Indústria reage no início do ano, serviços seguem sustentando a atividade e inadimplência permanece elevada
A edição de março do Boletim Econômico da Serasa Experian mostra que a economia brasileira inicia 2026 com sinais mistos. O varejo registra recuo típico de início de ano, enquanto a indústria apresenta recuperação após o enfraquecimento no final de 2025. O setor de serviços segue como principal suporte da atividade, mantendo crescimento e operando em nível elevado. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho permanece resiliente, a inflação acelera no mês, mas continua dentro do intervalo da meta, e o cenário externo adiciona volatilidade ao câmbio. No crédito, as concessões avançam, mas a inadimplência segue em patamar recorde.
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Confira agora um resumo do que aconteceu em cada um dos setores analisados
O varejo recuou 0,7% em janeiro, na série com ajuste sazonal, movimento típico para o período, quando despesas obrigatórias como tributos, matrículas e reajustes comprimem o orçamento das famílias. A variação anual ficou em -0,6%, enquanto o acumulado em 12 meses desacelerou para 2,4%. Entre os segmentos, supermercados avançaram 1,6%, móveis e eletroeletrônicos cresceram 1,5% e vestuário subiu 1,4%. Em contrapartida, veículos recuaram 2,5% e combustíveis caíram 1,1%.
Na indústria, a produção avançou 1,8% em janeiro frente a dezembro, interrompendo a sequência negativa observada no final de 2025 e registrando o melhor resultado mensal desde junho de 2024. Na comparação com janeiro do ano anterior, houve alta de 0,2%, enquanto o acumulado em 12 meses aponta crescimento de 0,5%. O avanço foi disseminado entre as categorias, com destaque para bens de consumo duráveis (+6,3%), enquanto bens de capital cresceram 2,0% e bens intermediários avançaram 1,7%. Ainda assim, o cenário segue de recuperação gradual, com investimentos ainda pressionados pelo custo do crédito.
O volume de serviços cresceu 0,3% em janeiro frente a dezembro, atingindo novo patamar recorde da série histórica. O setor permanece 20,1% acima do nível pré-pandemia e acumula alta de 3,0% em 12 meses, com crescimento de 3,3% na comparação anual. O avanço foi puxado por serviços ligados à tecnologia e informação, enquanto serviços prestados às famílias apresentaram recuo no mês.
O mercado de trabalho segue favorável. A taxa de desocupação no trimestre encerrado em janeiro ficou em 5,4%, próxima da mínima histórica. A população ocupada totalizou 102,7 milhões de pessoas, enquanto o rendimento médio real alcançou R$ 3.652 e a massa de rendimentos somou R$ 370,3 bilhões, sustentando o consumo mesmo em ambiente de maior seletividade.
A inflação avançou 0,70% em fevereiro, após alta de 0,33% em janeiro. No acumulado em 12 meses, o IPCA recuou para 3,81%, permanecendo dentro do intervalo de tolerância da meta do Banco Central. O principal impacto no mês veio do grupo Educação, refletindo reajustes típicos do início do ano letivo, além da alta em passagens aéreas no grupo Transportes.
No cenário cambial, o dólar encerrou fevereiro próximo de R$ 5,13, acumulando queda no início do ano. No entanto, o aumento da incerteza global ao longo de março, com destaque para tensões no Oriente Médio, levou a moeda a se aproximar de R$ 5,30. A taxa Selic permanece em 15,00% ao ano, e o Copom sinaliza o início do ciclo de cortes nas próximas reuniões, ainda que de forma cautelosa.
O número de consumidores inadimplentes atingiu 81,3 milhões de CPFs em janeiro, novo recorde histórico, com volume total de dívidas de R$ 524,8 bilhões. Entre as empresas, 8,7 milhões de CNPJs estavam negativados no mês, ainda em patamar elevado. Apesar disso, as concessões de crédito somaram R$ 651,5 bilhões em janeiro, com avanço de 9,4% no acumulado em 12 meses, indicando crescimento mais seletivo.
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