Indicadores

07 de abr. 2026

Recuperações judiciais avançam no Brasil e atingem 2,5 mil empresas em 2025, maior nível da série, aponta Serasa Experian

Diante da crescente visibilidade dos processos de reestruturação empresarial no país, as recuperações judiciais voltaram ao centro do debate econômico. Nesse contexto, a Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil, relança o Indicador de Falências e Recuperações Judiciais com metodologia atualizada e visão ampliada da dinâmica desses movimentos entre as empresas.

Diante da crescente visibilidade dos processos de reestruturação empresarial no país, as recuperações judiciais voltaram ao centro do debate econômico. Nesse contexto, a Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil, relança o Indicador de Falências e Recuperações Judiciais com metodologia atualizada e visão ampliada da dinâmica desses movimentos entre as empresas.

Principais destaques:

  • 977 processos de recuperação judicial em 2025, maior volume desde 2016 (+5,5% vs. 2024);
  • 2.466 empresas (CNPJs) envolvidas no último ano, alta de 13% e recorde da série;
  • Nova metodologia amplia precisão do indicador ao diferenciar processos e empresas envolvidas;
  • Recuperação judicial segue como instrumento de ajuste de balanço em ambiente de crédito mais seletivo;
  • Agropecuária e Serviços concentram maioria dos CNPJs em recuperação, refletindo maior exposição a ciclos voláteis;
  • Pedidos de falência caem 19% em 2025.

A metodologia atualizada do indicador captura com maior precisão a dinâmica dos processos de reorganização empresarial no país. Segundo a economista-chefe da datatech, Camila Abdelmalack, a atualização do indicador acompanha a própria evolução dos processos de recuperação judicial no país. “Historicamente, o indicador funcionava como uma fotografia do momento. Com o tempo, observamos que a dinâmica das recuperações judiciais é mais ativa do que a visão estática permite localizar. Um processo pode envolver diversos CNPJs, que inclusive podem ser inseridos posterior à data protocolada, passar por mudanças de fase ao longo do tempo e, em alguns casos, tramitar em segredo de justiça, nesse caso havendo a necessidade de uma atualização retroativa”.

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Na primeira divulgação do indicador com metodologia atualizada em 2025, os pedidos de recuperação judicial no Brasil somaram 977 processos, uma alta de 5,5% em relação ao ano anterior. Esse é o maior volume anual desde 2016, o que indica que a busca por reorganização judicial permaneceu intensa. O dado de dezembro é preliminar. Para maior aderência temporal entre a ocorrência do evento judicial e a captação na base, o indicador opera com defasagem média de três meses. Assim, as leituras mais recentes podem ser atualizadas retroativamente, à medida que novas comunicações são registradas pelos órgãos competentes ou processos sob sigilo se tornam públicos.

O dado de dezembro é preliminar. Para maior aderência temporal entre a ocorrência do evento judicial e a captação na base, o indicador opera com defasagem média de três meses. Assim, as leituras mais recentes podem ser atualizadas retroativamente, à medida que novas comunicações são registradas pelos órgãos competentes ou processos sob sigilo se tornam públicos.

A nova leitura separa o que é “frequência de casos” do que é “alcance econômico”. Um mesmo processo pode reunir diversos CNPJs de um grupo econômico, ampliando o impacto de cada pedido. Ao distinguir as informações de processos das informações de CNPJs, o indicador permite dimensionar com precisão quantas companhias estão, de fato, envolvidas nas reestruturações, evita distorções em cortes por setor/porte/UF e melhora a comparabilidade ao longo do tempo. Em outras palavras: processos medem o volume de casos; CNPJs mostram o tamanho real do impacto sobre a base empresarial.

Sob essa ótica, o contingente de empresas sob recuperação judicial atingiu um recorde em 2025: foram 2.466 CNPJs, um crescimento de 13% em relação ao ano anterior.

Camila explica que o acumulado do ano ajuda a observar a tendência dos pedidos ao longo do período: “Ela é a melhor régua para ler a tendência. Em 2025, a recuperação judicial seguiu como instrumento de ajuste de balanço em um ambiente de crédito mais seletivo. Apesar das oscilações mensais, o nível anual avançou e ficou acima do padrão histórico, compatível com renegociação de passivos diante de custo financeiro ainda elevado e de uma demanda desigual entre setores”.

Na leitura mensal, 2025 permaneceu consistentemente acima da tendência histórica (2012–2023), em torno de 53 processos por mês. Pela ótica de CNPJs, o movimento foi semelhante: o número de empresas envolvidas superou recorrentemente a média de longo prazo, 106 CNPJs por mês, indicando que a ativação do instrumento se manteve elevada ao longo dos últimos dois anos. A economista da datatech explica que “esse descolamento em relação à tendência estrutural sugere que a pressão sobre o caixa das empresas — especialmente nos segmentos mais sensíveis ao crédito — continuou significativa, levando mais negócios a recorrer ao mecanismo de reestruturação judicial”.

Agropecuária e serviços lideram pedidos de recuperação judicial

Na análise por setor para 2025, o segmento “Agropecuária”, que contempla exclusivamente pessoas jurídicas e é segmentado pelas classificações de agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, representou 30,1% (743) CNPJs que buscaram pela recuperação judicial, seguido pelo setor de “Serviços” com 30% (739). Em seguida, vieram “Comércio” (21,7%; 535 CNPJs) e “Indústria” (18,2%; 449 CNPJs). A distribuição dos pedidos reflete desafios distintos enfrentados pelos setores da economia, influenciados por fatores como custo de crédito, dinâmica de demanda e estrutura de endividamento das empresas.

Em relação a 2024, observa‑se ganho de participação da “Agropecuária” (+3,8 p.p.) e leve avanço de “Serviços” (+0,6 p.p.), com perdas em “Comércio” (−2,4 p.p.) e “Indústria” (−2,0 p.p.). No horizonte mais longo (2012 - 2025), o movimento é ainda mais expressivo: a “Agropecuária” salta de 1,3% para 30,1% — sinal de maior presença do setor em estratégias de reorganização de passivos ao longo do ciclo —, enquanto “Indústria” (34,4%→18,2%) e “Comércio” (31,2%→21,7%) perderam peso relativo e “Serviços” manteve participação próxima, de 33,1% para 30,0%. 

“A agropecuária opera sob um conjunto de riscos climáticos e biológicos como, estiagens, excesso de chuva, geadas, pragas e doenças”, explica Camila. “A isso se somam choques de preços de commodities, insumos dolarizados como, fertilizantes e defensivos, exposição cambial e um ciclo financeiro mais longo de safra–entressafra, que amplifica a volatilidade de receita e caixa. Em cenários adversos, esses fatores comprimem margens e capacidade de pagamento ao longo de toda a cadeia, do produtor à armazenagem, logística, agroindústria e tradings, elevando a necessidade de renegociação de passivos e tornando a recuperação judicial um instrumento para preservar operação e emprego.” 

A abertura por setor é apresentada exclusivamente na ótica de CNPJs envolvidos, e não por processos. Isso porque um mesmo processo pode agrupar diversos CNPJs de um grupo econômico, muitas vezes com CNAEs diferentes. Nesses casos, a classificação setorial “por processo” não é unívoca e pode distorcer a leitura. Ao atribuir o setor no nível do CNPJ, o indicador da Serasa Experian garante a granularidade da informação e evita vieses de composição.

Base de empresas ganha tração; recuperações judiciais seguem altas, mas desaceleram

Entre 2023 e 2025, o conjunto de empresas ativas, excluindo MEI, manteve uma trajetória consistente de expansão. A taxa anual de crescimento, que era de 6,5% em 2023, ganhou força em 2024 (13,4%) e avançou ainda mais em 2025, atingindo 22,5%, evidenciando um fortalecimento da base empresarial ao longo do período.

Fonte: Serasa Experian e Receita Federal

No mesmo intervalo, a quantidade de empresas que requereram recuperação judicial seguiu um movimento diferente. Após o salto de 36,2% em 2023, o indicador desacelerou, mas permaneceu em um patamar elevado, registrando altas de 26,4% em 2024 e 12,9% em 2025.

O quadro sugere normalização do uso do instrumento em um ambiente ainda de crédito seletivo e inadimplência elevada, com o nível anual de recuperações permanecendo acima do padrão histórico, embora com menor pressão marginal do que em 2023 e 2024.

“O fato de o crescimento anual dos pedidos ter perdido fôlego em 2025 não garante que veremos o mesmo movimento em 2026. A economia deve desacelerar, o ritmo de corte de juros pode ser menor do que o projetado, mantendo a Selic em patamar restritivo e as condições de crédito apertadas. Além disso, os dados de inadimplência da Serasa Experian seguem exigindo atenção: são 8,7 milhões de CNPJs negativados em janeiro de 2026, com dívida média de R$ 23.138,40 e cerca de 7 restrições por CNPJ negativado. Em geral, a inadimplência costuma anteceder os movimentos de recuperação judicial, o que nos deixa em estado de alerta para as próximas leituras”, completa a economista-chefe da datatech. 

Pedidos de falência registram queda

Historicamente, o pedido de falência era frequentemente utilizado por credores como instrumento de indução ao pagamento de dívidas por parte das empresas devedoras. Esse mecanismo, embora previsto em lei, acabou se consolidando como uma ferramenta de cobrança, sobretudo em contextos de inadimplência prolongada.

Outro ponto relevante é que mais de um credor pode ingressar com pedidos de falência simultâneas referente ao mesmo CNPJ, o que significa que uma mesma empresa pode figurar em múltiplos processos ao mesmo tempo, refletindo a diversidade e amplitude das suas obrigações em aberto. Em alguns momentos, o número de processos pode ficar acima do número de empresas envolvidas por essa razão.

Essa distinção melhora a visibilidade do impacto: a métrica por processos dimensiona o volume de casos na Justiça, enquanto a métrica por CNPJs mostra quantas empresas estão, de fato, alcançadas pelos pedidos.

Segundo dados prévios de 2025, foram registrados 698 CNPJs com pedidos de falência, o que representa uma queda de 19% na comparação com 2024. Em perspectiva histórica, o total de 2025 permanece muito abaixo de 2012 (1.810 CNPJs), uma redução aproximada de 61% no período.

Com a evolução dos instrumentos jurídicos e das práticas de recuperação de crédito, esse cenário mudou. Atualmente, existem alternativas mais adequadas e eficazes para acionar empresas devedoras, reduzindo a necessidade de recorrer ao pedido de falência como meio de cobrança.

Já a visão por setor de 2025 versus 2012 mostra queda expressiva em todos os segmentos: “Indústria” passou de 825 para 344 (‑58%), “Comércio” de 530 para 182 (‑66%), “Serviços” de 442 para 168 (‑62%) e “Agropecuária” de 13 para 4 (‑69%).

Apesar do recuo generalizado, o mix setorial mudou pouco: a “Indústria” ganhou peso relativo (45,6% para 49,3%), “Serviços” ficou praticamente estável (24,4% para 24,1%), “Comércio” perdeu participação (29,3% para 26,1%) e a “Agropecuária” seguiu residual (0,7% → 0,6%). Em síntese, 2025 exibiu volume bem inferior ao de 2012, com a Indústria mantendo a maior contribuição para os pedidos de falência.

Recuperação extrajudicial

recuperação judicial é um processo formal conduzido no âmbito do Judiciário, no qual a empresa apresenta um plano de reestruturação a todos os credores, sob supervisão de um administrador judicial e seguindo prazos legais rígidos. Por envolver etapas processuais, assembleias e fiscalização contínua, tende a ser mais longo — com negociações que geralmente se estendem por meses ou anos, dependendo da complexidade do caso.

Já a recuperação extrajudicial é um mecanismo pelo qual a empresa, em dificuldade financeira, negocia diretamente com parte de seus credores um plano para reorganizar dívidas sem necessidade de um processo judicial completo, remetendo o acordo ao Judiciário apenas para homologação, etapa em que o juiz se limita a verificar o cumprimento dos requisitos legais. Embora exista essa via formal prevista em lei, a maior parte das reestruturações ocorre fora dela, em um ambiente de liberdade contratual, por meio de acordos privados puramente extrajudiciais. Em geral, a maior parte das negociações ocorre neste tipo de ambiente e nessas situações, portanto não é possível o monitoramento sistemático desses casos.

Nesse contexto, no acompanhamento da quantidade de pedidos de recuperação, observa-se predominância da recuperação judicial em relação à recuperação extrajudicial, dado o rito mais estruturado e a maior publicidade processual. Em 2025, foram registrados 977 pedidos de recuperação judicial, ao passo que os pedidos de recuperação extrajudicial totalizaram 62 no mesmo período.

Essa assimetria tem se mantido ao longo dos anos: nos últimos anos (2024-2025), para cada 16 pedidos de recuperação judicial, apenas 1 correspondia à alternativa extrajudicial, evidenciando a menor utilização desse mecanismo, que depende de maior convergência entre credores e de negociações diretas para sua efetivação. Ainda assim, o instrumento vem ganhando algum espaço, considerando que, em 2023, essa proporção era de 26 para 1.

Para conferir mais informações e a série histórica do indicador, clique aqui.

Metodologia

O Indicador Serasa Experian de Falências e Recuperações Judiciais é elaborado a partir do levantamento mensal do número de processos e de CNPJs envolvidos em pedidos de falência e de recuperação judicial registrados na base de dados da Serasa Experian. A natureza do indicador implica defasagens informacionais decorrentes do curso processual e dos prazos de comunicação pelos órgãos competentes, o que exige a atualização retroativa dos dados em base mensal. Dessa forma o prazo possui uma defasagem de 3 meses. 

O indicador é segmentado por grandes setores econômicos utilizando agregações das divisões do código nacional de atividades econômicas (CNAE) fornecidos do IBGE, contemplando apenas pessoas jurídicas (CNPJ). A Serasa Experian possui também outro levantamento contemplando uma segmentação diferente dos CNAEs focada na cadeia do agronegócio levando em consideração também pessoas físicas (CPF). 

Serasa Experian 

A Serasa Experian é a primeira e a maior Datatech do Brasil. Líder em soluções de inteligência para análise de riscos e oportunidades, com foco nas jornadas de crédito, autenticação e prevenção à fraude. Com tecnologia de ponta, inovação e os melhores talentos, transforma a incerteza do risco na melhor decisão, ajudando pessoas a realizarem seus sonhos e empresas de todos os portes e segmentos a prosperarem.    

Criada em 1968, a Serasa passou a fazer parte da Experian Company em 2007, empresa global com matriz em Londres. Atualmente, é responsável por mais de 6,5 milhões de consultas diárias sobre empresas e consumidores e protege mais de 2,2 bilhões de transações comerciais todos os anos.    

Empodera consumidores com educação financeira, facilitando o acesso a crédito justo. Ajuda empresas de todos os portes e segmentos a tomar melhores decisões, em diversas frentes para: encontrar novos clientes, gerenciar os atuais com mais eficiência, conceder crédito ou vender a prazo com segurança, cumprir normas ESG, autenticar seus clientes e prevenir fraude e, ainda, cobrá-los no momento ideal, sem impactar o relacionamento.    

Com o propósito de criar um futuro melhor para todos ampliando oportunidades para pessoas e empresas, capacita pessoas na área de tecnologia e impulsiona pequenos negócios e startups de impacto social por meio de programas próprios e gratuitos. É reconhecida pela Top Employers Institute e pelo GPTW como uma das melhores empresas para trabalhar. Também é a empresa de serviços mais inovadora do país, certificada pelo Prêmio Valor Inovação Brasil.   

Experian 

A Experian é uma datatech global que amplia oportunidades para pessoas e empresas em todo o mundo. Facilitamos a jornada de crédito, autenticamos e prevenimos contra fraudes, simplificamos processos na área da saúde, oferecemos soluções de marketing digital e ajudamos na geração de insights no setor automotivo, combinando de forma única dados, analytics e software. Também apoiamos milhões de pessoas a alcançarem seus objetivos financeiros, ajudando-as a economizar tempo e dinheiro.   

Atuamos em diversos mercados, como serviços financeiros, saúde, automotivo, agronegócio, seguros, entre outros segmentos. Investimos continuamente em profissionais talentosos e em tecnologias avançadas para liberar o poder dos dados e impulsionar a inovação.   

Com sede corporativa em Dublin, na Irlanda, a Experian plc integra o índice FTSE 100 e está listada na Bolsa de Valores de Londres (EXPN), com cerca de 25.200 colaboradores em 33 países. Saiba mais em  experianplc.com.  

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