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Estudos de Inadimplência

Aumento do crédito e valorização do Real contribuíram para a alta na inadimplência das empresas em 2007, revela Serasa

30/05/2007

A inadimplência das empresas aumentou 3,2% nos quatro primeiros meses deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Indicador Serasa de Inadimplência Pessoa Jurídica, índice que contempla os registros de cheques devolvidos, títulos protestados e dívidas vencidas com instituições financeiras. Em abril de 2007, também houve alta na inadimplência das pessoas jurídicas, na comparação com abril do ano passado. O aumento no período foi de 5,4%.

Na relação mensal (abril deste ano com março), entretanto, houve uma queda de 13,4% na inadimplência das empresas, apontou o indicador da Serasa, maior empresa do Brasil em pesquisas, informações e análises econômico-financeiras para apoiar decisões de crédito e negócios.

A primeira posição do ranking de representatividade da inadimplência das pessoas jurídicas ficou novamente com os títulos protestados, que tiveram um peso de 39,7% no indicador, no acumulado dos quatro meses de 2007. A participação, porém, é inferior a registrada no mesmo período de 2006, que foi de 40,5%.

Os cheques sem fundos ficaram com o segundo lugar na representatividade da inadimplência das empresas, no primeiro quadrimestre de 2007, com um peso de 38,7% no indicador. Nos quatro primeiros meses de 2006, o peso dos cheques sem fundos na inadimplência das pessoas jurídicas era maior, de 39,6%.

As dívidas com os bancos representaram a terceira posição no ranking da inadimplência das empresas, com uma participação de 21,6%, de janeiro a abril deste ano. Mas, vale ressaltar que o peso das dívidas com os bancos vem crescendo. No primeiro quadrimestre de 2006, essa modalidade representava 19,8% da inadimplência das empresas.

Valor médio dos registros de cheques sem fundos caiu 10,9%

O valor médio das dívidas com os bancos foi de R$ 4.054,57 nos quatro primeiros meses de 2007. Houve um crescimento de 19,2% no valor médio das dívidas com as instituições financeiras em relação ao mesmo período de 2006. Já o valor médio das anotações de títulos protestados das pessoas jurídicas ficou em R$ 1.427,26, o que representou uma alta de 4,4% em comparação aos quatro primeiros meses do ano passado.

Foi registrado um recuo de 10,9% no valor médio dos registros de cheques sem fundos no primeiro quadrimestre deste ano frente ao mesmo período do ano passado. O valor médio desses registros, de janeiro a abril deste ano, foi de R$ 1.132,39.

Crescimento da inadimplência ocorreu sobre base elevada

A inadimplência das empresas no primeiro quadrimestre de 2007 cresceu 3,2% sobre o mesmo período de 2006, quando se havia registrado um aumento de 13,6% na comparação com o acumulado dos quatro primeiros meses de 2005. Assim, o pequeno crescimento do primeiro quadrimestre de 2007 (+3,2%) ocorre sobre uma base elevada (+13,6%), o que aumenta sua representatividade.

A queda de 13,4% verificada na relação abril sobre março de 2007 decorre do terceiro mês do ano ter sido inflado por registros de inadimplência de fevereiro que, por conta do Carnaval, teve um menor número de dias úteis.

De forma geral, a evolução da inadimplência das empresas é justificada pelo grande crescimento do crédito - na relação março de 2007 (último dado disponível do Banco Central) sobre o mesmo mês de 2006 houve um aumento de 22,7%; pelas taxas de juros do mercado, ainda elevadas; pela valorização do Real, que prejudica a rentabilidade das empresas exportadoras; e pela inadimplência dos consumidores – no caso do crédito concedido sem metodologia adequada. Como fator atenuante da inadimplência das empresas está a recuperação do mercado interno.

Se considerarmos a comparação abril de 2007 com abril de 2006, a inadimplência das empresas sobe 5,4%. O que se nota é que, apesar da alta, na relação de iguais meses dos dois últimos anos (2007 e 2006) há uma relação ainda muito favorável para o crédito. No entanto, é importante destacar que inadimplência em alta não se caracteriza como uma situação confortável e deve ser monitorada.

Metodologia

O Indicador Serasa de Inadimplência Pessoa Jurídica, por analisar eventos ocorridos em todo o Brasil, reflete o comportamento da inadimplência em âmbito nacional. O modelo estatístico de múltiplas variáveis considera as variações registradas no número de cheques sem fundos, títulos protestados e dívidas vencidas com instituições financeiras.

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