Estudo inédito da Serasa Experian revela que a inadimplência no agro apresentou um aumento de 1,2 p.p no comparativo anual. Entenda os dados e conheça o Agro Score.
A inadimplência entre produtores rurais brasileiros voltou a crescer em 2026, indicando um cenário de maior pressão financeira no campo. Dados de um estudo inédito da Serasa Experian mostram que o índice de inadimplência da população rural chegou a 8,8% no primeiro trimestre de 2026 - um aumento de 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior e de 0,6 ponto percentual na comparação com o trimestre imediatamente anterior.

Os dados deste estudo foram gerados pelo Agro Score, solução de inteligência analítica da Serasa Experian, que utiliza técnicas de técnicas de machine learning e inteligência artificial para ampliar a compreensão de perfis financeiros e mitigar riscos em toda a cadeia rural.
“A alta gradual da inadimplência mostra que, no início de 2026, os produtores rurais ainda enfrentam desafios para recompor sua capacidade financeira. Mesmo com uma perspectiva mais favorável para alguns segmentos do agronegócio, os efeitos de ciclos anteriores, com custos elevados, oscilações de preços e restrição ao crédito, seguem impactando o fluxo de caixa e a capacidade de pagamento no setor”, explica com Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian.
Neste conteúdo você vai ler (Clique no conteúdo para seguir)
Como o índice de inadimplência da população rural é calculado?
O índice de inadimplência do agro considera dívidas de pessoas físicas da população rural vencidas há mais de 180 dias e contraídas junto a empresas ligadas ao agronegócio.
O Indicador de Inadimplência do Agronegócio considera exclusivamente dívidas:
- vencidas entre 180 dias e cinco anos;
- com valor mínimo acumulado de R$ 1.000;
- relacionadas ao financiamento e às atividades do agronegócio.
Veja quais obrigações financeiras são consideradas:
- Instituições financeiras
Bancos, fundos de investimentos, cooperativas de crédito entre outras descritas como "atividades de serviços financeiros" pelo IBGE.
- Empresas ligadas ao agronegócio
Agroindústria de transformação e comércio atacadista agro, serviços de apoio ao agro, produção e revendas de insumos e de máquinas agrícolas, produtores rurais etc.
- Empresas de outros setores
Seguradoras não-vida, transportadoras e empresas de armazenamento.
Por fim, o percentual de inadimplência é calculado sobre uma população estimada de 10,7 milhões de pessoas físicas da população rural, identificadas por meio de registros no Cadastro Ambiental Rural (CAR), no Cadastro Federal de Imóveis Rurais (CAFIR), no Cadastro Positivo ou no Sistema Integrado de Informações sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços (SINTEGRA).
Características dos produtores rurais inadimplentes
Com o apoio do Agro Score, além de medir a evolução da inadimplência, os dados do estudo revelam diferenças importantes entre perfis de produtores, faixas etárias e regiões do país, oferecendo informações relevantes para instituições financeiras, cooperativas, empresas do setor e demais agentes envolvidos na concessão de crédito rural.
Confira a seguir algumas das principais características dos produtores rurais inadimplentes.
Produtores sem registro rural apresentam maior inadimplência
A análise por porte mostra que os produtores rurais sem informação de registro rural - grupo que pode incluir arrendatários e integrantes de grupos familiares ou econômicos - registraram o maior índice de inadimplência no primeiro trimestre de 2026, alcançando 11%.
Na sequência aparecem os grandes proprietários rurais, com 9,9%, seguidos pelos médios (8,6%) e pequenos produtores (8,3%).
Faixa etária dos 30 aos 39 anos concentra maior taxa de inadimplentes do agronegócio
No recorte por idade, o estudo revela que a inadimplência está concentrada na população economicamente mais ativa do campo.
No primeiro trimestre de 2026, os maiores índices foram registrados entre produtores de 30 a 39 anos, seguidos pelas faixas de 18 a 29 anos e 40 a 49 anos. A partir dos 50 anos, os percentuais apresentam redução gradual, indicando menor incidência de inadimplência entre produtores de faixas etárias mais elevadas.

A inadimplência do agro é maior na Região Norte do Brasil
Na análise regional, o Norte apresentou a maior taxa de inadimplência do país, com 13,2%.

Na sequência aparecem:
- Nordeste: 10,2%;
- Centro-Oeste: 10,1%;
- Sudeste: 7,3%;
- Sul: 6,2%.
De acordo com os dados do Agro Score, os estados que mais concentram inadimplentes no agronegócio são o Amapá (AP), com 21,2% de inadimplência, o Amazonas (AM), com 15,0%, e Roraima (RR), com 14,4%.
Os resultados reforçam as diferenças no comportamento da inadimplência rural entre as regiões brasileiras.
Queda na pontuação do produtor no Agro Score
A pontuação média dos produtores rurais caiu de 606 pontos, no primeiro trimestre de 2025, para 591 pontos no mesmo período de 2026.
Essa redução na pontuação do produtor no Agro Score indica um aumento da percepção de risco de crédito, reforçando a importância de modelos analíticos capazes de diferenciar perfis e apoiar decisões de concessão de crédito mais precisas.
Como a inteligência artificial apoia a análise de risco no agronegócio?
Em um ambiente de maior pressão financeira, tecnologias baseadas em inteligência artificial tornam a avaliação de crédito mais eficiente.
Por esse motivo, o Agro Score, desenvolvido pela Serasa Experian, utiliza modelos de inteligência artificial e machine learning para combinar informações financeiras, cadastrais e dados específicos da atividade rural.
“Cada propriedade rural possui características próprias, e compreender essas particularidades é essencial para uma análise de risco mais assertiva. Com o Agro Score, reunimos inteligência de dados e informações específicas do agronegócio para apoiar instituições financeiras, cooperativas e empresas do setor na tomada de decisões mais seguras e equilibradas”, afirma Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian.