A edição de janeiro do Boletim Econômico da Serasa Experian mostra uma economia que encerra 2025 com sinais mais claros de desaceleração. A Selic permanece em 15,00% ao ano, a inflação fechou dentro do teto da meta e o mercado de trabalho seguiu aquecido, mas o ambiente financeiro ainda apertado e a inadimplência elevada continuam limitando o consumo e tornando o crédito mais seletivo — especialmente para famílias e micro e pequenas empresas.
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Confira os principais destaques do mês:
Varejo: o Índice de Atividade do Comércio cresceu 1,7% em dezembro frente a novembro, refletindo o consumo de fim de ano. Ainda assim, o setor perdeu fôlego: a variação anual foi de 0,6% e o acumulado em 12 meses recuou para 2,9%, o menor desempenho de 2025.
Indústria: a produção industrial ficou estável em novembro (0,0%), indicando manutenção de um ritmo moderado. Bens de capital avançaram 0,7% e bens de consumo semi e não duráveis cresceram 0,6%, enquanto bens duráveis recuaram 2,5% e bens intermediários caíram 0,6%.
Serviços: o volume de serviços recuou 0,3% em novembro, interrompendo uma sequência de nove meses positivos. Mesmo com a desaceleração, o setor ainda opera 20% acima do nível pré pandemia, com destaque positivo para serviços profissionais e administrativos (+1,3%).
Mercado de trabalho: a taxa de desemprego caiu para 5,2% no trimestre encerrado em novembro, mínima histórica da série iniciada em 2012. A população ocupada atingiu 103,0 milhões e a renda média real chegou a R$ 3.574, sustentando o consumo mesmo em um cenário de crédito caro.
Inflação: o IPCA avançou 0,33% em dezembro e fechou 2025 em 4,26%, dentro do teto da meta do Banco Central. A trégua nos alimentos ajudou: a alimentação no domicílio subiu 1,43% no ano, enquanto a alimentação fora do domicílio avançou 6,97%, pressionada por custos típicos de serviços. Habitação acumulou 6,79% em 2025, influenciada principalmente pela alta de 12,31% na energia elétrica.
Câmbio: o dólar encerrou dezembro em R$ 5,48, acumulando queda de 11,2% em 2025, a maior desde 2016, com o real entre as moedas de melhor desempenho global no ano. Para 2026, projetamos o dólar em torno de R$ 5,60 ao fim do ano, com tendência de maior volatilidade nos meses que antecedem as eleições.
Selic: a taxa permaneceu em 15,00% ao ano desde junho de 2025, com o Banco Central mantendo tom cauteloso diante de incertezas externas e domésticas. A próxima reunião do Copom acontece em 27 e 28 de janeiro de 2026, e o Focus aponta inflação de 4,0% para 2026 e 3,8% para 2027, reforçando a comunicação prudente.
Crédito e inadimplência: a inadimplência das famílias atingiu 80,6 milhões de consumidores negativados em novembro, recorde histórico, com dívida total de R$ 511,5 bilhões. Entre as empresas, 8,9 milhões de CNPJs estavam inadimplentes, também em recorde, com dívidas de R$ 210,8 bilhões. Apesar disso, a demanda por crédito empresarial acelerou e cresceu 20,7% em dezembro, com destaque para micro e pequenas empresas (+21,2%). Já as concessões somaram R$ 637,5 bilhões em novembro, com queda de 6,6% no mês, embora ainda acumulem alta de 8,9% em 12 meses.
Micro e pequenas empresas: a inadimplência chegou a 8,4 milhões em novembro, novo recorde. Serviços lideraram o avanço anual (+35,7%), seguidos por indústria (+28,9%) e comércio (+17,2%). A demanda por crédito entre MPEs manteve força, refletindo necessidade de liquidez em um ambiente de custos elevados e margens pressionadas.
Projeções Serasa Experian para 2026: projetamos desaceleração gradual da atividade, com comércio avançando cerca de 2,5%, indústria em torno de 1,2% e serviços em 2,5%. A taxa de desemprego deve subir levemente para 6,0%, ainda em patamar historicamente baixo. A inflação projetada é de 4,2%, e esperamos cortes graduais na Selic ao longo do ano, encerrando 2026 em 13,00%. Para o crédito, a projeção é de crescimento nominal de 7,0%, com critérios ainda cautelosos diante da inadimplência.
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