Revista Tecnologia de Crédito

Revista Tecnologia de Crédito

Equivaléncia do Empréstimo nos Casos de Linhas Rotativas e Linhas Condicionais
Edição 39

Este artigo está baseado em dados de um período de aproximadamente seis anos que começa em 1994 e termina em dezembro de 2000, envolvendo 1.021 observações sobre 408 linhas e 399 devedores inadimplentes do JPMorganChase & Co. O estudo e o artigo resultante avaliam a exposição do banco por ocasião da inadimplência, independentemente da motivação do devedor. Os bancos podem beneficiar-se dessa análise do risco associado a compromissos não utilizados por meio da incorporação dos resultados do estudo às suas decisões de precificação e alocações de capital.

Quando um banco assume um compromisso, põe à disposição do devedor fluxo de caixa imediato e disponibilidade futura de caixa. Há muitas formas de compromisso, mas variam as restrições à sua disponibilidade continuada. As medidas de risco de crédito, como perda esperada e volatilidade da perda, são expressas como porcentagens da quantia retirada no momento da inadimplência. A qualquer momento, é provável que a quantia retirada continue em aberto no futuro.

A exposição ou o montante adicional sacado que resulta do compromisso não utilizado, constituem motivo de preocupação. Neste artigo, define-se exposição equivalente ao empréstimo (LEQ - Loan Equivalent Exposure) como a parcela do compromisso não sacado da linha de crédito que será provavelmente retirada pelo devedor em caso de inadimplência. Embora seja importante reconhecer que é concedida ao devedor a opção de fazer saques das linhas bancárias que ao que parece são mais convenientes do que sua fonte atual de funding, mesmo se o devedor não tenha se tornado inadimplente, o objetivo deste artigo não é precificar essa opção. Pelo contrário, ele pretende analisar a exposição do banco quando da inadimplência, independentemente do motivo que levou o devedor a fazer a retirada.

Estimativas confiáveis das LEQs são importantes para agregar e analisar a exposição real do banco ao crédito em diversos tipos de linha e para avaliar os requisitos de capital de risco. Embora os dados históricos internos do banco devam ser utilizados para estimar as LEQs, é preciso superar obstáculos metodológicos para obter estimativas desses fatores. Entre os obstáculos destacam-se a ausência de inadimplências entre devedores de elevada qualidade de crédito, questões ligadas à integridade dos dados e a ausência de variáveis demográficas que possam ajudar a interpretar os dados.

Uma superestimativa considerável do risco e dos requisitos de capital pode ser resultado do uso da premissa conservadora de que a LEQ é da ordem de 75% (BIS II) ou mais. Embora não haja consenso no setor sobre quais fatores devem contribuir para uma LEQ mais elevada, há diversas premissas recomendadas pelo bom senso. Admite-se, normalmente, que se a qualidade do crédito de um devedor deteriora, ele pode ficar impedido de ter acesso às fontes de funding existentes e de procurar caixa substituto ou adicional para financiar suas operações. Ao mesmo tempo, se as condições contratadas permitirem, o banco se protegerá procurando cancelar os compromissos não utilizados. Com efeito, a LEQ mede o resultado da corrida entre o banco e o devedor no que tange à retirada de compromissos não utilizados sob circunstâncias adversas.

Segundo determinado ponto de vista, como devedores investment-grade beneficiam-se de condições mínimas menos restritivas, devem apresentar LEQs mais altas. Também se sustenta que fatores elevados de LEQ devem ser usados em relação a devedores abaixo do investment-grade; como há maior probabilidade de inadimplência ou dificuldades financeiras, é mais provável que o devedor retire uma parcela maior do crédito não utilizado durante um determinado período de tempo. Como atenuante nessa perspectiva, as condições contratadas costumam ser mais restritivas no que se refere a devedores abaixo do investment-grade.

Em troca do sucesso na renegociação após a violação das condições contratadas, os devedores precisariam vender ativos. O fato pode resultar numa redução seja da utilização como dos compromissos. Em outros casos, o credor pode considerar prudente aumentar — e, ao mesmo tempo reestruturar — seu compromisso para ampliar a viabilidade do devedor. Nesse caso, o crédito não utilizado aumentaria, mas com fortes restrições que impedem o devedor de sacar esses recursos sem a permissão do banco. Assim, a medida da LEQ poderia ser baixa no caso de inadimplência, mesmo que não houvesse aumento do compromisso.

O prazo do compromisso é uma dimensão importante da avaliação das LEQs. Quanto maior o prazo até o vencimento, mais tempo haverá para uma migração de crédito adversa — e maior a oportunidade e a necessidade do devedor em sacar contra as linhas não utilizadas. Outros fatores que podem afetar diferentes estimativas das LEQs são a natureza da atividade do devedor, seu acesso aos mercados de commercial paper, a existência ou não de limites que restrinjam o compromisso pleno, o porte do compromisso e a atual porcentagem de utilização.

Um estudo do Citibank1 abrangendo o período entre 1987 e 1991 examinou 50 linhas com ratings BB/B ou menos e extrapolou os resultados para linhas com melhores ratings. As LEQs estimadas, embora expressas como porcentagens dos compromissos normalmente não utilizados, diminuíram com a qualidade de crédito.

O estudo em que se baseia este artigo determina, diretamente, as LEQs das linhas inadimplentes. O estudo inclui 1.021 observações de 408 linhas de 399 devedores inadimplentes do Chase num período de cinco anos e três trimestres encerrado em dezembro de 2000. Os principais resultados, baseados nos saques históricos em relação às quantias não utilizadas após a devida filtragem do universo de inadimplências e da seleção de um procedimento apropriado de mensuração, são os seguintes:

> As LEQs de linhas de crédito rotativas (LRs) foram de 43% para todos os ratings e todas as medidas de tempo até a inadimplência.

> As LEQs aumentam significativamente segundo o tempo até a inadimplência em todas as categorias de rating. As LEQs de LRs de um ano foram, em média, de 32%, ao passo que as das de cinco anos chegaram a 72%. Isso pode ser devido a um efeito de migração de rating e da maior oportunidade de saque, implicando em que as LEQs devem ser ajustadas pelo prazo nos modelos de crédito.

> As LEQs geralmente diminuem à medida em que piora a qualidade de crédito, embora, ao contrário da relação que há com o tempo até a inadimplência, esta não é tão robusta. Uma possível explicação está nas condições mais restritivas e no corte de compromissos aplicados aos ratings inferiores. De maneira geral, as LEQs para ratings BBB ou melhor são, em média, de 62%, as para os ratings entre BBB- e B+ são de 48% e as dos ratings B ou menos, de 27%.

> A alta volatilidade das LEQs estimadas pode ser percebida tanto na sua distribuição, com as observações agrupadas em 0% e 100%, quanto no desvio padrão relativamente elevado de 41,4%, com pequena variação entre a maioria das categorias de rating e de tempo até a inadimplência. Portanto, a volatilidade da LEQ deve ser incorporada nos modelos de capital para risco de crédito.

> As LEQs estimadas não parecem se diferenciar por organização credora (middle-market ou corporate), tipo de compromisso de LR, volume do compromisso, devedores nacionais ou internacionais (embora a robustez dos dados seja menor para os devedores estrangeiros), ou setor.

> Algumas diferenças de LEQ baseiam-se na utilização percentual. Como as taxas de utilização estão relacionadas com as classificações de risco (classificações inferiores tendem a ser mais utilizadas), isso não serve como explicação.

> Como era esperado, as LEQs das linhas condicionais de períodos de até um ano são inferiores às das de LRs, numa média de 17%.

Análise do Crédito Rotativo

Examinemos, agora, a relação entre as LEQs estimadas e diversas características das linhas e dos devedores. As características que nos interessam são os ratings de risco, o prazo até a inadimplência, os níveis de utilização, os níveis de compromisso, os tipos de linha, o setor do devedor, o domicílio do devedor e a organização credora (veja Dados e Métodos).

O conjunto de dados de 834 linhas-ano e 309 linhas implica na existência de, em média, dois a três anos de mensurações de LEQ antes da inadimplência por linha. Com 321 devedores, registraram-se poucos casos em que mais de uma linha estava disponível para um só devedor. A LEQ média da amostra é de 43,4%, com um desvio padrão relativamente elevado de 41,4%. A distribuição é bimodal, com 39% da amostra na faixa de 0-10% e 26% na de 90-100%. Isso se deve, em parte, ao procedimento de truncamento. Como mais observações (28%) foram truncadas em 0% do que em 100% (14%), a exclusão de todas as observações truncadas teria como efeito elevar a LEQ média para 50,7%. Dada a prática conservadora de truncar LEQs negativas em 0, concluímos que seria melhor empregar todos os dados.

Análise por Categoria de Risco e por Prazo até a Inadimplência

A Tabela 1 mostra a média e a contagem das LEQs estimadas por prazo até a inadimplência (arredondada para cima para o exercício mais próximo) e por categoria de risco (numa escala de 10 pontos).

Tabela 1

Pode-se perceber a presença relativamente baixa de dados para as melhores categorias de risco (BBB ou mais) e maiores prazos até a inadimplência (de quatro a seis anos). O padrão mais estranho que surge é o aumento da LEQ média com o crescimento do prazo até a inadimplência, monotonamente de 32,9% para 71,8% de um ano até a inadimplência para cinco anos ou mais até a inadimplência, respectivamente. Esse padrão também se mantém nas categorias de risco para as quais dispomos de volume razoável de dados, as de BBB+ a B-, embora o padrão de elevação não seja estritamente monótono.

Percebe-se que a relação entre a LEQ e a qualidade de crédito é inversamente proporcional: a coluna da direita da Tabela 1 mostra uma queda da LEQ média à medida que passa do investment grade para níveis especu-lativos. Mas o padrão não é monótono e é menos pronunciado entre as categorias de prazo até a inadimplência. O declínio da LEQ com o aumento do risco é mais evidente nas categorias de menor prazo até a inadimplência, nos anos um e dois.

Foram exploradas diversas formas de regressão e diferentes variáveis possíveis. Concluiu-se que uma forma relativamente simples oferecia bom poder explicativo com significância elevada para todos os coeficientes 2. Derivou-se uma equação de regressão para a LEQ (como porcentagem) baseada no prazo em anos até a inadimplência (TTD) e no rating da categoria (FG) numa escala de um a oito:

LEQ = 48,36 – 3,49(FG) + 10,87(TTD)

A aplicação da equação às diversas categorias de rating e prazo até a inadimplência resulta numa tabela como a que se vê na Tabela 2.

Tabela 2

Outras Variáveis Consideradas

Embora tenham sido consideradas outras variáveis tanto em diversos tipos de regressão quanto em tabulações simples, concluímos que elas não são significativas:

> Organização credora. Embora pareça haver algumas diferenças entre as LEQs das organizações corporate e as das middle market, elas puderam ser melhor explicadas pelas categorias de risco.

> Domicílio do devedor. Apenas 53 das 834 observações referem-se a devedores não domiciliados nos Estados Unidos e sua LEQ foi de 39%, contra 44% dos credores americanos.

> Setor. Houve variação considerável das LEQs por setor, com as mais elevadas (de 77% a 50%) aplicando-se a governos, seguradoras, prestadoras de serviços e fornecedoras de energia elétrica.

> Tipo de linha rotativa. As LEQs de linhas rotativas de longo prazo, curto prazo e conversíveis foram, respectivamente, de 43%, 49% e 31%.

> Porte do compromisso. No todo, as LEQs não apresentaram qualquer padrão forte no que tange ao porte do compromisso. Os compromissos de mais de US$25 milhões apresentaram LEQs de 50%, mas o mesmo se deu com os de menos de U$1 milhão. Os compromissos entre U$10 e U$25 milhões apresentaram LEQs de 34% e os de entre U$1 milhão e U$10 milhões, 44%.

> Utilização percentual. A utilização per-centual demonstrou grande distinção segundo as LEQs. Mas a utilização está fortemente relacionada com a categoria de risco da linha, na medida em que as categorias de maior risco tinham maior utilização média.

Análise das Linhas Condicionadas

Esta seção trata da relação entre as LEQs estimadas e diversas características do devedor e da linha no que se refere às linhas condicionadas. Por definição, elas podem ser canceladas pelo banco a qualquer tempo, exigem autorização para saque e, de maneira geral, são objeto de revisões anuais. Se não forem canceladas, o devedor pode fazer saques e se as condições de crédito forem consideradas estáveis, o banco pode renovar a linha.

As características relevantes são os ratings de risco, o prazo até a inadimplência, os níveis de utilização, os níveis dos compromissos, o tipo da linha, o domicílio do devedor e a organização credora.

Todas as observações foram incluídas na análise, inclusive aquelas com prazo até a inadimplência superior a um ano. As LEQs dessas observações implicam a renovação automática da linha condicionada pelo banco.

Fizeram-se 187 observações, com 87 devedores e 87 linhas. A LEQ média da amostra foi de 38%, com desvio padrão relativamente elevado de 42,6%. A distribuição foi bimodal, com 47% da amostra na faixa entre 0% e 10% e 22% na faixa entre 90% e 100%. A exclusão das observações truncadas resultaria numa elevação da LEQ média para 47%. Mais uma vez, dada a prática conservadora de truncar as LEQs negativas em 0, achamos melhor usar todos os dados.

A Tabela 3 apresenta a média e a contagem das LEQs por prazo até a inadimplência (arredondada para menos para o ano mais próximo) e a categoria de risco.

Tabela 3

Pode-se perceber a carência de dados nas melhores categorias de risco (BBB ou mais). O padrão mais marcante é o aumento da LEQ média com maiores prazos até a inadimplência. A relação entre LEQ e qualidade de crédito parece ser inversa (embora não uniforme), na medida em que a margem à direita representa um decréscimo da LEQ média de 52% para 18%, indo, respectivamente, de BBB+ a CCC.

Dado que as linhas condi-cionadas podem ser canceladas pelo banco e que são feitas revisões periódicas detalhadas, as LEQs devem ba-sear-se principalmente nos resultados dos prazos até a inadimplência de um ano. Com apenas 67 observações, é melhor considerar uma LEQ constante e independente da categoria. Alternativamente, para refletir o padrão de LEQs decrescentes com a deterioração das categorias, podemos estabelecer uma LEQ um pouco mais elevada para as categorias de risco BB ou mais.

Dados e Métodos

O estudo estimou as LEQs de um conjunto de linhas não utilizadas, partindo da perspectiva histórica do banco. Os resultados foram apresentados em separado para linhas de crédito rotativas e linhas condicionadas. As linhas tidas como inadimplentes foram identificadas juntamente com os saldos existentes no momento da inadimplência. Os ratings de risco e os valores utilizados e não utilizados foram determinados para todos os exercícios disponíveis anteriores à data de inadimplência. As diferenças entre os saldos atuais e aqueles do exercício anterior à inadimplência foram calculados dividindo-se as diferenças pelos valores não utilizados nos exercícios anteriores à inadimplência. As médias dessas quantidades para cada conjunto de linhas com as mesmas características são as estimativas de LEQ.

Embora o conjunto de dados inclua o histórico de exposição de todas as linhas inadimplentes, esse histórico foi reduzido de maneira a abranger apenas as linhas identificadas como rotativas ou condicionadas. Os dados incluem nome do devedor, identificação da linha, data de observação, data de inadimplência, compromisso total, valores sacados e não sacados3, risco da linha numa escala de 1 a 10, descrição da linha, código e descrição SIC e organização credora.

A seguir, oferecemos uma descrição dos diversos procedimentos utilizados para selecionar a população da amostra, identificar observações e limpar os dados. Os procedimentos foram seguidos em relação a cada um dos empréstimos e foram bastante críticos para garantir uma excelente qualidade dos dados. Os resultados e a discussão acima dividem-se em seções separadas para linhas rotativas e linhas condicionadas.

Determinação da População de Amostragem

Somente foram consideradas linhas que pudessem ser classificadas como rotativas (de longo prazo, de curto prazo e conversíveis) ou condicionadas. Para ser incluída na amostra de dados, cada linha precisava constar de pelo menos um dado relativo a compromisso não utilizado antes da inadimplência. Linhas concedidas a um só devedor foram combinadas, em alguns casos, de maneira a garantir que os resultados não fossem distorcidos por cálculos em separado baseados em diferentes padrões de saque. De maneira geral, se as linhas fossem do mesmo tipo e suas categorias coincidissem nas datas de observação, elas eram combinadas para eliminar redundância de dados. Para tanto, mudavam-se os valores das linhas e eram anotadas novas identificações. Adotando uma atitude conservadora no que se refere à determinação do prazo até a inadimplência, as linhas nestas condições foram tratadas como únicas.

Procedimento para Identificação das Observações

Uma mensuração de LEQ consiste numa observação da diferença em utilização entre uma data trimestral específica e a data de inadimplência no que se refere à parcela não utilizada do compromisso. Isto exigia saldo não utilizado positivo na data constante do arquivo. Foram feitas observações em intervalos trimestrais anteriores à inadimplência nas datas em que tivesse havido mudança de categoria ou, nos casos em que a categoria se mantivesse estável por diversos trimestres, em cada aniversário anterior à inadimplência. Consideramos isso a melhor maneira de atribuir peso excessivo a diversas observações que estivessem na mesma categoria. Mas se a categoria de uma linha migrasse ao longo do tempo, calculava-se uma LEQ para cada nova categoria.

Uma questão importante envolve a definição de inadimplência. Consideramos que o evento de inadimplência se dava na primeira vez em que uma linha atingisse a categoria 9 (abaixo do padrão). Embora, em alguns casos, não tivesse havido inadimplência efetiva na linha, a designação como abaixo do padrão indicaria algum tipo de reestruturação, ainda que não se chegasse à inadimplência propriamente dita. Consideramos, assim o ponto em que os devedores não mais pudessem fazer quaisquer saques. O número de linhas que nunca se tornou inadimplente foi inferior a 10% do total e sua exclusão teria efeitos mínimos. Em diversos casos, houve necessidade de usar medidas truncadas.

> Em diversas das linhas rotativas (28%) houve pagamento do saldo devedor antes da inadimplência, o que indica que, apesar da deterioração dos créditos, o banco foi capaz de obter pagamento. Ao invés de calcular uma LEQ negativa, nesses casos, o valor foi truncado em 0.

> Diversas linhas rotativas (14%) apresentaram aumento do saldo devedor no momento da inadimplência, superando o compromisso não utilizado em algum período anterior. Por definição, o banco tomou uma nova decisão de aumentar seu compromisso num período posterior, mas não no corrente. As LEQs calculadas para esses exercícios tiveram teto fixado em 100%.

Limpeza dos Dados

Foram feitos diversos ajustes à população amostrada. Os ajustes referem-se a erros de dados ou informações errôneas. Em diversos casos, especialmente no que tange às categorias muito inferiores, observou-se haver uma pequena quantia relativa ao compromisso total que não foi sacada. Evidentemente, os valores não utilizados foram mantidos nos livros dos bancos e não havia maneira pela qual o devedor os pudesse sacar. A inclusão das LEQs de 0% teria distorcido os resultados e, portanto, elas foram eliminadas do grupo de observações legítimas. A amostra final consta de 1.021 observações, 399 devedores e 408 linhas.

Em alguns casos, consideramos que os valores finais apresentados no momento da inadimplência não representavam a verdadeira exposição do banco. Isso se deu nos casos em que houve baixa da dívida ou execução da garantia real na data de inadimplência ou logo antes. Isso poderia ser apresentado como redução tanto do compromisso quanto da utilização, mas não representa pagamento efetivo. Tanto o compromisso quanto os valores utilizados foram reinflados para refletir com maior precisão a efetiva exposição do banco à inadimplência. No que se refere às baixas, a redução escritural da exposição não equivale a uma redução efetiva. Quanto à execução das garantias reais pelo banco, ela seria melhor considerada como parte da recuperação. Determinar o valor do ajuste exigiu o uso de fontes independentes de dados, como gerentes de relacionamento ou relatórios especiais de liquidação.

Conclusões

As conclusões são as seguintes:

1. A análise oferece uma base para uma melhor diferenciação pelo risco entre linhas de crédito, com base em seus atributos específicos. É muito importante que os dados sejam cuidadosamente filtrados.

2. Apesar da elevada volatilidade das LEQs de créditos rotativos, elas são influenciadas tanto pela categoria de rating quanto pelo prazo até a inadimplência. O vencimento pode ser um substituto eficaz para o prazo até a inadimplência, já que quanto maior o vencimento, maior a oportunidade para que os ratings piorem e os devedores saquem contra as linhas não utilizadas. A Tabela 2, derivada por regressão, pode servir como tabela para consultas baseada na classificação e no vencimento da linha.

3. Embora outros fatores também possam ser importantes para diferenciar as LEQs, a falta de dados significativos restringiu sua exploração. Por exemplo, algumas linhas podem estabelecer um limite de saques inferior ao decorrente do compromisso jurídico.

4. Embora menos robustos, os resultados obtidos em relação às linhas condicionadas confirmam a necessidade de avaliação das LEQs dessas linhas, apesar de o risco de saque ser menor e a avaliação seja baseada em resultados para períodos de um ano.

5. Os modelos atuais de capital de crédito fundamentam-se na incerteza da inadimplência e na volatilidade dos prejuízos. Com essas estimativas, eles poderiam ser ampliados para que incorporassem a volatilidade da LEQ.

Notas

1 Asarnow, Elliot e James Marker. “Historical Performance of the U.S. Corporate Loan Market: 1988-1993,” The Journal of Commercial Lending, Vol. 10 Nº. 2 (primavera de 1995), pp. 13-32 e correspondência privada.

2 R2 geral = 0,11 com erro padrão de 39,1%

3 Algumas linhas de crédito rotativas poderiam ser usadas para exposições fora do balanço (como cartas de crédito, por exemplo). Esses instrumentos, quando emitidos, foram considerados como saque efetuado, reduzindo o valor não utilizado.


© 2001 RMA. Michel Araten é vice presidente Sênior para Análise de Capital de Crédito e Carteira do JPMorganChase & Co.; Michael Jacobs é Vice presidente da mesma organização. 
A RMA - Risk Management Association é uma associação internacional de serviços financeiros profissionais. Para informações, e-mail acauley@rmahq.org ; Para assinar The RMA Journal visite o site www.rmahq.org/Ed_Opps/pubs/journalad.htm


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