores como interrupções profissionais, redução de jornada, responsabilidades de cuidado, menor disponibilidade para determinados trabalhos e possíveis vieses no mercado.
Uma publicação da Organização Internacional do Trabalho também aponta que responsabilidades familiares e diferenças na divisão do trabalho de cuidado contribuem para disparidades na participação e na progressão profissional das mulheres.
Por isso, combater a penalidade exige mudanças individuais e institucionais.
Por que a presença de crianças pequenas pode afetar a carreira das mulheres?
Os dados do IBGE ajudam a visualizar o impacto da chegada dos filhos.
Em 2019, entre mulheres de 25 a 49 anos, o nível de ocupação era de 54,6% nos domicílios com crianças de até três anos, contra 67,2% nos domicílios sem crianças nessa faixa etária. Entre os homens, o nível de ocupação permanecia elevado nos dois cenários.
O instituto também identificou que apenas 35,6% das crianças de até três anos frequentavam escola ou creche naquele ano. O estudo aponta que maior disponibilidade de creches e maior compartilhamento dos cuidados entre homens e mulheres podem contribuir para aumentar a autonomia feminina no mercado de trabalho.
Essa informação é importante porque demonstra que a capacidade de uma mulher continuar trabalhando não depende somente de sua disposição individual.
Ela depende também da existência de uma estrutura que permita que o cuidado seja compartilhado.
Como se preparar para voltar ao trabalho após a licença-maternidade?
Voltar ao trabalho após a licença maternidade pode ser emocionalmente intenso.
Há a saudade da criança, a mudança da rotina, a preocupação com os cuidados durante o expediente e, ao mesmo tempo, a necessidade de retomar responsabilidades profissionais.
A preparação pode começar antes do primeiro dia de retorno.
1. Converse com a liderança
Entender o cenário atual reduz incertezas.
Pergunte quais projetos estão em andamento, quais mudanças aconteceram na equipe e quais serão suas prioridades.
Não é necessário recuperar tudo de uma vez.
O objetivo inicial é saber o que realmente precisa da sua atenção.
2. Faça uma atualização profissional
Ferramentas podem ter mudado.
Processos podem ter sido atualizados.
Pessoas podem ter trocado de área.
Projetos podem ter sido encerrados ou iniciados.
Por isso, reserve tempo para reconstruir o contexto profissional.
Uma reunião de atualização bem estruturada pode ser mais eficiente do que tentar ler meses de mensagens antigas.
3. Retome relacionamentos
Networking não precisa ser uma atividade de autopromoção.
Conversar com antigos colegas ajuda a entender o momento atual da organização e a recuperar conexões que podem ter ficado menos frequentes durante a licença.
Veja também o conteúdo sobre networking profissional.
4. Não tente provar que nada mudou
Um dos erros mais comuns é retornar tentando demonstrar imediatamente que a maternidade não alterou sua disponibilidade.
Isso pode resultar em sobrecarga.
A adaptação é legítima.
O objetivo do retorno não é provar que você consegue trabalhar como se nada tivesse acontecido.
É reconstruir ritmo com consistência.
Como fazer uma reintegração gradual?
Quando a natureza da função permitir, converse com a liderança sobre uma retomada progressiva.
Nas primeiras semanas, pode fazer sentido priorizar:
Contexto: entender mudanças.
Rotina: recuperar processos.
Resultados: retomar entregas.
Relacionamentos: reconstruir conexões.
Desenvolvimento: definir próximos passos.
Esse modelo reduz a chance de a profissional retornar já enfrentando uma quantidade excessiva de demandas.
A reintegração também deve considerar a própria rotina familiar.
Não adianta a empresa preparar um retorno tranquilo se, em casa, nenhuma estrutura de cuidado foi definida.
Como negociar flexibilidade depois da maternidade?
A flexibilidade pode ser uma das principais ferramentas para quem busca como conciliar maternidade e carreira.
Mas uma negociação bem estruturada não precisa ser baseada apenas em uma necessidade pessoal.
Ela pode mostrar como o novo formato continuará preservando resultados.
Por exemplo:
“Gostaria de propor dois dias de trabalho remoto por semana. Nesse modelo, consigo manter minhas reuniões, entregas e indicadores normalmente e podemos revisar o acordo depois de 60 dias.”
Ou:
“Preciso ajustar o horário de entrada em determinados dias por causa da rotina escolar. Posso compensar a alteração mantendo as entregas e a disponibilidade necessária para as reuniões prioritárias.”
O importante é transformar a necessidade em uma proposta operacional.
O que uma boa proposta deve conter?
Explique:
qual adaptação está sendo solicitada;
por quanto tempo ela será necessária;
como as entregas serão acompanhadas;
quais horários serão preservados;
como funcionará a comunicação;
quando o acordo será reavaliado.
Esse formato facilita a conversa porque desloca o foco do problema para a solução.
Home office resolve o problema da maternidade?
Não necessariamente.
O trabalho remoto pode reduzir deslocamentos e oferecer mais autonomia, mas trabalhar de casa não significa poder cuidar de uma criança simultaneamente durante todo o expediente.
Um home office com jornada rígida e muitas reuniões pode manter a mesma sobrecarga existente no modelo presencial.
Por outro lado, um trabalho remoto ou híbrido com autonomia, metas claras e flexibilidade real pode ajudar a reduzir parte dos desafios logísticos.
Por isso, o mais importante não é somente perguntar se existe home office.
É perguntar:
“Como o trabalho funciona quando estou trabalhando de casa?”
O conteúdo sobre trabalho híbrido ajuda a compreender as diferenças entre presença física, trabalho remoto e modelos híbridos.
Como organizar a rotina para conciliar filhos e carreira?
Organização é importante, mas precisa ser realista.
Uma agenda completamente preenchida não é uma agenda eficiente.
É uma agenda vulnerável.
Se um compromisso familiar surgir e não existir nenhum espaço disponível, todo o planejamento pode desmoronar.
Planeje a semana
Uma visão semanal costuma funcionar melhor do que pensar somente no próximo dia.
Separe mentalmente:
compromissos profissionais;
compromissos familiares;
tarefas domésticas;
tempo pessoal;
espaços para imprevistos.
Esses últimos são especialmente importantes.
Uma rotina com filhos precisa de margem.
Para aprofundar o tema, consulte também gestão de tempo e Matriz de Eisenhower.
Escolha prioridades
Quando tudo é prioridade, nada é prioridade.
Uma alternativa simples é determinar:
uma entrega profissional essencial;
uma necessidade familiar essencial;
uma tarefa que pode ser adiada.
Essa lógica ajuda a reduzir a sensação de fracasso quando a rotina sofre alterações.
Como dividir responsabilidades dentro de casa?
A rede de apoio é importante, mas é necessário diferenciar apoio de responsabilidade compartilhada.
Quando apenas uma pessoa administra todas as tarefas, a carga mental continua concentrada, mesmo quando outras pessoas executam atividades pontuais.
Por isso, dividir responsabilidades significa também dividir o planejamento.
Quem marca consultas?
Quem acompanha reuniões escolares?
Quem verifica horários?
Quem resolve imprevistos?
Quem busca a criança quando existe uma alteração?
Essas responsabilidades podem e devem ser distribuídas.
O IBGE mostra justamente que a desigualdade no trabalho doméstico e no cuidado continua relevante no Brasil. Em 2022, mulheres dedicaram 21,3 horas semanais a essas atividades, contra 11,7 horas dos homens.
A conciliação fica mais sustentável quando a maternidade não é tratada como uma obrigação exclusiva da mãe.
Como construir uma rede de apoio?
Uma boa rede de apoio não precisa ser grande.
Ela precisa funcionar.
Comece identificando:
apoio principal: quem fica com a criança normalmente?
plano B: quem pode assumir quando houver imprevisto?
apoio emergencial: quem pode ajudar em caso de doença?
apoio logístico: quem pode levar ou buscar a criança?
apoio emocional: com quem é possível conversar sem julgamento?
Essa estrutura reduz a dependência de uma única pessoa e facilita a administração de imprevistos.
Como manter a carreira ativa durante a maternidade?
A preocupação com atualização profissional é legítima.
Durante a licença e nos primeiros meses depois do retorno, pode parecer difícil encontrar tempo para cursos, eventos ou estudos.
A solução não precisa ser estudar várias horas por dia.
Pequenas ações podem preservar a conexão com a profissão.
Você pode acompanhar mudanças na área, participar de uma formação curta, fazer cursos específicos, conversar com colegas ou reservar um período semanal para atualização.
O objetivo é evitar que a carreira fique completamente parada.
Conhecimentos também podem ser atualizados por meio de cursos reconhecidos pelo MEC, quando uma formação formal fizer sentido para seus objetivos.
Como planejar a carreira após a maternidade?
A maternidade pode alterar prioridades profissionais.
Algumas mulheres querem continuar exatamente no mesmo caminho.
Outras percebem que preferem uma posição com maior flexibilidade.
Há também quem queira mudar de área, assumir liderança, empreender ou buscar um trabalho mais próximo de casa.
Nenhuma dessas escolhas representa necessariamente perda de ambição.
Pode representar uma nova estratégia.
Uma ferramenta importante é o plano de carreira.
Comece respondendo:
Onde estou hoje?
Onde quero chegar?
Quais competências preciso desenvolver?
Que tipo de rotina preciso para sustentar esse caminho?
A última pergunta é particularmente importante depois da maternidade.
Uma determinada oportunidade pode parecer excelente no papel, mas não ser sustentável para uma fase específica da vida.
Como lidar com maternidade e promoção no trabalho?
A relação entre maternidade e promoção no trabalho merece atenção.
A profissional pode continuar entregando resultados e, ainda assim, ter receio de que sua trajetória seja desacelerada depois de ter filhos.
Por isso, é importante transformar desempenho em evidência.
Não basta trabalhar bem.
É importante que os resultados sejam conhecidos.
Documente suas conquistas
Registre:
- projetos entregues;
- metas atingidas;
- indicadores melhorados;
- processos otimizados;
- reconhecimentos recebidos;
- novas responsabilidades;
- competências desenvolvidas.
Esse histórico pode ser utilizado em conversas de avaliação e desenvolvimento.
Converse sobre promoção
Não espere que a liderança descubra sozinha seus objetivos.
Pergunte:
“Quais resultados preciso demonstrar para avançar?”
“Quais competências preciso desenvolver?”
“Que experiências poderiam me preparar para o próximo nível?”
“Existe algum projeto estratégico em que eu possa contribuir?”
Essas perguntas transformam a promoção em uma conversa baseada em critérios.
Veja também conteúdos sobre avaliação de desempenho e crescimento profissional.
O que igualdade salarial tem a ver com maternidade e carreira?
A discussão sobre carreira também envolve remuneração.
A Lei nº 14.611/2023 estabelece a igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre mulheres e homens para trabalho de igual valor ou exercício da mesma função. A legislação também institui mecanismos de transparência, fiscalização e promoção da igualdade profissional. Confira a íntegra da Lei nº 14.611/2023 no Planalto.
O governo federal também mantém os Relatórios de Transparência Salarial, que reúnem informações sobre remuneração e critérios relacionados ao mercado de trabalho.
Essa discussão é especialmente importante no contexto da maternidade porque decisões de remuneração e promoção não devem ser baseadas em suposições sobre comprometimento de uma profissional por ela ser mãe.
Mentoria e patrocínio podem ajudar?
Sim.
A mentoria oferece orientação, troca de experiências e espaço para discutir decisões profissionais.
O patrocínio tem outra função: envolve pessoas com influência que reconhecem o potencial profissional e ajudam a ampliar a visibilidade da carreira.
Para uma mãe que retorna de uma licença, isso pode ser especialmente importante.
Uma mentora pode ajudar a pensar:
“Como reorganizar minhas prioridades?”
“Quais competências devo desenvolver?”
“Como outras profissionais enfrentaram essa transição?”
Um patrocinador pode ajudar a garantir que seus resultados continuem presentes nas conversas sobre oportunidades.
A mentoria de carreira pode ser utilizada como uma ferramenta de desenvolvimento em diferentes momentos da trajetória.
Como recuperar a confiança profissional depois da licença?
O retorno pode provocar insegurança.
A profissional pode sentir que perdeu ritmo, desconhece mudanças ou não está tão rápida quanto antes.
Isso não significa perda de capacidade.
Significa adaptação.
Uma abordagem prática é dividir o retorno em períodos.
Primeiros 30 dias
Recupere contexto, acessos, processos e prioridades.
Primeiros 60 dias
Recupere consistência, resultados e visibilidade.
Primeiros 90 dias
Comece a discutir desenvolvimento, novas responsabilidades e próximos passos.
Esse modelo ajuda a substituir uma cobrança abstrata por objetivos concretos.
Como manter a visibilidade profissional depois da maternidade?
Visibilidade não significa trabalhar mais horas.
Significa participar das conversas que importam.
Algumas práticas ajudam:
Apresente resultados.
Participe de projetos relevantes.
Converse com lideranças.
Peça feedback.
Registre conquistas.
Mantenha relacionamentos profissionais.
Discuta objetivos de desenvolvimento.
O feedback profissional é particularmente importante porque permite compreender como seu trabalho está sendo percebido.
Outra ferramenta útil é o PDI — Plano de Desenvolvimento Individual.
Como evitar que a maternidade seja usada contra a carreira?
Não é possível controlar todos os vieses presentes no ambiente profissional, mas é possível aumentar a objetividade da própria trajetória.
Mantenha registros de resultados.
Conheça os critérios de promoção.
Peça feedback.
Converse sobre carreira.
Defina metas.
Procure oportunidades de desenvolvimento.
Além disso, observe como a empresa toma decisões.
Se os critérios para promoção forem claros, fica mais fácil demonstrar prontidão.
Se forem subjetivos, o diálogo e a documentação dos resultados ganham importância.
Quais são os direitos trabalhistas mais importantes para mães?
Conhecer direitos ajuda a planejar o retorno ao trabalho com mais segurança.
A legislação trabalhista prevê, como regra geral, 120 dias de licença-maternidade, sem prejuízo do emprego e do salário. A previsão está no artigo 392 da CLT e pode ser consultada na legislação oficial.
Além disso, existem situações em que a licença pode ser prorrogada.
Programa Empresa Cidadã
Empresas participantes do Programa Empresa Cidadã podem conceder uma prorrogação de 60 dias da licença-maternidade, além do período legal.
A Receita Federal informa que o programa prorroga a licença-maternidade por 60 dias e estabelece condições específicas para a concessão. Confira as orientações oficiais do Programa Empresa Cidadã.
O serviço oficial do governo também informa que a prorrogação deve ser solicitada pela empregada até o final do primeiro mês após o parto, observadas as regras do programa.
Mudança recente em casos de internação
A legislação brasileira passou por uma atualização relevante em 2025.
A Lei nº 15.222, de 29 de setembro de 2025, alterou a CLT e a legislação previdenciária para estabelecer regras específicas quando a mãe ou o recém-nascido permanecem internados por mais de duas semanas em decorrência de complicações relacionadas ao parto.
Nessas situações, a licença-maternidade pode se estender em até 120 dias após a alta da mãe e do recém-nascido, conforme as condições estabelecidas pela lei. Consulte a Lei nº 15.222/2025 no portal do Planalto.
Esse é um exemplo importante de por que conteúdos sobre direitos trabalhistas precisam ser periodicamente atualizados.
A gestante tem estabilidade no emprego?
A Constituição Federal garante proteção à gestante contra dispensa arbitrária ou sem justa causa durante o período de estabilidade provisória previsto na legislação.
A regra geral é compreendida como proteção desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto, nos termos do artigo 10, II, “b”, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.
Para conhecer os principais conceitos, consulte também o conteúdo sobre estabilidade da gestante.
É importante observar, entretanto, que situações concretas podem envolver convenções coletivas, condições específicas do contrato e questões jurídicas particulares.
Em caso de possível demissão ou dúvida sobre direitos, a orientação adequada é consultar o sindicato da categoria ou um profissional especializado.
Quais são os direitos relacionados à amamentação no trabalho?
A legislação também prevê proteção específica para a lactante.
O artigo 396 da CLT estabelece dois descansos especiais de meia hora cada durante a jornada para amamentação até que o filho complete seis meses, podendo esse período ser ampliado quando a saúde da criança exigir, conforme as regras legais.
O próprio governo federal reforçou essa informação em conteúdo oficial publicado em 2026 sobre os direitos das trabalhadoras que amamentam. Confira as orientações do Ministério das Mulheres.
A forma de operacionalização desses intervalos pode ser detalhada de acordo com a empresa e eventuais normas coletivas.
Como escolher uma empresa pensando na maternidade?
Quando estiver buscando uma oportunidade, salário não deve ser o único critério.
Avalie também:
| Critério | O que observar |
|---|---|
| Jornada | Horários e possibilidade de flexibilidade |
| Modelo de trabalho | Presencial, híbrido ou remoto |
| Benefícios | Saúde, alimentação e apoio à família |
| Licenças | Regras legais e benefícios adicionais |
| Cultura | Como mães são tratadas na prática |
| Liderança | Presença de mulheres em cargos decisórios |
| Desenvolvimento | Acesso a treinamentos e PDI |
| Promoção | Critérios claros para progressão |
| Deslocamento | Tempo gasto no trajeto |
| Ambiente | Inclusão, respeito e pertencimento |
Uma empresa pode oferecer um benefício no papel e, ao mesmo tempo, ter uma cultura em que as pessoas tenham medo de utilizá-lo.
Por isso, tente observar a experiência prática.
Pergunte sobre flexibilidade.
Entenda como funciona o retorno após a licença.
Observe se existem mães em posições de liderança.
Descubra como as promoções são decididas.
Tudo isso ajuda a avaliar se a empresa realmente oferece condições para conciliar maternidade e carreira.
Como a empresa pode apoiar mães que voltam da licença?
A responsabilidade pela conciliação não deve recair somente sobre a mulher.
A empresa pode atuar em diferentes etapas.
Antes da licença
Alinhar projetos, responsabilidades e pontos de contato.
Durante a licença
Respeitar o período de afastamento e evitar cobranças desnecessárias.
Antes do retorno
Preparar acessos, ferramentas e informações.
No retorno
Oferecer acolhimento e atualização.
Nos meses seguintes
Acompanhar adaptação, desempenho e desenvolvimento.
Na carreira
Garantir que a maternidade não seja usada como motivo informal para excluir a profissional de oportunidades.
Essa estrutura também favorece retenção de talentos.
O estudo da FGV mostra justamente como a permanência das mães no mercado formal pode ser comprometida nos períodos seguintes à licença.
Como a empresa pode reduzir a penalidade da maternidade?
A empresa pode atuar em diferentes frentes.
Entre as possibilidades estão:
flexibilidade: quando compatível com a função;
reembolso ou apoio para cuidados infantis;
espaços de amamentação;
programas de retorno;
desenvolvimento profissional;
apoio psicológico;
critérios objetivos de promoção;
treinamento de lideranças;
políticas de equidade.
O Ministério Público do Trabalho também reúne orientações sobre boas práticas para trabalhadoras gestantes e lactantes, incluindo medidas relacionadas à estrutura física, apoio e permanência profissional. Confira o manual de boas práticas do MPT.
Como o onboarding pode ajudar no retorno da licença?
O onboarding não precisa existir somente para quem acabou de ser contratado.
Também pode ser usado para estruturar o retorno de alguém que passou meses afastada.
A profissional precisa recuperar:
acessos;
ferramentas;
contexto;
relacionamentos;
processos;
prioridades.
Por isso, uma experiência organizada pode fazer diferença.
Na Serasa Experian, o Maternidade Tech foi desenvolvido em 2021 para tornar o retorno das profissionais após a licença-maternidade mais acolhedor. A iniciativa inclui preparação tecnológica, disponibilização ou atualização de equipamentos, acompanhamento de acessos e um canal de suporte para o processo de retomada.
A experiência demonstra como o retorno pode ser tratado como uma etapa de reintegração, e não simplesmente como o dia em que a profissional volta a abrir o computador.
Veja também onboarding para compreender a importância desse tipo de processo.
Como a Serasa Experian apoia a carreira depois da maternidade?
O Maternidade Tech é uma iniciativa criada pela Serasa Experian para humanizar e facilitar a retomada das profissionais após a licença-maternidade.
Segundo o conteúdo-base institucional, a iniciativa foi criada em 2021 e contempla medidas práticas para que a colaboradora tenha as ferramentas necessárias já no retorno, incluindo computador novo ou atualizado, preparação dos sistemas e acompanhamento das credenciais.
Também existe um canal exclusivo de onboarding por e-mail para apoiar questões relacionadas a essa retomada.
Esse tipo de ação é importante porque pequenas dificuldades operacionais podem gerar uma impressão equivocada de distanciamento profissional.
Quando os acessos estão preparados, os projetos estão contextualizados e existe uma estrutura clara de suporte, a profissional consegue concentrar sua energia naquilo que realmente importa: retomar sua atuação e continuar desenvolvendo sua carreira.
Como conciliar maternidade e uma carreira de liderança?
Uma carreira de liderança exige ainda mais planejamento.
Quanto maior a responsabilidade, menos sustentável é concentrar todas as decisões em uma única pessoa.
Por isso, mães em posições de gestão podem se beneficiar especialmente de:
delegação;
priorização;
desenvolvimento de equipe;
comunicação clara;
processos bem definidos;
planejamento de sucessão.
Uma boa liderança não depende de estar disponível 24 horas.
Depende de criar uma equipe capaz de funcionar com autonomia.
Esse conceito também se relaciona ao desenvolvimento de liderança e liderança feminina.
Como usar o PDI para retomar a carreira?
O Plano de Desenvolvimento Individual pode ser especialmente útil depois da maternidade.
Em vez de tentar recuperar todas as competências ao mesmo tempo, escolha três focos.
Atualização
Que conhecimento precisa ser recuperado?
Visibilidade
Que resultado precisa ser demonstrado?
Próximo passo
Qual oportunidade você deseja alcançar?
Depois, transforme cada objetivo em uma ação.
Por exemplo:
“Concluir uma formação sobre a nova ferramenta da equipe.”
“Assumir a apresentação de um indicador estratégico.”
“Conversar com a liderança sobre próximos passos no trimestre.”
Esse formato transforma uma intenção em um plano.
E quando a maternidade leva a uma mudança de carreira?
Também acontece.
Algumas mulheres percebem que o antigo modelo de trabalho não atende mais suas necessidades.
A mudança pode envolver:
nova empresa;
nova área;
empreendedorismo;
trabalho remoto;
horários mais previsíveis;
menor deslocamento;
ou até uma nova profissão.
Isso não significa abandonar uma carreira.
Significa construir uma trajetória diferente.
Antes de tomar uma decisão, avalie competências transferíveis, mercado, remuneração, custos, jornada e possibilidade de desenvolvimento.
Para quem está considerando uma mudança, o conteúdo sobre transição de carreira pode ajudar na organização desse processo.
Como voltar ao mercado depois de uma pausa para cuidar dos filhos?
Nem toda mulher volta para a mesma empresa depois da maternidade.
Algumas decidem fazer uma pausa.
Outras deixam o emprego para cuidar da criança.
Algumas passam por uma demissão.
Nesse cenário, a recolocação pode ser planejada como um projeto.
Comece atualizando o currículo.
Reforce resultados anteriores.
Revise seu LinkedIn.
Retome contatos profissionais.
Pesquise empresas compatíveis com a rotina atual.
Veja também conteúdos sobre currículo e perfil do LinkedIn.
Uma pausa profissional não precisa apagar os resultados construídos anteriormente.
O foco da apresentação deve ser sua experiência, competências, resultados e objetivo profissional atual.
Como falar sobre maternidade em uma entrevista de emprego?
A maternidade não precisa dominar uma entrevista.
A candidata pode concentrar a conversa em experiência, competências e disponibilidade para cumprir as responsabilidades previstas na posição.
Para entender a rotina da empresa, perguntas como estas são úteis:
“Como funciona a jornada?”
“Qual é o modelo de trabalho?”
“Existem horários fixos?”
“Como a equipe trabalha de forma híbrida?”
Essas perguntas ajudam a avaliar a compatibilidade da vaga com a realidade profissional atual.
Para se preparar, confira como se preparar para uma entrevista de emprego.
Como explicar uma pausa profissional causada pela maternidade?
Não é necessário transformar a pausa em um pedido de desculpas.
Uma explicação objetiva é suficiente.
O foco pode estar na trajetória anterior, no período de pausa e no momento profissional atual.
A candidata pode apresentar:
experiência;
principais resultados;
competências;
formações;
projetos;
objetivos futuros.
A maternidade faz parte da história da pessoa, mas não precisa ser apresentada como uma justificativa para sua capacidade profissional.
Como proteger a saúde mental ao conciliar maternidade e carreira?
Saúde mental não deve ser tratada como uma tarefa para fazer somente quando todo o restante estiver resolvido.
Ela faz parte da sustentabilidade da carreira.
Alguns limites ajudam:
não preencher todos os horários;
não transformar o tempo em família em extensão do expediente;
definir momentos de desconexão;
pedir ajuda;
compartilhar responsabilidades;
evitar metas impossíveis;
reconhecer quando a sobrecarga está excessiva.
Também é importante entender que produtividade e disponibilidade não são sinônimos.
Responder mensagens fora do horário não significa necessariamente trabalhar melhor.
Uma carreira longa exige consistência, não exaustão permanente.
Como construir uma cultura organizacional favorável à maternidade?
Uma empresa realmente inclusiva precisa olhar para a experiência cotidiana.
Isso significa criar um ambiente em que:
políticas sejam acessíveis;
benefícios possam ser utilizados;
lideranças estejam preparadas;
mães participem de projetos relevantes;
promoções tenham critérios claros;
retornos sejam estruturados;
flexibilidade não seja interpretada como falta de comprometimento.
A cultura organizacional tem papel fundamental nesse processo.
A mesma política pode produzir resultados diferentes dependendo de como é vivenciada pelas equipes.
Por isso, inclusão não deve existir apenas no documento.
Precisa aparecer na prática.
Como avaliar se uma empresa realmente apoia mães?
Durante uma entrevista ou processo seletivo, observe além da descrição dos benefícios.
Pergunte como a flexibilidade funciona.
Veja se existe programa de retorno.
Pesquise a presença de mulheres em posições de liderança.
Observe se o discurso sobre diversidade aparece também nas práticas.
Analise a reputação da organização.
E considere a experiência de colaboradores quando essa informação estiver disponível.
O ideal é encontrar coerência entre:
o que a empresa promete;
o que a política estabelece;
o que as lideranças praticam;
o que as pessoas vivenciam.
Como criar um plano de 90 dias depois da licença?
Um plano de 90 dias ajuda a transformar a volta ao trabalho em uma jornada organizada.
Dias 1 a 30: recuperar contexto
Entenda projetos, processos, ferramentas e prioridades.
Dias 31 a 60: recuperar visibilidade
Assuma entregas relevantes, compartilhe resultados e peça feedback.
Dias 61 a 90: discutir crescimento
Retome objetivos, desenvolvimento, projetos estratégicos e próximos passos.
Essa sequência evita que a conversa sobre carreira desapareça durante a adaptação.
Como lidar com imprevistos envolvendo os filhos?
Imprevistos fazem parte da vida.
Uma criança pode ficar doente.
A escola pode fechar.
Um cuidador pode faltar.
Uma consulta pode ser antecipada.
Não é possível eliminar essas situações.
O que pode ser feito é construir alternativas.
Tenha uma rede de emergência.
Defina quem pode ajudar.
Conheça as políticas da empresa.
E mantenha uma comunicação objetiva com a equipe.
Por exemplo:
“Preciso me ausentar hoje para acompanhar meu filho. A entrega X foi concluída e a atividade Y está programada para amanhã. Assim que eu tiver uma previsão de retorno, atualizo a equipe.”
Essa comunicação demonstra responsabilidade sem exigir exposição excessiva da vida pessoal.
Como conciliar maternidade e carreira sem abrir mão dos objetivos?
Uma pergunta mais útil do que “como fazer tudo?” pode ser:
“O que preciso tornar sustentável nesta fase?”
Para algumas mulheres, a prioridade será manter o emprego.
Para outras, será buscar uma promoção.
Para algumas, será mudar de carreira.
Para outras, voltar ao mercado.
Não existe uma única definição de sucesso.
O importante é que a escolha seja consciente.
Carreiras podem passar por fases de aceleração, adaptação, estabilidade, transição e retomada.
Uma fase diferente não significa uma carreira menor.
Carreira após maternidade: 7 estratégias para continuar crescendo
Para transformar a intenção em prática, vale resumir os principais caminhos.
1. Mantenha seus objetivos visíveis
Converse sobre carreira.
2. Documente resultados
Guarde evidências do impacto do seu trabalho.
3. Continue aprendendo
Faça atualizações compatíveis com seu momento de vida.
4. Fortaleça sua rede
Mantenha contatos com colegas, mentores e lideranças.
5. Negocie flexibilidade
Apresente soluções concretas.
6. Cuide da saúde mental
Defina limites sustentáveis.
7. Revise seu plano
Sua família e sua carreira mudam. Seu planejamento também pode mudar.
Perguntas frequentes sobre como conciliar maternidade e carreira
Como conciliar maternidade e carreira?
É possível conciliar maternidade e carreira por meio de planejamento, divisão de responsabilidades, rede de apoio, organização da rotina, negociação de flexibilidade e acompanhamento dos objetivos profissionais. A solução precisa considerar tanto a realidade familiar quanto as características da função.
O que é a penalidade da maternidade no mercado de trabalho?
É o conjunto de desvantagens profissionais e econômicas que pode atingir mulheres depois da maternidade, incluindo menor participação no emprego, interrupções profissionais, diferenças de remuneração e dificuldades de progressão. Estudos brasileiros da FGV demonstraram queda na permanência no emprego formal após a licença-maternidade.
Como voltar ao trabalho após a licença-maternidade?
Prepare o retorno com antecedência, converse com a liderança, descubra o que mudou durante a ausência, organize sua rotina familiar e retome suas responsabilidades gradualmente sempre que possível.
Posso pedir home office depois da maternidade?
A possibilidade depende do cargo, da política da empresa e do acordo com a organização. Uma boa negociação apresenta como as entregas, metas e comunicação continuarão funcionando.
A maternidade pode atrapalhar uma promoção?
A maternidade pode estar associada a barreiras profissionais, mas não impede uma promoção. Para preservar oportunidades, é importante manter resultados visíveis, conversar sobre desenvolvimento e conhecer os critérios usados pela organização.
Quanto tempo dura a licença-maternidade?
A regra geral é de 120 dias. Em empresas participantes do Programa Empresa Cidadã, pode haver prorrogação de 60 dias, conforme as regras oficiais do programa.
A licença pode ser prorrogada em caso de internação?
Sim. A Lei nº 15.222/2025 estabelece regras para situações em que a internação da mãe ou do recém-nascido ultrapassa duas semanas em decorrência de complicações relacionadas ao parto. Nessas condições, pode haver extensão da licença após a alta, conforme os critérios previstos na legislação.
A gestante tem estabilidade no emprego?
A legislação brasileira garante estabilidade provisória à gestante durante o período previsto constitucionalmente. A regra geral abrange o período entre a confirmação da gravidez e cinco meses após o parto, observadas as particularidades de cada caso e eventuais normas coletivas.
Quais são os direitos para amamentar durante o trabalho?
A CLT prevê dois descansos especiais de meia hora durante a jornada para amamentar o filho até que ele complete seis meses, conforme as condições legais.
Como manter a carreira durante a maternidade?
Mantenha contato com sua profissão, acompanhe mudanças na área, participe de oportunidades de desenvolvimento compatíveis com sua rotina, cultive networking e continue conversando sobre seus objetivos profissionais.
É possível ser mãe e ocupar uma posição de liderança?
Sim. Muitas mulheres continuam construindo carreiras de liderança depois da maternidade. Para isso, delegação, organização, equipes autônomas, planejamento e uma cultura organizacional favorável são importantes.
Como voltar ao mercado depois de uma pausa para cuidar dos filhos?
Atualize currículo e LinkedIn, retome networking, destaque resultados anteriores e pesquise empresas compatíveis com seus objetivos atuais.
Como falar sobre maternidade em uma entrevista?
Concentre-se em experiência, competências e disponibilidade profissional para a função. Também aproveite a entrevista para conhecer jornada, modelo de trabalho e cultura da empresa.
Conclusão: maternidade e carreira podem caminhar juntas
Saber como conciliar maternidade e carreira não significa encontrar uma rotina perfeita.
Significa construir uma trajetória sustentável em uma fase da vida que traz novas responsabilidades.
Os dados brasileiros mostram que a distribuição do trabalho doméstico e do cuidado continua desigual. Em 2022, mulheres dedicaram 21,3 horas semanais a essas atividades, enquanto homens dedicaram 11,7 horas.
Também existem evidências de que a presença de crianças pequenas está relacionada a diferenças relevantes na participação profissional das mulheres. Em 2019, por exemplo, mulheres de 25 a 49 anos que viviam com crianças de até três anos apresentavam nível de ocupação de 54,6%, contra 67,2% entre aquelas sem crianças nessa faixa etária.
E o estudo da FGV mostra que a trajetória profissional pode continuar sendo afetada nos anos posteriores à licença-maternidade, com quase metade das mulheres acompanhadas fora do mercado formal 24 meses depois.
Esses dados deixam claro que a chamada penalidade da maternidade no mercado de trabalho não pode ser solucionada apenas com dicas de produtividade.
É preciso combinar planejamento pessoal, divisão de responsabilidades, políticas públicas, suporte familiar e ambientes corporativos mais inclusivos.
Para a profissional, isso significa continuar olhando para a carreira, mesmo que os passos precisem ser diferentes.
Pode significar voltar gradualmente, negociar flexibilidade, fazer uma formação curta, buscar mentoria, reconstruir networking ou rever o plano de carreira.
Para as empresas, significa criar condições reais para que mulheres possam retornar, permanecer e crescer.
A própria Serasa Experian demonstra esse princípio por meio do Maternidade Tech, iniciativa criada para apoiar o retorno de profissionais após a licença e reduzir obstáculos operacionais durante essa transição.
Maternidade não deveria significar o fim da ambição.
Carreira não deveria significar ausência na vida familiar.
A conciliação acontece quando existe espaço para as duas dimensões coexistirem.
Uma carreira sustentável não é aquela em que a profissional nunca precisa adaptar sua rotina. É aquela em que ela pode continuar crescendo ao longo das diferentes fases da vida.