Um estudo de caso do sistema de capital econômico usado pelo Bank of America revela diversos princípios básicos compartilhados por todas as estruturas de capital econômico e fornece um exemplo prático de como o capital econômico pode funcionar para qualquer instituição financeira. Este artigo começa com uma discussão da teoria financeira da alocação de capital acionário entre diferentes negócios para avaliar desempenho e adequação de capital. Em seguida, oferece um panorama detalhado do sistema de mensuração propriamente dito, abrangendo cada uma das quatro fontes de risco — crédito, país, mercado negócio — que, juntas, determinam o montante de capital destacado para uma atividade. As instituições que usam a metodologia de capital econômico cunharam o termo para distingui-lo de outras medidas de adequação de capital — mais especificamente, dos conceitos regulador e contábil de capital. O termo econômico também indica uma ambição, semelhante à da ciência que lhe empresta o nome, de descrever e medir de maneira consistente todo o espectro de fenômenos que move as decisões de risco/rendimento dos bancos. Para ser consistente e abrangente, um modelo econômico precisa atender a dois objetivos: 1. Fornecer uma “moeda comum” de risco que a administração possa usar para comparar a lucratividade ajustada pelo risco e o valor relativo de negócios sujeitos a níveis e fontes de risco muito diferentes. 2. Permitir à administração e aos reguladores avaliar a adequação de capital geral em relação ao perfil de risco da instituição. Com o crescente diálogo entre profissionais do setor, reguladores e acadêmicos, emergiram gradualmente as boas práticas, estabelecendo padrões de cálculo da maioria dos aspectos do capital econômico. Ainda haverá avanços, especialmente nas áreas de risco operacional e risco de crédito ao consumidor, mas o campo como um todo evoluiu a tal ponto que os supervisores começaram, com a iminente implementação do Novo Acordo de Capital da Basiléia, a adotar e codificar as boas práticas do setor no que tange a estruturas de capital regulador. Definição de Risco pelo Valor de Mercado Durante a década passada, o capital econômico avançou a passos firmes em direção aos modelos de valor de mercado. A maioria das estruturas de carteiras comerciais já descartou os modelos de capital econômico de primeira geração, baseados apenas no risco de inadimplência, muito embora esses modelos persistam, em alguns casos, nas carteiras de consumidores. Dada a meta de garantir adequação de capital para um determinado nível de solvência, a volatilidade do valor de mercado é a melhor medida do risco de um banco e, portanto, de seus requisitos de capital. Em última análise, os acionistas estão interessados no rendimento total de seu investimento nas ações do banco e no seu risco em termos de valor de mercado. Eles comparam o rendimento proporcionado por seu investimento a um rendimento necessário baseado no risco. Os investidores em bônus também se preocupam com o valor de mercado. O valor de seu investimento de renda fixa é função do spread de crédito do banco, do nível das taxas de juros e dos fluxos de caixa esperados da dívida. Como tanto acionistas quanto investidores em bônus avaliam seus investimentos com base em valores de mercado, a administração deve avaliar as oportunidades em adotar a mesma disciplina de valor de mercado. Definir o risco em termos de valor de mercado reforça a disciplina, alinhando os interesses dos administradores com os dos acionistas e investidores em bônus. Os valores da dívida e do patrimônio estão intimamente associados e ambos são direitos derivados sobre os ativos da empresa. De acordo com o modelo Merton, o patrimônio de uma empresa é equivalente a uma opção de compra do valor da empresa, sendo a dívida o preço de exercício. Os donos do capital social têm a opção de “comprar” os ativos da empresa e qualquer outro valor a ela associado por meio do pagamento integral da dívida. Os acionistas deixarão de exercer a opção e de honrar sua obrigação perante os investidores em dívida se o valor total da empresa ficar significativamente abaixo do montante devido aos credores. A alavancagem da empresa em termos de valor de mercado (ou seja, a diferença entre o valor de mercado do ativo e o valor escritural do passivo) e a volatilidade do valor de mercado são, portanto, determinantes primordiais da probabilidade de inadimplência de uma empresa e do spread de crédito exigido. A medida de risco que move o valor tanto da dívida quanto do patrimônio é, assim, a volatilidade do valor do ativo. A distinção entre uma medida de risco baseada no valor de mercado e outra baseada no lucro contábil é de grande importância. Em vista da necessidade de manter baixa probabilidade de inadimplência, um rating de crédito elevado e a capacidade de financiar as atividades da empresa, a medida de risco mais importante para a determinação da adequação de capital é a volatilidade do valor de mercado do banco. Assim como o requisito de capital de um banco se baseia na volatilidade de seu valor de mercado, a alocação de capital às diversas atividades do banco deve depender da contribuição de cada uma para a volatilidade geral do valor de mercado. Entretanto, como a maioria das atividades bancárias não faz marcação ao mercado de suas carteiras, os administradores de risco não podem acompanhar diretamente a volatilidade do valor de mercado; antes, usam estimativas de volatilidade de valor de mercado baseadas em modelos, ou mesmo a volatilidade do lucro. Contabilizando a Diversificação Para que um modelo de capital econômico possa se aplicar tanto ao banco como um todo, quanto às suas atividades específicas, é preciso que ele considere não apenas a volatilidade do valor de mercado de cada atividade, mas também a maneira como o valor se altera em relação a todas as demais atividades. O raciocínio por detrás desse ajuste à diversificação é simples: as exposições menos cíclicas geram benefícios de diversificação para o banco todo, permitindo que ele opere com menos capital social. Uma alocação de capital baseada na contribuição ao risco confere esse benefício às atividades que aumentam a diversificação, incentivando seu crescimento. A omissão desse efeito evidentemente superestimaria o risco do banco. A teoria financeira afirma que o rendimento exigido pelos investidores é função do risco não-diversificável. Uma das principais metas da estrutura de capital econômico é medir e comparar o desempenho de atividades com níveis de risco altamente variáveis. Calcula-se o VAA (valor agregado para o acionista) comparando o rendimento de cada negócio ao custo do capital do banco. Como o custo do capital se baseia no risco sistemático, a medida de risco usada para o cálculo do VAA deve se basear na contribuição ao risco, e não no risco individual. Do contrário, seria necessário um segundo processo para determinar os diferentes custos de capital de cada negócio. Estritamente falando, a abordagem pela contribuição ao risco descrita acima mede a exposição ao risco não-diversificável internamente e não ao verdadeiro risco sistemático ou não-diversificável. Mas quando se usa essa abordagem em instituições financeiras de grande porte e diversificadas, quaisquer diferenças do custo teórico do capital após ajustar para a contribuição dos negócios individuais ao risco provavelmente estarão dentro do erro de mensuração das próprias medidas de risco 1. Adequação de Capital Para fins de adequação de capital, a meta primordial da alocação de capital a linhas específicas é determinar a estrutura de capital ótima do banco — o montante de capital social necessário para manter o padrão interno de solvência (ou seja, a meta de rating de crédito) dado o nível geral de risco. Esse processo envolve uma estimativa do quanto cada linha de negócio contribui para o risco total do banco e, portanto, para o requisito geral de capital da instituição. Em última instância, o capital econômico baseado no risco deve ser comparado com o capital efetivamente mantido pelo banco. Uma estrutura sensata de adequação de capital baseada no risco deve harmonizar o risco medido com os recursos financeiros disponíveis para sua cobertura. Os recursos financeiros disponíveis para cobrar o montante total de perdas num dado horizonte de tempo incluem não só o capital social (ações ordinárias), como também as reservas contra perdas em empréstimos e os resultados gerados no exercício. Os bancos consideram o nível médio ou esperado de perdas como um custo da atividade. As margens dos produtos de empréstimo, por exemplo, são fixadas em níveis suficientes para cobrir os custos operacionais e perdas esperadas e, ainda, fornecer um rendimento favorável do capital. Assim, a perda esperada não é incluída na mensuração do risco, mas, sim, vista como um encargo direto contra os lucros do exercício. Para determinar a adequação de capital, as instituições que adotam boas práticas medem o capital com base na perda inesperada, ou a volatilidade em torno da perda esperada, e compara sua estimativa do requisito de capital com os recursos financeiros disponíveis para a cobertura da perda inesperada — capital social ordinário e reservas contra perdas em empréstimos. Por estar coberta pela margem futura, a perda esperada não é incluída na mensuração do capital econômico. Da mesma forma, os resultados advindos da margem futura são excluídos dos recursos financeiros disponíveis para cobrir perdas. Mensuração do Desempenho Para fins de avaliação do desempenho, os sistemas de rendimento do capital ajustado ao risco (“risk-adjusted return on capital” – RAROC) atribuem capital aos negócios como parte do processo de determinação da taxa de rendimento ajustada ao risco e, em última análise do VAA de cada unidade. O objetivo, aqui, é medir a contribuição do negócio para o valor para o acionista após o pleno ajuste ao risco e, com isso, fornecer bases de planejamento estratégico, monitoramento ativo de desempenho, precificação de produtos e decisões táticas de gerenciamento de carteira. O RAROC de cada negócio é seu resultado líquido dividido pelo seu requisito de capital econômico. Em muitos casos, o cálculo ajusta o resultado líquido contábil, substituindo provisões por perda esperada e removendo distorções temporais inerentes ao processo contábil. Se o RAROC for maior que o custo do capital — a taxa de rendimento exigida pelos acionistas — então o negócio estará criando valor para o acionista. O RAROC é um indicador claro e consistente de lucratividade. Mas o uso exclusivo do RAROC ou de qualquer taxa de rendimento para avaliar o desempenho pode desencorajar investimentos lucrativos. Uma taxa de rendimento não mede quanto valor uma atividade cria ou destrói: apenas indica sua taxa de lucratividade. Para maximizar a riqueza dos acionistas, os bancos precisam realizar qualquer novo projeto que, no decorrer de sua duração prevista, resulte em RAROC superior ao custo do capital. Administradores recompensados com base exclusivamente no RAROC tenderão a rejeitar projetos criadores de valor que reduzam seu rendimento médio. Para evitar esse problema e criar os incentivos corretos ao investimento, o banco deve avaliar o desempenho de acordo com o VAA de cada unidade. O VAA é calculado subtraindo-se o custo do capital social do lucro operacional da unidade. Assim como o RAROC, o VAA usa o capital econômico como “moeda” de risco e, portanto, permite comparação de atividades com diferentes características de risco. A instituição supera as limitações do RAROC por incorporar o porte desses investimentos, não apenas sua taxa de rendimento. As recompensas dadas aos gestores devem depender do ganho incremental para o valor agregado para o acionista e não de seu valor absoluto. Isso nivela as condições, encoraja transformações em unidades de desempenho fraco e evita recompensar operações altamente lucrativas “herdadas” de gestores anteriores. Capital Econômico no Bank of America O Bank of America define risco como a volatilidade do valor de mercado da empresa. Os elementos primordiais dessa definição são sua abrangência e a ênfase dada ao valor de mercado em lugar dos lucros. O Bank of America calcula o risco em quatro grandes categorias — crédito, país, mercado e negócio — mas a classificação específica é de menor importância que seu princípio diretor: deve haver “lugar para tudo e tudo deve estar em seu lugar”. Capitalização e níveis de confiança. O perfil de risco de um banco é descrito por duas estimativas: perda esperada e perda inesperada. Como se vê na Figura 1, a perda esperada é a taxa média de perda esperada de uma carteira. Se as perdas fossem iguais aos níveis esperados, não haveria necessidade de capital. Perda inesperada é a volatilidade das perdas em torno de seus níveis esperados. A perda inesperada determina o requisito de capital econômico. Figura 1 Para evitar a insolvência, o capital econômico deve cobrir as perdas inesperadas com um elevado nível de confiança. Os bancos muitas vezes ligam o nível de confiança escolhido a um padrão de solvência implícito num rating A ou AA para sua dívida prioritária. As taxas de inadimplência históricas de um ano das empresas A e AA são, aproximadamente, de 10 e 3 pontos-base, respectivamente. Essas metas de rating exigem que a instituição disponha de patrimônio líquido suficiente para fazer frente a perdas durante um ano com níveis de confiança de 99,90% e 99,97% (ver Figura 2). Figura 2 Os pontos de referência para alocação de capital econômico no Bank of America são uma meta de rating AA e o correspondente nível de confiança de 99,97% para a solvência. Esse nível de confiança exige que o capital econômico seja suficiente para cobrir todos menos os três piores dentre 10.000 cenários de risco possíveis num horizonte de tempo de um ano. Para assegurar que o tratamento seja coerente e que cada negócio seja avaliado de maneira imparcial, o banco aplica esse padrão a todos os negócios e a todas as categorias de risco. Contribuição para o risco. A teoria que dá sustentação à estrutura de capital econômico exige que a alocação de capital de cada carteira reflita sua “contribuição” à volatilidade do valor de mercado do banco, não à sua própria volatilidade individual. O cálculo inclui, portanto, tanto a volatilidade individual de uma exposição quanto sua correlação com mudanças de valor do restante da carteira. Se a correlação não for perfeita, a alocação de capital será inferior à que seria necessária se a atividade fosse um negócio por si só. Essa abordagem não só captura o benefício da diversificação que uma carteira de riscos traz para a empresa como um todo, como também irá alocar esse benefício às atividades individuais que contribuem para a diversificação. Calcular a contribuição para o risco em vez do risco individual também é necessário para fins de agregação de capital entre negócios. Uma abordagem de baixo para cima que inclua efeito diversificação permite agregar o capital em diferentes níveis e várias dimensões sem, com isso, distorcer os resultados. Por exemplo, um gerente de relacionamento pode avaliar o capital necessário para todos os negócios e tipos de transação com um cliente específico. Risco de crédito. Todos os negócios que tenham exposição ao devedor ou à contraparte recebem capital para risco de crédito ou para o risco de perda devido à inadimplência ou deterioração da qualidade de crédito do devedor. Nas carteiras comerciais, o capital para risco de crédito é calculado para cada empréstimo individualmente. Nas carteiras de consumidores, o grande número de empréstimos faz com que seja eficaz, em termos de custo, calcular o risco de crédito somente até o nível do “segmento de risco”. Segmentos de risco são grupos de empréstimos homogêneos em termos de produto, score de crédito, situação de inadimplência e outros atributos. O requisito de risco de crédito é determinado por diversos fatores. Os mais importantes são o montante da exposição, a probabilidade de inadimplência do devedor, a perda estimada em caso de inadimplência, o prazo restante e a correlação com outras exposições da carteira. O modelo de capital para risco de crédito do Bank of America mede o risco de inadimplência por meio de uma fórmula de análise de eventos binomiais correlacionados. O modelo calcula a volatilidade da perda de uma exposição com base em estimativas de valor esperado e volatilidade de três fatores: exposição em caso de inadimplência, perda em caso de inadimplência e o indicador binomial de inadimplência (sim ou não). O sistema, assim como os de muitas outras instituições, gira em torno de um modelo de risco de carteira. Os efeitos de carteira, como a correlação e os multiplicadores de capital, são determinados por meio da aplicação do software KMV Portfolio ManagerTM da Moody’s a toda a carteira de crédito, incluídos aí os ativos tanto de consumidores quanto os comerciais. Essa abordagem leva em consideração a composição da carteira, sua diversificação e as concentrações encontradas na instituição. A implementação do modelo numa ampla gama de aplicações exige estimativa, com os resultados do Portfolio Manager, de fatos marginais de correlação, baseados no produto, na localização, no segmento de mercado, no setor e na qualidade de crédito. Os multiplicadores de capital, que ajustam a contribuição da volatilidade ao requisito de capital, são determinados de forma semelhante. O modelo do Bank of America usa multiplicadores de capital baseados na qualidade de crédito para capturar o perfil da distribuição de perdas de diferentes segmentos e fazer adaptações a mudanças da composição da carteira entre atualizações do modelo. O modelo de risco de carteira também é usado para estabelecer o requisito de capital para o risco de migração Ele é estimado por meio de uma comparação do requisito de capital baseado em alterações do valor de mercado com aquele que se baseia apenas no risco de inadimplência. Esse risco de migração é função do prazo remanescente e da qualidade de crédito. Risco país. Risco país é o risco de perda — independentemente da situação financeira do devedor — em exposições internacionais por motivos resultantes de atos do governo. Entre as causas de perdas em potencial estão: controle sobre o câmbio, grandes desvalorizações da moeda e nacionalização de investimentos de capital. O risco país é atribuído a todos os negócios que têm exposições internacionais. O capital para o risco país é determinado pela probabilidade de inadimplência soberana e pela probabilidade condicional de inadimplência do devedor dado um evento nacional. São usados os ratings internos de risco país para determinar a probabilidade de inadimplência soberana. A probabilidade condicional de inadimplência varia ao longo de três categorias principais: exposições a transferências, exposições em moeda local e exposições ao comércio internacional. Risco país e risco de crédito são conceitos semelhantes, de modo que a abordagem ao risco país se aproxima muito do método adotado para o risco de crédito. O tratamento dado à concentração de devedores, contudo, difere. O efeito concentração se baseia no montante total da perda esperada do país, não de cada devedor. Risco de mercado. Risco de mercado é o risco de perda devida a variações do valor de mercado dos ativos e passivos do banco por causa de mudanças das taxas de juros, taxas de câmbio e preços dos títulos e decorre das posições em transações com títulos ou derivativos, risco estrutural de taxa de juros e investimentos em private equity. O Bank of America estima o valor em risco (“value at risk” — VAR) do mercado no nível global e para cada uma de suas mesas de negócio, por meio de uma abordagem por simulação histórica. A atribuição de capital econômico se baseia na contribuição de cada mesa ao VAR global no trimestre. Antes da alocação de capital, a contribuição diária ao VAR é ajustada a um horizonte de tempo de um ano e um nível de confiança de 99,97% para garantir coerência com a alocação de outros tipos de capital. Para determinar o requisito de capital da carteira patrimonial do banco é usado um modelo de VAR tradicional por variância/covariância que emprega as volatilidades e correlações históricas de capital de risco e índices de ações. No que tange ao risco de taxa de juros, um modelo Monte Carlo simula cenários de taxa de juros e seus efeitos sobre os fluxos de caixa e, em última instância, o valor de mercado do capital social. Risco de negócio. Risco de negócio é o risco de perdas devidas a atividades não ligadas à carteira. Entre elas estão a originação, serviços, distribuição, fidúcia, asset management e quaisquer atividades de outros negócios baseados em tarifas. Essa categoria é uma das poucas em que a mensuração de risco ainda não se baseia em marcação ao mercado. O risco de negócio compreende duas categorias: risco operacional e risco estratégico. O Bank of America mede o risco operacional por meio de uma abordagem por distribuição de perdas (“loss distribution approach” – LDA) segundo a qual o risco operacional é o risco de perdas devidas a processos internos inadequados ou falhos, erro humano, sistemas ou eventos externos. O Banco usa a classificação da Basiléia, que divide o risco operacional em sete categorias. O modelo se sustenta numa base de dados que contém o histórico interno de eventos de perda operacional e suas conseqüências financeiras. Dados setoriais públicos, ajustados para diferenças de porte e qualidade de controles, complementam os dados internos quando eles se revelam insuficientes para os modelos estatísticos. O modelo LDA usa estimativas de distribuição de freqüência e gravidade para cada categoria de risco, mais um engenho Monte Carlo que os combina em distribuições agregadas de perda, incorporando deduções de seguros e restrições dos programas. Os riscos estratégicos e os riscos econômicos gerais, como os ligados à concorrência, à alavancagem operacional, à obsolescência de produtos e tecnologias e à estratégia e execução de negócios, também precisam ser cobertos numa estrutura abrangente de alocação de capital. O banco usa uma abordagem de cima para baixo para medir o risco estratégico baseada na volatilidade dos lucros não devidos à carteira em cada negócio. Os lucros não devidos à carteira são o resultado líquido de cada negócio ajustado de maneira a eliminar os efeitos de risco de crédito, risco país, risco de mercado e risco operacional. Reconhecendo a natureza histórica dos dois métodos discutidos acima, o modelo de risco de negócio do Bank of America também faz um ajuste qualitativo para refletir mudanças do ambiente de controle e do risco inerente do negócio ao longo do tempo. Esse ajuste qualitativo é determinado por um processo de auto-avaliação da exposição aos riscos de reputação, execução, pessoal, processamento, tecnologia, jurídico, regulador e externo. Ativos intangíveis. Além da atribuição de capital aos riscos operacional e estratégico, o Bank of America também faz uma atribuição ao fundo de comércio e outros ativos intangíveis. O capital atribuído aos ativos intangíveis reflete a considerável penalidade de capital regulador a eles imposta. Ao contrário dos demais componentes do capital, a atribuição aos ativos intangíveis é motivada pelo encargo regulador que representam. Diversificação inter-riscos. Os requisitos de capital são determinados separadamente para cada uma das categorias de risco discutidas acima. Mas as piores perdas possíveis devidas a risco de crédito, risco de mercado, risco país e risco de negócio provavelmente não aconteceriam ao mesmo tempo. Simplesmente somar os requisitos de capital implica uma correlação perfeita entre as categorias de risco, uma premissa incorreta e por demais conservadora. Em vez de reduzir os requisitos de capital em cada modelo individual ou por meio de níveis de confiança mais baixos e outros ajustes aos parâmetros, o Bank of America mede explicitamente o efeito da diversificação inter-riscos. O fundamento dessa abordagem é uma matriz de correlação das perdas em cada categoria de risco. O modelo trata de maneira conservadora as estimativas de correlação baseadas em dados históricos. A aplicação da matriz de correlação contrabalança os requisitos de capital de cada categoria individual e reduz o requisito de capital total do banco. Sumário No decorrer de mais de uma década os métodos que as instituições financeiras usam para calcular o capital econômico progrediram até que abrangessem quase todas as áreas do risco, inclusive os riscos operacional e estratégico. Esses métodos foram além dos princípios contábeis, chegando a considerar a volatilidade do valor de mercado. No futuro, o avanço da tecnologia, o volume crescente de dados cada vez mais bem examinados e as pesquisas realizadas por profissionais do setor e por acadêmicos continuarão a trazer progressos para esse campo. O Novo Acordo de Capital da Basiléia aumentou a consciência sobre o capital econômico e confirmou sua importância ao adotar e codificar algumas das práticas do setor. Essa convergência do capital regulador e do capital econômico não deverá sufocar mais inovações e melhorias. O capital econômico continuará a evoluir para atender às necessidades do setor, agindo como uma poderosa ferramenta de avaliação de desempenho e adequação de capital. Notas 1. Instituições menos diversificadas (nem sempre menores) precisariam avaliar detidamente o uso de um só custo do capital em seus cálculos de VAA. Se utilizarem uma abordagem de mensuração do risco individual, um só custo do capital seria incorreto do ponto de vista financeiro. Se usarem a contribuição ao risco, ela pode ou não funcionar, dependendo das características de sua carteira.
© 2004 RMA. John S. Walter é executivo de Análise de Capital de Risco e Carteiras do Bank of America. O autor agradece a Neil Caverley por sua inestimável ajuda e seus comentários. Walter pode ser contatado por email no endereço john.s.walter@bankofamerica.com.
A RMA - Risk Management Association é uma associação internacional de profissionais de serviços financeiros. Para informações, escreva para acauley@rmahq.org ; Para assinar The RMA Journal visite o site www.rmahq.org/Ed_Opps/pubs/journalad.htm

