Laércio Oliveira Pinto (*)

As ocorrências de fraudes estão em alta no Brasil e no mundo e, na mesma direção, vão as perdas financeiras das empresas e os prejuízos ao consumidor.
Hoje, a indústria das fraudes é lucrativa, comandada por quadrilhas, dirigidas com inteligência e criatividade e, sobretudo, possui muita agilidade.
Mesmo que grande parte dos negócios no país já tenham sido vítimas de algum tipo de fraude, são poucas as empresas que, efetivamente, a compreende como risco e adota uma gestão estratégica adequada para gerenciá-la.
Do lado do consumidor, não há preocupação ou cuidado para proteger suas informações pessoais. Falta uma conscientização em relação aos riscos e as consequências da fraude, o que torna mais fácil a ação dos estelionatários.. A partir do roubo de informações pessoais de um documento, ou a criação de um fictício, se busca a obtenção de crédito, causando grandes problemas para o cidadão, que poderá ter anotações negativas em seu nome. Sobra a ele provar que é vítima em várias ocorrências, o que não é uma tarefa fácil. Cabe ao consumidor extremo cuidado com sua documentação e evitar dar seus dados pessoais a qualquer solicitação.
O crédito é um dos canais preferidos dos fraudadores, porque seu resultado é imediato. Neste contexto, o roubo ou furto de informações sempre marca o início do processo criminoso. Para qualquer empresa, a aceitação de um novo cliente, consumidor ou corporativo, e seu financiamento exigem, além da confirmação dos dados cadastrais, a avaliação comportamental. Este último aspecto, o do comportamento, adquire especial importância na identificação dos sinais de inconsistências.
Para detecção de fraudes empresarias é fundamental cruzar informações como: a empresa cliente aponta mais de um endereço para o seu negócio; várias empresas em um só local; divergência dos dados cadastrais dos sócios e ações fora do padrão do mercado.
Para apurar as inconsistências em relação ao consumidor, é igualmente importante confirmar dados cadastrais e avaliar os aspectos comportamentais, com o suporte de modelagem matemática e redes neurais.
Por conta das fraudes de subscrição, caracterizadas pelas informações imprecisas e inverídicas, as empresas normalmente confundem a perda decorrente como de inadimplência. Precisa ser entendido que a fraude é intencional, enquanto a inadimplência, maior parte dos casos, não. Mais, a empresa que foi fraudada uma vez, se não se previnir, o será outras vezes, pois o crime identifica onde há espaço para voltar.
Os estudos da Serasa Experian mostram que os setores mais visados pelos fraudadores são os de produtos de fácil comercialização, que são rapidamente reposicionados no mercado. Nem por isso, esses agentes deixam de estar presentes nos golpes com automóveis, seguros, cartões de crédito etc..
A empresa vulnerável às fraudes acaba sofrendo danos à sua imagem, os acionistas se sentem prejudicados, os empregados perdem a confiança e seus processos internos ficam desacreditados.
Pode-se dizer que o risco de fraude faz parte dos negócios. É recorrente, sempre existiu e existirá. O compromisso em reduzí-lo deve estar no cotidiano das empresas. Lembrando que a forma mais eficaz de combatê-la é utilizar ferramentas de prevenção, compartilhar dados sobre eventos fraudulentos e monitorar os possívei avisos de risco e de alteração comportamental e consistir os dados coletados no mercado ante as informações oficiais.
Com o gerenciamento de fraudes as perdas são minimizadas, os negócios ficam mais rentáveis e seguros, favorecendo a competitividade e preservando a imagem da empresa.
Sua empresa está preparada contra as fraudes?
(*) Laércio de Oliveira Pinto – Presidente da Unidade de Negócios de Crédito da Serasa Experian
Com o crescimento econômico ao redor dos 5%, o crédito em 2010 deve evoluir 20%, mais uma vez, sustentando o mercado interno. O financiamento para as empresas representará a maior parte dessa evolução, recuperando parte do impacto causado pela crise financeira internacional, que escasseou o crédito corporativo no ano passado.
O agravamento da crise financeira internacional, ocorrido a partir do final do terceiro trimestre de 2008 provocou deterioração da qualidade do crédito em escala global.
Estatísticas do Banco Central mostram que, nos últimos cinco anos, o número de brasileiros com dívidas superiores a R$ 5 mil passou de 10 milhões para 23 milhões.
A Instrução Normativa 969 da Receita Federal do Brasil (RFB) estabelece que, a partir de 2010, todas as empresas de lucro presumido terão de utilizar a certificação digital para entregar suas declarações e demonstrativos para a RFB, além das empresas de lucro real e arbitrado, que já estavam obrigadas.