A participação de mulheres no mercado de trabalho tem aumentado ao longo das últimas décadas, mas ainda há desafios a serem superados. A subparticipação em cargos mais altos, a sobrecarga de tarefas domésticas, entre outros motivos, afeta diretamente sua atuação profissional e limitam seu desenvolvimento de carreira.
Apesar dos avanços e das conquistas, ainda há um longo caminho a percorrer para alcançar a equidade de gênero no trabalho. Para profissionais de RH, entender esse cenário é importante para criar mais políticas de inclusão no trabalho, além de fomentar um ambiente mais justo e igualitário.
Portanto, conheça agora o panorama completo sobre a inserção feminina no mercado de trabalho!
Neste conteúdo você vai ler (Clique no conteúdo para seguir)
- Como se deu a introdução da mulher no mercado de trabalho?
- Mulheres no contexto das duas grandes guerras
- Quais foram os avanços da mulher no mercado de trabalho?
- Quais são as causas da maior participação feminina no mercado de trabalho?
- Quais são os impactos da participação feminina no mercado de trabalho?
- Quais são os principais direitos da mulher no mercado de trabalho?
- Em quais profissões é mais comum a presença feminina?
- O que a mulher enfrenta no mercado de trabalho?
- Como a desigualdade de gênero afeta o mercado de trabalho?
- Caso de sucesso: Serasa Experian e a promoção à equidade de gênero
- O futuro da mulher no mercado de trabalho
- Perguntas frequentes
- Qual é o papel da mulher no mercado de trabalho?
- Qual é a importância da mulher no mercado de trabalho?
- Quem foi a primeira mulher a trabalhar?
Como se deu a introdução da mulher no mercado de trabalho?
As mulheres entraram no mercado de trabalho de forma gradual. Esse processo começou na Primeira Revolução Industrial da Inglaterra, a partir de 1760, e transformou o universo corporativo.
Com o início da transição de um modelo de trabalho artesanal para um modelo industrializado, as fábricas que surgiram demandavam mão de obra em larga escala. Nesse contexto, mulheres passaram a trabalhar fora de casa pela primeira vez em grande número.
Apesar de essa ser uma possibilidade de promover autonomia e independência financeira, as condições de trabalho eram precárias, com jornadas exaustivas e salários muito baixos.
Por isso, essa participação inicial serviu como uma fagulha para o surgimento de movimentos sociais pelos direitos das mulheres que reivindicavam melhores condições de trabalho e igualdade de direitos.
O resultado desses movimentos foi a criação de legislações trabalhistas para proteger mulheres e crianças, como leis que limitaram a jornada de trabalho, aumentaram a idade mínima para trabalho infantil e proibiram atividades perigosas.
Entretanto, apesar do ganho, o resultado não foi tão positivo para as mulheres, pois sua força de trabalho passou a custar mais para os empregadores, que optavam por contratar os homens e reduzir a participação feminina nos postos de trabalho.
Além disso, como o salário dos homens era considerado suficiente para sustentar a família, reforçou-se a ideia de que o marido seria o provedor do lar — enquanto a mulher seria a responsável por cuidar das atividades domésticas.
Mulheres no contexto das duas grandes guerras
A atuação das mulheres no mercado de trabalho voltou a ser expressiva durante as duas Grandes Guerras Mundiais (1914-1918 e 1939-1945).
Com os homens recrutados para o serviço militar, as mulheres foram encorajadas a assumir funções anteriormente exclusivas a eles, como produção de armamentos, trabalhos em fábricas e enfermagem nos campos de batalha.
Com o fim dos conflitos, houve um significativo desenvolvimento social e econômico, que beneficiou a educação pública, a indústria e o comércio.
Neste contexto, os empregadores passaram a ver na figura feminina o perfil ideal para ocupar cargos em escritórios e no ensino básico. Porém, os salários eram baixos, não havia perspectivas de crescimento e os cargos eram pouco competitivos.
A partir de 1970, com o avanço das tecnologias durante a Terceira Revolução Industrial, a presença feminina passou a crescer constantemente, apesar de elas permanecerem em papéis menores na sociedade.
A expansão do acesso ao ensino superior permitiu que mulheres buscassem qualificação profissional e ocupassem cargos que antes eram dominados por homens.
No entanto, a desigualdade salarial persistiu. Apesar de ocuparem cargos semelhantes aos dos homens, elas continuavam a receber salários muito inferiores.
Isso motivou o fortalecimento de movimentos feministas que reivindicavam equidade salarial e igualdade de oportunidades no ambiente de trabalho, avançando na pauta nos anos seguintes.
Quais foram os avanços da mulher no mercado de trabalho?
Nas últimas décadas, a participação feminina no mercado de trabalho continuou a crescer. Alguns dos avanços que mais impactaram a história da mulher na vida profissional foram:
- 1879 - possibilidade de cursar faculdade;
- 1932 - direito ao voto;
- 1943 - direito à licença-maternidade com a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT);
- 1988 - estabilidade no emprego antes e depois da gestação;
- 2006 - criação da Lei Maria da Penha.
Esses avanços contribuíram para o aumento da presença feminina em setores tradicionalmente masculinos e na ocupação de posições de liderança. Áreas como tecnologia, engenharia e finanças, antes dominadas por homens, foram adquirindo uma participação de mulheres cada vez maior, impulsionada por políticas de diversidade e inclusão.
E foi justamente a implementação de políticas de igualdade de gênero nas empresas que representou um marco muito importante neste processo. Surgiram, inclusive, programas de mentoria e desenvolvimento profissional voltados para mulheres como forma de incentivar sua ascensão em cargos de chefia ou diretoria.
Além disso, atualmente, as empresas têm adotado cada vez mais políticas, como licenças parentais e flexibilidade de horário, a fim de promover um ambiente mais inclusivo e reduzir a carga da jornada dupla, comum às mulheres.
Quais são as causas da maior participação feminina no mercado de trabalho?
A consolidação da participação feminina no mercado de trabalho só foi possível com a criação de leis trabalhistas e o fortalecimento dos movimentos feministas. No Brasil, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), promulgada em 1943, trouxe garantias importantes, como a licença-maternidade e a proteção contra a demissão arbitrária.
No entanto, foi apenas com a Constituição de 1988 que a igualdade de direitos entre homens e mulheres foi estabelecida de forma clara na legislação.
Nos anos seguintes, o movimento feminista foi protagonista no questionamento de estereótipos de gênero e exigiu mudanças nas políticas públicas. Isso contribuiu para a criação de leis como:
- Lei Maria da Penha (11.340/2006), que protege as mulheres contra a violência doméstica.
- Lei 14.542, de abril de 2023, que garante a prioridade no atendimento às mulheres em situação de violência familiar e doméstica pelo Sistema Nacional de Emprego (Sine).
- Lei da Igualdade Salarial (14.611/2023), que visa equiparar os salários de homens e mulheres em cargos semelhantes.
Além disso, os avanços educacionais, como o direito a frequentar cursos universitários, ajudaram a qualificar esta mão de obra para ocupar cargos de liderança.
Outras mudanças socioculturais importantes para a participação feminina no mercado de trabalho foram:
- O fim da necessidade de autorização do marido para que mulheres pudessem trabalhar, em 1962.
- A aprovação do sistema de cotas para garantir a inscrição de, ao menos, 20% das mulheres nas chapas eleitorais dos partidos.
- Embora as mulheres representem a maioria da população brasileira e tenham maior participação no mercado de trabalho atualmente, essa participação ainda é baixa. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apenas 52% das mulheres negras e 54% das brancas ocupam cargos de trabalho, enquanto 75% dos homens estão empregados.
Quais são os impactos da participação feminina no mercado de trabalho?
Entre os efeitos positivos das mulheres no mercado de trabalho, estão o aumento da diversidade, a inovação e o desempenho organizacional. Além disso, empresas com liderança feminina tendem a apresentar melhores resultados financeiros e maior competitividade em longo prazo.
Uma realidade que é reforçada pela pesquisa feita pela McKinsey, que revelou que empresas que possuem diversidade de gênero nos cargos de alta gestão aumentam sua lucratividade em 21%. Esses dados nos mostram como a presença feminina em posições de liderança tem sido produtiva para gerar melhor desempenho para as organizações.
Quais são os principais direitos da mulher no mercado de trabalho?
Os direitos trabalhistas específicos para mulheres visam promover igualdade de gênero e protegê-las contra a discriminação. Entre os principais direitos, estão:
- Licença-maternidade de 120 dias de afastamento remunerado, podendo ser estendida para 180 dias nas empresas participantes do Programa Empresa Cidadã.
- Lei da Igualdade Salarial, que garante remuneração igual para homens e mulheres que ocupam os mesmos cargos.
- Estabilidade no emprego durante a gestação, protegendo a mulher contra a demissão arbitrária.
- Prevenção e combate ao assédio moral e sexual no ambiente de trabalho.
Para garantir o cumprimento desses direitos, profissionais de RH devem assegurar que os mecanismos de denúncia da empresa funcionem e sejam confidenciais. Além de políticas de diversidade e inclusão, treinamentos de conscientização podem ser igualmente eficientes.
Em quais profissões é mais comum a presença feminina?
Ao analisar dados em setores de trabalho, percebemos que as mulheres ocupam mais as áreas de educação, saúde, serviços sociais e serviços domésticos.
É o que mostra a Pesquisa Nacional por Amostra por Domicílio (Pnad):
- “Educação, saúde humana e serviços sociais”: 9.683.770 mulheres e 3.340.163 homens;
- “Serviços domésticos”: 5.538.947 mulheres e 540.797 homens.
Um destaque está nos setores de “Ciências e Intelectuais”, em que homens dominam cargos de “Direção e Gerência” e “Membros das Forças Armadas”. Já as mulheres são maioria quando o tema é “Pessoas ocupadas em ciência, tecnologia, engenharia e matemática”, com 7.608.642 profissionais, contra 5.365.989 homens neste cargo.
Outra problemática que se torna uma barreira para a ascensão de mulheres são as atividades de cuidados de pessoas e afazeres domésticos, que tomam mais que o dobro do tempo das mulheres em relação aos homens.
O avanço na carreira está totalmente atrelado à disponibilidade em se dedicar à atividade em que se atua. No entanto, o papel de cuidar da família atribuído à mulher faz o planejamento profissional ficar em segundo plano.
O que a mulher enfrenta no mercado de trabalho?
Embora as mulheres tenham conquistado espaço no mercado de trabalho, a desigualdade salarial é um dos principais obstáculos para a equidade de gênero. Mesmo ocupando cargos equivalentes aos dos homens, as mulheres recebem, em média, 20% menos.
Contudo, essa prática já é proibida por lei, segundo o artigo 461 da CLT:
“Sendo idêntica a função, a todo trabalho de igual valor, prestado ao mesmo empregador, no mesmo estabelecimento empresarial, corresponderá igual salário, sem distinção de sexo, etnia, nacionalidade ou idade”.
Outro desafio é a dificuldade de acesso a cargos de liderança. Segundo o IBGE, somente 39,1% dos cargos gerenciais são ocupados por mulheres no Brasil, enquanto os homens representam 60,9% deles.
Isso reflete a persistência de preconceitos de gênero que associam liderança a características femininas, limitando as oportunidades de crescimento profissional. Aliado a isso, as oportunidades são desiguais para o público feminino, mesmo com maior escolaridade e capacitação. Isso porque, segundo levantamento realizado pelo IBGE, cerca de 21,3% das mulheres possuem ensino superior – contra 16,8% dos homens.
Além disso, as mulheres enfrentam jornadas duplas, dedicando, em média, 21,3 horas semanais a tarefas domésticas, enquanto os homens dedicam 10,9 horas.
O assédio moral e sexual também é uma barreira que afeta as mulheres no ambiente de trabalho. No Brasil, 49% das mulheres demonstram preocupação com sua segurança no trabalho ou durante as viagens a trabalho. Quase ¼ lidou com clientes que as assediaram ou se comportaram de alguma maneira que as deixou desconfortáveis.
Para enfrentar esses desafios, é necessário que as empresas tenham políticas de equidade de gênero e que divulguem canais de denúncia confiáveis para criar um ambiente de trabalho mais confortável e acolhedor para mulheres.
Como a desigualdade de gênero afeta o mercado de trabalho?
A desigualdade de gênero no mercado de trabalho afeta diretamente a produtividade, o clima organizacional e a retenção de talentos nas empresas. A falta de equidade gera ambientes desmotivadores, onde as mulheres enfrentam desigualdades salariais, falta de oportunidades de crescimento e assédio.
Além disso, a sub-representação feminina em cargos de liderança limita a inovação e as tomadas de decisões estratégicas, já que as organizações perdem perspectivas diversificadas.
Não ter políticas de inclusão, portanto, irá contribuir para um clima organizacional negativo, o que consequentemente aumentará o turnover e dificultará a retenção de talentos. Para se ter ideia, o tempo de permanência médio das pessoas em organizações premiadas que se preocupam com o tema é de, no mínimo, 2 anos.
Outros dados levantados pelo Great Place to Work mostram que, entre as empresas premiadas, aquelas com políticas de diversidade têm 35% de sua alta liderança ocupada por mulheres.
Caso de sucesso: Serasa Experian e a promoção à equidade de gênero
Aqui na Serasa Experian, reconhecemos a importância da diversidade de gênero. Por isso, buscamos constantemente criar um ambiente inclusivo e igualitário para promover a equidade, especialmente na área de tecnologia, devido aos desafios históricos e sociais que dificultam a presença feminina nesse setor.
Essa premissa se reflete em nosso quadro de colaboradores, do qual 44,4% são mulheres, com 38,9% ocupando cargos de liderança e 27% atuando em TI. Outras iniciativas que reforçam a presença e o desenvolvimento das mulheres no mercado de trabalho na Serasa Experian envolvem:
- Programa de estágio com alta taxa de contratação de mulheres;
- Treinamentos de capacitação e políticas de equidade de gênero;
- Iniciativas como o podcast "Donas da Tech Toda", que dá voz às mulheres na área de tecnologia;
- Empresa Cidadã, com extensão da licença-maternidade para que as mães desfrutem de 180 dias de afastamento remunerado.
O futuro da mulher no mercado de trabalho
Para construir um ambiente de trabalho ainda mais equitativo, cabe às empresas e aos profissionais de RH mudar a cultura organizacional, promover igualdade de oportunidades e realizar treinamentos para todos os colaboradores.
Além disso, os profissionais de RH podem atuar na linha de frente para garantir o cumprimento da legislação trabalhista.
A tendência aponta para um futuro de grande impacto da tecnologia na inclusão feminina, no crescimento da representatividade em cargos de liderança e no fortalecimento de políticas voltadas para a diversidade e inclusão!
Perguntas frequentes
Confira algumas das principais dúvidas sobre o tema.
Qual é o papel da mulher no mercado de trabalho?
O papel da mulher no mercado de trabalho é diversificado e abrange desde funções operacionais até cargos de liderança e inovação, contribuindo para o crescimento econômico e a diversidade organizacional.
Qual é a importância da mulher no mercado de trabalho?
A presença feminina promove diversidade de ideias, equidade de gênero e maior competitividade nas empresas, gerando ambientes mais inclusivos e produtivos.
Quem foi a primeira mulher a trabalhar?
Não há um consenso sobre quem foi a primeira mulher a entrar no mercado de trabalho formal, pois elas sempre exerceram atividades domésticas e comunitárias. Contudo, durante a Revolução Industrial (1760-1840), passaram a ocupar empregos formais nas fábricas, marcando sua entrada no mercado de trabalho remunerado.