Carlos Henrique de Almeida O negócio virtual em sua forma mais simples pode ser encontrado em todos os setores da economia. Pela própria natureza, algumas empresas poderão ser totalmente virtuais ao passo que outras serão apenas parciais e outras ainda poderão optar estrategicamente por excluir o modelo virtual. As empresas multinacionais, por exemplo, serão agentes determinantes no processo, por conta de sua importância econômica, pela composição de seus produtos, por seu portfólio de clientes e fornecedores e pela escala de produção. Essas opções certamente modificarão todas as teorias sobre a concorrência no mercado. Entretanto, as empresas da velha economia tornam-se reféns dessas oscilações sem compreender efetivamente o que devem fazer daqui para diante com sua produção, previsões de vendas, estrutura de custos, quadro de pessoal, etc. Carlos Henrique de Almeida é economista, com pós-graduação em Administração de Empresas na Fundação Getulio Vargas, e assessor econômico da presidência da Serasa.
Por sua vez, o comércio eletrônico tem introduzido o conceito de competência das empresas mensurado pelas tecnologias utilizadas, pelas conexões eletrônicas e por seus referenciais internacionais — além de revolucionar o design, a comercialização, a logística, o marketing, as vendas e os serviços de pós-venda. Neste contexto, nem mesmo os setores tradicionais, como a agricultura e a saúde, devem escapar dos novos ditames.
Esses eventos e as disparidades surgidas a partir daí deverão postergar, ainda por muito tempo, a definição de modelos específicos para a economia digital.
Em termos de teoria econômica, estamos no meio de um processo de aprendizado que estabelece o desaparecimento, mesmo que parcial, do tangível na economia, como referencial de progresso e riqueza, a exemplo do que a propriedade da terra já foi um dia. Para alguns analistas, as leis econômicas continuam valendo, o que mudou foi a relação custo/benefício para os agentes econômicos. Os princípios da Teoria Econômica continuam valendo nessa fase de transição. Não se pode imaginar que a lei da oferta e da procura trate distintivamente as empresas da economia tradicional das chamadas pontocom (.com).
Talvez o que estejamos assistindo seja um turbilhão de informações, onde os agentes econômicos entram numa corrida frenética, buscando antecipar acontecimentos que, nessa mesma velocidade, acabam ocorrendo de forma minimizada e efêmera.
As Bolsas de Valores norte-americanas estão ditando os ânimos dos investidores internacionais porque atuam nesse sentido e contam com extrema agilidade, ou seja, são o único componente econômico que consegue se aproximar da dinâmica das redes de informações.
Valores são o único componente econômico que consegue se
aproximar da dinâmica das redes de informações.”
Quando o mercado recebe apreensivo os alertas sobre a exuberância irracional da Nova Economia, está na realidade sendo advertido do descolamento entre a interpretação das informações e os fatos exatamente como são.
Da mesma forma que o intangível passa a compor os referenciais de valor econômico, a subjetividade presente na atual configuração dos mercados aprofunda o contra-senso entre a nova e a velha economia. É incrível notar que o mercado financeiro norte-americano reaja positivamente a cada divulgação de aumento do desemprego, de elevação dos juros e da redução no nível da atividade econômica local, como indicadores de que esta economia esteja preparando uma aterrissagem suave na realidade.
Outrora, o mundo estaria muito preocupado com esse desempenho.
Quando foi mencionado o contra-senso atual, isso se estende à adoção dos mecanismos clássicos de ajuste nos rumos comuns da nova e velha economia, conforme o receituário monetarista. São desconhecidas as propostas nesse sentido para as turbulências da economia digital.
Fato singular também é verificar que as expectativas sobre a economia mundial, anteriormente definidas no eixo de vinte mil quilômetros — compreendendo Frankfurt, Nova York e Tókio —, hoje estão restritas aos quarenta quarteirões que separam Wall Street da Times Square (Nasdaq), em Nova York. Realmente, a Internet tornou o mundo bem menor.
Sem dúvida, estamos entrando em um período de adaptações. Os efeitos das mudanças não são claros, tanto sobre as empresas individualmente como sobre o ambiente econômico. O mesmo acontecendo com a força de trabalho.
A única certeza é que a Nova Economia não vive sem a velha, que demanda seus softwares e inovações, sendo a recíproca verdadeira. Ademais, sabemos apenas que as escolhas feitas agora terão significativas implicações para o mundo no futuro.