A edição de setembro mostra uma economia com menos força, enquanto inflação e mercado de trabalho ainda trazem sinais positivos. Os juros começaram a cair, mas seguem altos, o dólar voltou a subir e a inadimplência de consumidores e empresas alcançou novos recordes.
É esse cenário que o novo Boletim Econômico de setembro da Serasa Experian ajuda você a entender.
No câmbio, o dólar encerrou agosto próximo de R$ 5,18, com alta de cerca de 2,1% em relação ao fechamento de julho. Mesmo com essa correção, o real ainda acumula valorização de 5,36% em 2026.
A alta veio principalmente de um ambiente externo menos favorável às moedas emergentes, com investidores revendo as expectativas para os juros nos Estados Unidos. No Brasil, a redução gradual da Selic também reduz aos poucos a diferença entre os juros brasileiros e os de outras economias. A Serasa Experian mantém a projeção de R$ 5,45 por dólar no fim de 2026.
A inflação trouxe um sinal mais positivo. O IPCA avançou 0,07% em julho, abaixo dos 0,16% registrados em junho. No acumulado em 12 meses, desacelerou para 4,44%, ficando abaixo do limite superior da meta de inflação, de 4,50%.
A queda de 0,67% em Alimentação e Bebidas ajudou a conter o índice. Habitação foi na direção contrária, com alta de 0,99%, puxada principalmente pela energia elétrica residencial. A projeção da Serasa Experian para o IPCA em 2026 é de 5,1%.
Nos juros, o Copom fez em agosto mais um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic a 14,00% ao ano. Foi a quarta redução seguida desde março, mas o Banco Central manteve uma postura cautelosa sobre os próximos passos.
A inflação de serviços ainda resistente e o mercado de trabalho aquecido limitam o espaço para cortes maiores. A Serasa Experian revisou sua projeção para a Selic no fim de 2026 de 14,00% para 13,75%. Na prática, o crédito deve continuar caro para consumidores e empresas por mais algum tempo.
Em julho, o Brasil chegou a 83,9 milhões de consumidores inadimplentes, um novo recorde. O valor das dívidas negativadas alcançou R$ 586,5 bilhões. Em média, cada consumidor nessa situação acumulava cerca de quatro dívidas, que somavam R$ 6.987,23 por CPF.
Entre as empresas, foram 9,2 milhões de CNPJs inadimplentes, com R$ 238,6 bilhões em dívidas. As micro e pequenas empresas concentravam 8,7 milhões desses registros. Embora o número de pedidos de recuperação judicial tenha recuado em relação ao ano anterior, a Serasa Experian avalia que isso ainda não significa uma melhora clara da situação financeira dos negócios.
O mercado de crédito permanece ativo mesmo com esse quadro. As concessões somaram R$ 736,8 bilhões em julho e ficaram praticamente estáveis na comparação mensal com ajuste sazonal. No acumulado em 12 meses, o crescimento está próximo de 10%, embora mais concentrado em algumas linhas.
Para as famílias, as concessões cresceram 0,3% na série com ajuste sazonal, enquanto entre as empresas recuaram 0,3%. Para 2026, a Serasa Experian mantém a projeção de crescimento de 8,5% para o saldo das operações de crédito.
Na atividade econômica, o PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre em relação aos três meses anteriores e 2,0% na comparação com o mesmo período de 2025, chegando a R$ 3,4 trilhões. O avanço foi puxado principalmente pela agropecuária, enquanto indústria e serviços cresceram menos.
O consumo das famílias recuou 0,4% no trimestre. Em junho, o varejo ampliado caiu 1,0%, a produção industrial recuou 1,8% e os serviços ficaram estáveis. Os números mostram uma economia com menos força no segundo semestre. A Serasa Experian mantém a projeção de crescimento de 1,8% para o PIB em 2026.
O mercado de trabalho continua sendo um dos pontos mais positivos. A taxa de desemprego caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho, o menor nível da série histórica para o período. O país chegou a 103,3 milhões de pessoas ocupadas, com renda média real de R$ 3.762.
O cenário de setembro mostra que a economia começa a dar alguns sinais de alívio, mas ainda exige atenção aos próximos movimentos.
Quer saber mais? Acesse o Boletim Econômico de setembro da Serasa Experian e veja a análise completa dos indicadores que podem influenciar o crédito, o consumo e os negócios nos próximos meses.