A nova edição do Boletim Econômico da Serasa Experian mostra uma economia que segue em movimento, mas ainda cercada por pontos de atenção importantes.
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Em abril, o dólar voltou a operar abaixo de R$ 5,00 e encerrou o mês em R$ 4,98. A queda foi favorecida por um cenário externo mais positivo para moedas emergentes, pela entrada de capital estrangeiro e pelos juros ainda elevados no Brasil, que continuam atraindo investimentos para o país.
Mesmo assim, a leitura para os próximos meses ainda é de cautela. A valorização do real foi relevante no curto prazo, mas não significa, por enquanto, uma mudança mais permanente no câmbio. O dólar deve seguir sensível ao cenário internacional, ao comportamento das commodities, às tensões geopolíticas e às incertezas fiscais e eleitorais no Brasil.
Na inflação, o IPCA voltou a acelerar em março, com alta de 0,88% no mês e avanço de 4,14% no acumulado em 12 meses. O principal peso veio dos combustíveis, especialmente gasolina e diesel, que também impactam passagens aéreas, fretes e custos logísticos.
E esse efeito não fica restrito ao transporte. Quando combustível sobe, o impacto pode chegar ao supermercado, aos serviços e ao custo de vida das famílias. Alimentação e bebidas também pressionaram o índice, com alta de 1,56% no mês. Com esse cenário, a Serasa Experian revisou sua projeção para o IPCA de 2026 para 5,0%.
Nos juros, o Copom fez um novo corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14,50% ao ano. Apesar da redução, os juros continuam altos. Isso significa que o crédito ainda tende a ser caro para consumidores e empresas, e que os próximos cortes devem acontecer com cautela, dependendo da inflação, das expectativas do mercado e do ambiente internacional.
A inadimplência segue como um dos principais alertas. Em março, o Brasil atingiu 82,8 milhões de consumidores inadimplentes, o maior nível da série histórica. Cada consumidor negativado concentra, em média, cerca de quatro dívidas, com valor médio de R$ 6.728,51 por pessoa.
Entre as empresas, o quadro também segue pressionado. O país registrou 8,9 milhões de CNPJs inadimplentes em março, alta de 21% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse cenário mantém o mercado de crédito mais criterioso, tanto para quem busca crédito quanto para quem concede.
Na atividade econômica, a leitura continua sendo de crescimento moderado. O varejo ainda avança, mas de forma mais concentrada em itens essenciais. A indústria mostra alguma melhora, embora ainda sem força para uma retomada mais consistente. Já os serviços continuam em nível elevado, mas com sinais de desaceleração gradual.
O mercado de trabalho segue como um ponto importante de sustentação. A taxa de desemprego ficou em 6,1% no trimestre encerrado em março, com 102 milhões de pessoas ocupadas. A renda real também ajuda a manter o consumo, mesmo em um ambiente de crédito mais restritivo.
No conjunto, o cenário de 2026 aponta para uma economia resiliente, mas pressionada. O câmbio trouxe alívio no curto prazo, a inflação voltou a ganhar força, os juros seguem altos, a inadimplência bateu novo recorde e o crédito continua mais seletivo.
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