A edição de fevereiro do Boletim Econômico da Serasa Experian mostra que a economia brasileira começa 2026 em ritmo mais moderado. O varejo registra recuo típico de início de ano, a indústria encerra 2025 com sinais de arrefecimento e o setor de serviços apresenta desaceleração pontual, ainda que mantenha crescimento no acumulado. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho permanece resiliente, a inflação segue dentro do intervalo de tolerância da meta e o Banco Central sinaliza a possibilidade de início do ciclo de cortes de juros. No crédito, as concessões avançam, mas a inadimplência continua em patamar recorde.
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Confira agora um resumo do que aconteceu em cada um dos setores analisados
O varejo recuou 0,7% em janeiro, na série com ajuste sazonal, movimento típico para o período, quando despesas obrigatórias como tributos, matrículas e reajustes comprimem o orçamento das famílias. A variação anual ficou em -0,6%, enquanto o acumulado em 12 meses desacelerou para 2,4%. Entre os segmentos, supermercados avançaram 1,6%, móveis e eletroeletrônicos cresceram 1,5% e vestuário subiu 1,4%. Em contrapartida, veículos recuaram 2,5% e combustíveis caíram 1,1%.
Na indústria, a produção registrou retração de 1,2% em dezembro frente a novembro, configurando o resultado mensal mais fraco desde julho de 2024. Na comparação com dezembro do ano anterior, houve alta de 0,4%, e 2025 encerrou com crescimento acumulado de 0,6%. Todas as grandes categorias econômicas apresentaram queda na passagem mensal, com destaque para bens de capital, que recuaram 8,3%, e bens de consumo duráveis, que caíram 4,4%. Entre os ramos, veículos, produtos químicos e metalurgia contribuíram negativamente, enquanto a indústria extrativa, o setor farmacêutico e o segmento de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis apresentaram avanço no mês.
O volume de serviços caiu 0,4% em dezembro frente a novembro. Apesar da retração pontual, o setor permanece 19,6% acima do nível pré-pandemia e acumulou crescimento de 2,8% em 12 meses, com alta de 3,4% na comparação anual.
Informação e comunicação avançaram 1,7%, enquanto transportes recuaram 3,1%, com queda disseminada entre os modais.
O mercado de trabalho segue favorável. A taxa de desocupação no trimestre encerrado em dezembro alcançou 5,1%, o menor nível da série histórica iniciada em 2012. A população ocupada totalizou 103 milhões de pessoas, também recorde. O rendimento médio real atingiu R$ 3.613, e a massa de rendimentos somou R$ 367,6 bilhões.
A inflação avançou 0,33% em janeiro, acumulando 4,44% em 12 meses e permanecendo dentro do intervalo de tolerância da meta do Banco Central, cujo limite superior é de 4,50%. O grupo Transportes exerceu a principal pressão no mês, impulsionado pelos combustíveis, enquanto a queda na energia elétrica contribuiu para conter o índice.
No cenário cambial, o dólar encerrou janeiro próximo de R$ 5,25, acumulando queda no primeiro mês de 2026. O movimento refletiu a retomada do fluxo estrangeiro para ativos domésticos e o diferencial de juros ainda elevado. A taxa Selic permanece em 15,00% ao ano, e o Copom indicou que poderá iniciar o ciclo de cortes na reunião de março, caso o cenário evolua conforme o esperado.
O número de consumidores inadimplentes atingiu 81,2 milhões de CPFs em dezembro, novo recorde histórico, com volume total de dívidas de R$ 518,6 bilhões. Entre as empresas, 8,9 milhões de CNPJs estavam negativados no mês, com crescimento expressivo na comparação anual. Apesar disso, as concessões de crédito somaram R$ 786,4 bilhões em dezembro, com avanço de 4,6% na série dessazonalizada e crescimento de 9,1% no acumulado em 12 meses.
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