Empresas com inadimplência semelhante podem ter resultados muito diferentes devido ao LGD (Loss Given Default), indicador que mostra quanto da exposição de crédito se torna perda após o default. Ele afeta diretamente o fluxo de caixa, as provisões e as decisões estratégicas, variando conforme garantias, prazos, custos e eficiência da gestão de cobrança.
No B2B, monitorar o LGD é essencial para evitar impactos inesperados e orientar ações com clientes em atraso. Este conteúdo apresenta estratégias práticas — como régua de comunicação, negativação, renegociação digital e monitoramento — para reduzir perdas, melhorar a experiência do devedor e integrar crédito, jurídico e cobrança na recuperação de ativos. Acompanhe!
Neste conteúdo você vai ler (Clique no conteúdo para seguir)
- Como o LGD funciona na lógica de perda B2B
- Como calcular e interpretar o LGD de forma prática
- Como funcionam o Workout LGD e a modelagem estatística
- Fatores que mais impactam o LGD por tipo de operação
- Impactos do LGD: financeiro, operacional e estratégico
- Relação entre LGD, negativação e recuperação de ativos
- Boas práticas legais para negativar com segurança jurídica
- Ações práticas para reduzir o LGD na sua operação
- Como a Serasa Experian apoia empresas na redução do LGD
Como o LGD funciona na lógica de perda B2B
No ambiente B2B, a severidade da perda varia conforme o setor, o tipo de contrato, a estrutura de garantias e a complexidade operacional. Empresas diferentes podem ter riscos distintos mesmo mantendo índices de atraso parecidos. É nesse ponto que o LGD se torna o grande fator de diferenciação entre operações saudáveis e operações pressionadas.
Indústrias costumam ter LGD mais alto quando não existe facilidade para recuperar mercadorias ou insumos entregues, especialmente quando a cadeia produtiva já transformou o produto. Quando não há bens recuperáveis, a empresa depende exclusivamente da capacidade de pagamento.
Além disso, a judicialização, comum em contratos de fornecimento, eleva custos e amplia o prazo de recuperação. Já serviços recorrentes, como tecnologia, telecom e consultorias, enfrentam outro desafio: as dívidas são intangíveis.
Nesses segmentos, não há garantias físicas. Assim, o ciclo de cobrança precisa ser rápido e a comunicação deve ocorrer antes de a dívida envelhecer, porque cada mês extra de atraso reduz drasticamente a probabilidade de recuperação.
Em operações financeiras, como crédito para empresas, o LGD está diretamente ligado à qualidade das garantias. Garantias fortes reduzem a severidade, já as frágeis ou inexistentes podem elevar o LGD rapidamente. Nesse caso, políticas de crédito mal calibradas podem gerar perdas expressivas.
Além disso, o porte do cliente influencia. Uma PME e uma grande empresa apresentam perfis de recuperação distintos. Empresas maiores têm processos burocráticos, porém mais consistentes, enquanto PMEs costumam ter fluxo de caixa volátil e menor capacidade de absorver dívidas.
Compreender essa dinâmica permite que empresas ajustem seus processos e direcionem esforços onde há real potencial de recuperação. LGD é diferente de PD (probabilidade de inadimplência). Enquanto a PD mostra a chance de atraso, o LGD mostra o tamanho da perda caso o atraso aconteça. A combinação dos dois garante previsões mais confiáveis.
Como calcular e interpretar o LGD de forma prática
O cálculo do LGD indica, em percentual, o valor perdido após tentativas de recuperação. Ele pode ser obtido por meio de duas fórmulas comuns e de fácil aplicação.
A fórmula direta compara o valor recuperado com a exposição total na inadimplência:
LGD = (Perda Total – Recuperações) / Exposição Total
Já o LGD complementar mostra a porcentagem de perda:
LGD = 1 – Taxa de Recuperação
Ambas as abordagens mostram quanto da carteira virou perda, permitindo comparações trimestrais e anuais para identificar melhorias ou retrocessos nos processos.
Exemplo na prática
Se uma empresa tem R$ 100 mil expostos e recupera R$ 62 mil, o LGD é de 38%. Isso significa que, para cada R$ 1,00 em atraso, R$ 0,38 tendem a virar perda se nenhuma estratégia nova for aplicada. Esse número pode ser reduzido com ajustes na régua de cobrança e no momento da negativação.
Interpretar o LGD exige atenção ao comportamento da carteira. LGD acima de 40% indica problemas na recuperação ou um processo pouco integrado. LGD entre 20% e 40% mostra oportunidades de ajuste. LGD abaixo de 20% demonstra eficiência, integração entre áreas e boa estratégia de cobrança.
Como funcionam o Workout LGD e a modelagem estatística
Empresas que desejam aprofundar a análise do LGD podem usar metodologias mais robustas, como o Workout LGD. Esse método acompanha o fluxo de recuperação ao longo do tempo, considerando custos jurídicos, despesas operacionais e atrasos no recebimento.
O Workout LGD considera
O Workout LGD leva em conta o valor recuperado ao longo do tempo, considerando pagamentos parcelados ou tardios, e incorpora os custos jurídicos e operacionais que reduzem o valor líquido realmente recebido.
Também aplica o desconto ao valor presente, já que recuperar agora vale mais do que recuperar no futuro, e avalia o grau de incerteza das recuperações, reconhecendo que parte das dívidas pode nunca ser quitada. Essa combinação torna o cálculo mais fiel ao impacto econômico real da inadimplência.
Além disso, a modelagem estatística contribui para prever a severidade das perdas antes mesmo que elas ocorram. Técnicas como regressões e algoritmos analisam variáveis como idade da dívida, histórico de pagamento, porte da empresa, tipo de garantia e segmento do devedor.
Já em setores com baixa incidência de inadimplência, os chamados low-default portfolios, o maior desafio é a escassez de dados. Para superá-lo, empresas recorrem a benchmarking ou a modelos híbridos que combinam dados internos e externos. Quanto maior a disciplina na coleta e organização dessas informações, mais precisas se tornam as estimativas.
O objetivo dessas metodologias é identificar padrões e antecipar riscos, permitindo que empresas reduzam o LGD antes mesmo do default, seja ajustando limites de crédito, revendo prazos ou exigindo garantias adicionais.
Fatores que mais impactam o LGD por tipo de operação
A seguir, apresentamos um entendimento consolidado dos principais fatores que influenciam a severidade da perda em diferentes tipos de operação B2B. Esses elementos ajudam a entender por que o LGD varia tanto entre setores e orientam onde concentrar esforços de recuperação.
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Tipo de operação B2B |
Fatores que elevam o LGD |
Fatores que reduzem o LGD |
|---|---|---|
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Indústria/atacado |
Dificuldade de recuperar bens; judicialização; prazos longos |
Contratos com garantias; negativação no tempo certo |
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Serviços recorrentes (SaaS, consultoria) |
Dívida intangível; churn; contato tardio |
Pré-cobrança, régua multicanal, renegociação digital |
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Crédito para empresas |
Garantias fracas; inadimplência prolongada |
Garantias fortes, monitoramento de crédito constante |
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PMEs |
Fluxo de caixa volátil; pouca estrutura |
Comunicação próxima, ofertas calibradas e canais ágeis |
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Grandes empresas |
Processos lentos; análises jurídicas extensas |
Contratos robustos e histórico de relacionamento |
Impactos do LGD: financeiro, operacional e estratégico
O impacto financeiro é imediato. LGD elevado pressiona o fluxo de caixa, aumenta provisões e reduz a rentabilidade. A empresa precisa reservar mais capital para suportar a perda, o que dificulta investimentos em novas linhas de produto, expansão comercial ou inovação.
Do ponto de vista estratégico, o LGD influencia a política de crédito e a precificação. Ao conhecer a severidade da perda, é possível ajustar limites por cliente, revisar prazos, exigir garantias e segmentar condições comerciais. A previsibilidade aumenta e as decisões se tornam mais seguras.
No dia a dia operacional, o LGD mostra o quão eficiente é a integração entre crédito, cobrança e jurídico. Reduzir a severidade da perda exige processos claros, comunicação segmentada e canais adequados para cada perfil. Quando essa engrenagem funciona bem, o ciclo de recuperação encurta e o impacto diminui significativamente.
Relação entre LGD, negativação e recuperação de ativos
Negativar no momento adequado é uma das formas mais eficazes de reduzir o LGD. A negativação aumenta a urgência do devedor e amplia as possibilidades de acordo. Quando aplicada após comunicação prévia e dentro dos prazos legais, ela se torna parte estratégica do processo de cobrança.
A Serasa Experian oferece um ecossistema completo de negativação para empresas, estruturado no produto Collection. Eles permitem registrar dívidas, sinalizar restrições e atuar por meio de escritórios de cobrança quando necessário. Os principais produtos são:
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PEFIM: pendências financeiras;
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REFIM: restrições voltadas a financiamentos;
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CONVEM: negativação por terceiros.
Além da negativação, a régua de comunicação é determinante para reduzir a severidade da perda. Lembretes de dívida, alertas de vencimento e ofertas iniciais de renegociação ajudam a antecipar o contato. Isso evita que a dívida avance para fases mais críticas, onde a recuperação é mais difícil.
A negativação funciona como uma etapa dentro do ciclo Negativar, Cobrar e Recuperar. Quando aplicada corretamente, reforça o processo, reduz o LGD e amplia as chances de renegociação.
Boas práticas legais para negativar com segurança jurídica
Para realizar a negativação corretamente, as empresas precisam seguir as normas legais e comprovar que o devedor foi notificado antes da inscrição. Essa comunicação prévia deve ser enviada com, no mínimo, 10 dias de antecedência e apresentar, de forma clara, os dados da dívida, o prazo para regularização e a possibilidade de inclusão nos cadastros de inadimplência.
É fundamental manter evidências do envio e da entrega dessa notificação. Isso pode ser feito por aviso de recebimento, e-mail com confirmação, plataformas digitais que registrem a visualização ou logs certificados dos disparos realizados. Esses registros protegem a empresa em eventuais contestações e reforçam a transparência do processo.
Outro ponto central é a verificação da prescrição. Dívidas prescritas não podem ser negativadas, e cabe à empresa confirmar se o prazo definido pelo Código Civil continua vigente antes de seguir com o procedimento.
Quando aplicadas de forma consistente, essas práticas garantem segurança jurídica e fortalecem a relação entre empresas, parceiros e consumidores, criando um processo de cobrança mais transparente e alinhado às boas práticas do mercado.
Ações práticas para reduzir o LGD na sua operação
A redução do LGD depende de decisões estratégicas e operacionais que tornam o processo de cobrança mais eficiente. Entre as ações mais eficazes, 4 se destacam.
1. Cobrança amigável e régua multicanal
A régua de comunicação é um dos pilares centrais para reduzir o LGD, pois define quando, como e com qual abordagem o devedor será contatado. Para ser eficaz, ela precisa ser segmentada, progressiva e construída de acordo com o comportamento do cliente e com a maturidade da dívida, sempre priorizando uma cobrança amigável, que reduz fricções e amplia a chance de regularização.
Uma régua bem estruturada começa antes mesmo do vencimento, por meio de lembretes de pré-vencimento que reduzem esquecimentos e desafogam a régua pós-atraso. Essa atuação preventiva melhora a taxa de contato, diminui o risco de inadimplência inicial e aumenta o volume de pagamentos espontâneos.
Nos primeiros dias após o vencimento, entram em cena confirmações de débito, mensagens curtas e objetivas e links instantâneos de pagamento, facilitando a regularização e diminuindo o atrito na jornada do devedor. Em operações com grande volume, o uso de hiperlinks, QR Codes, Pix e canais de autoatendimento reduz barreiras e acelera o ciclo de recuperação.
Conforme a dívida envelhece, as mensagens devem evoluir. Ofertas iniciais com benefícios moderados, lembretes de negativação e campanhas específicas ajudam a aumentar o senso de urgência, especialmente para clientes inadimplentes que costumam priorizar dívidas com maior impacto na vida financeira.
A régua multicanal precisa operar de maneira coordenada, combinando diferentes pontos de contato para maximizar alcance e efetividade. Isso inclui o uso de e-mail, SMS, push notifications, WhatsApp e o portal de negociação. As notificações do aplicativo da Serasa Experian ampliam ainda mais as chances de contato e fortalecem a conversão, especialmente em campanhas massivas como o Feirão.
Essa multiplicidade de canais evita dispersão e garante que o cliente receba a mensagem no ambiente que mais utiliza. Quando bem integrada, a régua reduz significativamente o LGD, pois diminui o tempo entre o default e o acordo, otimiza a operação e amplia o potencial de recuperação.
2. Renegociação digital e marketplace de crédito
O Serasa Limpa Nome Parceiros é uma das soluções mais estratégicas do ecossistema D2C para reduzir o LGD. A plataforma conecta empresas ao maior marketplace de renegociação do país, oferecendo visibilidade para milhões de consumidores todos os meses.
Ao ampliar o alcance das ofertas e facilitar o contato com devedores, o Limpa Nome acelera a conversão de acordos e reduz diretamente a severidade da perda. Dentro da plataforma, as empresas podem criar ofertas personalizadas, aplicar descontos, disponibilizar parcelamentos, atualizar débitos e acompanhar a performance das campanhas em tempo real.
Essa flexibilidade permite calibrar estratégias conforme o comportamento do consumidor e a maturidade das dívidas, aumentando a probabilidade de recuperação. Além do fluxo contínuo de negociações, eventos sazonais como o Feirão Serasa Limpa Nome geram picos expressivos de audiência e acordos.
Durante o Feirão, o interesse do consumidor em regularizar pendências cresce, os descontos se tornam mais atrativos e a taxa de conversão dispara. Esse movimento reduz o ciclo de cobrança e diminui o LGD das dívidas mais antigas — justamente as mais difíceis de recuperar.
A exposição das ofertas dentro do aplicativo da Serasa Experian, que reúne cerca de 30 milhões de usuários ativos, multiplica as chances de recuperação. Nossos canais proprietários atingem aproximadamente 90% de efetividade nas notificações, garantindo maior abertura, engajamento e intenção de negociação.
Para empresas que buscam reduzir o LGD, o Serasa Limpa Nome Parceiros é uma ferramenta essencial. Ele transforma dívidas consideradas "perdidas" em oportunidades reais de recuperação, sem necessidade de ampliar equipes internas, aumentar custos operacionais ou depender exclusivamente de estratégias tradicionais de cobrança.
3. Campanhas sazonais e comunicação integrada
As campanhas sazonais ampliam significativamente o volume de acordos porque aproveitam momentos em que os consumidores estão mais dispostos a reorganizar a vida financeira. Ao combinar datas estratégicas com conteúdo educativo, mídia e régua transacional, as empresas conseguem criar jornadas completas de negociação.
Os principais picos de regularização acontecem em momentos estratégicos do ano, como o Feirão Serasa Limpa Nome — realizado em março e novembro — e o início do ano, período marcado pelas resoluções financeiras. A procura também aumenta durante a restituição do imposto de renda, na Black Friday e em outras datas de varejo, além das campanhas internas conduzidas por cada credor.
Quando bem planejadas, essas campanhas elevam o tráfego qualificado, aumentando consideravelmente o volume de acordos. A integração entre CRM, mídia paga, notificações e régua automática cria uma sequência constante de toques no cliente, estimulando a regularização.
Do ponto de vista do LGD, campanhas sazonais reativam dívidas antigas e difíceis de recuperar. Isso reduz a severidade da perda e desafoga o backlog da cobrança.
É crucial reforçar a governança antifraude durante essas campanhas, já que o aumento da exposição também eleva o interesse de fraudadores. A Serasa Experian, com sua estrutura de prevenção a golpes e monitoramento transacional, apoia parceiros na criação de jornadas seguras e eficientes.
4. Monitoramento de crédito e atuação preventiva
O monitoramento contínuo do comportamento de crédito é uma das maneiras mais eficazes de reduzir o LGD de forma preventiva. A inadimplência raramente acontece de forma súbita. Na maioria dos casos, existem sinais claros de estresse financeiro que aparecem semanas ou meses antes do default.
Os mais comuns são a queda do score, o aumento de consultas de crédito pelo mercado, o apetite por novos empréstimos, os atrasos recentes em outras dívidas e a instabilidade no comportamento de pagamento. Esses indícios ajudam a identificar antecipadamente situações de risco e orientam ações preventivas antes do default.
Ao acompanhar esses indicadores, empresas podem ajustar limites, rever condições de crédito e estabelecer contato preventivo antes que a dívida se torne impagável. A atuação antecipada reduz PD (probabilidade de default) e, consequentemente, o LGD.
Além disso, o monitoramento alimenta políticas de crédito mais inteligentes. Ao identificar segmentos de risco, a empresa pode calibrar prazos, exigir garantias, modificar preços ou aplicar análises adicionais em determinados perfis.
A atuação preventiva também reduz retrabalho, evita judicialização e aumenta a qualidade das recuperações. Em conjunto com a negativação e o Serasa Limpa Nome Parceiros, o monitoramento cria uma estratégia completa de gestão de risco e cobrança.
Como a Serasa Experian apoia empresas na redução do LGD
A Serasa Experian oferece um conjunto completo de soluções para reduzir o LGD e fortalecer a recuperação de dívidas. Combinamos negativação estratégica (via PEFIM, REFIM e CONVEM), régua multicanal, campanhas de grande impacto e a plataforma Serasa Limpa Nome Parceiros.
A plataforma reúne mais de 23 milhões de consumidores ativos mensalmente. Os canais da Serasa alcançam cerca de 90% de efetividade nos contatos, aproximadamente 15 pontos percentuais acima da média de SMS. Isso significa mais alcance, mais acordos e redução direta da severidade das perdas.
Ao integrar negativação, comunicação e renegociação digital em um único ambiente, empresas aceleram o ciclo de recuperação e protegem seu fluxo de caixa. O ecossistema Collection foi pensado para apoiar PMEs e grandes operações em todas as etapas.
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