O conceito de empreendedor confunde-se quase sempre com o conceito de empresário. De maneira geral, o empreendedor é representado por todos aqueles que sentem a necessidade de empreender, de criar, de tomar iniciativas, de gerar empregos, de desenvolver negócios, de fortalecer a economia, de demonstrar respeito e responsabilidade com seus semelhantes, de promover talentos, de estimular a pesquisa e a geração de novas tecnologias e de reconhecer na educação o principal instrumento de construção do homem em sua mais ampla conceituação.
Mario Amato é empresário, atuando em diversas indústrias do Grupo Amato em vários ramos de atividade. Mario Amato é presidente emérito da FIESP, ex-presidente da CNI, professor Honoris Causa do Conselho de Curadores da FECAP, membro fundador do CIEE, membro do Conselho da ADVB, membro do Conselho da AACD e membro do Conselho da Câmara Ítalo-Brasileira.
O gerente de crédito das instituições financeiras e das empresas é um empreendedor que utiliza a tecnologia existente no mercado e desenvolve ou apóia novas tecnologias de mensuração do risco e emprega todos os dados disponibilizados por banco de informações econômico-financeiras e cadastrais para minimizar riscos. Ele é figura importante uma vez que o acesso ao crédito é essencial ao desenvolvimento e crescimentos dos países. O gerente de crédito identifica-se pelo arrojo, pela coragem, pela determinação, pela perseverança, pela honestidade de ações e de princípios com que trata os negócios de crédito e, especialmente, pelo valor que atribui às análises preditivas.
O empreendedor é aquela pessoa que não abandona seus objetivos e busca atingi-los pela identificação e integração com aliados, pela sensibilidade no trato com aqueles que o auxiliam, pela preservação e ampliação de um patrimônio material e familiar, pelo reconhecimento justo do trabalho empenhado, pela demonstração de respeito à dignidade das pessoas, pelo trabalho insano — sem começo e sem fim —, pela valorização e adoção dos avanços tecnológicos em seus negócios, pela participação ativa em entidades com objetivos sociais, pela conquista e manutenção de amizades e pela constante demonstração de patriotismo e de civismo, reconhecendo que o País em que vive é o único lugar do mundo em que a árvore de sua iniciativa assentará raízes e produzirá frutos saborosos.
Ao longo da vida, quando envolvido em colaborar, cooperar, estimular e motivar — além de suas obrigações com o negócio, que o absorve diariamente — tem a sensibilidade de construir uma família e de deixar uma herança, não somente aquela representada pelo patrimônio econômico-financeiro, mas, sobretudo aquela que reflete o patrimônio espiritual que molda e edifica o caráter de seus descendentes. No calor das atividades do dia a dia, encontra tempo para colaborar com a educação de seus filhos e transmitir suas experiências de vida, a dificuldade das conquistas, a preparação para ter reservas de forças e de recursos para superar os obstáculos que eventualmente apareçam e a importância de desenvolver uma cultura da poupança ao invés do estímulo vazio e inconseqüente da cultura do desperdício.
De maneira quase intuitiva, conduz e mantém seus negócios e a estrutura familiar dentro de padrões éticos e morais, sem perder de vista o cuidado no trato com seus colaboradores e de se dedicar, através de atividades em entidades sociais, àqueles que carentes precisam de compreensão, de afeto, de carinho e de oportunidades para também se sentirem úteis como seres humanos.
Hoje, essas características não são exclusividade de algumas pessoas que abrem e lutam para manter seus negócios.
O perfil acima descrito também se aplica aos colaboradores em todos os níveis em qualquer organização.
A ampliação desse conceito implica que cada pessoa traz dentro si a chama de empreendedor na verdadeira acepção da palavra e, portanto, consagra esse conceito através de sua colaboração para o sucesso da organização a que pertence. Procura demonstrá-lo por meio de ampla aplicação do melhor que sabe fazer às atividades que lhe são destinadas, buscando atingir os objetivos propostos, sem esquecer da constituição e manutenção de sua família dentro dos mais elevados e profundos conceitos de harmonia e paz.
Cito aqui um estudo muito importante que revela que grande parte das causas do aumento da criminalidade e da violência aleatória tem suas raízes no crescente aumento do desemprego. Em 1994, estudos já demonstravam uma correlação inquietante entre o aumento do desemprego e o de crimes violentos. No estudo de Merva e Fowles, esses pesquisadores descobriram que, nos Estados Unidos, um aumento de 1% no desemprego resulta em aumento de 6,7% em homicídios, de 3,4% em crimes violentos e de 2,4% em crimes contra a propriedade.
Nas 30 principais áreas metropolitanas abrangidas nesse estudo, os economistas da Universidade de Utah estimavam que, entre meados de 1990 e meados de 1992, o aumento de 5,5% para 7,5% no desemprego resultaria no acréscimo de 1.459 homicídios, 62.607 em crimes violentos (incluindo arrombamentos, assalto e assassinatos) e 223.500 crimes contra a propriedade (incluindo roubo, furto e roubo de veículos motorizados).
Ao final de 1992, mais 833.593 americanos estavam encarcerados em prisões estaduais e federais, com um aumento de 59.640 condenados sobre o ano anterior, isto em um país considerado altamente civilizado, com grandes empreendedores e empresários demonstrando alto espírito idealista, principalmente no mundo dos negócios.
O empreendedor, e conseqüentemente o empresário, hoje mais do nunca e até por questões de sua sobrevivência pessoal e empresarial não pode deixar de se dedicar e de participar de um trabalho na área social.
O empresário geralmente é visto como responsável pela existência de diferenças sociais. O crescimento populacional desordenado e seu principal efeito: o desemprego deve servir de alerta para um maior envolvimento em ações voltadas para a solidariedade humana, fortalecendo as garantias de vida.
As autoridades, responsáveis pelas ações públicas voltadas para o social, não conseguem atender às reais necessidades e às carências da sociedade. Logo, cabe a todos àqueles que se sentem responsáveis, colaborar para atenuar esse estado de coisas. Um dos principais compromissos com a sociedade que os empreendedores e também os empresários devem ter é o de gerar cada vez mais empregos.