Existe uma imagem bastante popular sobre empreendedorismo: alguém identifica uma oportunidade, tem uma ideia genial e, a partir daquele momento, começa a construir uma empresa de sucesso.
A história da Credere seguiu outro caminho.
Não houve um grande “eureka”. Não existia, desde o primeiro dia, um plano para criar uma startup capaz de atender diferentes regiões do Brasil. O que existia era um grupo de pessoas trabalhando junto, resolvendo problemas reais e aprendendo com aquilo que encontrava pelo caminho.
Foi assim que a Credere começou a tomar forma.
Ao trabalhar com uma operação de venda de motocicletas no interior, o time percebeu uma dificuldade recorrente: principalmente fora dos grandes centros, consumidores encontravam barreiras para acessar financiamento de veículos, enquanto os próprios varejistas nem sempre tinham estrutura para ajudá-los durante essa jornada.
A tecnologia entrou justamente para tentar aproximar esses dois lados.
Essa é a história apresentada em mais um episódio de O Corre de Quem Faz Acontecer, série da Serasa Experian que acompanha de perto os desafios, aprendizados e decisões de quem empreende no Brasil.
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De um problema real à construção da Credere
A origem da Credere ajuda a desconstruir a ideia de que todo negócio inovador precisa nascer de uma ideia completamente inédita.
Antes de se tornar um produto, a solução começou a ser desenvolvida a partir de problemas encontrados pelo próprio time em projetos realizados como software house.
Um deles envolvia justamente a jornada de venda de financiamento de uma concessionária.
A experiência colocou os empreendedores diante de uma realidade que se repetia: havia consumidores que precisavam financiar uma moto ou um carro, mas tinham dificuldade para encontrar crédito. Ao mesmo tempo, pequenos varejistas também enfrentavam limitações de estrutura, equipe e acesso às instituições financeiras.
Em vez de uma descoberta instantânea, houve um processo.
Foram anos de trabalho, tentativa, erro e análise prática até o time perceber que aquele problema poderia dar origem a um negócio.
Como resume Orlando Seabra durante o episódio, a Credere acabou sendo muito mais uma consequência desse processo do que a causa dele.
Tecnologia para aproximar varejistas, bancos e consumidores
Na prática, a Credere conecta o varejo de veículos aos bancos por meio de uma plataforma que ajuda vendedores e consumidores a encontrarem possibilidades de financiamento de maneira mais simples.
Essa diferença é importante para entender a proposta do negócio.
Um dos desafios enfrentados pela empresa foi justamente mostrar ao mercado que sua atuação não estava baseada simplesmente em comparar diferentes ofertas de crédito.
A questão identificada era anterior a isso.
Para uma parcela dos consumidores brasileiros, principalmente em regiões mais afastadas dos grandes centros, o primeiro desafio pode ser encontrar uma possibilidade de financiamento que viabilize a compra.
Por isso, na visão apresentada pela Credere, o problema não era apenas comparar crédito. Era conseguir acessá-lo.
Crescer sem um plano de dominar o Brasil
A expansão da Credere também aconteceu de uma maneira diferente daquela normalmente associada às startups.
Quando o trabalho começou, em 2014, o ecossistema brasileiro de startups e investimentos ainda tinha uma dinâmica diferente da atual. A empresa precisava conquistar clientes e gerar receita enquanto desenvolvia sua própria solução.
O crescimento aconteceu gradativamente.
A tecnologia começou atendendo uma operação local. Outros varejistas da região perceberam que enfrentavam problemas semelhantes e passaram a se interessar pela solução. Depois vieram empresas de outras localidades.
Pouco a pouco, o problema mostrou que não era regional.
Ele se repetia pelo país.
E foi assim, segundo Orlando, que a Credere acabou conquistando o Brasil: não por meio de um plano inicial de escala nacional, mas pela constatação de que a mesma dificuldade aparecia em diferentes mercados e regiões.
Um olhar de fora para fortalecer o que estava sendo construído
Mesmo depois de anos desenvolvendo a solução, a Credere encontrou espaço para questionar o próprio negócio.
A empresa participou do Impulsiona, programa da Serasa Experian, buscando novos aprendizados e um olhar externo sobre sua trajetória e seus próximos passos.
Segundo Orlando, a experiência permitiu analisar a Credere com uma perspectiva mais crítica e experiente.
As mentorias provocaram reflexões sobre diferentes aspectos da empresa, da comunicação e do posicionamento ao próprio entendimento sobre os processos que acontecem nos bastidores da análise de crédito.
Mas um dos principais aprendizados foi perceber que construir uma boa tecnologia não seria suficiente.
Para alcançar a escala necessária e continuar perseguindo sua missão, a Credere também precisaria se tornar uma empresa cada vez mais sólida e eficiente.
Produto e tecnologia são fundamentais. Mas precisam estar sustentados por um negócio forte.