Os dados mais recentes começam a apontar para uma mudança de direção em parte da economia brasileira. A inflação recuou e a Selic teve novo corte. Esse alívio, porém, ainda não chegou à situação financeira de consumidores e empresas: a inadimplência continuou avançando, enquanto a atividade perdeu ritmo.
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A nova edição do Boletim Econômico da Serasa Experian conecta esses movimentos e ajuda a entender o que pode estar pela frente.
O dólar encerrou setembro próximo de R$ 5,17, praticamente no mesmo nível de agosto. No acumulado do ano, o real preservou valorização de cerca de 5,5% frente à moeda americana.
A estabilidade veio mesmo após o Federal Reserve elevar os juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, movimento que tende a favorecer o dólar e pressionar moedas emergentes. No Brasil, o saldo comercial elevado ajudou a conter oscilações maiores. Para o fim de 2026, a Serasa Experian mantém a projeção de R$ 5,45 por dólar.
Agosto marcou novo alívio nos preços. O IPCA caiu 0,32%, depois de avançar 0,07% em julho. Em 12 meses, o índice desacelerou para 4,22%, permanecendo abaixo do limite superior da meta, de 4,50%.
Habitação teve a principal contribuição para a queda, influenciada pela redução da energia elétrica residencial. Alimentação e Bebidas também registrou queda. Diante desse cenário, a Serasa Experian ajustou sua projeção para o IPCA de 2026 de 5,1% para 5,0%.
Com a inflação mais moderada e a atividade perdendo força, o Copom reduziu novamente a Selic em setembro, de 14,00% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo desde março.
O Banco Central, porém, segue cauteloso. A inflação de serviços continua resistente e o cenário externo adiciona riscos ao processo de redução dos juros. A Serasa Experian revisou sua projeção para a Selic no fim de 2026 para 13,50%. Para consumidores e empresas, o efeito dos cortes sobre as condições de crédito deve aparecer de forma gradual.
Essa melhora ainda não foi suficiente para mudar a trajetória da inadimplência. Em agosto, 84,0 milhões de consumidores estavam negativados, o equivalente a cerca de 51% da população adulta. O valor das dívidas chegou a R$ 592,1 bilhões e cada consumidor inadimplente acumulava, em média, quatro débitos.
O Desenrola Brasil 2.0 reduziu a velocidade de crescimento da inadimplência durante sua vigência, mas não diminuiu o total de consumidores negativados. Entre as empresas, o número de CNPJs inadimplentes chegou a 9,3 milhões, com R$ 244,4 bilhões em dívidas. As micro e pequenas empresas concentravam 8,8 milhões desses registros.
A pressão financeira aparece ainda nos pedidos de recuperação judicial. Em maio, 237 CNPJs estiveram envolvidos nesses processos, ante 160 em abril. Para a Serasa Experian, os dados ainda não indicam uma normalização das condições financeiras das empresas.
Mesmo nesse ambiente, o crédito continua ativo. As concessões somaram R$ 729,2 bilhões em agosto e avançaram 1,7% na comparação mensal com ajuste sazonal. Em 12 meses, o crescimento chegou a 10,7%.
A composição, porém, exige atenção. A inadimplência das famílias atingiu 6,0%, enquanto, entre as empresas, parte relevante da expansão segue ligada ao capital de giro e à necessidade de sustentar o caixa. A Serasa Experian mantém a projeção de crescimento de 8,5% para o saldo das operações de crédito em 2026.
Os indicadores de atividade completam esse quadro de desaceleração. O varejo ampliado cresceu 0,4% em julho, enquanto os serviços ficaram estáveis. Na indústria, a produção recuou 0,6% em agosto após a recuperação do mês anterior.
O mercado de trabalho continua oferecendo suporte à economia, embora também comece a perder dinamismo. A taxa de desemprego permaneceu em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, com 103,5 milhões de pessoas ocupadas e renda média real de R$ 3.777.
No conjunto, os dados apontam para uma transição gradual. A inflação e os juros começam a oferecer algum alívio, mas a inadimplência elevada e a perda de ritmo da atividade ainda limitam uma melhora mais ampla. Para 2026, a Serasa Experian mantém a projeção de crescimento de 1,8% para o PIB.
Acesse o Boletim Econômico de outubro da Serasa Experian e confira a análise completa dos indicadores que podem influenciar o crédito, o consumo e os negócios nos próximos meses.