No Brasil, a inadimplência tem se mostrado cada vez mais comum, chegando a um recorde de 72 milhões de pessoas, como apontam os dados levantados em um dos nossos Boletins Econômicos.
Esse contexto demanda um posicionamento mais consciente e estratégico de empresas, principalmente na execução do seu planejamento financeiro interno, que depende da definição de uma reserva financeira para cobrir essas dívidas incertas, conhecida como Provisão para Devedores Duvidosos (PDD).
Se você possui uma empresa e deseja entender mais sobre o que é a PDD, para o que ela serve, como funciona, como prevê-la e como calculá-la, continue acompanhando este artigo e tire suas dúvidas com precisão e segurança!
Neste conteúdo você vai ler (Clique no conteúdo para seguir)
- O que é PDD?
- Por que a PDD é necessária na contabilidade empresarial?
- Como funciona a Provisão para Devedores Duvidosos?
- Para que serve a PDD?
- Como a PDD protege a saúde financeira do negócio?
- Como fazer o cálculo da PDD?
- Base legal e normas para a provisão para devedores duvidosos
- Principais impactos da PDD no balanço patrimonial e DRE
- Como reverter ou ajustar a PDD em casos de recebimento?
- Dicas para manter a PDD eficiente e confiável
- Erros comuns ao implementar a PDD
- Como prever a inadimplência de clientes?
O que é PDD?
A sigla PDD se refere ao termo "Provisão para Devedores Duvidosos", um fundo de reserva financeira obrigatório para empresas, destinado para a redução de impactos causados pela inadimplência de clientes.
Com a PDD, empresas conseguem se precaver de forma estratégica diante de perdas financeiras inesperadas relacionadas aos clientes que possuem pagamentos pendentes para a empresa. No entanto, essa reserva não é constituída por dinheiro ou armazenada em contas.
Ela é, na verdade, uma "previsão" de valor estimado para a perda financeira da instituição em casos e sinais de inadimplências da parte de seus clientes, ou seja, é um limite de quanto dinheiro uma empresa pode perder sem ter seu fluxo de caixa prejudicado.
É justamente por ser uma estimativa que esse valor é calculado com base em fatores internos e externos à organização, assim como o histórico de pagamento dos clientes e o da própria empresa, podendo sinalizar riscos durante a análise de um perfil para a concessão de crédito ou a finalização de uma venda.
Por que a PDD é necessária na contabilidade empresarial?
Para empresas de todos os tamanhos, conviver com o risco de inadimplência faz parte do dia a dia. Prever recebimentos que talvez nunca cheguem pode gerar expectativas irreais e comprometer decisões futuras. A PDD surge justamente para evitar que se superestime os lucros ou o valor real dos ativos, mantendo um retrato fiel das finanças.
A implementação da provisão é exigida pelas Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC), pelos pronunciamentos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) e pela legislação fiscal. Cumprir esse requisito aprimora o controle interno e aumenta a confiabilidade dos relatórios apresentados a bancos e investidores.
Empresas que não se atentam à PDD enfrentam riscos de autuação por órgãos reguladores, além de terem dificuldades em conquistar crédito ou atrair novos investimentos. O respeito às normas e à transparência é indispensável para evitar surpresas negativas e garantir a solidez do negócio.
Como funciona a Provisão para Devedores Duvidosos?
Por ser um instrumento que auxilia na gestão estratégica, a PDD ajuda as instituições na tomada de decisões enquanto promove maior transparência de gastos e consciência sobre o prejuízo que poderá enfrentar diante da possibilidade de inadimplência.
Dessa forma, ela é determinada com o objetivo de sobrepor esses prejuízos e evitar impactos no orçamento geral da organização. Por isso, é muito importante que as empresas utilizem ferramentas de gestão de orçamentos que realmente funcionem, garantindo oportunidades melhores para reduzir as chances de prejuízo e aumentar a receita final da organização.
A nossa solução de Monitoramento de Clientes e Fornecedores é uma ferramenta de monitoramento que, além de alertar a empresa sobre mudanças na situação fiscal dos seus clientes PJ, facilita a compreensão do perfil monitorado e ajuda o empreendedor a criar insights e estabelecer limites na concessão de crédito, assim como reduzir o risco de inadimplência.
Além de viabilizar um planejamento orçamentário inteligente, a PDD também ajuda organizações a criar uma perspectiva mais ampla em relação à sua própria saúde financeira, desenvolvendo autoconsciência para não desperdiçar suas oportunidades de crescimento no mercado.
Para que serve a PDD?
Em geral, a PDD serve para prevenir que as empresas não saiam no prejuízo antes de iniciar, ao iniciar e ao manter uma relação de compra e venda com um determinado cliente. Com ela, organizações são educadas a definir um limite de fundos destinado especificamente para cobrir perdas caso seus clientes não honrem seus compromissos financeiros.
Uma ótima forma de se prevenir desse risco é por meio da análise de Pontualidade de Pagamentos PJ, uma de nossas soluções que permite que você analise os hábitos financeiros de pessoas jurídicas para oferecer negócios que fazem sentido dentro do orçamento dos seus clientes, protegendo-se de riscos orçamentários.
Como a PDD protege a saúde financeira do negócio?
A adoção consistente da PDD previne interpretações equivocadas sobre o patrimônio da empresa. Sem a PDD, é comum cair na armadilha de acreditar em um caixa confortável quando parte desse valor pode nunca ser recebido.
Ao provisionar corretamente, a gestão financeira se torna mais eficiente e os riscos são controlados de forma prática. Empresas que utilizam a PDD conseguem planejar investimentos, cortes e renegociações com maior precisão e segurança. Isso fortalece a resiliência diante de quedas inesperadas de receita e cria confiança em auditorias e revisões externas.
A PDD atua como um mecanismo que reforça a gestão de riscos. Decisões baseadas em dados reais só são possíveis quando se descontam as incertezas do recebimento, mantendo o controle sobre ativos e passivos e evitando surpresas desagradáveis no fechamento de cada exercício fiscal.
Como fazer o cálculo da PDD?
Fazer o cálculo da PDD é muito simples. Primeiramente, é preciso analisar o histórico de inadimplência e realizar a previsão de perdas futuras, considerando fatores como o prazo de pagamento de dívidas do cliente, seu histórico atual de inadimplência e sua probabilidade de adquirir outras inadimplências posteriormente. Com essas informações, utilize a seguinte fórmula para chegar no valor correto da PDD:
Provisão para Devedores Duvidosos (PDD) = Valor Total da Carteira de Crédito da Empresa x Percentual de Inadimplência Esperado
Nesse sentido, caso uma empresa possua uma carteira de crédito de R$ 3 milhões e um percentual de inadimplência esperado de 7%, o valor correto da PDD será de R$ 210.000,00 no total. Vale frisar que a criação dessa reserva é responsabilidade contábil de toda empresa.
Por isso, a PDD deve ser incluída no balanço patrimonial e em seus indicadores financeiros como uma conta que diminui o valor das a receber, porque ela representa uma estimativa das perdas que podem ocorrer no futuro.
A partir da análise, a empresa pode estabelecer um percentual médio de inadimplência baseado nos últimos exercícios. Por exemplo, se nos últimos anos 2% das vendas a prazo não foram recebidas, esse percentual pode ser aplicado como base para o provisionamento. Outra maneira de realizar o cálculo:
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Levante o total de contas a receber;
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Analise o histórico de inadimplência dos últimos anos;
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Defina o percentual de risco conforme a política interna ou normas do setor;
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Aplique o percentual ao total das contas a receber para encontrar o valor da provisão.
Outra abordagem é classificar os títulos conforme o tempo de atraso:
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Até 30 dias: baixo risco;
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31 a 90 dias: risco moderado;
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Acima de 90 dias: alto risco (candidatos a provisionamento).
Documentar todos os critérios e manter os registros detalhados fortalece a confiança durante auditorias e fiscalizações. Lembre-se de que nem todos os atrasos se transformam em inadimplência definitiva — a análise crítica é muito importante para separar riscos reais de atrasos pontuais.
Base legal e normas para a provisão para devedores duvidosos
A provisão para devedores duvidosos não é opcional — ela é uma obrigação legal prevista pelas Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC TG 38) e pelo CPC 38, além das orientações da Receita Federal.
Essas regras determinam que a provisão seja registrada de forma criteriosa, com critérios claros para reconhecimento, detalhamento nas demonstrações e rastreabilidade de todo o processo.
O respeito à base legal aumenta a segurança jurídica e o rigor dos controles internos, além de facilitar auditorias e evitar multas. Sempre recomendamos consultar o site do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) para acompanhar atualizações e garantir um compliance empresarial e conformidade com a legislação vigente. Confira nossa tabela:
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Norma/Órgão |
Exigência para PDD |
Aplicação |
|---|---|---|
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NBC TG 38 |
Critérios de reconhecimento e mensuração |
Definição de valor provisionado |
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CPC 38 |
Alinhamento com normas internacionais |
Registro detalhado em lançamentos |
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Receita Federal |
Ajuste fiscal e base de cálculo |
Regras para dedutibilidade no IRPJ |
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Conselho Federal de Contabilidade |
Atualizações e orientações técnicas |
Consulta para revisão de procedimentos |
Principais impactos da PDD no balanço patrimonial e DRE
A provisão para devedores duvidosos impacta diretamente as principais demonstrações contábeis. No balanço patrimonial, a PDD reduz o saldo das contas a receber, apresentando um valor de ativo circulante mais próximo da realidade.
No demonstrativo de resultado do exercício (DRE), a PDD aparece como despesa operacional, reduzindo o lucro líquido. Esse efeito evita que receitas não recebidas sejam contabilizadas como ganho, tornando o relatório mais fiel ao cenário financeiro do negócio.
Isso é importante para garantir a exatidão das análises por parte de gestores, investidores e órgãos reguladores. Um controle sólido da PDD traz mais confiança e facilita processos de decisão, auditorias e análises de crédito.
Como reverter ou ajustar a PDD em casos de recebimento?
Ao receber um valor que havia sido provisionado como perda, é necessário reverter a provisão na contabilidade. O procedimento consiste em estornar a provisão e registrar corretamente a entrada financeira.
Esse ajuste evita distorções futuras nos relatórios e mantém a transparência prevista nas normas contábeis. A rastreabilidade do processo é indispensável — todas as alterações devem ser justificadas e documentadas. Para empresas com grande carteira de clientes, criar um procedimento padrão para esses ajustes otimiza a rotina do setor financeiro e reduz riscos de inconsistências.
Dicas para manter a PDD eficiente e confiável
Uma PDD bem estruturada depende de políticas atualizadas, revisão frequente dos valores provisionados e integração entre o setor financeiro e a contabilidade. Automatizar controles e documentar processos facilita a consistência da provisão e torna revisões externas mais ágeis.
O cruzamento de informações entre áreas permite interpretar com mais precisão os índices de inadimplência. Fique atento às atualizações da legislação, ajustando a provisão sempre que necessário para garantir conformidade.
Investir em treinamentos para a equipe e buscar informações em fontes confiáveis, como o site do Conselho Federal de Contabilidade, contribui para um ambiente financeiro sólido e preparado para eventuais riscos.
Erros comuns ao implementar a PDD
A implementação incorreta da provisão para devedores duvidosos pode comprometer toda a contabilidade da empresa. Confira alguns dos principais erros cometidos:
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Ignorar pequenos atrasos de clientes recorrentes;
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Não atualizar periodicamente as estimativas de provisão;
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Superestimar valores provisionados, prejudicando indicadores;
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Deixar de documentar os critérios utilizados para o cálculo;
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Não revisar as parcelas provisionadas após recebimentos;
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Desconsiderar mudanças nas normas e legislações.
Como prever a inadimplência de clientes?
Existem diversos meios de prever a inadimplência de pessoas e empresas que já participam da sua carteira de clientes ou que ainda serão incluídas nela. Para isso, você pode utilizar a PDD e ferramentas complementares para prever a inadimplência de clientes. Confira os principais relatórios e soluções oferecidos pela por nós que ajudam sua empresa durante possíveis prejuízos:
1. Relatórios e soluções para pessoa física
Você sabia que com os relatórios e as soluções da Serasa Experian você obtém as melhores informações para análise de pessoa física? Pois é! Nossas soluções e relatórios foram desenvolvidos com o objetivo de apresentar dados que podem ajudar empresas a interpretar o risco corrido nas suas principais negociações.
A partir das soluções para PF, sua empresa poderá realizar a consulta de CPF, verificar o histórico de pagamento de PF e fazer a análise de crédito de pessoas físicas. Tudo isso com acesso aos dados cadastrais do cliente, de inadimplência, comportamentais, informações sobre cheque, analíticos, sumarizados e muito mais!
2. Relatórios e soluções para pessoa jurídica
Além das opções para pessoa física, nós também contamos com uma série de relatórios e soluções desenvolvidos especificamente para pessoa jurídica. Entenda a seguir:
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Pontualidade de Pagamentos PJ;
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Cadastro Positivo;
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Histórico de Pagamento PJ;
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Histórico de Pagamento Financeiro;
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Relatórios de análise de crédito de pessoas jurídicas.
Aproveite para complementar seus conhecimentos com mais conteúdos como este, que estão disponíveis aqui em nosso blog, assim como explorar diversas outras ferramentas inteligentes desenvolvidas especificamente para garantir o sucesso do seu negócio.
Conte com a ajuda das nossas soluções Serasa Experian e tenha acesso a uma série de informações e análises essenciais para realizar a tomada de decisões estratégicas da sua empresa, principalmente na concessão de crédito para PJ e PF. Até mais!