A edição de agosto traz alguns sinais mais favoráveis, mas com alertas que ainda pedem a nossa atenção. A inflação perdeu força, o real voltou a se valorizar e o mercado de trabalho continuou aquecido. Porém ao mesmo tempo, os juros seguem altos, a inadimplência continua crescendo e a atividade econômica mostra menos fôlego.
É esse cenário de contrastes que o novo Boletim Econômico de agosto da Serasa Experian ajuda você a entender.
No câmbio, o dólar encerrou julho próximo de R$ 5,07, com queda de 1,9% em relação a junho. O movimento interrompeu dois meses de perda de força do real e recuperou parte da valorização observada no início do ano.
A melhora veio principalmente do cenário externo, com o enfraquecimento global do dólar e a alta do petróleo. Ainda assim, a moeda brasileira continua sensível aos juros nos Estados Unidos e às incertezas fiscais e eleitorais no Brasil. A Serasa Experian mantém a projeção de R$ 5,45 por dólar no fim de 2026.
A inflação também trouxe algum alívio. O IPCA avançou 0,16% em junho, bem abaixo dos 0,58% registrados em maio. A queda de 0,24% em alimentação e bebidas ajudou a conter o índice depois de meses de maior pressão sobre os alimentos.
Mesmo com a desaceleração, a inflação acumulada em 12 meses ficou em 4,64%, acima do teto da meta, de 4,50%. Habitação e energia elétrica continuaram entre os principais pontos de pressão, enquanto alguns serviços ainda mostram resistência para cair.
Para os próximos meses, a expectativa é de que as coisas melhorem gradualmente. A Serasa Experian mantém a projeção de inflação em 5,2% para 2026 e 4,2% para 2027.
Nos juros, a Selic permanece em 14,25% ao ano após o corte realizado pelo Copom em junho, confirmando a continuidade do ciclo de queda, mas mostrando também que o espaço para novas reduções é limitado.
A inflação acima da meta, as expectativas elevadas e o mercado de trabalho aquecido mantêm o Banco Central cauteloso. A projeção da Serasa Experian considera apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual no segundo semestre, levando a Selic a 14,00% no fim de 2026. Ou seja: o crédito deve continuar caro para consumidores e empresas.
Esse cenário já aparece nos dados de inadimplência, tendo em vista que em junho, o Brasil chegou a 83,7 milhões de consumidores inadimplentes, com 234 mil novos registros no mês, com cada consumidor nessa situação acumulando, em média, cerca de quatro dívidas, que somavam R$ 6.920,63 por CPF.
Entre as empresas, foram 9,1 milhões de CNPJs negativados, com R$ 232,9 bilhões em dívidas, com as micro e pequenas empresas concentrando 8,7 milhões desse total. Os dados de recuperações judiciais e falências reforçam que reorganizar as finanças continua sendo um desafio para muitos negócios.
Mesmo com esse quadro, o mercado de crédito continua ativo, com concessões somando R$ 747,1 bilhões em junho e cresceram 0,4% na comparação mensal, descontando os efeitos típicos do período.
O avanço foi puxado pelas empresas, com alta de 1,4%, enquanto as concessões para pessoas físicas ficaram praticamente estáveis. Para as famílias, o comprometimento de renda chegou a 28,5%, o maior patamar da série histórica, o que ajuda a explicar a cautela na contratação de novas dívidas.
Na atividade econômica, os principais setores perderam ritmo em maio. O varejo ampliado e a indústria recuaram 0,2%, enquanto os serviços caíram 0,4%. Os números não apontam para uma queda generalizada, mas mostram que o impulso do início do ano ficou menor.
O mercado de trabalho continua sendo um dos pontos mais positivos. A taxa de desemprego caiu para 5,4% no trimestre encerrado em junho, com 103,1 milhões de pessoas ocupadas e renda média real de R$ 3.738.
Resumindo, o Boletim Econômico de agosto mostra uma economia que começou a encontrar algum alívio, mas que ainda convive com obstáculos importantes. A inflação está desacelerando, o dólar está recuando e o emprego sustentando a renda. Ao mesmo tempo, juros altos, inadimplência crescente e um crédito mais seletivo seguem limitando a recuperação de famílias e empresas.
Quer saber mais? Acesse o Boletim Econômico de agosto da Serasa Experian e veja a análise completa dos indicadores que podem influenciar o crédito, o consumo e os negócios nos próximos meses.