A Reforma Tributária já faz parte da realidade das empresas brasileiras. Embora muitas das mudanças sejam implementadas de forma gradual, o momento é de informação e planejamento. Afinal, compreender como o novo sistema funcionará é o primeiro passo para tomar decisões mais seguras nos próximos anos.
Para ajudar empresários a entender esse cenário, a Carolina Brasil, advogada tributarista e sócia-fundadora da TAX360 Consulting, que acompanha de perto as discussões sobre a regulamentação da Reforma Tributária, compartilhou sua visão sobre os principais impactos para as empresas no YouTube da Serasa Experian.
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Um novo sistema tributário exige uma nova forma de planejamento
A proposta da Reforma Tributária nasceu com o objetivo de simplificar um dos sistemas fiscais mais complexos do mundo. Na prática, isso significa substituir diversos tributos por um modelo mais uniforme, buscando reduzir burocracias e tornar a tributação mais transparente.
Apesar dessa simplificação, a adaptação não acontece automaticamente. Empresas precisarão revisar processos internos, atualizar sistemas, entender novas regras e avaliar como essas mudanças impactam seus custos, preços e planejamento financeiro.
Segundo Carolina Brasil, esse período de transição será justamente o momento em que empresários precisarão acompanhar a evolução da regulamentação com mais atenção, já que muitos detalhes práticos ainda serão definidos ao longo da implementação.
Novos tributos fazem parte da mudança
Durante a conversa, Carolina explica que um dos pilares da Reforma Tributária é a criação de uma nova estrutura de tributação sobre o consumo.
Tributos conhecidos pelas empresas, como PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI, serão gradualmente substituídos por novos modelos, entre eles a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), além do Imposto Seletivo, aplicado a produtos específicos.
No vídeo, Carolina destaca a importância de compreender como essa nova lógica funcionará na prática e quais reflexos ela poderá trazer para diferentes segmentos econômicos.
Como fica o Simples Nacional?
Essa é uma das dúvidas mais frequentes entre pequenos e médios empresários e também um dos temas abordados por Carolina Brasil durante o bate-papo.
Ela explica que o Simples Nacional foi mantido pela Emenda Constitucional, preservando um regime que hoje atende milhões de empresas brasileiras. No entanto, isso não significa que nada irá mudar.
Segundo Carolina, as empresas poderão optar por continuar realizando o recolhimento dos novos tributos de forma unificada, como acontece atualmente. Nesse modelo, porém, não haverá aproveitamento de créditos relacionados aos novos impostos.
Outra possibilidade será a adoção do chamado regime híbrido. Nesse formato, a empresa permanece no Simples Nacional para tributos como IRPJ, CSLL e folha de pagamento, enquanto CBS e IBS passam a ser recolhidos fora da guia única. Essa alternativa permite a geração de créditos tributários nas aquisições e também o repasse de crédito integral aos adquirentes, aspecto que pode fazer diferença dependendo do perfil da empresa e da cadeia de negócios em que ela está inserida.