A inovação financeira no Brasil passa, cada vez mais, pelo uso estratégico de dados.
Foi nesse contexto que nós, da Serasa Experian, participamos do LIFT Data, uma das frentes do LIFT — o laboratório de inovação do Banco Central, em parceria com a FENASBAC, que conecta empresas, especialistas e startups para desenvolver soluções com impacto real no sistema financeiro.
Participar de um programa de inovação aberta já é, por si só, um movimento de troca. Mas, quando essa iniciativa parte do próprio Banco Central, o nível da conversa muda, e bastante.
Mais do que uma competição, a experiência foi um espaço de construção. E é sobre esse caminho que vale a pena falar.
Neste conteúdo você vai ler (Clique no conteúdo para seguir)
- O que é o LIFT Data e por que ele importa para a inovação financeira
- O desafio: crédito rural e risco climático no Brasil
- O projeto: como dados públicos viram inteligência aplicada
- A parceria por trás da solução
- Os resultados e reconhecimentos da jornada
- O que fica dessa experiência
- Seguir explorando faz parte
O que é o LIFT Data e por que ele importa para a inovação financeira
O LIFT Data nasce com um propósito claro: usar dados para enfrentar problemas complexos, especialmente aqueles que impactam o sistema financeiro e a economia brasileira.
Na prática, funciona como um ambiente de inovação aberta, onde cientistas de dados, desenvolvedores e especialistas são desafiados a criar soluções a partir de bases públicas.
O foco não está só na tecnologia, mas na capacidade de transformar informação em algo aplicável, seja para gestão de risco, formulação de políticas ou tomada de decisão.
E tem um ponto importante aqui: é também um espaço de conexão. De um lado, grandes instituições. Do outro, equipes com diferentes expertises, explorando caminhos que nem sempre cabem dentro das estruturas tradicionais.
O desafio: crédito rural e risco climático no Brasil
Nossa participação aconteceu na categoria de crédito rural, um tema que, por si só, já carrega bastante complexidade.
Falar de crédito nesse contexto é falar também de:
- fatores ambientais
- imprevisibilidade climática
- exposição a riscos que vão além do controle direto
Foi a partir desse cenário que surgiu o nosso projeto: o desenvolvimento de dois modelos complementares, o Score de Sustentabilidade e o Score de Risco Climático.
A ideia era simples no conceito, mas desafiadora na prática: criar formas mais estruturadas e transparentes de avaliar riscos que ainda são pouco padronizados no sistema financeiro.
O projeto: como dados públicos viram inteligência aplicada
Aqui entra um ponto que tem tudo a ver com o nosso papel como datatech: transformar dados em decisão.
O projeto foi construído a partir de diferentes fontes e técnicas, conectando informação de forma estratégica.
Fontes de dados utilizadas
- autos de infração e sanções administrativas
- bases públicas socioambientais
- dados de satélite da NASA
- Atlas Digital de Desastres Naturais
Técnicas aplicadas
- modelos de machine learning (aprendizado de máquina)
- análise de padrões de risco
- integração de múltiplas bases de dados
Aplicações práticas
- avaliação de risco socioambiental de fornecedores
- identificação de vulnerabilidade climática por região
- apoio à tomada de decisão em crédito rural
O resultado foi a criação de indicadores mais estruturados para leitura de risco, algo que pode apoiar tanto instituições financeiras quanto políticas públicas.
A parceria por trás da solução
O projeto ganhou força a partir da colaboração entre diferentes frentes do DataLab, combinando repertórios e especialidades.
A ideia inicial partiu de Gabriel Fontes, e o desenvolvimento evoluiu com a contribuição técnica de Sergio Azevedo, responsável pela construção do score climático.
Essa troca foi essencial não só para evoluir o modelo, mas para aprofundar a leitura sobre dois temas que hoje caminham juntos: sustentabilidade e risco.
Além disso, a participação no programa fortaleceu a conexão com o Banco Central, criando um espaço de diálogo que vai além da entrega do projeto em si.
Os resultados e reconhecimentos da jornada
Mesmo sem conquistar o título de “Projeto Destaque”, a participação trouxe marcos importantes.
Fomos finalistas do programa e convidados para o LIFT Day, evento que reúne os projetos mais relevantes da edição.
Outro reconhecimento importante foi a publicação no LIFT Paper, que amplia a visibilidade das soluções desenvolvidas.
O que fica dessa experiência
Participar do LIFT Data foi, acima de tudo, um exercício de construção coletiva.
E, ao longo do processo, ficou ainda mais evidente algo que faz parte do nosso dia a dia como datatech: dados, por si só, não resolvem problemas. O valor está em como eles são organizados, interpretados e aplicados.
No nosso caso, isso se traduziu em modelos que ajudam a enxergar riscos de forma mais estruturada — algo cada vez mais necessário em um cenário onde questões ambientais e financeiras estão profundamente conectadas.
Seguir explorando faz parte
A participação no LIFT Data pode ter chegado ao fim, mas os aprendizados continuam.
Projetos como esse abrem caminhos — seja para evoluir as soluções desenvolvidas, seja para aprofundar discussões que ainda estão em construção dentro do mercado.
E, no fim das contas, é isso que move a inovação:
a possibilidade de continuar explorando, ajustando e criando novas formas de olhar para os desafios.