A Lei da Aprendizagem é uma das principais normas brasileiras relacionadas à entrada de adolescentes e jovens no mercado de trabalho. Mais do que permitir a contratação de pessoas em início de carreira, a legislação estabelece um modelo específico de formação profissional que combina atividades práticas, aprendizagem teórica e proteção trabalhista.
O principal marco legal é a Lei nº 10.097/2000, que alterou dispositivos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para regulamentar a contratação de aprendizes. Desde então, outras leis, decretos e normas complementares passaram a disciplinar a aprendizagem profissional. Em 2026, entre os principais normativos vigentes estão a CLT, o Decreto nº 9.579/2018, com suas alterações, e a Portaria MTE nº 3.872/2023, que trata da aprendizagem profissional, do Cadastro Nacional de Aprendizagem Profissional (CNAP) e do Catálogo Nacional de Programas de Aprendizagem Profissional.
Na prática, isso significa que o Jovem Aprendiz não é simplesmente um funcionário mais jovem. O contrato de aprendizagem possui regras próprias, finalidade educativa e requisitos específicos para a empresa, para o aprendiz e para a entidade responsável pela formação profissional.
Mas o que exatamente diz a Lei da Aprendizagem? Quem pode ser contratado? Qual é a idade máxima? Como funciona a cota de aprendizes? Qual é a jornada? O curso é obrigatório? Quem paga a formação? O aprendiz recebe salário, FGTS e 13º? O que acontece quando a empresa não cumpre a legislação?
A seguir, você confere as principais dúvidas sobre a Lei da Aprendizagem, com informações atualizadas para 2026 e baseadas, principalmente, na legislação e nas orientações do Ministério do Trabalho e Emprego.
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Neste conteúdo você vai ler (Clique no conteúdo para seguir)
- O que é a Lei da Aprendizagem?
- Quando foi criada a Lei da Aprendizagem e por que ela existe?
- Qual é o objetivo da Lei da Aprendizagem?
- Quem é considerado aprendiz pela legislação?
- Idade mínima, idade máxima e exceções
- Regras de escolaridade para Jovem Aprendiz
- Quais empresas precisam contratar aprendizes?
- Como funciona o contrato de aprendizagem?
- Qual é a duração máxima do contrato de Jovem Aprendiz?
- Qual é a jornada permitida para um aprendiz?
- Jovem Aprendiz pode trabalhar aos finais de semana e à noite?
- Jovem Aprendiz pode fazer Home office e como fica a aprendizagem?
- Como funciona a formação teórica do Jovem Aprendiz?
- Quem paga o curso para o aprendiz?
- Quais são os direitos garantidos pela lei para o Jovem Aprendiz?
- Jovem Aprendiz tem direito a Salário, FGTS, férias e 13º salário?
- O que a empresa não pode exigir ou cobrar do Jovem Aprendiz?
- Regras especiais de Jovem Aprendiz para menores de 18 anos
- Prioridade para públicos em situação de vulnerabilidade
- O que acontece se a empresa não cumprir a lei referente ao Jovem Aprendiz?
- O que acontece quando o contrato de Jovem Aprendiz chega ao fim?
- O aprendiz pode ser efetivado?
- Diferença entre aprendiz, estagiário e trainee
- Lei da Aprendizagem em 2026: o que está valendo atualmente?
- FAQ: principais dúvidas sobre a Lei da Aprendizagem
- Conclusão
O que é a Lei da Aprendizagem?
A Lei da Aprendizagem é como ficou conhecida a Lei nº 10.097, de 19 de dezembro de 2000, que modificou a CLT para fortalecer a contratação e a formação profissional de adolescentes e jovens.
Um dos principais pontos introduzidos pela legislação foi a regulamentação do contrato de aprendizagem, uma modalidade de contrato de trabalho especial que deve estar vinculada a um programa de formação técnico-profissional.
De acordo com a legislação, o empregador deve assegurar ao aprendiz uma formação compatível com seu desenvolvimento físico, moral e psicológico, enquanto o aprendiz se compromete a executar as atividades necessárias à sua formação com zelo e diligência, conforme estabelece o texto legal da Lei nº 10.097/2000 disponível no Senado Federal.
Portanto, a Lei da Aprendizagem possui dois aspectos inseparáveis:
Formação profissional: o jovem precisa aprender, tanto por meio de conteúdos teóricos quanto pela experiência prática.
Experiência profissional: o aprendiz tem contato com o ambiente de trabalho e participa de atividades relacionadas à sua formação.
Essa combinação é justamente o que diferencia a aprendizagem profissional de uma contratação comum.
Para complementar este conceito, a Serasa Experian também explica o que é o programa Jovem Aprendiz e como funciona em um conteúdo dedicado ao tema.
Quando foi criada a Lei da Aprendizagem e por que ela existe?
A Lei nº 10.097/2000 foi sancionada em 19 de dezembro de 2000 e alterou dispositivos da CLT relacionados, entre outros pontos, à contratação de aprendizes.
A criação da lei consolidou um modelo de ingresso no mercado que busca aproximar a formação profissional da experiência prática.
A lógica da legislação também está relacionada ao direito à profissionalização e à proteção do adolescente. A Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente e a legislação trabalhista estabelecem diferentes mecanismos para que o trabalho de adolescentes seja realizado em condições protegidas e compatíveis com sua formação.
Um dos efeitos mais importantes da Lei nº 10.097/2000 foi reforçar que a contratação de jovens em aprendizagem não deve representar abandono da formação escolar ou profissional.
Desde 2000, o conjunto de regras foi atualizado por outras normas. Entre elas está o Decreto nº 9.579/2018, posteriormente alterado pelo Decreto nº 11.479/2023, além da regulamentação administrativa do Ministério do Trabalho e Emprego.
Qual é o objetivo da Lei da Aprendizagem?
O principal objetivo da Lei da Aprendizagem é promover a formação profissional de adolescentes e jovens por meio da combinação entre teoria e prática.
Isso produz benefícios em diferentes níveis.
Para o jovem, a aprendizagem pode representar:
- a primeira experiência profissional;
- contato com uma rotina de trabalho;
- desenvolvimento de competências;
- formação técnica;
- conhecimento sobre diferentes profissões;
- construção de repertório para futuras oportunidades.
Para as empresas, o programa cria a possibilidade de desenvolver novos talentos e contribuir para a formação de profissionais desde o início da carreira.
Para a sociedade, a aprendizagem funciona como um mecanismo de inclusão e qualificação profissional.
O Ministério do Trabalho e Emprego trata a aprendizagem profissional como uma política pública de inserção de adolescentes e jovens no mundo do trabalho e destaca sua contribuição para a formação de mão de obra qualificada.
Por isso, reduzir a Lei da Aprendizagem a uma simples obrigação de contratação é insuficiente. A cota é um instrumento da política de aprendizagem, mas a formação profissional é parte central da finalidade da lei.
Quem é considerado aprendiz pela legislação?
O Decreto nº 11.479/2023 estabelece que, para fins da aprendizagem profissional, é considerado aprendiz a pessoa maior de 14 anos e menor de 24 anos, inscrita em programa de aprendizagem e que celebra contrato de aprendizagem nos termos da CLT. A idade máxima não se aplica a aprendizes com deficiência.
Assim, a regra geral pode ser resumida da seguinte maneira:
| Situação | Regra geral |
|---|---|
| Idade mínima | 14 anos completos |
| Idade máxima | Antes de completar 24 anos |
| Pessoa com deficiência | Sem limite máximo de idade |
| Contrato | Contrato de aprendizagem |
| Formação | Vinculada a programa de aprendizagem |
É importante diferenciar idade para participar da aprendizagem e requisitos específicos de uma vaga.
A lei estabelece uma faixa etária geral, mas uma determinada empresa pode definir critérios próprios para o processo seletivo, como idade mínima superior, escolaridade, localidade, disponibilidade de horário ou conhecimentos desejáveis.
Idade mínima, idade máxima e exceções
A idade mínima para contratação como aprendiz é de 14 anos completos. A aprendizagem é uma exceção prevista na legislação à regra geral que proíbe o trabalho antes dos 16 anos.
A idade máxima é de 24 anos incompletos. Isso significa que, pela regra geral, o candidato precisa ser menor de 24 anos para iniciar a contratação.
Existe, porém, uma exceção importante: aprendizes com deficiência não estão sujeitos ao limite máximo de idade, conforme estabelece o Decreto nº 11.479/2023.
Também é importante ter cuidado com materiais antigos encontrados na internet. Algumas regras publicadas antes de alterações legislativas apresentam exceções etárias que já não correspondem à regulamentação atualmente vigente.
Por isso, para conteúdos sobre a Lei da Aprendizagem em 2026, a referência deve ser sempre a legislação atual e os normativos vigentes do Ministério do Trabalho.
Regras de escolaridade para Jovem Aprendiz
A escolaridade do aprendiz também é um ponto importante da legislação.
Quando o jovem ainda não concluiu o Ensino Médio, a validade do contrato de aprendizagem está relacionada à sua matrícula e frequência escolar, conforme as regras aplicáveis.
Isso significa que a aprendizagem não foi criada para substituir a escola.
Ao contrário: a proposta é combinar educação formal, formação profissional e experiência prática.
Quem já concluiu o Ensino Médio também pode participar de programas de aprendizagem, desde que atenda aos demais requisitos do curso e da vaga.
Outro ponto importante é que a formação teórica do programa não substitui automaticamente a educação formal. São dimensões diferentes:
- a escola oferece educação básica;
- a entidade formadora oferece aprendizagem profissional;
- a empresa proporciona experiência prática.
Quais empresas precisam contratar aprendizes?
A CLT estabelece uma obrigação de contratação de aprendizes para os estabelecimentos abrangidos pelo artigo 429.
A regra determina que os estabelecimentos de qualquer natureza devem empregar e matricular em cursos de aprendizagem um número de aprendizes equivalente a no mínimo 5% e no máximo 15% dos trabalhadores existentes em cada estabelecimento cujas funções demandem formação profissional, conforme o artigo 429 da CLT.
Essa redação é importante porque evita uma simplificação bastante comum: dizer que somente “empresas grandes” precisam contratar aprendizes.
O critério legal está associado ao estabelecimento e às funções que demandam formação profissional, além das exceções previstas em lei e regulamentação.
Por isso, empresas que desejam saber exatamente se estão sujeitas à cota e como calculá-la devem analisar sua estrutura, atividades e enquadramento legal.
Como funciona a cota de 5% a 15%?
A cota de aprendizagem é uma obrigação legal criada para ampliar a quantidade de oportunidades de formação profissional.
O cálculo considera os trabalhadores do estabelecimento cujas funções demandem formação profissional.
O percentual deve ficar entre:
5%: mínimo legal.
15%: máximo legal.
A própria CLT determina que, no cálculo da porcentagem, as frações de unidade dão lugar à admissão de um aprendiz, conforme o artigo 429 da CLT.
Além disso, o Decreto nº 11.479/2023 estabelece que entram no cálculo as funções que demandem formação profissional, observadas as exclusões previstas na regulamentação.
Essa atualização é relevante porque mostra que a base de cálculo da cota não é simplesmente o número total de funcionários da empresa.
Como funciona o contrato de aprendizagem?
O contrato de aprendizagem é um contrato de trabalho especial, que precisa ser formalizado por escrito e possui prazo determinado.
Pelo contrato, o empregador se compromete a garantir ao aprendiz formação técnico-profissional metódica, enquanto o aprendiz assume o compromisso de realizar as atividades relacionadas à sua formação.
O contrato deve estar associado a um programa de aprendizagem e precisa observar as regras de jornada, remuneração, formação e proteção do trabalhador.
Também deve haver registro do vínculo profissional.
Em outras palavras, o Jovem Aprendiz não é um voluntário, não é apenas um aluno de curso e não está em uma relação informal de trabalho.
Trata-se de uma modalidade formal de contratação.
A Serasa Experian aborda especificamente essa questão em Jovem Aprendiz tem carteira assinada? Entenda os detalhes.
Qual é a duração máxima do contrato de Jovem Aprendiz?
A regra geral estabelece que o contrato de aprendizagem não pode ter duração superior a dois anos, conforme previsto no Decreto nº 11.479/2023.
Esse período é diferente da duração de um curso específico. O programa e o contrato devem ser estruturados de forma compatível com a formação profissional.
A legislação prevê tratamento diferenciado para determinadas situações envolvendo pessoas com deficiência, especialmente em relação à idade e à duração quando houver justificativa relacionada à deficiência, observadas as condições legais.
Ao final do contrato, a empresa pode optar por realizar outra contratação, quando houver oportunidade e preenchidos os requisitos de uma nova relação profissional, mas a continuidade não é automática.
Qual é a jornada permitida para um aprendiz?
A CLT estabelece que a jornada do aprendiz, em regra, não exceda seis horas diárias.
Para aprendizes que já concluíram o Ensino Fundamental, a jornada pode chegar a oito horas diárias, desde que as horas destinadas à aprendizagem teórica estejam incluídas nessa carga horária. A legislação também proíbe a prorrogação e a compensação da jornada do aprendiz, conforme o texto da CLT.
Essa é uma questão que costuma gerar confusão porque diversos sites apresentam “4 a 6 horas” como se fosse uma regra única para todos os aprendizes.
O que a legislação efetivamente estabelece é o limite máximo de seis horas como regra, com possibilidade de até oito horas nas condições previstas legalmente para quem já concluiu o Ensino Fundamental e com a formação teórica incluída na jornada.
A organização da jornada também precisa respeitar a frequência escolar e o calendário do programa.
Jovem Aprendiz pode trabalhar aos finais de semana e à noite?
O trabalho do aprendiz aos finais de semana pode ocorrer em determinadas situações, desde que sejam observadas as regras de jornada, descanso, funcionamento do estabelecimento e proteção do aprendiz.
A Serasa Experian explica o assunto em Jovem Aprendiz pode trabalhar aos finais de semana?.
Já o trabalho noturno merece atenção especial quando o aprendiz é menor de 18 anos, porque a legislação de proteção ao adolescente estabelece restrições específicas.
A Lei da Aprendizagem não pode ser analisada isoladamente: é necessário considerar também as normas constitucionais, trabalhistas e de proteção ao adolescente.
Assim, o horário de trabalho deve ser definido considerando a idade do aprendiz, a atividade desempenhada, o programa de aprendizagem e as regras aplicáveis.
Jovem Aprendiz pode fazer Home office e como fica a aprendizagem?
O trabalho remoto é outra dúvida que ganhou importância nos últimos anos.
A regulamentação da aprendizagem profissional admite cursos de aprendizagem na modalidade presencial, a distância ou híbrida, conforme as regras do Ministério do Trabalho e Emprego e os programas autorizados.
Existe, porém, uma diferença importante entre:
curso teórico a distância e atividade prática realizada remotamente.
O fato de o curso teórico poder ser oferecido em EaD não significa que todas as atividades práticas possam ser realizadas de qualquer lugar.
O Ministério do Trabalho e Emprego mantém informações oficiais sobre o cadastro de cursos de aprendizagem profissional e suas modalidades.
Portanto, a possibilidade de trabalho remoto depende da vaga e da estrutura do programa. O candidato deve sempre verificar o regime informado pela empresa.
Como funciona a formação teórica do Jovem Aprendiz?
A formação teórica é uma parte essencial da aprendizagem profissional.
O aprendiz não deve apenas receber tarefas dentro da empresa. Existe uma formação estruturada, com conteúdos relacionados à ocupação profissional e competências importantes para o mundo do trabalho.
O Ministério do Trabalho mantém o Cadastro Nacional de Aprendizagem Profissional (CNAP) e o Catálogo Nacional de Programas de Aprendizagem Profissional (CONAP) para organizar e regulamentar os programas, conforme as informações oficiais sobre aprendizagem profissional.
Os cursos podem contemplar conteúdos gerais e específicos.
Entre os temas gerais podem estar:
- comunicação;
- leitura e compreensão de textos;
- inclusão digital;
- raciocínio lógico;
- interpretação de dados;
- direitos trabalhistas e previdenciários;
- saúde e segurança no trabalho;
- direitos humanos;
- Estatuto da Criança e do Adolescente;
- educação financeira;
- empreendedorismo;
- novas tecnologias;
- ferramentas de produtividade.
A formação específica varia conforme a ocupação profissional.
Quem paga o curso para o aprendiz?
O aprendiz não deve arcar com os custos da formação obrigatória vinculada ao contrato.
A formação faz parte do programa de aprendizagem e integra as responsabilidades do empregador dentro das regras aplicáveis.
O Manual da Aprendizagem do Ministério do Trabalho orienta que o aprendiz não seja obrigado a pagar pela formação, material didático, uniforme ou equipamentos necessários à execução das atividades de aprendizagem.
Esse ponto é especialmente importante para candidatos.
Uma vaga de aprendizagem deve ser analisada com atenção caso o candidato seja informado de que precisa pagar para participar do curso obrigatório relacionado ao próprio contrato.
Quais são os direitos garantidos pela lei para o Jovem Aprendiz?
O contrato de aprendizagem é uma relação formal de trabalho e garante direitos trabalhistas e previdenciários.
Entre os principais estão:
- salário;
- registro em carteira;
- FGTS;
- 13º salário;
- férias;
- repouso semanal remunerado;
- vale-transporte, nas condições aplicáveis;
- contribuição previdenciária;
- formação profissional.
O Ministério do Trabalho e Emprego confirma que o contrato de aprendizagem garante registro em carteira e acesso aos direitos trabalhistas e previdenciários.
Para entender a questão dos benefícios com mais detalhes, veja quais são os benefícios do Jovem Aprendiz.
Jovem Aprendiz tem direito a Salário, FGTS, férias e 13º salário?
A remuneração do aprendiz deve respeitar, como regra geral, o salário mínimo-hora, salvo condição mais favorável prevista no contrato, instrumento coletivo ou piso regional aplicável.
Em 2026, o salário mínimo nacional é de R$ 1.621,00, com valor horário de R$ 7,37, conforme o Decreto nº 12.797/2025.
Isso não significa que todo aprendiz receberá R$ 1.621 por mês. Como a jornada pode ser inferior à jornada integral, a remuneração mensal costuma ser proporcional ao número de horas trabalhadas, observadas as regras aplicáveis.
FGTS
O aprendiz tem direito a FGTS, mas a alíquota específica é de 2% da remuneração, conforme as regras divulgadas pelo FGTS.
13º salário
O aprendiz também tem direito ao décimo terceiro salário, observadas as regras de cálculo aplicáveis ao período trabalhado.
A Serasa Experian explica esse ponto em Jovem Aprendiz recebe décimo terceiro?.
Férias
As férias fazem parte dos direitos do aprendiz. Quando ele ainda está estudando, a regulamentação busca compatibilizar o período de férias do contrato com as férias escolares, conforme as regras aplicáveis.
O que a empresa não pode exigir ou cobrar do Jovem Aprendiz?
A empresa não pode tratar o aprendiz como uma fonte de mão de obra barata sem considerar a finalidade educativa do contrato.
Entre as principais obrigações estão:
- respeitar a jornada legal;
- garantir formação profissional;
- preservar a frequência escolar;
- manter o registro do contrato;
- cumprir a remuneração devida;
- respeitar as normas de proteção ao adolescente;
- garantir acompanhamento das atividades;
- evitar atribuições incompatíveis com o programa.
Além disso, o aprendiz não deve pagar pelos custos essenciais da formação profissional obrigatória, conforme orienta o Manual da Aprendizagem do Ministério do Trabalho.
Também merece atenção a questão da experiência profissional.
A aprendizagem existe justamente para proporcionar formação e experiência. Portanto, a empresa pode definir critérios de seleção compatíveis com a vaga, mas exigir que o candidato já tenha uma trajetória profissional extensa contraria a própria lógica da modalidade.
Regras especiais de Jovem Aprendiz para menores de 18 anos
Quando o aprendiz tem menos de 18 anos, aplicam-se regras específicas de proteção ao adolescente.
A Constituição e a legislação trabalhista restringem o trabalho de menores em atividades prejudiciais à saúde, à segurança ou ao desenvolvimento, além de estabelecerem limites relacionados a horários e condições de trabalho.
O Decreto nº 11.479/2023 determina, por exemplo, regras de proteção específicas para a contratação de adolescentes e situações em que determinadas atividades não são compatíveis com esse público.
Isso demonstra que a Lei da Aprendizagem não trata todos os aprendizes exatamente da mesma maneira.
A idade do participante é relevante para determinar quais atividades podem ser realizadas e em quais condições.
Prioridade para públicos em situação de vulnerabilidade
A aprendizagem possui também uma dimensão de inclusão social.
O Decreto nº 11.479/2023 estabelece critérios de prioridade para determinados grupos de adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade ou risco social.
Entre os grupos contemplados estão públicos como adolescentes e jovens egressos ou em cumprimento de medidas socioeducativas, pessoas em acolhimento institucional, egressos do trabalho infantil e outros grupos definidos pela regulamentação.
Isso não significa que somente pessoas desses grupos possam participar do programa.
A prioridade é um mecanismo de inclusão dentro da política de aprendizagem e deve ser observada juntamente com os critérios do programa e da vaga.
A legislação também prevê proteção e tratamento específico para pessoas com deficiência, inclusive com a inexistência de limite máximo de idade para a aprendizagem profissional.
O que acontece se a empresa não cumprir a lei referente ao Jovem Aprendiz?
O cumprimento da aprendizagem profissional é fiscalizado pela Inspeção do Trabalho.
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, a fiscalização verifica o cumprimento da cota e aspectos relacionados à regularidade da contratação e da formação.
Quando a empresa descumpre as regras, podem ocorrer diferentes medidas, como:
- lavratura de autos de infração;
- aplicação de multas administrativas;
- encaminhamento de informações ao Ministério Público do Trabalho;
- outras providências previstas na legislação.
O descumprimento da cota ou da estrutura de aprendizagem pode gerar riscos trabalhistas e institucionais importantes para a empresa.
O que acontece quando o contrato de Jovem Aprendiz chega ao fim?
O término do contrato acontece, em regra, quando chega ao fim o prazo determinado ou quando ocorre outra hipótese legal de encerramento.
O fim do programa não significa que a experiência profissional perdeu seu valor.
Ao contrário, o jovem encerra a aprendizagem com:
- experiência profissional;
- formação teórica;
- novas competências;
- convivência em ambiente corporativo;
- conhecimento sobre sua área de interesse;
- possibilidade de usar essa experiência em processos seletivos futuros.
A entidade formadora também pode emitir certificado de conclusão do programa quando os requisitos forem cumpridos, conforme as regras apresentadas no Manual da Aprendizagem.
O aprendiz pode ser efetivado?
Sim.
A efetivação pode acontecer quando a empresa decide contratar o jovem para uma nova posição e ele atende aos requisitos da oportunidade.
Entretanto, a efetivação não é automática nem constitui uma obrigação geral da empresa.
O desempenho do aprendiz pode influenciar essa decisão, assim como:
- existência de vagas;
- interesse da área;
- aderência do profissional;
- competências desenvolvidas;
- desempenho durante o contrato;
- planejamento da empresa.
A Serasa Experian também trata do tema em Jovem Aprendiz pode ser efetivado? Entenda como garantir sua vaga.
Diferença entre aprendiz, estagiário e trainee
Embora os três modelos possam aparecer quando alguém pesquisa oportunidades de início de carreira, eles não são equivalentes.
Jovem Aprendiz
Possui contrato de aprendizagem, formação técnico-profissional vinculada ao contrato e direitos trabalhistas específicos.
Estagiário
Segue a legislação própria de estágio e possui uma relação jurídica diferente, voltada à complementação da formação educacional.
Trainee
Não é uma modalidade equivalente à aprendizagem. Normalmente, programas de trainee são desenvolvidos pelas empresas para profissionais em início de carreira, frequentemente com formação superior ou perfil compatível com o programa.
Para entender essas diferenças, veja Diferença entre estagiário, Jovem Aprendiz e trainee.
Lei da Aprendizagem em 2026: o que está valendo atualmente?
Em 2026, a estrutura da aprendizagem profissional continua baseada na CLT, no Decreto nº 9.579/2018 e suas alterações, além da regulamentação do Ministério do Trabalho, incluindo a Portaria MTE nº 3.872/2023.
Entre os pontos que devem ser considerados atualmente estão:
Faixa etária: de 14 anos completos a 24 anos incompletos, sem limite máximo para pessoas com deficiência.
Contrato: especial, por escrito e por prazo determinado, de até dois anos como regra geral.
Cota: entre 5% e 15% dos trabalhadores cujas funções demandem formação profissional, conforme a CLT.
Formação: vinculada a programa de aprendizagem profissional autorizado e supervisionado conforme as regras do Ministério do Trabalho.
Jornada: em regra, até seis horas diárias, podendo chegar a oito horas em condições específicas para quem já concluiu o Ensino Fundamental, incluindo as atividades teóricas na jornada.
Salário mínimo: em 2026, o salário mínimo nacional é de R$ 1.621,00, com valor-hora de R$ 7,37.
FGTS: alíquota de 2% para aprendizes.
Cursos: podem existir programas presenciais, a distância ou híbridos, de acordo com as regras de autorização e cadastro.
Uma atualização importante para candidatos é justamente não confiar em textos antigos para definir salário, jornada ou requisitos.
Por exemplo, materiais publicados em 2025 podem apresentar o salário mínimo de R$ 1.518,00, mas esse valor foi substituído em 1º de janeiro de 2026 pelo novo salário mínimo de R$ 1.621,00.
FAQ: principais dúvidas sobre a Lei da Aprendizagem
O que é a Lei da Aprendizagem?
É o conjunto de regras que regulamenta a aprendizagem profissional no Brasil, tendo como principal marco a Lei nº 10.097/2000.
Qual é a idade para ser Jovem Aprendiz?
A regra geral permite a participação de pessoas maiores de 14 anos e menores de 24 anos. Pessoas com deficiência não estão sujeitas ao limite máximo de idade.
A Lei da Aprendizagem vale para quem tem 14 anos?
Sim. A aprendizagem é uma exceção legal à regra geral que proíbe o trabalho antes dos 16 anos.
Quem já concluiu o Ensino Médio pode ser aprendiz?
Sim. A conclusão do Ensino Médio não impede automaticamente a participação. O candidato precisa atender aos demais requisitos do programa e da vaga.
O Jovem Aprendiz precisa estar matriculado na escola?
Quando não concluiu o Ensino Médio, a matrícula e a frequência escolar são requisitos relevantes para a validade do contrato, conforme a legislação.
Qual é a duração do contrato?
A regra geral estabelece prazo máximo de dois anos.
Jovem Aprendiz tem carteira assinada?
Sim. O contrato de aprendizagem é formal e deve ser registrado.
Qual é a jornada do aprendiz?
Em regra, até seis horas diárias. Para aprendizes que já concluíram o Ensino Fundamental, pode chegar a oito horas diárias quando as horas de aprendizagem teórica estiverem incluídas nessa jornada.
O Jovem Aprendiz pode trabalhar aos finais de semana?
Pode, em determinadas situações, desde que sejam respeitadas as regras de funcionamento da empresa, jornada, descanso e formação.
Jovem Aprendiz pode trabalhar à noite?
Para menores de 18 anos existem restrições específicas e a jornada não pode contrariar as regras de proteção ao adolescente.
Jovem Aprendiz pode trabalhar em home office?
A existência de trabalho remoto depende da vaga e das condições do programa. A formação profissional pode ser oferecida em modalidades presenciais, a distância ou híbridas.
O curso de aprendizagem é obrigatório?
Sim. A formação técnico-profissional é parte essencial do contrato de aprendizagem.
Quem paga o curso?
Os custos da formação obrigatória não devem ser transferidos ao aprendiz.
Quanto ganha um Jovem Aprendiz em 2026?
A remuneração deve respeitar o salário mínimo-hora aplicável. Em 2026, o salário mínimo nacional é de R$ 1.621,00, com valor-hora de R$ 7,37.
Jovem Aprendiz recebe FGTS?
Sim. A alíquota do FGTS para aprendizes é de 2% da remuneração.
Jovem Aprendiz recebe 13º salário?
Sim. O 13º salário é um dos direitos decorrentes do contrato formal de aprendizagem.
Jovem Aprendiz tem direito a férias?
Sim. As férias integram os direitos do aprendiz, observadas as regras específicas da modalidade e a compatibilização com o calendário escolar quando aplicável.
Existe cota de Jovem Aprendiz?
Sim. A regra geral estabelece cota entre 5% e 15% dos trabalhadores cujas funções demandem formação profissional, observadas as regras de cálculo e as exclusões previstas na legislação.
Toda empresa precisa contratar Jovem Aprendiz?
A obrigação depende do enquadramento do estabelecimento e da aplicação da legislação de aprendizagem. Não é correto resumir a regra a “todas as empresas” ou apenas “empresas grandes”.
Quem fiscaliza a Lei da Aprendizagem?
A Inspeção do Trabalho, vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego, fiscaliza o cumprimento da cota e outros aspectos da aprendizagem profissional.
O que acontece se a empresa não cumprir a cota?
Podem ser aplicados autos de infração e multas administrativas, além de outras providências previstas na legislação.
O aprendiz pode ser efetivado?
Sim. A empresa pode contratar o jovem após o término do programa, caso exista oportunidade e o candidato atenda aos requisitos, mas a efetivação não é automática.
O que acontece quando termina o contrato?
O contrato chega ao fim conforme seu prazo ou outra hipótese legal de encerramento. O jovem pode buscar uma nova oportunidade, continuar estudando ou ser contratado pela própria empresa, caso exista uma vaga compatível.
A Lei da Aprendizagem mudou em 2026?
A estrutura atual continua baseada principalmente na CLT, no Decreto nº 9.579/2018 e suas alterações e na regulamentação do Ministério do Trabalho. O que merece atenção em 2026 é utilizar valores e regras atualizados, especialmente o salário mínimo nacional de R$ 1.621,00.
Conclusão
A Lei da Aprendizagem vai muito além de uma regra que determina a contratação de jovens.
Ela estabelece um modelo de formação profissional que combina trabalho, aprendizado e proteção, criando uma ponte entre a educação e o mercado de trabalho.
Para o jovem, isso significa a possibilidade de conquistar experiência profissional em uma relação formal, desenvolver competências e conhecer melhor o mundo do trabalho. Para as empresas, significa participar da formação de novos profissionais e cumprir uma política pública de qualificação e inclusão.
Em 2026, os principais pontos continuam claros: a aprendizagem atende, em regra, pessoas de 14 anos completos a 24 anos incompletos; o limite máximo de idade não se aplica às pessoas com deficiência; o contrato é especial e por prazo determinado; existe uma cota legal de 5% a 15%; a formação teórica é parte essencial do programa; e o aprendiz possui direitos trabalhistas e previdenciários.
Também é importante olhar com atenção para as atualizações. O salário mínimo nacional passou para R$ 1.621,00 em 2026, com valor-hora de R$ 7,37, e o Ministério do Trabalho mantém sistemas e normativos específicos para acompanhar entidades, programas e cursos de aprendizagem profissional.
Para quem está começando a carreira, conhecer a legislação ajuda a entender não apenas quem pode ser Jovem Aprendiz, mas também quais direitos devem ser respeitados e qual é a responsabilidade da empresa durante todo o processo.
A aprendizagem pode ser o primeiro passo de uma trajetória profissional muito maior. E, quanto melhor o jovem entende seus direitos, deveres e oportunidades, maior é a chance de aproveitar essa experiência como uma etapa real de desenvolvimento.
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