Na análise da economia internacional é importante que sejam ressaltadas algumas características de dois importantes atores: as economias industrialmente desenvolvidas, produtoras de bens de elevado valor agregado, e aquelas produtoras de matérias-primas e manufaturas de menor valor agregado. As primeiras têm significativa presença na corrente internacional de comércio, pois são detentoras de capital e tecnologia, e participam em organismos multilaterais de comércio e financeiros. No segundo grupo, colocam-se as chamadas economias emergentes, em busca de inserção na economia global. Além de sujeitas a variados graus de problemas estruturais internos, em geral relacionados às dificuldades de articulação de políticas que lhes permitam desencadear e consolidar processos de desenvolvimento, elas são também carentes de capital e mais vulneráveis a choques externos adversos. Ressalvadas as características inerentes a cada país emergente, os esforços por eles realizados para reduzir as vulnerabilidades e aumentar sua atratividade ao capital externo refletem-se em fortes ajustamentos de suas economias, com o objetivo de eliminar os gargalos estruturais, propiciando a abertura da economia e favorecendo a introdução de inovações tecnológicas. Cumpre destacar, contudo, que ao longo do tempo, dos anos 60 até hoje, ocorreram processos de abertura econômica, aos quais pode-se atribuir sucesso, e outros que ainda se debatem com sérios problemas. No caso brasileiro, após várias tentativas na década de 80 e no início dos anos 90, os ajustes estruturais ganharam maior ímpeto, a partir de 1994, e permitiram: maior utilização de tecnologia de informação nos negócios e progressivo abandono de estruturas produtivas verticalmente integradas; universalização de serviços, como telefonia fixa e longa distância, e telefonia móvel celular; aumento do grau de penetração de bens duráveis e eletroeletrônicos, tais como, automóveis, celulares, microcomputadores, aparelhos de audio e vídeo, etc. Devido à melhoria do desempenho recente de variáveis macroeconômicas e de alguns dos fundamentos da economia, pode-se afirmar que houve um salto qualitativo nos citados segmentos. Porém, esse ainda não está a ponto de ser considerado definitivo para a consolidação do desenvolvimento e inserção internacional. Os resultados positivos, nem sempre irradiam-se com a velocidade e a intensidade desejáveis a todos os principais segmentos de atividade, aspecto que pode inibir a formação de expectativas favoráveis e ampliar de forma desproporcional os efeitos de choques externos adversos. O mais recente choque adverso – as pressões nos preços do petróleo no mercado internacional – gerou receios de que a internalização dos aumentos poderia causar instabilidades pela retomada da inflação e pelo maior dispêndio com importações. Apesar dos contratempos, o ímpeto inicial dos preços arrefeceu, denotando que não foram totalmente sancionados, apesar de repiques detectados por indicadores, e as políticas fiscal, monetária e cambial mostraram comportamento mais articulado na manutenção da estabilidade. Embora seja cedo, pode-se deduzir que as políticas econômicas parecem direcionar-se para uma efetiva consolidação de mecanismos preventivos e atuação num ambiente globalizado. Contudo, na economia global, a despeito dos esforços, os países emergentes ainda encontram barreiras significativas à sua inserção. As exportações de manufaturas industriais para a Europa e EUA encontram obstáculos, como tarifas e quotas, e os produtos agrícolas, barreiras fitossanitárias. Ficam cada vez mais evidentes os indícios de que as economias industrialmente desenvolvidas – embora pressionem por maior abertura dos mercados emergentes – prescrevam, no âmbito dos organismos multilaterais (OMC, FMI, Banco Mundial), onde têm forte presença, duras políticas de saneamento, procurando preservar seu próprio mercado e setores agrícolas, e de alta tecnologia por meio de verdadeiras reservas de mercado. Ronaldo Lima é economista, graduado em Economia pela FEA-USP, e gerente de produtos da SERASA.