A comunicação em redes de computadores depende de padrões claros para garantir que dispositivos de diferentes fabricantes e tecnologias possam comunicar-se entre si. O modelo OSI informacional é a principal referência conceitual para essa padronização.
O termo OSI vem de "Open Systems Interconnection". Essa estrutura surgiu na década de 1980 para solucionar o desafio crescente da interconexão de sistemas em expansão global. Antes do modelo OSI, cada fabricante operava com protocolos próprios, criando barreiras para a comunicação entre equipamentos.
Com a chegada do modelo, estabeleceu-se um “manual universal” para o tráfego de dados, possibilitando que as redes de computadores falassem a mesma linguagem, independentemente da marca ou tecnologia envolvida. Ele organiza o funcionamento das redes, tornando possível a interoperabilidade entre sistemas distintos e facilitando o diagnóstico de problemas de conectividade.
Continue a leitura para entender mais sobre esse modelo, que é essencial para o ensino, diagnóstico e compreensão da arquitetura de redes.
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- O que é modelo OSI?
- Para que serve o modelo OSI?
- Quais são as 7 camadas do modelo OSI?
- Como funciona o encapsulamento de dados?
- Qual a diferença entre modelo OSI e modelo TCP/IP?
- Por que profissionais de tecnologia devem estudar o modelo OSI?
- A importância de entender as bases para inovar
O que é modelo OSI?
O modelo OSI é uma estrutura de referência para padronizar a comunicação entre sistemas de diferentes fornecedores. Ele define sete camadas funcionais que descrevem, de forma lógica e sequencial, como ocorre a transmissão de dados entre dispositivos conectados em uma rede de computadores.
A sigla OSI significa Open Systems Interconnection, que pode ser entendida como a interconexão de sistemas abertos. O modelo foi criado pela ISO (International Organization for Standardization) com o objetivo de eliminar barreiras de comunicação entre diferentes equipamentos, tornando possível a interoperabilidade em ambientes heterogêneos.
Historicamente, o modelo OSI surgiu em um período de grande expansão das redes de computadores, quando cada fabricante utilizava padrões próprios. A padronização trouxe benefícios como maior flexibilidade, facilidade de integração e redução de custos para empresas e usuários. Tudo isso possibilitou avanços tecnológicos significativos, como a criação do edge computing.
Mesmo atualmente, o modelo OSI segue como referência fundamental para diagnóstico, projeto de arquitetura de redes e desenvolvimento de soluções inovadoras. Sua abordagem modular permite identificar rapidamente o ponto de falha em qualquer etapa da comunicação, agilizando o troubleshooting em ambientes domésticos e corporativos.
Pense no modelo OSI como um manual universal para a tecnologia das redes: ele define regras claras que todos devem seguir, facilitando a vida de profissionais e garantindo a evolução contínua da infraestrutura digital. Isso significa que computadores de marcas distintas conseguem trocar dados de forma transparente, utilizando sistemas operacionais e protocolos variados.
Para que serve o modelo OSI?
O modelo OSI serve para padronizar a comunicação entre dispositivos distintos, permitindo que computadores, servidores, roteadores e outros equipamentos troquem informações mesmo sendo de fabricantes diferentes. Graças a essa padronização, é possível construir redes complexas e escaláveis, onde cada componente cumpre sua função sem incompatibilidades.
Um exemplo prático: imagine um escritório com computadores de marcas variadas, todos conectados à mesma rede. Graças ao modelo OSI informacional, essas máquinas conseguem compartilhar arquivos, acessar a internet e utilizar impressoras em comum, independentemente das diferenças de hardware ou software.
A modularidade do OSI permite que desenvolvedores concentrem esforços em uma camada específica, sem afetar as demais. Se há necessidade de atualizar um protocolo de segurança, basta agir na camada correspondente, sem reconfigurar toda a rede.
O modelo também é fundamental para troubleshooting. Se um problema impede o envio de e-mails, por exemplo, o profissional pode investigar camada por camada: da aplicação ao cabeamento físico. Isso reduz o tempo para identificar falhas e aumenta a eficiência da manutenção
A compreensão do modelo OSI é útil tanto para ambientes domésticos quanto empresariais, abrangendo situações simples, como a configuração de uma impressora, até cenários avançados envolvendo infraestrutura de datacenters e nuvem.
Quais são as 7 camadas do modelo OSI?
As sete camadas do modelo OSI formam uma divisão lógica das etapas necessárias para enviar e receber dados em uma rede. Cada camada executa uma função específica e se comunica diretamente apenas com as camadas adjacentes. Essa estrutura cria diferentes níveis de abstração, facilitando o desenvolvimento e o diagnóstico de protocolos de comunicação.
Cada camada representa um conjunto de funções e protocolos, que juntos garantem o fluxo de informações de ponta a ponta. O detalhamento dessas funções permite que profissionais atuem de forma precisa no troubleshooting e no planejamento de infraestrutura de rede.

A leitura do modelo pode ocorrer de cima para baixo (da aplicação ao físico, durante o envio de dados) ou de baixo para cima (do físico à aplicação, durante a recepção). Veja a seguir o que representa cada camada do modelo OSI, numeradas de 7 a 1:
7. Camada de aplicação: onde usuário e software se conectam
A camada de aplicação é a mais próxima do usuário, sendo responsável por fornecer serviços de rede para programas e softwares, como navegadores, clientes de e-mail e sistemas de transferência de arquivos.
Nessa camada, ocorrem as interações diretas entre pessoas e aplicações. Protocolos como HTTP, FTP, SMTP e DNS vivem aqui, viabilizando tarefas cotidianas como navegação web, envio de e-mails e resolução de nomes de domínio.
Apesar do nome, a camada de aplicação não é o navegador ou o programa em si, mas sim os serviços e protocolos que possibilitam a comunicação entre o software e a infraestrutura de rede. É onde o usuário percebe o resultado das operações, seja acessando um site ou transferindo arquivos remotamente.
6. Camada de apresentação: tratando, criptografando e traduzindo dados
A camada de apresentação atua como tradutora, garantindo que os dados transmitidos sejam compreendidos por sistemas diferentes. Ela é responsável por formatar, comprimir e criptografar informações antes de entregá-las à camada de aplicação.
Processos de conversão de formatos (como ASCII, JPEG ou MPEG), compressão de arquivos e aplicação de criptografia (SSL/TLS) acontecem aqui. Assim, a camada de apresentação assegura que dados sensíveis estejam protegidos durante a transmissão e que aplicações diversas possam ler os arquivos corretamente.
Essa camada é fundamental para garantir a segurança da informação, a interoperabilidade de formatos e a eficiência na transmissão de dados em redes de computadores.
5. Camada de sessão: controle de conexão e diálogo
A função da camada de sessão é estabelecer, gerenciar e encerrar conexões entre sistemas na rede. Ela mantém o controle do diálogo, sincroniza a comunicação e garante que dados enviados e recebidos estejam ordenados e íntegros.
Exemplos práticos incluem sessões de videochamada, acesso remoto a servidores e transferências de arquivos que exigem manutenção de conexão contínua. Protocolos de controle de sessão asseguram que o canal permaneça aberto enquanto necessário e seja fechado corretamente ao final da comunicação.
O gerenciamento eficiente das sessões é essencial para aplicações que dependem de trocas rápidas e sincronizadas de dados, como videoconferências e sistemas corporativos.
4. Camada de transporte: entrega e confiabilidade dos dados
A camada de transporte garante que as mensagens cheguem ao destino de forma íntegra, ordenada e sem duplicidades. Ela divide grandes volumes de dados em partes menores (segmentos) e cuida do controle de fluxo e da retransmissão em caso de erro.
Dois protocolos se destacam: TCP (Transmission Control Protocol) e UDP (User Datagram Protocol). O TCP oferece alta confiabilidade e controle de conexão, sendo usado em serviços críticos como web e e-mail. Já o UDP prioriza velocidade, aceitando possíveis perdas, ideal para transmissões em tempo real.
A segmentação, o controle de fluxo e a retransmissão automática são fundamentais para garantir a qualidade da comunicação em redes, adaptando-se às necessidades de cada aplicação.
3. Camada de rede: roteando pacotes entre origens e destinos
A camada de rede cuida do roteamento dos dados e do endereçamento lógico, utilizando protocolos como o IP (Internet Protocol). Sua função é encontrar o melhor caminho entre origem e destino, mesmo que envolva múltiplas redes e dispositivos intermediários.
Neste nível, os dados são chamados de pacotes. O roteador atua aqui, encaminhando os pacotes de forma inteligente para garantir eficiência e segurança na entrega da informação.
A camada de rede é responsável por tornar possível a comunicação global, conectando redes locais e viabilizando o tráfego de dados em larga escala.
2. Camada de enlace de dados: quadros, MAC e comunicação local
A camada de enlace de dados organiza os pacotes em quadros (frames) e fornece o endereçamento físico por meio do MAC Address. Ela garante que a comunicação local entre dispositivos de mesmo segmento físico ocorra sem conflitos e com detecção de erros simples.
Switches operam principalmente nesta camada, encaminhando quadros com base nos endereços MAC de origem e destino. A camada de enlace é fundamental para redes locais, como as presentes em residências, empresas ou ambientes industriais.
A comunicação eficiente entre equipamentos conectados fisicamente depende da correta operação desta camada, que atua como ponte entre o mundo lógico (endereços IP) e o mundo físico (cabos e conectores).
1. Camada física: onde tudo se torna sinal e meio físico
A base da arquitetura de redes está na camada física. Aqui, os dados são convertidos em sinais elétricos, ópticos ou de rádio, trafegando por cabos, fibras ópticas ou ondas eletromagnéticas.
A camada física trata de especificações como tipo de cabeamento, conectores, frequência de transmissão, voltagens e demais características materiais da infraestrutura de rede.
Sem a camada física, não há transmissão de dados. É nesse nível que a informação sai do mundo digital e passa a percorrer o caminho até o destino em forma de bits (zeros e uns).
Como funciona o encapsulamento de dados?
O encapsulamento de dados no modelo OSI ocorre quando, ao transmitir uma informação, cada camada adiciona seu próprio “envelope” ao dado original, formando uma estrutura organizada para garantir a entrega correta.
Imagine enviar uma carta: o texto é colocado em um envelope, depois em outro, até que chegue ao destinatário. No OSI, a camada de aplicação gera os dados, a apresentação pode criptografar ou comprimir, a sessão gerencia a conexão, o transporte divide em segmentos, a rede adiciona o endereço IP, o enlace de dados cria quadros e a física transmite pelo meio físico.
Quando a mensagem chega ao destino, o processo é invertido: cada camada retira seu envelope, até que o dado original chegue ao software do usuário.
No jargão técnico, o termo PDU (Protocol Data Unit) identifica como os dados são chamados em cada camada:
|
Camada |
Nome do dado (PDU) |
|
Aplicação, Apresentação, Sessão |
Dados |
|
Transporte |
Segmento |
|
Rede |
Pacote |
|
Enlace de dados |
Quadro (frame) |
|
Física |
Bits |
Essa estrutura facilita a segmentação, a transmissão, o diagnóstico e a segurança das informações durante todo o percurso em uma rede de computadores.
Qual a diferença entre modelo OSI e modelo TCP/IP?
A diferença central entre o modelo OSI e o modelo TCP/IP está no propósito e na aplicação prática de cada um. O OSI é um modelo teórico, desenvolvido para ensino, análise e padronização, enquanto o TCP/IP foi criado para ser implementado na internet e em redes do mundo real.
No modelo OSI, são sete camadas, cada uma com funções bem definidas. Já o modelo TCP/IP opera tradicionalmente com quatro ou cinco camadas, agrupando funções semelhantes para simplificar a comunicação.
Confira a tabela comparativa:
|
Modelo OSI |
Modelo TCP/IP |
Função principal |
|
Aplicação |
Aplicação |
Serviços ao usuário final |
|
Apresentação |
Aplicação |
Tradução, compressão, criptografia |
|
Sessão |
Aplicação |
Gerenciamento de conexão |
|
Transporte |
Transporte |
Entrega e controle de dados |
|
Rede |
Internet |
Roteamento e endereçamento lógico |
|
Enlace de Dados |
Acesso à Rede |
Comunicação local, controle de acesso |
|
Física |
Acesso à Rede |
Transmissão pelo meio físico |
O modelo OSI detalha todas as etapas do processo, facilitando o estudo, o diagnóstico e a padronização de protocolos. Já o TCP/IP foi desenhado para resolver problemas práticos de comunicação entre redes, servindo como base da internet moderna.
A escolha entre OSI e TCP/IP depende do objetivo: para ensino, análise e troubleshooting, o OSI é preferido. Para implementação real, o TCP/IP é a referência.
Por que profissionais de tecnologia devem estudar o modelo OSI?
Profissionais de tecnologia precisam dominar o modelo OSI para atuar com eficiência em redes, segurança da informação, análise de sistemas, desenvolvimento de software e modelagem de dados. Conhecer as funções de cada camada permite identificar rapidamente a origem de falhas, reduzindo o tempo de resolução e os custos de manutenção.
O estudo do modelo OSI aprimora o troubleshooting. Por exemplo, ao enfrentar um problema de conexão, o profissional pode testar desde o cabeamento físico até os protocolos de aplicação, localizando o ponto exato da falha.
Além disso, o domínio do modelo OSI é essencial para o desenvolvimento de soluções seguras e inovadoras. Ao compreender como os dados trafegam entre camadas, é possível implementar controles de segurança, melhorar a eficiência do tráfego e criar aplicações compatíveis com diversos ambientes.
A formação técnica baseada no OSI ainda é exigida em certificações, treinamentos e projetos que visam a excelência em infraestrutura de rede e tecnologia da informação.
O modelo OSI ainda é usado hoje?
Apesar de a internet utilizar o modelo TCP/IP como base de funcionamento, o modelo OSI segue indispensável no ensino, no diagnóstico e na padronização de redes. Treinamentos, normas técnicas e projetos de novas tecnologias continuam a utilizar o OSI como referência.
Vários fornecedores e instituições utilizam o modelo OSI para documentar procedimentos, estruturar cursos e criar padrões de interoperabilidade. A clareza conceitual das sete camadas facilita a criação de soluções robustas e compatíveis com diferentes tecnologias.
Em qual camada operam os roteadores e os switches?
Roteadores atuam na camada 3 (rede) do modelo OSI, realizando o roteamento de pacotes e o endereçamento lógico (IP). Eles são responsáveis por encaminhar os dados entre redes distintas, escolhendo o melhor caminho para o destino.
Switches, por sua vez, operam principalmente na camada 2 (enlace de dados), onde encaminham quadros com base nos endereços MAC. Existem switches de camada 3, que agregam funções de roteamento para ambientes mais complexos.
A compreensão dessas funções é fundamental para planejar redes eficientes, seguras e escaláveis, garantindo o desempenho ideal dos sistemas.
A importância de entender as bases para inovar
Dominar os fundamentos da arquitetura de redes, como o modelo OSI, é o primeiro passo para evoluir em direção a soluções tecnológicas avançadas. O conhecimento detalhado das camadas, protocolos e processos de comunicação permite atuar com big data, inteligência artificial e analytics.
Empresas modernas, como nós, da Serasa Experian, dependem desse domínio para garantir segurança, processar grandes volumes de dados e oferecer soluções inovadoras ao mercado. A transformação digital, a proteção de informações sensíveis e o desenvolvimento de novas aplicações exigem profissionais capazes de integrar teoria e prática.
Entender as bases da infraestrutura de rede fortalece a atuação estratégica em projetos de tecnologia aplicada a negócios impulsionando a inovação e a competitividade no cenário digital, impulsionando a inovação e a competitividade no cenário digital. Continue acompanhando nossos conteúdos sobre a área de tecnologia e inovação. Até a próxima!