O aumento de contas digitais nos últimos anos facilitou o dia a dia de pagamentos de milhões de brasileiros. No entanto, ter o aplicativo de um banco no celular não resolveu um problema estrutural antigo do país: a dificuldade em conseguir crédito. Muitas pessoas continuam sem acesso a financiamentos justos, mesmo movimentando dinheiro frequentemente no ecossistema financeiro — um sintoma claro de que a inclusão financeira ainda não é uma realidade para todos no Brasil.
Afinal, a posse de uma carteira digital não ajuda quem precisa de recursos para expandir um negócio ou cobrir uma emergência. Para que a inclusão financeira aconteça na prática, o mercado precisa de modelos que avaliem o comportamento real do consumidor. Olhar apenas para o histórico de dívidas antigas exclui bons pagadores que só precisam de uma oportunidade.
É exatamente nessa mudança de avaliação que a tecnologia de dados atua para criar critérios mais justos de concessão. Confira a seguir como essas novas ferramentas estão transformando o acesso ao crédito no Brasil!
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- O que é inclusão financeira?
- Qual o cenário da inclusão financeira no Brasil?
- Como as datatechs melhoram o acesso ao crédito justo?
- Qual a vantagem de ter Cadastro Positivo para acesso ao crédito?
- Qual o papel do crédito consignado na inclusão financeira de pessoas físicas?
- Quantos brasileiros estão fora do mercado de crédito?
- De que forma a educação financeira pode complementar a digitalização bancária?
O que é inclusão financeira?
A inclusão financeira pode ser compreendida como o processo de garantir o acesso amplo, sustentável e regulamentado a uma cesta completa de serviços e produtos bancários essenciais para a cidadania econômica. Confira alguns dados sobre a inclusão financeira:
- 96,4% dos brasileiros têm contas bancárias
- 130 milhões de brasileiros têm algum produto de crédito contratado
- Mais de 20% dos brasileiros não têm cartão de crédito
- 22% de aumento nas taxas de aprovação de crédito com o Cadastro Positivo
- 86% dos empréstimos solicitados pelo Crédito do Trabalhador foram liberados para profissionais que estavam com o score baixo.
Isso vai muito além da posse de uma conta-corrente, abrangendo o direito a linhas de financiamento adequadas, mecanismos de poupança seguros, seguros de proteção e ferramentas transparentes de pagamento. A disponibilidade integrada dessas soluções assegura que tanto cidadãos comuns quanto pequenas empresas conquistem autonomia para planejar investimentos, proteger-se contra imprevistos e gerenciar seu fluxo de caixa sem depender de mercados informais ou circuitos abusivos de capital.
Para que esse conceito seja efetivo, a oferta de soluções deve ser acompanhada por custos proporcionais e canais de atendimento que respeitem as particularidades regionais do público-alvo. Não se trata apenas de digitalização de processos, mas de criar condições reais para que o cidadão utilize o ecossistema econômico para melhorar seu bem-estar e mitigar riscos cotidianos. Dessa forma, a inserção no ambiente bancário atua como um motor de mobilidade social e estabilidade macroeconômica.
Qual o cenário da inclusão financeira no Brasil?
Ao analisar o cenário histórico nacional, os dados compilados pelo Banco Central do Brasil em seu Relatório de Cidadania Financeira de 2025 trazem números que ajudam a ilustrar o tamanho do desafio. Atualmente, 96,4% dos adultos no país têm alguma conta bancária ou de pagamento. Isso significa que cerca de 175 milhões de pessoas já estão inseridas no sistema, mantendo uma média de 6,7 relacionamentos com diferentes instituições.
No entanto, o próprio Banco Central faz um alerta importante: ter uma conta aberta não garante, por si só, que as pessoas consigam usar esses serviços de um jeito saudável no dia a dia. Quando o foco muda para o mercado de crédito, a situação fica ainda mais complexa. O relatório aponta que cerca de 130 milhões de brasileiros têm algum produto de crédito contratado, e 117,4 milhões usam essas linhas ativamente.
O grande problema está na qualidade dessas escolhas: mais de 53 milhões de consumidores dependem de opções muito caras, como o rotativo do cartão de crédito. No outro extremo, mais de 20% dos brasileiros sequer têm acesso a um cartão de crédito, o que reforça que a exclusão financeira acontece em diferentes camadas do mercado. Isso mostra que estar bancarizado é só o começo; o desafio real é evitar que as pessoas fiquem presas em parcelas e juros altos por falta de alternativas melhores.
Esse cenário de juros altos acontece porque os modelos tradicionais de análise de risco ainda têm dificuldade para entender o comportamento de quem tem menor renda ou trabalha por conta própria. Sem dados mais profundos e atualizados sobre a rotina do consumidor, os bancos tendem a subir as taxas ou simplesmente negar cartões e empréstimos para quem não tem um histórico financeiro convencional.
Como as datatechs melhoram o acesso ao crédito justo?
Para mudar esse cenário de juros altos e restrições, o mercado precisa de uma forma diferente de avaliar o risco. É aí que entram as empresas de tecnologia especializadas em dados, as chamadas datatechs. Em vez de dependerem apenas do histórico acumulado pelos bancos tradicionais, essas companhias analisam informações mais amplas e atualizadas sobre o consumidor. Esse processo ajuda diretamente a acelerar a inclusão financeira no Brasil, trazendo para o mercado de crédito pessoas que antes o sistema não conseguia enxergar.
Em vez de usarem avaliações rígidas, que muitas vezes servem apenas para apontar dívidas antigas, essas plataformas olham para a capacidade real de pagamento no momento da consulta. Ao analisar dados mais recentes e o comportamento financeiro do dia a dia de cada pessoa, as análises se tornam mais justas e personalizadas. Esse movimento também estimula a concorrência entre as instituições financeiras, o que contribui para a redução das taxas de juros e amplia a oferta de recursos para quem precisa.
Para alcançar esse patamar de precisão, o uso de dados alternativos torna-se uma peça indispensável no desenvolvimento de soluções de ponta. Essa metodologia consiste na captação e estruturação de variáveis não convencionais, tais como o histórico de pagamento de contas de consumo, o comportamento de compras em plataformas de comércio eletrônico e a consistência de movimentações comerciais de pequenos negócios.
Todo esse trabalho é feito seguindo regras rígidas de segurança e privacidade. Como a análise de risco passa a ser automatizada por sistemas de inteligência artificial, diminui-se o espaço para erros humanos ou julgamentos subjetivos que, no passado, barravam as pessoas de forma injusta. No fim das contas, a tecnologia não serve apenas para dar agilidade às empresas, mas para garantir que o acesso ao crédito seja mais transparente e igualitário para todo mundo.
Qual a vantagem de ter Cadastro Positivo para acesso ao crédito?
No passado, a análise de crédito no Brasil funcionava olhando quase que apenas para as dívidas e o nome sujo. Esse modelo criava distorções, porque um único imprevisto podia apagar anos de compromissos honrados. O Cadastro Positivo surgiu justamente para mudar essa lógica: em vez de listar apenas os erros, ele funciona como um banco de dados que reúne o histórico de todas as contas que o consumidor paga em dia.
Aqui na Serasa Experian, a Datatech que lidera a análise de dados e crédito no Brasil, alinhados ao propósito de construir um ambiente de negócios mais transparente, seguro e acessível, lideramos o desenvolvimento e a consolidação do Cadastro Positivo dentro do mercado nacional.
Incluímos esses registros de pagamentos pontuais diretamente no cálculo do score de crédito, permitindo que a pontuação reflita com muito mais precisão a rotina financeira real de pessoas e empresas. Essa mudança ajuda a abrir portas no mercado para quem consome de forma responsável.
Como dado de prova dessa eficácia analítica, conduzimos um estudo que demonstra o impacto real dessa metodologia nas operações de mercado: em média, a utilização do Cadastro Positivo amplia as taxas de aprovação de crédito das empresas em 22% e, simultaneamente, reduz a inadimplência em 12%.
Para entender esse impacto no cotidiano: um negócio que antes aprovava com segurança apenas 40% dos pedidos que recebia consegue saltar para uma taxa de 50% de aprovação. Isso representa mais vendas e mais clientes incluídos, sem que a empresa precise correr mais riscos de sofrer calotes.
Qual o papel do crédito consignado na inclusão financeira de pessoas físicas?
A inclusão financeira também depende de oferecer alternativas reais para que as pessoas consigam sair do superendividamento e recuperar seu poder de compra. Sabia que fizemos uma pesquisa e verificamos que 54% dos trabalhadores não conseguem chegar ao fim do mês com dinheiro na conta? Pois é!
Diante disso, quase metade desse público acaba recorrendo a linhas emergenciais de altíssimo custo, como o rotativo do cartão e o cheque especial, o que destrói a capacidade de pagamento do consumidor e bloqueia o seu acesso ao mercado formal de crédito. É o mesmo problema estrutural de fundo já visto no Cadastro Positivo: sem dados que expliquem o comportamento real do consumidor, o mercado empurra justamente quem mais precisa de crédito para as opções mais caras.
Para romper esse ciclo e dar uma oportunidade real de recuperação, o empréstimo consignado privado passou por uma reformulação focada em microcrédito justo. Através da iniciativa "Crédito do Trabalhador", transformamos o desconto em folha em um recurso tático para reorganização financeira.
Em vez de ser usado para acumular novas parcelas de longo prazo, esse modelo passou a ser utilizado de forma pontual para quitar dívidas caras e limpar o histórico do trabalhador, substituindo juros abusivos por uma taxa muito mais baixa e controlada. Prova disso é que 86% dos empréstimos solicitados pela iniciativa foram liberados para profissionais que estavam com o score baixo — exatamente o público que mais precisa de uma segunda chance no crédito.
Os dados desse projeto confirmam como essa troca de dívida funciona como uma porta de entrada para a inclusão. Em apenas um ano, o valor médio das operações caiu 73%, o que indica que as pessoas passaram a buscar o recurso apenas para cobrir o sufoco imediato e organizar as contas pendentes. Ao conseguir esse voto de confiança por meio de uma modalidade mais barata, o consumidor limpa sua ficha e passa a construir um histórico positivo, o que eleva seu score e melhora sua análise de crédito perante outras instituições.
Quantos brasileiros estão fora do mercado de crédito?
O Brasil possui entre 30 e 40 milhões de cidadãos adultos que não possuem acesso a linhas de financiamento formais ou que são classificados como subbancarizados. Esse contingente opera predominantemente na informalidade ou conta apenas com contas de pagamento básicas para transações diárias, sem o respaldo de limites de crédito.
De que forma a educação financeira pode complementar a digitalização bancária?
A tecnologia e as novas plataformas digitais abrem novos canais de acesso ao ecossistema econômico, mas a inclusão só se sustenta a longo prazo quando vem acompanhada da capacitação do usuário. Programas de orientação orientam o consumidor a gerenciar orçamentos, compreender fluxos de juros e utilizar o crédito como ferramenta de construção de patrimônio.
A consolidação de um ambiente de crédito democrático e sustentável exige o alinhamento estratégico entre tecnologia de ponta e modelos analíticos precisos. O aprimoramento dos sistemas preditivos, alavancado pelo Cadastro Positivo e pelo uso de dados alternativos, consolida de forma definitiva a inclusão financeira em todas as camadas sociais do país. Dessa forma, cria-se uma infraestrutura econômica resiliente, capaz de impulsionar o crescimento de empresas e o bem-estar de milhões de cidadãos.
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