Revista Tecnologia de Crédito

Revista Tecnologia de Crédito

A Importância da Tecnologia de Informação do Crédito no Comércio Internacional
Edição 54

Vivemos numa época de grandes mudanças. As transformações sociais, políticas, culturais e, principalmente, tecnológicas sucedem-se a um ritmo intenso e com uma abrangência nunca vista antes. Essas mudanças criaram inter-relações entre países, abrindo o caminho para as atividades humanas em escala mundial.

Toda essa realidade afeta direta e indiretamente a evolução dos países em seus setores mais sensíveis das atividades econômicas: públicos, privados e da sociedade civil. No entanto, essas transformações já eram sentidas, em proporções absolutas menores, em 1847, quando alguns criticavam a liberalização na época:

“As velhas indústrias nacionais foram destruídas e continuam a sê-lo diariamente. São suplantadas por novas indústrias, cuja introdução se torna uma questão vital para todas as nações civilizadas, indústrias que não empregam mais matérias-primas autóctones, mas sim matérias-primas vindas das regiões mais distantes, e cujos produtos se consomem não somente no próprio país, mas em todas as partes do globo.

Em lugar das antigas necessidades, satisfeitas pelos produtos nacionais, nascem novas necessidades, que reclamam, para sua satisfação, os produtos das regiões mais longínquas e dos climas mais diversos. Em lugar do antigo isolamento de regiões e nações que se bastavam a si próprias, desenvolve-se um intercâmbio e uma interdependência das nações universal. E isto se refere tanto à produção material como à produção intelectual”. (MARX e ENGELS, 1848).

Marx e Engels talvez não imaginassem as dimensões atuais da “universal interdependência das nações”. Assim, não é de se estranhar que as transações comerciais tenham se intensificado de forma exponencial, e não há “previsões” de que essa tendência possa se reverter. Conforme apresentado na Figura 1, as interligações entre os países refletem-se diretamente nas transações comerciais, que partem em 1950 com um valor inferior a US$ 100 bilhões e chegam próximos de US$ 9 trilhões no ano de 2004.


Com o crescimento nas transações comerciais, são criadas outras oportunidades de negócios, sempre complementadas com novas ameaças devidas à globalização da atividade econômica. Essa “inovação”, que consiste da interdependência econômica dos países, resulta de novos desafios pelo fato de cada vez mais as empresas sentirem a necessidade de definir a sua estratégia competitiva (onde naturalmente se inclui a atividade de crédito) tendo em conta não apenas os mercados domésticos, mas também os mercados e empresas do mesmo setor de atividade nos outros países.

Essa situação obriga as empresas a ganharem mais habilidades no sentido de se manterem competitivas num mercado cada vez mais global e mais exigente, novas culturas e valores regionais, buscando a constante inovação para atender essas diferenças. Essas novas competências, principalmente por meio da inovação tecnológica, vem ao encontro dos trabalhos de Schumpeter (1864), o qual também discute as funções do crédito e do capital no desenvolvimento econômico, considerando-os como meios de promoção desse crescimento. Além disso, Schumpeter (1864) ressalta que o desenvolvimento econômico não ocorre uniformemente ao longo do tempo, registrando-se momentos de prosperidade e de depressão na forma cíclica segundo as fases: ascensão, recessão, depressão e recuperação.
Seguindo esses princípios, a evolução recente do PIB mundial e do volume do comércio internacional, apresentados na figura 2 e 3, respectivamente, refletem um cenário em 2004 de “ascensão” e prosperidade.


No entanto, as perspectivas pontuais para os próximos anos são de queda, tanto no PIB mundial (Tabela 1) quanto no volume das transações comerciais. Especialistas pontuam que o PIB, que indica a geração de riqueza, afeta diretamente as transações comerciais. Dessa forma, é relevante o estudo do Instituto de Pesquisa Aplicada – IPEA, que aponta a queda da previsão de crescimento do PIB brasileiro para 2005 e 2006 (IPEA, 2005).



Nesse cenário de recessão e depressão das transações comerciais no período de 2006 a 2010, apresentado na fig. 3, não altera a tendência de crescimento dos dois indicadores ao longo do tempo (mostrados pelas linhas ascendentes nas figuras 2 e 3), tem como conseqüência o fato dos riscos se tornarem imperativos para as decisões de novos negócios no comércio exterior. A idoneidade das empresas terá um peso maior no processo de decisão e poderá acarretar a suspensão de vários negócios que hoje se posicionam como “riscos aceitáveis”.

No cenário brasileiro, o comércio exterior (Figura 4), que vinha crescendo com elevada taxa ao longo dos últimos anos devido a vários fatores como câmbio, incentivos governamentais e o crescimento mundial, pode não apresentar os mesmos resultados de expansão nos próximos anos.


Assim, com essa perspectiva econômica interna e externa, as ameaças dos riscos inerentes ao processo decisório, em particular aos de crédito, deverão ter mais importância neste novo momento.

Pode-se dizer que para uma organização reter sua competitividade internacional ela necessita de um sistema de informação sempre atualizado em especial sobre os principais clientes, concorrentes e fornecedores. O desafio de lidar com a incerteza, a turbulência e a instabilidade do mercado em constante mudança no ambiente de negócios, é monitorando permanentemente o fluxo de informações que envolvem a empresa.

No que diz respeito ao crédito, o conhecimento sobre a idoneidade da empresa, dos seus proprietários e administradores e, também, de seu conceito comercial com fornecedores e bancos é relevante para não gerar surpresas nas contas, no planejamento da fabricação etc.
Enfim, são nas condições mais adversas de mercado que justamente se sobressaem as empresas mais competitivas. Aquelas que se adaptarem às transformações dos cenários, com criatividade e inovação, atenção aos riscos, terão a longevidade no mercado internacional como prêmio.

Referências Bibliográficas

IPEA. Boletim de Conjuntura. Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicada, n.71. Brasília, 2005.
Site: http://www.ipea.gov.br/pub/bccj/bc_71.zip. Acesso em 06 de dezembro, 2005.
IMF. World Economic Outlook 2005. International Monetary Fund: building institutions. Washington, D.C.: IMF, 2005.
Site: http://www.imf.org/external/pubs/ft/weo/2005/02/index.htm. Acesso em 06 de dezembro, 2005.
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. Rio de Janeiro: Vitória, 1963.
Site: http://www2.uol.com.br/cultvox/livros_gratis/manifesto_comunista.pdf. Acesso em 05 de dezembro, 2005.
MDIC. Evolução do Comércio Exterior Brasileiro — 1950 a 2005. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior — MDIC, 2005.
Site: http://www.desenvolvimento.gov.br/arquivo/secex/evocomextbrasil/evolucaocebrasileiro.xls. Acesso em 06 de dezembro, 2005.
SCHUMPETER, Joseph Alois. Theorie der Wirtschaftlichen Entwicklung. Duncker & Hulmblot: Berlim, 1964.


 


Ricardo Zöllner Holmo é diretor regional da Câmara Brasil Rússia de Comércio, Indústria e Turismo (Região do Cone Leste Paulista); Doutorando em Engenharia Mecânica e Aeronáutica pelo ITA, MBA em Economia do Comércio Exterior pela USP, Pós Graduação em Administração de Marketing (FAAP) entre outros vários cursos de especialização, Professor de Marketing Internacional e Estratégia de Negócios na UNIP (Campus São José dos Campos). Ricardo Zöllner Holmo é pesquisador e estudioso em Inteligência Competitiva e Desenvolvimento Econômico Internacional. Os contatos com Holmo podem ser feitos pelo e-mail rzh@directnet.com.br


  • 2012 Serasa Experian. Todos os direitos reservados.