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Conheça os golpes com CPF e CNPJ e fique atento

O CPF (Cadastro de Pessoa Física) e o CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) são números de inscrição criados pela Receita Federal para identificação dos contribuintes. Por serem únicos por pessoa e gerados por uma fonte segura, são usados por instituições para identificar a situação financeira de seu portador. Se a situação for favorável e com bom histórico de pagamentos, o documento terá crédito, muito crédito.

Esses números de inscrição são utilizados para abrir contas bancárias, contrair empréstimos, adquirir meios de pagamento (cartões, cheques), conseguir bens e serviços. Em mãos erradas, seu CPF ou CNPJ pode fornecer dinheiro suficiente até para alguém se aposentar, e esse alguém pode não ser você!

Em meados de 2012 uma “empresa de RH” atraía diversas pessoas oferecendo vagas de emprego em vários níveis. Para se candidatar era preciso preencher uma ficha cadastral com todos os dados, incluindo o CPF. Essa empresa era, na verdade, uma quadrilha que, com os dados coletados, abriam crédito no mercado utilizando a boa-fé de pessoas que estavam em busca de melhores oportunidades. O desfalque foi milionário.

Os mortos também têm crédito. Pessoas mal-intencionadas descobriram que leva um certo tempo até que os cartórios divulguem as informações de um óbito. Portanto os dados podem ser usados para contração de dívidas por meio da compra de bens e serviços.

Golpes como os descritos acima ocorrem todos os dias no Brasil. Nossos dados podem ser uma fonte de renda fácil para predadores focados em lesar o sistema financeiro, conseguindo para si vultuosos volumes monetários.

E até agora só estávamos no campo da fraude contra pessoa física. Já imaginou o que seria possível fazer com o CNPJ de uma empresa?

CNPJs no alvo dos fraudadores

Vigaristas que utilizam uma lista de cadastro com vários CPFs são quase nada quando comparados a fraudadores de CNPJ. Esse tipo de golpe é aplicado por pessoas mais pacientes e com foco em alavancar grandes quantias de dinheiro.

O tipo de golpe comum: uma quantidade de CPFs fraudados é utilizada para abrir um conjunto de empresas de fachada, cada uma com um foco diferente. Uma empresa emite notas fiscais para outra em volumes moderados, simulando transações comerciais entre elas. De fato, não há troca de valores, produtos ou serviços, mas esse tipo de manobra é feita com a intenção de produzir um histórico de compra e venda para o CNPJ, o que vulgarmente é chamado de “esquentar o CNPJ”.

 

Depois de certo tempo, o CNPJ “quente” aborda uma empresa real (a vítima escolhida para a fraude), fornecedora de produtos de alta liquidez, solicitando um pedido. A área de crédito analisa os dados da empresa-fantasma e vê que seu histórico é impecável. Então aprova o crédito, que afinal é de baixo valor.

 

O pedido feito pela empresa-fantasma é pago devidamente. Pouco tempo depois há um segundo pedido um pouco maior, também honrado com pontualidade. A área comercial e a área de crédito já estão felizes e acostumadas com o novo cliente, então vem uma solicitação maior devido a uma “nova oportunidade”. A área de crédito analisa o histórico, sabe que o cliente é bom pagador e aprova o pedido. O que a empresa fornecedora não sabe é que isso se repete em outras cidades. Simultaneamente o CNPJ “aquecido” faz múltiplas solicitações em vários fornecedores de várias cidades. Pronto: uma fraude de ordem bilionária foi aplicada e misteriosamente seus organizadores desaparecem.

 

Cuide de seus dados (TODOS ELES)

Seus dados são muito valiosos, e isso inclui o cadastro junto à Receita Federal. Há um conjunto de formas não diretas ou não invasivas de “pescar” seus dados, e isso ocorre por meio de técnicas conhecidas como engenharia social.

 

No livro A arte de Enganar, Kevin Mitnick, um dos hackers mais procurados pelo FBI e que se tronou consultor após sua prisão, descreve que os crimes que obtiveram mais vantagens no mundo tecnológico ou financeiro foram executados sem apertar uma única tecla, sem que nenhuma ameaça ou extorsão sequer fosse feita. Pelo contrário, as informações que levaram a fraudes milionárias foram entregues por livre e espontânea vontade.

 

A engenharia social conhece pessoas. Sabe, por exemplo, que pode explorar a carência e a vulnerabilidade delas. E o faz.

 

Existe um golpe do qual muitos já ouviram falar: alguém começa uma conversa de forma sedutora, se aproxima e, em pouco tempo, inicia algo comparado ao relacionamento dos sonhos. Em seguida estão trocando dados e informações que podem ser usados na abertura de contas, gastos com cartões, aquisição de bens como carros, motos etc., e logo depois a vítima descobre que fora alvo de um golpe.

 

No primeiro semestre de 2017 um grupo usando a técnica da engenharia social com acesso a dados de pacientes internados na UTI entrava em contato com o familiar do doente dizendo ser do hospital e solicitando um depósito em dinheiro para fazer um procedimento de emergência. Aproveitando-se da instabilidade emocional da pessoa, que estava preocupada com o familiar doente, o golpe era executado com sucesso.

 

A Serasa Experian apoia seus clientes no combate à fraude em CPFs e CNPJs. Contate um de nossos consultores.

 

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Autor do artigo

Samir Reis

é administrador, possui sólida experiência no mercado financeiro, com passagens por grandes instituições, com atuação na área de risco de crédito e prevenção à fraudes. Foi professor de Riscos no IBTA, ministrou matemática empreendedorismo para escola de negócios do SENAC. Desde 2017 colabora com a Consultoria de Negócio da Serasa Experian, trazendo a experiência do mercado para definição de estratégias e soluções de suporte a decisão em crédito e prevenção à Fraudes.