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Estudos Econômicos

Empresas registram em 2006 a maior taxa de investimento desde 1999

28/05/2007

Estudo da Serasa mostra que os investimentos das empresas em ativos imobilizados, como máquinas, equipamentos e instalações, alcançaram, em 2006, a média de 8,1% do faturamento, o maior percentual dos últimos 8 anos. O estudo foi realizado com uma amostra de 43.300 balanços, dos quais 10.400 da indústria, 18.800 do comércio e 14.100 do setor de serviços. Os balanços foram fechados pelas empresas em 31 de dezembro de 2006 e divulgados no 1º quadrimestre de 2007.

Após a adoção do câmbio flutuante no início de 1999, que propiciou melhores condições de exportações, com reflexos positivos em inúmeros setores, verificou-se aumento dos recursos destinados ao ativo fixo. Destacam-se, também, os investimentos do setor de telefonia fixa no início da década. Passado esse evento, em 2002, a economia sentiu os reflexos da eleição presidencial e apresentou estagnação dos investimentos nos primeiros anos do governo Lula. O ano de 2004 marca a retomada do crescimento econômico. O maior nível de emprego, melhora da massa salarial e o aumento do volume de crédito impulsionaram o mercado interno. O aquecimento da economia aliado à redução gradual da taxa de juros motivou as empresas a destinar maiores recursos para investimentos, culminando, em 2006, com a maior taxa apresentada durante o período do estudo.

O destaque entre os setores da economia ficou para as prestadoras de serviços que investiram em média 11,3% ante 6,0% das indústrias. Tal fato é explicado principalmente pelos investimentos realizados pelos setores ligados a infra-estrutura e utilidade pública, como a telefonia fixa, que, para atender as metas de universalização, realizaram pesados investimentos após a privatização e, mais recentemente, vêm mantendo investimentos para enfrentar a concorrência acirrada e ainda oferecer serviços de maior valor agregado. No setor de serviços, o nível de 2006 aproximou-se dos percentuais do começo da década.

Em transportes, um dos responsáveis pela competitividade do país, o segmento rodoviário merece destaque, pois quando analisada a pequena parte das concessionárias de rodovias privatizadas, foi constatado que os investimentos são constantes. Entretanto a atividade exportadora ainda é fortemente afetada pela precariedade da maior parte da malha rodoviária e pela insuficiência dos ramais ferroviários, além da saturação dos principais portos do país.

Já no setor de energia elétrica, devido à falta de recursos públicos para realizar os investimentos necessários, ocorreu em 2001 o apagão elétrico que causou um impacto significativo na atividade econômica do país. Cabe observar que nos últimos anos nenhum aporte significativo foi realizado, sobretudo para o incremento de geração, o que pode antecipar o risco de um novo “apagão”.

Na indústria, apesar do percentual médio ser inferior ao de serviços, importantes setores da economia se destacaram. A siderurgia, por estar operando próxima a sua capacidade plena, destinou fortes investimentos para a expansão da produção, em função dos consecutivos aumentos da demanda interna e externa. Outro destaque é o segmento de papel e celulose que, diante da demanda aquecida e da acirrada concorrência interna e externa, destinou grande parte de seus recursos à manutenção e ampliação das plantas industriais, a fim de se consolidar no mercado globalizado. Vale destacar que 2006 foi o ano com maior percentual de investimento da indústria, quando comparado ao faturamento líquido.

O segmento do comércio destina a maior parte de seus recursos para o giro, não necessitando de grandes volumes em ativos fixos. Dessa forma, a média dos investimentos ao longo do período situou-se em torno de 1,6% do faturamento líquido, montante suficiente para manter seus ativos atualizados para suas atividades.

    O projeto de desenvolvimento do país, alavancado pelo comércio exterior, apresentou importantes avanços, porém ainda revela sérios problemas de infra-estrutura. Para dar continuidade às vantagens competitivas, há a necessidade de expressivos investimentos por parte do governo no setor de serviços e que a confiança dos investidores e empresários faça o Brasil caminhar rumo ao crescimento sustentado. Este cenário começará a ser modificado com a efetivação dos investimentos anunciados pelo governo no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), destacando-se o impulso que as Parcerias Público Privadas (PPPs) podem proporcionar.

Obs.: Faturamento líquido refere-se ao faturamento bruto menos os impostos diretos e deduções.

 

 

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