Antes de vender a prazo, qualquer empresa sente o peso do "e se não pagar?". O caixa sofre, a cobrança perde ritmo e a equipe vê o esforço comercial ir embora. Quando os sinais de inadimplência crescem, a operação inteira precisa trabalhar mais para receber o mesmo.
Percebe como tratar todo mundo igual não funciona? O que funciona é medir, priorizar e agir com métodos específicos — e é aqui que a Probability of Default (probabilidade de inadimplência) mede de maneira quantitativa para decidir quem recebe crédito, quanto e sob quais condições.
Neste post, explicaremos o significado de Probability of Default e como utilizar essa métrica para reduzir o risco de inadimplência, contando com a inteligência das soluções que oferecemos na Serasa Experian.
Neste conteúdo você vai ler (Clique no conteúdo para seguir)
- O que significa Probability of Default?
- Qual a relação entre Probability of Default e risco de inadimplência?
- Como calcular e interpretar o Probability of Default?
- Quais fatores influenciam o risco de inadimplência de um cliente?
- O "score default" e a probabilidade de inadimplência: uma visão estratégica para o parceiro Serasa Experian
- Como reduzir o risco de inadimplência usando dados e inteligência?
- Aspectos legais da cobrança e negativação
- Como a Serasa Experian apoia na análise de Probability of Default?
O que significa Probability of Default?
Probability of Default (PD), ou probabilidade de inadimplência, estima a chance de um devedor deixar de cumprir os pagamentos combinados de uma dívida em um período definido, geralmente de 12 meses.
A ideia vale para concessão de crédito, gestão de carteiras e políticas de cobrança: o resultado não depende apenas de quem toma o crédito; o ambiente econômico também altera esse risco.
Essa medida serve de base para precificação de juros, limites, garantias e priorização de ações de cobrança. Ou seja, PD coloca um número sobre a pergunta "qual a probabilidade de não receber?" E a resposta orienta decisões antes, durante e depois da venda — do aceite do crédito ao desenho de renegociações — e ajuda a reduzir o risco de inadimplência de forma consistente.
Qual a relação entre Probability of Default e risco de inadimplência?
A Probability of Default (PD) é a medida quantitativa da probabilidade de um tomador de empréstimo não honrar suas obrigações, enquanto o risco de inadimplência é um conceito que engloba a probabilidade de um devedor falhar em pagar uma dívida, resultando em uma perda para o credor. Ou seja, a PD é um componente para avaliação e quantificação do risco de inadimplência.
Uma pontuação de crédito mais baixa, um histórico de pagamentos com atrasos recorrentes e um perfil financeiro com alta relação dívida/renda elevam a PD. Por outro lado, bom histórico, renda estável e endividamento controlado diminuem a probabilidade de inadimplência.
Quer evitar clientes inadimplentes? Então, confira o vídeo abaixo e saiba como conceder crédito com menos riscos com as nossas soluções:
Como calcular e interpretar o Probability of Default?
Empresas estimam PD com modelos estatísticos e de machine learning que combinam dados internos e externos. Regressão logística e scorecards seguem populares porque interpretam bem o peso de cada variável, além de permitirem calibração para diferentes segmentos. A base considera atributos cadastrais, transacionais e comportamentais, sempre com validação em dados históricos de pagamento.
Isto é, variáveis recorrentes entram no cálculo: histórico de crédito (atrasos, renegociações e utilização de limite), score de crédito, renda e comprometimento financeiro, sinais de comportamento de consumo (volatilidade de gastos, frequência de compras, uso de canais) e até setor de atuação e contexto econômico.
A leitura correta da PD não é "sim ou não", e sim "quão provável" e "o que fazer com esse grau de risco". Empresas maduras definem faixas de PD com políticas associadas a limites, prazos e garantias!
Quais fatores influenciam o risco de inadimplência de um cliente?
Alguns fatores que podem influenciar o risco de inadimplência de um cliente são macroeconômicos, como inflação, juros e desemprego, que afetam a renda disponível e a capacidade de pagamento, pressionando a PD em ciclos mais rígidos.
Ao nível individual, grande endividamento prévio, oscilações ou quedas de renda e histórico de renegociações sinalizam maior risco. Já cadastros atualizados, estabilidade de renda e disciplina de pagamento indicam menor probabilidade de inadimplência.
O "score default" e a probabilidade de inadimplência: uma visão estratégica para o parceiro Serasa Experian
O conceito de "score default" é fundamental para a gestão de crédito e cobrança B2B. Essa ferramenta oferece uma leitura mais aprofundada da capacidade e intenção de pagamento do consumidor inadimplente, permitindo aos parceiros da Serasa Experian tomar decisões mais assertivas e proteger seu fluxo de caixa. Não se trata apenas de prever a inadimplência, mas de criar estratégias de acionamento mais eficazes.
A diferença crucial: "score default" vs. score de crédito tradicional
A distinção entre esses dois tipos de score é vital para o gestor:
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Característica |
Score de crédito tradicional |
"Score default" (collection score) |
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Objetivo primário |
Avaliar a probabilidade de bom pagamento na concessão de crédito. |
Avaliar a probabilidade de não pagamento (inadimplência) e propensão à regularização. |
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Foco da decisão |
Concessão de limite, taxa de juros e aprovação. |
Gestão de risco na carteira, priorização e ações de recuperação de crédito. |
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Aplicação |
Antes da venda. |
Durante o ciclo de vida da dívida e na cobrança. |
O Collection Score da Serasa Experian agrega informações comportamentais e históricas mais específicas para o contexto de dívida já existente ou iminente, sendo uma ferramenta mais orientada para a gestão de carteiras de cobrança e recuperação de ativos.
Como o Collection Score da Serasa Experian otimiza a sua régua de cobrança
A aplicação prática do Collection Score permite aos parceiros segmentar devedores em grupos de risco e potencial de recuperação de crédito, otimizando os recursos de cobrança.
Ele possibilita:
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Personalização: calibrar a régua de comunicação (canais, frequência, mensagens) e as ofertas de negociação com base no score;
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Priorização: concentrar esforços em faixas de score que demonstram maior propensão a pagar;
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Eficiência: aumentar a taxa de recuperação de crédito ao direcionar o esforço de forma estratégica.
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Faixa de Collection Score |
Ação de cobrança recomendada |
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Alta (maior propensão a pagar) |
Lembretes amigáveis, oferta de PIX, comunicação via WhatsApp (baixo custo). |
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Média (propensão moderada/necessidade de estímulo) |
Proposta de renegociação, ofertas agressivas e entrada na régua de negativação. |
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Baixa (baixa propensão/maior dificuldade) |
Uso de cartas formais (Collection), análise de recuperação de ativos e abordagem de longo prazo. |
Como reduzir o risco de inadimplência usando dados e inteligência?
Com dados bem tratados, você, empreendedor, consegue identificar onde o risco de inadimplência se concentra e direcionar limite, preço e comunicação. Confira mais detalhes abaixo:
1. Segmentação de clientes com base no Probability of Default
Clientes com PD baixa recebem limites e prazos mais competitivos; as faixas intermediárias mantêm condições controladas e monitoramento próximo; já as faixas altas exigem redução de exposição, garantias e adoção antecipada da régua de cobrança. A segmentação também reduz custo por recuperação de crédito.
2. Políticas de crédito mais assertivas
Ferramentas como os 5 Cs do crédito (caráter, capacidade, capital, colateral e condição) enriquecem a leitura da PD e trazem disciplina ao processo, pois elas ajudam a diferenciar casos com histórico duvidoso, mas com renda sólida, daqueles com renda apertada e uso intenso de limite — cenários que pedem políticas diferentes.
3. Monitoramento contínuo e alertas antecipados
Mudanças em renda, aumento súbito de utilização de limite, novos atrasos em outros credores e sinais de instabilidade no setor são sinais de alerta. Programas de monitoramento com eventos e limites acionam checagens cadastrais, ajustes de limite e reforço na régua de comunicação antes de o atraso virar perda.
4. Oferta de renegociação proativa
Quando a PD aumenta e a capacidade de pagamento se deteriora, a empresa não precisa esperar o atraso acontecer. Ações proativas com propostas de renegociação, troca de garantias e reestruturação de prazos evitam que o caso entre em inadimplência e reduzem a perda esperada.
Aspectos legais da cobrança e negativação
É crucial que a empresa parceira (PJ) atue dentro dos fundamentos legais que regem a cobrança e a recuperação de crédito no Brasil. A conformidade não apenas minimiza riscos, mas protege a reputação do negócio.
O Código de Defesa do Consumidor (CDC) na cobrança: limites e boas práticas
O CDC (Lei nº 8.078/90) estabelece limites rígidos para proteger o consumidor inadimplente:
Art. 42: "Na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente não será exposto a ridículo, nem será submetido a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça."
Art. 71: "Utilizar, na cobrança de dívidas, de ameaça, coação, constrangimento físico ou moral, afirmações falsas, incorretas ou enganosas ou de qualquer outro procedimento que exponha o consumidor, injustificadamente, a ridículo ou interfira com seu trabalho, descanso ou lazer: Pena: Detenção de três meses a um ano e multa. "
Na prática, esses artigos impõem limites para evitar o assédio moral, cobranças repetitivas ou em horários inapropriados e reforçam a importância de uma comunicação ética, respeitosa e transparente. A cobrança amigável é a melhor alternativa para obter uma resposta do cliente devedor.
O Código Civil (CC) e a dívida: a base legal para o credor
O Código Civil (Lei nº 10.406/02) fundamenta o direito de recuperação de crédito do credor:
Art. 389: "Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado."
Art. 942: "Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem ficam sujeitos à reparação do dano causado; e, se tiver mais de um autor a ofensa, todos responderão solidariamente pela reparação."
Esses artigos dão a base para a atuação do credor, conferindo o direito de buscar a reparação de dívidas, além da incidência de juros e correções, e incluindo a possibilidade de execução de bens quando aplicável.
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o tratamento de dados de inadimplência
A LGPD (Lei nº 13.709/2018) aplica-se ao tratamento de dados de consumidores inadimplentes. O tratamento desses dados para fins de cobrança e negativação é legítimo sob as bases legais de "legítimo interesse" ou "cumprimento de obrigação legal ou regulatória" (Art. 7º, incisos IX e X da LGPD).
A empresa parceira deve minimizar riscos, garantindo a conformidade na coleta, armazenamento e uso desses dados, especialmente ao transferir informações para serviços de negativação como os da Serasa Experian, respeitando os princípios da necessidade, adequação e transparência para o consumidor.
Como a Serasa Experian apoia na análise de Probability of Default?
Identificação de perfis, priorização e acionamento inteligente são algumas das vantagens que nós, da Serasa Experian, oferecemos para ajudar a recuperar dívidas com estratégia e dados na cobrança, mapeando quem tem maior chance de regularizar e onde o risco de inadimplência se concentra. Com isso, a empresa parceira calibra limites, prazos e régua de contato com base em dados de mercado e históricos!
Mapeando perfis de devedores: estratégias de abordagem para máxima eficácia
A análise de dados (incluindo o Collection Score) permite identificar e mapear perfis de devedores, personalizando a régua de cobrança:
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Perfil |
Probability of Default |
Ação necessária |
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O "esquecido" |
PD baixa |
Requer lembretes amigáveis e facilidade de pagamento (PIX) |
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O "em dificuldade temporária" |
PD média |
Requer comunicação humana, empatia e propostas de renegociação flexíveis e sustentáveis |
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O "negligente" |
PD alta |
Requer maior firmeza na régua e o uso estratégico da negativação como gatilho de regularização |
As soluções de cobrança da Serasa Experian: ferramentas para cada etapa da recuperação
As soluções do portfólio Collection se encaixam na régua de cobrança inteligente baseada na Probability of Default:
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PEFIN/REFIN (negativação formal): o processo de negativação formal (último recurso para alta PD), detalhando o trâmite digital para o parceiro;
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Segundo comunicado e lembrete de negativação: funcionam como lembretes estratégicos antes da negativação efetiva (para devedores de PD média-baixa);
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Carta-convite: para dívidas mais antigas, buscando a renegociação proativa;
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Localizador: ajuda a qualificar contatos para aumentar a efetividade da cobrança multicanal;
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Serasa Limpa Nome Parceiros: plataforma para PMEs que facilita a gestão de bases de clientes, o upload de CNPJs e a negociação online, integrada à inteligência de dados para otimizar a recuperação de crédito.
A análise de Probability of Default se integra às soluções de cobrança e recuperação de dívidas que oferecemos na Serasa Experian. Além disso, o ecossistema permite segmentar por risco, acionar o melhor canal e medir retorno por campanha. Gostou do nosso conteúdo? Se sim, continue em nosso blog e confira outros conteúdos similares, como política de crédito. Até lá!