Cuidar da saúde emocional no ambiente de trabalho não é mais opcional — é uma urgência. Ao investir no bem-estar dos colaboradores, o Retorno Sobre Investimento (ROI) de programas de saúde mental vai muito além dos números: a produtividade cresce, os custos diminuem e uma cultura organizacional mais acolhedora é fortalecida.
Neste conteúdo, vamos mostrar como essas iniciativas criam valor que supera métricas financeiras e trazem resultados palpáveis para todos os envolvidos.
Queremos inspirar você a entender por que investir em saúde mental é uma estratégia inteligente para líderes e gestores de RH, uma vez que a iniciativa é capaz de transformar o ambiente de trabalho e o próprio futuro da empresa. Veja!
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O que é o ROI da saúde mental?
O retorno sobre investimento é uma métrica utilizada para medir o impacto financeiro de investimentos feitos pela empresa. O ROI da saúde mental, especificamente, avalia o retorno financeiro de programas de saúde mental.
Esse cálculo leva em consideração indicadores como:
- redução de absenteísmo e presenteísmo: colaboradores saudáveis estão mais presentes e são mais produtivos;
- diminuição de custos médicos: programas preventivos evitam despesas maiores com emergências médicas;
- aumento do engajamento e da retenção de talentos: equipes engajadas performam com mais excelência, entregam bons resultados e permanecem na empresa por mais tempo.
Por que calcular o ROI de programas de saúde mental?
O cálculo do ROI de programas de saúde mental é um dos argumentos para justificar esse investimento para CHROs e CEOs que querem atuar de forma mais estratégica. Com isso, os gestores terão uma base sólida de informações para justificar novas implementações voltadas ao bem-estar.
Um estudo da ISMA-BR aponta que o Brasil é o segundo país com os trabalhadores mais estressados do mundo. A pesquisa registrou 72% de brasileiros irritados no trabalho.
Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) revelam que, anualmente, cerca de 12 bilhões de dias de trabalho são perdidos devido à depressão e à ansiedade, o que resulta em um impacto econômico de US$1 trilhão por ano.
Esses dados indicam uma realidade preocupante, mas que, ao mesmo tempo, desponta como uma oportunidade: de acordo com a Harvard Business Review, a cada R$1,00 investido em programas de saúde emocional, o retorno pode ser de R$3,68.
Apesar disso, o ROI não deve ser o único fator determinante. Além do impacto financeiro, os benefícios podem incluir aspectos paralelos nitidamente positivos para as organizações, como ganho de engajamento da equipe, aumento de retenção de talentos e fortalecimento da marca, já que empresas comprometidas com saúde mental são vistas como locais desejáveis para construir uma carreira.
No nível da gestão, esses benefícios também ajudam a criar um ambiente corporativo mais saudável. O cuidado com o bem-estar impacta os líderes positivamente, que se tornam mais preparados para lidar com os desafios do negócio e de cada colaborador.
Outro benefício importante é a redução do impacto emocional negativo causado por desligamentos. Quando colaboradores recebem suporte mental, são mais propensos a deixar a organização de forma planejada e construtiva, caso seja necessário, preservando o relacionamento com ela.
A falta de investimento nessa área pode resultar em afastamentos por motivos de saúde física ou mental, fazendo com que a empresa precise criar uma estratégia para substituir o funcionário ou deixar a equipe sobrecarregada, além de não manter uma constância nas realizações de atividades por causa da rotatividade de colaboradores.
Existem indicadores além do ROI financeiro?
O retorno desses investimentos nem sempre se manifesta de maneira direta e mensurável em termos financeiros. O impacto de programas de saúde mental vai além de números; seus resultados são multifacetados e podem ser observados também na cultura organizacional.
Por isso, para mensurar os impactos de forma mais completa, adote indicadores complementares ao ROI financeiro. Considere os aspectos a seguir!
Engajamento dos colaboradores
Investimentos em saúde mental resultam em equipes mais engajadas e satisfeitas, que conseguem conciliar a vida profissional e pessoal.
Métricas como a taxa de participação em treinamentos, a satisfação com as iniciativas e o feedback de colaboradores mostram como os programas aumentaram o comprometimento e a identificação com a empresa.
Além disso, empresas que priorizam a saúde mental das equipes costumam registrar um aumento na participação voluntária dos colaboradores em iniciativas internas, como programas de desenvolvimento, comitês de diversidade ou ações de responsabilidade social corporativa — essenciais para organizações que querem ser atuantes na agenda ESG, por exemplo.
Redução do absenteísmo e do presenteísmo
Ausências frequentes refletem o absenteísmo, enquanto o presenteísmo ocorre quando o colaborador está no trabalho, mas não consegue produzir por falta de bem-estar.
O presenteísmo pode ser medido por meio da observação de melhorias no desempenho em dias de trabalho.
Faltas, atrasos, saídas adiantadas ou distanciamento mental do colaborador durante o expediente podem comprometer a produtividade das equipes.
Além disso, colaboradores emocionalmente desgastados têm maior probabilidade de apresentar lapsos de atenção e desempenho abaixo do esperado, o que afeta os resultados coletivos. Um ambiente que valoriza a saúde mental minimiza essas ocorrências.
Com colaboradores mentalmente saudáveis, os processos se tornam mais intuitivos, os retrabalhos diminuem e a capacidade da equipe de atingir metas desafiadoras com maior consistência é fortalecida.
Portanto, observe se houve redução na frequência de ausências da equipe para avaliar o resultado dos programas.
Cultura organizacional e qualidade de vida
Além dos benefícios individuais, os programas de saúde mental criam culturas inclusivas e contribuem para a melhoria da qualidade de vida dos colaboradores.
Nesse sentido, indicadores mais abstratos vão denominar o impacto de seus programas, como diminuição da rotatividade, redução dos níveis de estresse, aumento da colaboração entre equipes e contenção de conflitos.
Percepção do mercado e marca empregadora
A preocupação com a saúde mental é indispensável para a construção de uma marca empregadora. Empresas que promovem bem-estar são vistas como locais ideais para trabalhar, portanto impactam diretamente a atração e a retenção de talentos.
Além do mais, colaboradores que percebem um compromisso genuíno com sua saúde mental tendem a se tornar mais fiéis à marca, o que fortalece a reputação da organização no mercado.
Um corpo profissional desequilibrado emocionalmente trará prejuízos à produtividade e, consequentemente, ao faturamento da empresa. Em longo prazo, poderá afetar também sua reputação perante clientes, parceiros e talentos potenciais.
Quais são as estratégias para implementar programas de saúde mental?
Mesmo com restrições orçamentárias, é possível implementar programas de saúde mental. Nesse contexto, pode-se pensar em ações de baixo custo, com foco na conscientização sobre a importância do bem-estar psicológico no ambiente de trabalho, por exemplo.
Para isso, o primeiro passo é identificar o estágio de maturidade organizacional em relação à saúde mental.
Em seguida, planeje ações mais alinhadas à realidade da organização, aos principais desafios enfrentados e à cultura da empresa.
Estágio de conscientização
No estágio de conscientização, as empresas ainda não medem os KPIs dos programas, não compreendem a importância de um programa estratégico estruturado e não conhecem seus impactos.
Nessa fase, as organizações oferecem soluções isoladas, como palestras de conscientização no “Setembro Amarelo”, mas não investem em ações conectadas.
Para iniciar o processo de amadurecimento, uma possibilidade é investir em treinamentos para os gestores, capacitando-os a reconhecer sinais de sofrimento psicológico e adotar uma postura de apoio com suas equipes.
Ademais, a integração da saúde mental aos processos de feedback e avaliação de desempenho, por exemplo, pode garantir que o tema seja tratado de forma contínua, e não apenas em situações de crise ou em datas em que ele esteja em evidência.
Estágio de estratégia
No estágio de estratégia, as organizações já têm programas táticos de saúde mental, adotam KPIs de negócios atrelados ao tema e calculam o ROI de iniciativas.
Nesse processo, começam a incorporar a saúde mental à cultura organizacional de maneira proativa. Isso envolve a criação de políticas permanentes, como programas de apoio psicológico e acompanhamento de indicadores relacionados à saúde mental.
Investimentos em benefícios focados em promover a saúde mental, como aqueles que oferecem acesso a plataformas de apoio psicológico online, também são uma opção viável.
Estágio de reinvenção
No estágio de reinvenção, as empresas pensam em novos modelos de trabalho, criam designs organizacionais e recriam a forma de liderar pessoas.
Nessa etapa, a saúde mental está no centro da discussão e da geração de valor para o negócio.
A empresa já entende que o bem-estar psicológico impacta diretamente a performance organizacional e, por isso, adota ações integradas, preventivas e de longo prazo.
Para empresas iniciantes, a criação de um comitê interno de bem-estar pode ser uma abordagem interessante para alcançar bons resultados com um time envolvido. Esse comitê deve reunir representantes de diferentes áreas para debater e propor iniciativas alinhadas às necessidades reais dos colaboradores.
Na prática, devem ser ajustados estruturas e processos internos para priorizar a saúde mental, por meio de:
- criação de políticas de apoio permanente;
- programas de acompanhamento psicológico;
- reconfiguração de jornadas de trabalho para evitar sobrecarga;
- cultura de liderança humanizada.
Como implementar programas de saúde mental mesmo com baixo orçamento?
Empresas com orçamento limitado podem começar com pequenas iniciativas, que resultarão em impactos positivos.
Busque formas de explorar os benefícios já existentes na empresa, como renegociar com planos de saúde para incluir consultas de psicoterapia. Outra possibilidade é promover iniciativas internas, como palestras, rodas de conversa, momentos de descompressão e campanhas de conscientização sobre a importância da saúde mental.
Crie canais de comunicação abertos para que colaboradores se sintam mais confortáveis para compartilhar dificuldades e anseios, sem se preocupar com possíveis julgamentos.
Adicionalmente, considere estabelecer parcerias com instituições de ensino ou organizações voltadas para a promoção da saúde mental que possam oferecer serviços a preços reduzidos.
Encarar o cuidado emocional como estratégia, e não como custo, faz toda a diferença. Ao colocar o bem-estar em primeiro plano, sua empresa cria uma cultura mais humana, impulsiona a inovação e fortalece os laços entre as pessoas.
Quando profissionais se sentem ouvidos e apoiados, o ROI de programas de saúde mental vai além dos números: surgem relações de confiança, maior engajamento e uma resiliência organizacional que prepara a empresa para desafios futuros.
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