Tratar de fraudes é revisitar o debate sobre um dos temas mais importantes da economia brasileira atual. Com um consumo cada vez mais digital, os fraudadores encontraram espaço para expandir a atuação e, por sua vez, as empresas começaram a dedicar mais tempo e recursos financeiros para criar estratégias de prevenção que sejam realmente eficientes e ajudem a garantir a saúde e a proteção dos seus negócios.
As fraudes preocupam bastante porque, assim como a tecnologia, também vão evoluindo a cada instante. Para empresas com grandes times antifraude, é preciso investir em expertise e agilidade para atuar diante de novas tendências e modalidades de fraude, em uma estratégia mais proativa para se antecipar e manter a segurança em dia.
Já para quem tem uma estrutura mais enxuta, as ações reativas podem, muitas vezes, gerar perdas financeiras mais expressivas pela falta de agilidade para se proteger da ação dos fraudadores. Fraudes são atos de má-fé praticados por quem tenta enganar ou ludibriar alguém, muitas vezes se passando por outras pessoas ou empresas para obter algum tipo de vantagem — financeira ou não — de forma ilícita.
O fraudador pode estar em qualquer lugar, mas existem algumas maneiras de se prevenir e permitir que os negócios sigam crescendo com segurança e baixa vulnerabilidade aos golpes. Uma delas é a inteligência analítica presente em soluções de prevenção em camadas para todas as jornadas que proporcionam a autenticação contínua de usuários.
Outra é entender quais são as fraudes de maior incidência para poder identificar e reagir rapidamente quando uma tentativa de golpe estiver prestes a acontecer. Por isso, decidimos reunir neste artigo os 9 principais tipos de fraude que mais preocupam as empresas em 2026. Confira!
Neste conteúdo você vai ler (Clique no conteúdo para seguir)
- 1. Fraude de identidade
- 2. Fraude financeira
- 3. Vazamentos de dados
- 4. Uso de documentos falsos
- 5. Ofensivas Adversário-no-Meio (AiTM)
- 6. Fraudes por injeção e uso de emuladores
- 7. Inteligência artificial e automação
- 8. Vulnerabilidades no comércio eletrônico
- 9. Fraudes mais sofisticadas, rápidas e profissionalizadas
- Quais fraudes são mais famosas em cada região?
- Por que a vulnerabilidade digital atinge empresas de qualquer porte?
- Na Serasa Experian, a gente sabe quem é quem!
1. Fraude de identidade
A fraude de identidade envolve o uso de informações pessoais de terceiros, como nome, endereço ou número de documentos de identificação. Isso é feito para obter acesso ilegal a serviços financeiros em geral e contas pessoais (de serviços em geral, como redes sociais e streaming).
Documentos novos ou roubados
Na maioria das vezes, a fraude de identidade acontece a partir do uso de documentos roubados. Há também a prática de combinar informações reais e gerar novos documentos falsos para a solicitação de cartões de crédito ou a abertura de contas em bancos, a chamada fraude sintética.
Deepfakes
Como estamos em um mundo totalmente digitalizado, outra prática bastante frequente é o uso de deepfakes para tentar burlar etapas de validação biométrica. Essa fraude é feita com o auxílio da inteligência artificial: criminosos “trocam” seu rosto e voz verdadeiras pelo de outra pessoa e usam as imagens, sons e expressões em vídeo para se passar por ela.
O algoritmo é responsável por mapear o rosto em uma foto, "copiar" traços e "colar" a feição na do rosto do fraudador. Saber identificar e se proteger de um deepfake é essencial não só para combater a prática de crimes que lesam economicamente uma empresa, mas também para protegê-la dos riscos reputacionais. A clonagem digital da fala de um executivo pode colocar em xeque a confiança de seus clientes e investidores.
Autofraude e fraude amigável
Já a autofraude e a fraude amigável são as fraudes de identidade mais próximas da realidade das vítimas. Ainda assim, são consideradas crimes de falsidade ideológica pela evidente tentativa de prejudicar alguém.
No caso da autofraude, uma pessoa mal-intencionada usa as próprias informações para fazer uma transação legítima e, em seguida, liga para o banco ou estabelecimento alegando não reconhecer aquela compra. A fraude amigável acontece, na maioria das vezes, em ambientes familiares.
É quando uma pessoa se aproveita da proximidade de um parente — idosos, na maioria das vezes — para usar seus dados sem que ele saiba/autorize e causar prejuízos. É comum até que o próprio parente seja usado, sem saber do que se trata, para "validar" a realização de saques e transferências bancárias, compras com cartões de crédito, financiamentos, empréstimos pessoais ou consignados.
Nos meios digitais, também são comuns fraudes em que crianças utilizam inadvertidamente os dados pessoais e financeiros de adultos próximos para consumir produtos ou comprar créditos em jogos e aplicativos.
2. Fraude financeira
É a prática ilegal que tem como principal objetivo enganar ou causar prejuízos financeiros a empresas ou pessoas. A fraude financeira é realizada a partir do roubo ou uso não autorizado de informações e documentos pessoais, da falsificação de documentos, da invasão de contas bancárias para o uso de todos os tipos de serviços financeiros, entre outros exemplos.
Golpe das transferências via Pix.
Aqui, os criminosos se aproveitam de um controle temporário das contas bancárias, como em sequestros-relâmpago ou em casos de empresas vítimas de account takeover, para realizar diversas transferências sequenciais, de uma conta bancária para outra (quase sempre contas laranjas), para que os valores sejam pulverizados em minutos e as instituições travem em processos burocráticos para reaver os valores transferidos. Nesses casos, compras também são realizadas para aproveitar ao máximo os limites.
Phishing
O phishing instala aplicações no aparelho das vítimas a partir do envio de SMSs ou mensagens instantâneas pelo celular, de e-mails com links fraudulentos e até de sites clonados de grandes empresas. A finalidade da instalação é capturar informações confidenciais (senhas pessoais, documentos, dados bancários ou informações válidas de cartão de crédito).
Em todos os casos citados, é fundamental que a empresa tenha estratégias de prevenção para combater a ação dos criminosos. As boas práticas envolvem manter a salvo todas as informações pessoais e financeiras relevantes e checar a autenticidade de mensagens recebidas antes de clicar em algum link suspeito ou preencher/compartilhar qualquer informação.
3. Vazamentos de dados
Aqui, segurança é mandatório. A exposição dos dados confidenciais de empresas ou pessoas físicas em vazamentos de dados é um crime previsto na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, a LGPD. A empresa que não zelar pela segurança das informações e tiver sua base de dados exposta publicamente, independentemente de ser ou não culpada, pode sofrer graves consequências legais e, principalmente, financeiras.
Na lei, as vítimas dos vazamentos têm o direito de exigir reparações por danos morais e materiais. Mas o que o fraudador pode fazer com as informações coletadas a partir de um vazamento de dados?
Bem, como os bancos de dados associam informações pessoais como nome, números de documentos e informações sobre cartões de crédito, um vazamento pode dar origem a uma série de crimes financeiros cometidos em nome de quem tem seus dados armazenados naquela base. Aqui, a solução é investir em criptografia e ter um bom controle de acesso de usuários baseado na autenticação.
4. Uso de documentos falsos
A fraude documental é uma das mais complicadas para a proteção das empresas, já que ela envolve geralmente a falsificação de documentos físicos que, nos dias atuais, acabam sendo digitalizados para diminuir o impacto dos processos burocráticos. Nesse tipo de fraude, o golpista altera dados do documento original (certidões e atestados públicos) com a finalidade de obter vantagem ilícita.
Quando uma empresa é vítima de golpe com uso de documento falso para a contratação de serviços ou compra de produtos, é praticamente impossível reaver os valores envolvidos em função da natureza do golpe. Cobrar quem é vítima, nesse caso, seria o mesmo que responsabilizá-la por um golpe que ela, quase sempre, nem sabe que aconteceu.
Por isso, é importante investir em proteção com o uso de soluções inteligentes, capazes de identificar se um documento é verdadeiro, se possui padrões condizentes com os que são legítimos e se realmente pertence àquela determinada pessoa.
5. Ofensivas Adversário-no-Meio (AiTM)
Embora os ataques do tipo "Adversário-no-Meio" (AiTM) tenham apresentado uma queda expressiva em 2025, eles ainda exigem atenção máxima devido ao seu alto nível de sofisticação.
Atualmente, criminosos utilizam kits de phishing prontos que conseguem capturar dados de acesso e cookies de navegação no exato momento em que o usuário interage com o site. Isso permite que eles "pulem" a autenticação de dois fatores (MFA) comum, replicando a ação da vítima em portais reais. O perigo aumenta com o uso de Inteligência Artificial para redigir e-mails sem erros gramaticais, o que torna o golpe quase imperceptível.
Não basta mais confiar em códigos via SMS ou notificações simples que podem ser burladas por cansaço do usuário ou roubo de tokens. A solução é migrar para métodos de autenticação baseados em certificados ou tecnologias resistentes ao phishing. Esses sistemas vinculam a identidade do usuário diretamente ao domínio oficial da empresa, impedindo que o acesso ocorra em sites fraudulentos.
6. Fraudes por injeção e uso de emuladores
Enquanto as táticas de AiTM perdem força, novos métodos técnicos estão em ascensão, especialmente o uso de emuladores e injeção de dados. A prevenção exige uma defesa inteligente baseada em IA que avalie o comportamento do usuário como um todo. Isso inclui checar a biometria facial (prova de vida), a integridade do aparelho e até o tempo que a pessoa leva para interagir com a tela.
Ao analisar esses múltiplos fatores, o sistema consegue diferenciar um ser humano real de uma mídia injetada ou de um robô automatizado, garantindo segurança sem prejudicar a agilidade do cliente.
7. Inteligência artificial e automação
A inteligência artificial transformou a segurança digital. De um lado, criminosos a utilizam para criar deepfakes e automatizar golpes em massa. De outro lado, as empresas a usam para identificar comportamentos suspeitos e diminuir o bloqueio injusto de clientes reais (falsos positivos).
O caminho é o investimento contínuo em ferramentas de detecção de ponta e o cumprimento de novas normas globais, como a Lei de IA da União Europeia, que estabelece diretrizes rígidas para o uso ético e seguro de sistemas de alto risco.
8. Vulnerabilidades no comércio eletrônico
O setor de e-commerce enfrentou um cenário crítico em 2025, com um aumento expressivo de fraudes digitais. Esse aumento foi impulsionado pela popularização dos pagamentos instantâneos, que são rápidos e difíceis de reverter, tornando-os o cenário ideal para golpistas.
Para reverter esse quadro, as lojas on-line precisam abandonar defesas superficiais. É essencial adotar estratégias robustas, como o monitoramento de transações em tempo real, a análise do histórico do dispositivo e o uso de pontuações de risco (risk scoring) baseadas em IA, capazes de detectar qualquer desvio de padrão que indique um golpe.
9. Fraudes mais sofisticadas, rápidas e profissionalizadas
Um dos traços mais marcantes de 2025 foi a escala com personalização. A inteligência artificial reduziu o custo de produção de mensagens convincentes, eliminou sinais clássicos de fraude e permitiu variações suficientes para driblar filtros automatizados.
Além disso, meios de pagamento instantâneos aceleraram o negócio e reduziram a janela de reversão em caso de fraude. Mecanismos como o Mecanismo Especial de Devolução (MED), do Pix, são relevantes, mas dependem de acionamento rápido e fluxos internos bem estruturados.
Outro ponto de atenção é a profissionalização do ecossistema criminoso, com divisão de funções (engenharia social, infraestrutura, captura de credenciais e monetização), o que aumenta a eficiência dos golpes e eleva o nível de exigência das defesas corporativas.
Quais fraudes são mais famosas em cada região?
As tendências de crimes cibernéticos variam conforme a geografia e refletem diferentes níveis de digitalização e vulnerabilidades locais. Enquanto algumas regiões sofrem com a falsificação documental, outras enfrentam uma explosão de roubos de identidade e ataques em tempo real. Confira:
· América do Norte: o foco está na falsificação de documentos, o que demanda tecnologias de verificação documental mais rigorosas;
· União Europeia e Reino Unido: o roubo de identidade (personificação) cresceu mais de duas vezes, tornando a biometria e a autenticação multifator indispensáveis;
· América Latina: foi a região com o maior crescimento de tentativas de fraude, o que reforça a urgência por vigilância em tempo real e cooperação entre instituições para conter o avanço criminoso.
Por que a vulnerabilidade digital atinge empresas de qualquer porte?
O motivo é estratégico: muitas vezes, esses negócios possuem orçamentos limitados para cibersegurança e utilizam infraestruturas de proteção menos robustas, o que as torna "alvos fáceis" para ataques automatizados e invasões menos custosas.
Além da vulnerabilidade direta, existe o risco sistêmico relacionado à cadeia de suprimentos. Hoje, os negócios estão profundamente interconectados: uma empresa de pequeno porte pode ser o fornecedor de serviços de uma gigante do setor. Criminosos exploram essa conexão, utilizando empresas menores como uma "ponte" ou porta de entrada para atingir parceiros comerciais maiores.
Esse cenário gera um perigoso efeito em cascata: um único incidente de segurança em um parceiro periférico pode comprometer dados compartilhados, paralisar operações integradas e causar danos financeiros e reputacionais a toda uma rede de negócios simultaneamente. Portanto, a segurança digital deixou de ser um diferencial técnico para se tornar uma condição essencial de sobrevivência e confiabilidade em todo o ecossistema empresarial.
Na Serasa Experian, a gente sabe quem é quem!
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