Antes de colocar dinheiro em qualquer projeto, seja abrir uma segunda unidade, comprar um equipamento ou lançar um novo produto, você precisa saber se aquele investimento realmente vai valer a pena. É para isso que existem indicadores financeiros como a TIR e, mais recentemente, a TIRM.
Se já ouviu falar na Taxa Interna de Retorno, mas ficou com dúvida sobre o que muda na versão "modificada", este artigo foi feito para você. Nós, da Serasa Experian, vamos te explicar o que é a TIRM, por que ela existe, como calcular e, principalmente, quando faz sentido usá-la no dia a dia do seu negócio.
Neste conteúdo você vai ler (Clique no conteúdo para seguir)
- O que é TIRM?
- Como a TIRM funciona?
- Qual é a diferença entre TIR e TIRM?
- Quais são as vantagens da TIRM?
- Quais são as desvantagens e limitações da TIRM?
- Como calcular a TIRM?
O que é TIRM?
A Taxa Interna de Retorno Modificada (TIRM) é um indicador financeiro usado para avaliar a rentabilidade de projetos e investimentos. Ela mostra, em forma de percentual, qual é o retorno esperado de um investimento, levando em conta condições mais próximas da realidade do que a TIR tradicional.
A principal diferença está em como cada uma trata o dinheiro que o projeto gera ao longo do tempo. A TIR tradicional assume que cada real de lucro obtido durante o projeto será reinvestido à mesma taxa de retorno do próprio projeto. Isso raramente acontece na prática. Se um projeto tem uma TIR de 35% ao ano, a TIR pressupõe que todo lucro gerado será reaplicado a 35%, o que é, na maioria dos casos, uma premissa irreal para pequenas e médias empresas.
Como a TIRM funciona?
A TIRM transforma um fluxo de caixa, seja ele simples ou com entradas e saídas que se alternam ao longo do tempo, em dois valores: um fluxo negativo no início (o investimento) e um fluxo positivo ao final (o retorno acumulado). A partir daí, calcula a taxa que equilibra esses dois pontos. Para chegar a esse resultado, ela realiza duas operações:
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Traz os fluxos negativos a valor presente: todos os períodos em que o projeto exige desembolso de dinheiro são trazidos para o valor de hoje usando a taxa de financiamento. Isso representa o custo real do capital que está sendo alocado no projeto;
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Leva os fluxos positivos a valor futuro: todos os retornos gerados ao longo do projeto são projetados para o final do período usando a taxa de reinvestimento. Isso simula o quanto esse dinheiro vai valer se for reaplicado a uma taxa de mercado realista.
Com o valor presente dos custos e o valor futuro dos retornos em mãos, a fórmula calcula a taxa que equilibra os dois lados, considerando a duração total do projeto.
Qual é a diferença entre TIR e TIRM?
As duas métricas servem para avaliar a viabilidade de um investimento, mas partem de premissas diferentes. A TIR é mais simples e direta, útil para uma análise rápida. A TIRM vai um passo além: ela exige que você defina taxas reais de financiamento e reinvestimento, o que torna o resultado mais trabalhoso de calcular, mas muito mais próximo do que vai acontecer de fato. A tabela abaixo resume os principais pontos de diferença entre as duas:
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Critério |
TIR |
TIRM |
|---|---|---|
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O que calcula |
Taxa de retorno que zera o VPL do projeto |
Taxa de retorno considerando taxas separadas de financiamento e reinvestimento |
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Premissa de reinvestimento |
Reinveste os lucros à própria TIR do projeto |
Reinveste os lucros a uma taxa externa definida pela empresa |
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Realismo da projeção |
Tende ao otimismo, especialmente em projetos com alta rentabilidade |
Mais conservadora e próxima da realidade do mercado |
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Múltiplas taxas possíveis? |
Sim, em fluxos não convencionais pode gerar mais de uma TIR |
Não, sempre gera uma única taxa, independentemente do fluxo |
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Complexidade de cálculo |
Menor, exige apenas os fluxos de caixa |
Ligeiramente maior, exige também as taxas de financiamento e reinvestimento |
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Melhor situação de uso |
Análises rápidas, projetos com fluxo de caixa simples e regular |
Projetos com fluxos variáveis, decisões estratégicas e análises mais criteriosas |
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Ferramenta no Excel |
=TIR(valores) |
=MTIR(valores; taxa_financ; taxa_reinvest) |
Quais são as vantagens da TIRM?
Usar a TIRM em vez da TIR tradicional não é apenas uma questão de precisão matemática, é uma forma de tomar decisões com mais segurança. Veja os principais benefícios de adotar esse indicador na análise de investimentos do seu negócio.
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Projeção mais realista: ao usar uma taxa de reinvestimento compatível com o mercado, a TIRM evita que projetos com retorno alto pareçam ainda mais atrativos do que realmente são;
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Gera sempre uma única taxa: a TIR pode apresentar múltiplos resultados quando o fluxo de caixa do projeto tem alternâncias, períodos positivos seguidos de períodos negativos, por exemplo;
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Separação entre custo e retorno: a distinção entre taxa de financiamento e taxa de reinvestimento dá mais clareza sobre os dois lados do investimento: o quanto custa colocar o dinheiro no projeto e o quanto ele rende ao longo do caminho;
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Mais confiável para decisões estratégicas: quando o investimento é relevante, compra de equipamento, expansão de unidade, novo produto, a TIRM oferece uma base mais sólida para apresentar a sócias e sócios, a bancos ou a investidoras e investidores.
Quais são as desvantagens e limitações da TIRM?
A TIRM é uma evolução importante em relação à TIR, mas não é perfeita. Conhecer seus pontos fracos é tão importante quanto entender seus benefícios; assim, você sabe exatamente quando confiar nela e quando complementar a análise com outros indicadores.
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Depende das taxas definidas pela pessoa gestora: o resultado da TIRM muda conforme as taxas de financiamento e reinvestimento utilizadas;
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Não considera o tamanho do investimento: um projeto com TIRM de 25% sobre R$ 10.000 pode ser menos vantajoso do que um com TIRM de 15% sobre R$ 500.000. A taxa em si não conta toda a história;
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Não se aplica quando a taxa de reinvestimento é igual à TIR: nesse caso específico, a TIRM e a TIR chegam ao mesmo resultado. O esforço extra de calcular a versão modificada não se justifica, a TIR já entrega a informação necessária;
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Não substitui uma análise completa: a TIRM é uma ferramenta de apoio à decisão, não uma resposta definitiva. Fatores como risco do setor, sazonalidade do negócio, prazo de retorno e disponibilidade de caixa também precisam entrar na equação.
Como calcular a TIRM?
Para calcular a TIRM, você precisa ter em mãos três informações: os fluxos de caixa do projeto (quanto entra e quanto sai em cada período), a taxa de financiamento e a taxa de reinvestimento. Com esses dados, o cálculo pode ser feito diretamente no Excel em segundos. Veja como funciona na prática:
O cenário: uma pequena empresa de confeitaria está avaliando a compra de um forno industrial por R$ 20.000. A projeção é que o equipamento gere um retorno líquido de R$ 7.000 por ano durante 4 anos. A empresa financiou a compra com um empréstimo que cobra 10% ao ano, e costuma reaplicar os lucros em aplicações financeiras que rendem 6% ao ano.
Passo 1: monte o fluxo de caixa
Liste todas as movimentações do projeto ao longo do tempo: o investimento inicial (valor negativo, pois é uma saída de dinheiro) e os retornos esperados em cada ano (valores positivos).
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Período |
Fluxo de caixa |
|---|---|
|
Ano 0 (investimento inicial) |
−R$ 20.000 |
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Ano 1 |
+R$ 7.000 |
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Ano 2 |
+R$ 7.000 |
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Ano 3 |
+R$ 7.000 |
|
Ano 4 |
+R$ 7.000 |
Passo 2: identifique as duas taxas
Aqui está o ponto central da TIRM: você precisa definir duas taxas separadas, que representam realidades distintas do negócio.
A taxa de financiamento é o custo do dinheiro que você colocou no projeto, neste caso, 10% ao ano, que é a taxa do empréstimo. A taxa de reinvestimento é o quanto a empresa consegue render ao reaplicar os lucros gerados pelo projeto, neste caso, 6% ao ano, que é a rentabilidade das aplicações financeiras da empresa.
Passo 3: aplique a fórmula no Excel
Insira os fluxos de caixa em células consecutivas (por exemplo, de B2 a B6) e use a função MTIR:
=MTIR(B2:B6; 10%; 6%)
O Excel vai calcular automaticamente a TIRM do projeto. Neste exemplo, o resultado é aproximadamente 11,3% ao ano.
Passo 4: compare com a TMA e tome a decisão
O número por si só não diz muita coisa, ele precisa ser comparado com a Taxa Mínima de Atratividade (TMA) do negócio, que é o retorno mínimo que você aceita para qualquer investimento. Se a TMA da empresa for 8% ao ano, a TIRM de 11,3% indica que o projeto é viável: ele rende mais do que o mínimo exigido. Se a TMA fosse 13%, o investimento não compensaria o dinheiro renderia mais em outra aplicação.
O que verificar antes de tomar uma decisão com base na TIRM. Antes de aprovar ou rejeitar um investimento usando a TIRM, passe por este checklist:
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Os fluxos de caixa projetados são realistas e não estão superestimados?
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A taxa de financiamento reflete o custo real do capital (empréstimo, capital próprio)?
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A taxa de reinvestimento é compatível com o que a empresa consegue render de fato?
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A TMA do negócio está definida e atualizada?
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O VPL do projeto foi calculado para complementar a análise?
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O prazo de payback é compatível com a saúde do caixa atual?
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Os riscos do setor e a sazonalidade do negócio foram considerados?
Dominar a TIRM é um passo importante, mas ela é só uma parte de uma gestão financeira bem estruturada. Para continuar evoluindo na administração do seu negócio, confira nosso artigo completo sobre gestão financeira para pequenas empresas.