Julho chega com um cenário que exige atenção de empresas, consumidores e de quem precisa tomar decisões com base em dados. A economia brasileira segue em movimento, mas ainda convive com pressões importantes.
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Na nova edição do Boletim Econômico da Serasa Experian, a inflação volta a ganhar destaque. Em maio, o IPCA avançou 0,58%, abaixo do resultado de abril, mas o acumulado em 12 meses chegou a 4,72%, acima do teto da meta de 4,50%.
A alta foi puxada principalmente por alimentação e bebidas, habitação e saúde e cuidados pessoais. Do outro lado, transportes ajudou a aliviar parte do índice, com queda influenciada pelos combustíveis. Ainda assim, alimentos, energia e serviços seguem pressionando o orçamento das famílias e os custos das empresas.
Com esse cenário, a Serasa Experian revisou a projeção para o IPCA de 2026 para 5,2%, indicando que o retorno à meta deve acontecer de forma mais lenta.
No câmbio, o dólar voltou a subir em junho e encerrou o mês cotado a R$ 5,16, alta de 2,4% frente ao real. Mesmo com essa correção, a moeda brasileira ainda acumula valorização de 5,8% em 2026.
O movimento mostra que parte do ganho registrado no início do ano perdeu força. A saída de investidores estrangeiros da Bolsa, a valorização do dólar no exterior e a queda do petróleo reduziram parte do suporte que havia favorecido o real nos primeiros meses do ano.
Para os próximos meses, a leitura segue sendo de oscilação. A trajetória do câmbio deve continuar influenciada pelos juros nos Estados Unidos, pelas commodities, pelo apetite global por risco e pelas incertezas fiscais e eleitorais no Brasil. A Serasa Experian mantém a projeção de R$ 5,45 por dólar ao fim de 2026.
Nos juros, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14,25% ao ano. O corte confirma a continuidade do ciclo de queda, mas com uma mensagem de cautela.
A inflação acima da meta, as expectativas ainda elevadas e o mercado de trabalho aquecido limitam o espaço para cortes mais rápidos. Por isso, a Serasa Experian projeta a Selic em 14,00% ao fim de 2026. Na prática, os juros devem continuar altos, mantendo o crédito mais caro para consumidores e empresas.
A inadimplência segue como um dos principais alertas. Em maio, o Brasil chegou a 83,5 milhões de consumidores inadimplentes, igualando o maior patamar da série histórica. Cada consumidor nessa condição reúne, em média, cerca de quatro dívidas, com valor aproximado de R$ 6.877,23 por pessoa.
Entre as empresas, o quadro também continua pressionado. Foram 9,0 milhões de CNPJs negativados em maio, com R$ 229,9 bilhões em dívidas. O cenário reflete um ambiente de juros elevados, crédito mais restrito e dificuldade de recomposição de caixa.
O crédito, por sua vez, segue avançando, mas com mais cautela. As concessões somaram R$ 694,2 bilhões em maio e cresceram 8,3% no acumulado em 12 meses. Mesmo assim, a inadimplência elevada mantém as instituições financeiras mais seletivas na aprovação de novas operações.
Na atividade econômica, o varejo ampliado recuou 0,7% em abril, em um contexto de renda mais comprometida e crédito mais caro. A indústria avançou 0,7%, mas ainda mostra recuperação desigual entre os segmentos. Já serviços cresceram 1,2% e continuam sendo um dos principais apoios da economia.
O mercado de trabalho segue ajudando a sustentar o consumo. A taxa de desemprego ficou em 5,6% no trimestre encerrado em maio, com 102,7 milhões de pessoas ocupadas e renda média real de R$ 3.726.
No conjunto, o Boletim Econômico de julho aponta para uma economia que ainda resiste, mas com pressões relevantes no caminho. A inflação voltou a superar o teto da meta, o dólar subiu, os juros devem cair devagar, a inadimplência segue elevada e o crédito continua mais seletivo.
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