Leis e Impostos

Licença-Paternidade 2026: o que muda com a nova lei (e quando começa a valer)

A Lei 15.371/2026 amplia o afastamento de 5 para 20 dias, cria o salário-paternidade pago pelo INSS e estende o direito a MEIs, autônomos e domésticos.

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Foi sancionada em 31 de março de 2026 a Lei 15.371/2026, que amplia a licença-paternidade de 5 para até 20 dias de forma gradual, 10 dias em 2027, 15 em 2028 e 20 em 2029. Cria o salário-paternidade, custeado pelo INSS. Vigência: 1º de janeiro de 2027.

Depois de quase quatro décadas o Brasil regulamentou de forma ampla um direito que existia apenas no papel. A licença-paternidade foi incluída na Constituição Federal em 1988, mas durante todos esses anos ficou limitada a cinco dias,  um prazo que mal cobria a alta hospitalar do bebê.

Com a sanção da Lei 15.371/2026, o cenário muda de vez. E a mudança impacta não só os trabalhadores com carteira assinada, mas também MEIs, domésticos, autônomos e segurados especiais.

O que diz a nova lei de licença-paternidade?

A Lei 15.371, publicada no Diário Oficial da União em 1º de abril de 2026, regulamenta o art. 7º, inciso XIX da Constituição Federal. Traz quatro pilares centrais:

  1. Ampliação do período: de 5 dias para até 20 dias de forma gradual, com remuneração integral.
  2. Salário-paternidade: benefício previdenciário no RGPS. O INSS reembolsa a empresa.
  3. Extensão da cobertura: MEIs, domésticos, avulsos e segurados especiais passam a ter acesso.
  4. Estabilidade no emprego: vedada demissão sem justa causa desde a comunicação até 30 dias após o retorno.

✅  Vale para: nascimento, adoção e guarda judicial. Afastamento garantido sem prejuízo do emprego e do salário.

Quando a nova licença-paternidade começa a valer?

Implementação gradual a partir de 1º de janeiro de 2027. Em 2026 a licença permanece em 5 dias. Cronograma conforme o Senado Federal:

Período

Dias

Observação

Até 31 dez. 2026

5 dias

Regra atual — paga pelo empregador

A partir de 1º jan. 2027

10 dias

INSS reembolsa; estabilidade entra em vigor

A partir de 1º jan. 2028

15 dias

Segunda fase de ampliação

A partir de 1º jan. 2029

20 dias ⚠️

Sujeito ao cumprimento das metas fiscais da LDO

Quem paga a licença-paternidade com a nova lei?

quem-paga-licenca-paternidade.jpg

O custo da licença deixa de recair exclusivamente sobre o empregador. Conforme a Fecomércio-MG, a empresa paga o salário integral e depois solicita reembolso ao INSS, exatamente como funciona o salário-maternidade.

Perfil

Quem paga

Valor

Empregado CLT

Empresa → reembolso INSS

Salário integral (até teto RGPS R$ 8.475,55)

MEI / Autônomo

INSS diretamente

Média últimas 6 contribuições

Segurado especial

INSS diretamente

Equivalente a 1 salário mínimo

Trabalhador doméstico

Empregador doméstico → reembolso INSS

Salário integral

 

A licença pode ser dividida em dois períodos?

Sim. O trabalhador pode, a pedido, dividir o afastamento em dois blocos:

  • Primeiro período: imediatamente após nascimento, adoção ou guarda judicial.
  • Segundo período: em até 180 dias após o evento, conforme conveniência da família.

👨‍👦  O trabalhador também pode solicitar férias imediatamente após o término da licença, desde que tenha período aquisitivo completo (exceto em casos de parto prematuro.)

Quem tem direito a nova licença-paternidade?

A ampliação da cobertura é uma das grandes vitórias da lei. Além dos trabalhadores com carteira assinada, conforme a Agência Gov, têm direito:

  • Empregados CLT:  todos os setores, incluindo domésticos
  • MEIs: microempreendedores individuais contribuintes do INSS
  • Autônomos / Avulsos: contribuintes do RGPS
  • Segurados especiais: produtores rurais, pescadores artesanais
  • Casais homoafetivos: um pode optar pela licença-maternidade, outro pela paternidade

Casos especiais de ampliação da licença

Situação

Direito adicional

Falecimento da mãe

Pai assume licença-maternidade integral (120–180 dias)

Filho com deficiência ou doença rara

Licença ampliada em 1/3

Adoção ou guarda unilateral pelo pai

Direito equivalente à licença-maternidade

Internação da mãe ou recém-nascido

Início adiado para após a alta hospitalar

Ausência do nome da mãe no registro

Licença equivalente à licença-maternidade de 120 dias

O pai pode ser demitido durante a licença-paternidade?

Não. A lei cria estabilidade provisória: o empregado não pode ser demitido sem justa causa desde a comunicação ao empregador até 30 dias após o retorno. Demissão nesse período gera obrigação de reintegração judicial ou pagamento de indenização em dobro.

🚫  Pode ser suspenso ou negado: violência doméstica ou familiar praticada pelo pai, abandono material da criança ou não afastamento durante a licença.

O que muda para as empresas com a nova lei?

Para o RH, a adequação começa antes de 2027:

  • Revisão de políticas internas: contratos, acordos coletivos e manuais de RH precisam refletir os novos prazos e a nova lógica de estabilidade.
  • Reembolso junto ao INSS: o RH precisa dominar o fluxo de solicitação previdenciária, similar ao já praticado com o salário-maternidade.
  • Controle de parcelamento: a divisão da licença em dois blocos exige sistema mais apurado de controle de afastamentos.
  • Programa Empresa Cidadã: empresas participantes têm prorrogação voluntária de 15 dias além do obrigatório, com benefícios fiscais.

Perguntas frequentes

  • A licença de 20 dias já vale em 2027?

     

    Não. Em 2027 a licença passa para 10 dias. O período de 20 dias só entra em vigor em 1º de janeiro de 2029, condicionado ao cumprimento das metas fiscais da LDO.

  • O autônomo sem contribuição ao INSS tem direito?

     

    Não. É preciso ser contribuinte do RGPS. MEIs em dia com suas contribuições também têm direito.

  • A lei vale para adoção de crianças mais velhas?

     

    Sim. Garantida para adoção ou guarda judicial de criança ou adolescente, sem restrição de idade.

  • Casais homoafetivos podem usar os dois benefícios?

     

    A lei prevê que um integrante usa a licença-maternidade e o outro a paternidade. A aplicação prática depende de regulamentação complementar.

  • O pai precisa pedir a licença com antecedência?

     

    A lei não define prazo mínimo, mas recomenda-se comunicar o empregador assim que possível, a estabilidade começa a partir dessa comunicação.

 


 

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