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Crédito e recuperação em 2010, sem tempo para reflexões

Ricardo Loureiro(*)

Com o crescimento econômico ao redor dos 5%, o crédito em 2010 deve evoluir 20%, mais uma vez, sustentando o mercado interno. O financiamento para as empresas representará a maior parte dessa evolução, recuperando parte do impacto causado pela crise financeira internacional, que escasseou o crédito corporativo no ano passado.

O avanço dos recursos deve levar à retomada dos investimentos, por parte das empresas nacionais, que estavam suspensos desde o último trimestre de 2008, por conta do evento global. O Brasil também está na mira dos investidores internacionais, pela rápida recuperação econômica e por ser um porto seguro.

Na análise setorial, o comércio é destacado e deve ter um ano ainda melhor, lembrando que, além da economia aquecida, há a Copa do Mundo. As vendas de TV´s de alta definição devem disparar e, como se sabe, produtos de maior valor agregado exigem crédito. A indústria seguirá o comércio no atendimento à demanda interna.

Nesse contexto, o crédito para pessoa física também crescerá, tendo como destaque o crédito imobiliário. Representando 3% do PIB, os recursos para aquisição de moradias, no país, estão entre os mais baixos das economias emergentes. Nas mais desenvolvidas, essa carteira fica próxima dos 100%. Este será o ano do crédito imobiliário no Brasil.

Outras modalidades de crédito ao consumidor que continuarão crescendo são: a de veículos e o consignado.

A relação crédito/PIB ainda é baixa, 45%. Estima-se para 2010 um patamar próximo a 55%.

De qualquer modo, as lições da crise cabem no cotidiano. Por isso, é bom notar que o endividamento da população cresce mais rápido que a renda. Como 2010 é de forte crescimento econômico, espera-se que a geração de empregos e a massa salarial atenuem este fato. Enquanto isso, melhorar a decisão de crédito é determinante para qualquer cenário. A inadimplência mostra tendência de crescimentos menores no 1º semestre, mas ainda é alta nas referências internacionais.

A recuperação de crédito tem um grande trabalho a fazer neste ano. Como o emprego está crescendo, mais consumidores estão buscando a regularização de sua situação financeira. Mais do que nunca, a recuperação de crédito será relacionamento.

Enquanto o cadastro positivo não entra em operação, ampliar a qualidade do crédito deve ser um compromisso de todos. Isto não significa ser mais conservador nas decisões de crédito. Significa tomá-las com cientificidade e inteligência especialmente desenvolvida para tal.

Para concluir, este é um ano eleitoral e, portanto, as atenções estão voltadas para as realizações econômicas. A implantação do cadastro positivo complementará o sucesso econômico do país. Com ele, novas relações de crédito e de sua recuperação serão estabelecidas e maiores graus de confiança conquistados pelo país.

(*) Ricardo Loureiro é presidente da Serasa Experian

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