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Estudos Econômicos

Baixo endividamento das micro e pequenas empresas revela o restrito acesso ao crédito

28/06/2006

Estudo da Serasa, com base nos demonstrativos de cerca de 43 mil pequenas empresas com faturamento até R$ 4 milhões do setor da indústria, comércio e serviços, abrangendo o período de 2000 até o primeiro trimestre de 2006, apontou diferença no perfil das dívidas entre as grandes e as pequenas empresas. A pesquisa foi apresentada pela Serasa no lançamento da campanha Micro e pequenas empresas: plataforma para novos negócios, realizada na sede da empresa, com o objetivo de alavancar e expandir os negócios das micro e pequenas empresas, que representam a grande maioria de organizações do país e são as maiores empregadoras.

O estudo revela que o endividamento das pequenas empresas é menor que o apresentado pelas grandes empresas, sendo 91% nas empresas do comércio, 129% nas empresas da indústria e 70% nas empresas de serviço, contra 163%, 142% e 140%, respectivamente, das grandes empresas do comércio, indústria e serviço.

Esses resultados podem ser explicados pelo fato de que as grandes empresas contam com maior oferta de linhas de financiamentos, em razão da maior transparência na divulgação de informações, o que permite melhor avaliação dos riscos e, por conseqüência, taxas diferenciadas. Já as pequenas empresas sofrem com o crédito mais reduzido, em parte, devido às poucas informações fornecidas para o mercado, dificultando uma melhor avaliação. Além disso as taxas de juros afastam as pequenas empresas que evitam uma maior exposição pois dificilmente conseguiriam em suas atividades retornos que permitissem remunerar os encargos financeiros.

A indústria, que representa 19% do total da amostra de micro e pequenas empresas, é a que apresenta o maior nível de endividamento total e bancário dentre os setores. O endividamento bancário médio, de 29% nos últimos 6 anos, é o dobro se comparado aos demais setores, mas representa a metade do endividamento das grandes empresas.

O setor de serviços, que representa 37% do total da amostra de micro e pequenas empresas, é o que revela o menor nível de endividamento médio total, 78%, e representa a metade do endividamento das grandes empresas. Enquanto as grandes têm como diferencial a necessidade de realizar vultosos investimentos em ativos fixos, como acontece nos setores como energia elétrica, saneamento e telecomunicações, as micro e pequenas empresas, por outro lado, concentram seus investimentos na qualificação da mão de obra, como acontece nos serviços médicos e consultorias.

No comércio, as micro e pequenas empresas, que representam 44% da amostra do estudo, devem mais que os outros setores, em função da característica da atividade, sendo seu endividamento quase equivalente ao montante dos recursos próprios, destacando-se que as principais são as dívidas operacionais, principalmente com fornecedores, o chamado crédito mercantil. Por outro lado, os financiamentos bancários são baixos, com média de 15%. Nas grandes empresas o endividamento total se mostrou muito superior, com média de 163%, muito superior ao apresentado nas pequenas empresas, enquanto que o bancário é 3 vezes maior que as pequenas e micro empresas.

Em se tratando de porte, as grandes companhias levam vantagem nos dois tipos de crédito. No caso do crédito mercantil, seu maior poder de barganha junto aos seus fornecedores permite vantagens na hora das negociações, seja através de melhores condições de pagamento ou de prazos mais elásticos. Tal situação não se aplica às pequenas e médias empresas, que, muitas vezes, têm que se sujeitar às condições impostas por seus fornecedores.

Campanha da Serasa pretende expandir negócios com MPEs

O estudo da Serasa revela a necessidade e a importância de se ampliar a oferta de crédito para as micro e pequenas empresas.

“A campanha da Serasa visa ampliar a interação das micro e pequenas empresas no ambiente econômico, em condições de mercado que favoreçam a prosperidade de seus negócios. A Serasa vem desenvolvendo, ao longo da última década a maior base de dados das micro e pequenas empresas do país, buscando criar o histórico de seu relacionamento financeiro, que é condição básica e determinante para o acesso ao crédito, com taxas de juros menores “, afirmou Elcio Anibal de Lucca, presidente da Serasa.

No lançamento da campanha, a Serasa apresentou a Solução Serasa para Micro e Pequenas Empresas, a mais avançada ferramenta de análise de risco de crédito do país que vai auxiliar as grandes empresas a conceder mais crédito ao segmento e alavancar os negócios.

“Hoje, as micro e pequenas empresas deixaram de ser um universo à parte e sofrem, direta ou indiretamente, a competição e as oscilações do mercado financeiramente globalizado. Assim, essas empresas devem estar preparadas com critérios e referências internacionalmente praticados para garantir sua perpetuação. A Serasa com a nova solução pretende contribuir para transformar a base da economia brasileira, micro e pequenas empresas, em plataforma para novos negócios, o que certamente se traduz em benefícios para o Brasil e para todos os brasileiros, que são, por vocação, um dos povos mais empreendedor do mundo”, disse Elcio Anibal de Lucca.

“A Serasa disponibiliza às pequenas e micro empresas metodologia adequada para que essas empresas também concedam crédito com maior segurança, em sintonia com as novas demandas do mercado. Ou seja, o que antes era exclusividade das grandes empresas, agora também é cotidiano das micro e pequenas empresas. Acesso à informação é requisito de competitividade, que é a palavra de ordem para o sucesso de qualquer empresa, principalmente das micro e pequenas no Brasil, cuja sobrevivência é atributo de vencedor”, afirmou o presidente da Serasa.

O consultor Luciano Coutinho, Sócio-Diretor da LCA Consultores, que apresentou a palestra "Análise prospectiva da importância das micro e pequenas empresas para o desenvolvimento do Brasil"; apontou o importante papel que as MPEs têm na economia brasileira. “Elas eram cerca de 15,3 milhões em 2003, sendo 5,1 milhões formais e 10,2 milhões informais. Davam ocupação a nada menos do que 30 milhões de pessoas (entre empregadores e empregados), montante que correspondia a aproximadamente 71% do total de ocupados no Brasil. Respondiam por quase 27% do total das receitas das empresas que atuam em território nacional”, afirmou.

O consultor ressaltou, no entanto, a elevada taxa de mortalidade das MPEs, reflexo das várias dificuldades enfrentadas pelos micro e pequeno empreendedores no país, dentre as quais se destacam a elevada carga tributária (que acaba jogando boa parte das MPEs para o setor informal), as barreiras ao crédito (em parte decorrente da própria informalidade) e a evolução desfavorável da conjuntura econômica nos últimos anos (baixo crescimento médio do PIB e muita volatilidade macroeconômica). “A perspectiva de um desempenho macroeconômico mais favorável nos próximos anos deve ser vista como uma condição apenas necessária, mas não suficiente, para melhorar a situação das MPEs. Políticas de apoio (redução da carga de impostos e da burocracia, incentivos à constituição de Arranjos Produtivos Locais, dentre outros) também precisam ser implementadas e intensificadas visando fortalecer as MPEs brasileiras”, afirmou Coutinho.

Luiz Carlos Barboza, Diretor Técnico do Sebrae, também esteve presente no evento e apresentou a palestra "Panorama das micro e pequenas empresas no Brasil: potencial de crescimento e Profissionalização da Gestão." Para ele, o cadastro positivo poderá melhorar sensivelmente o acesso ao crédito dos pequenos negócios, já que disponibilizará informações detalhadas, com dados quantitativos e qualitativos a respeito da empresa e de seus sócios. “Segundo um dignóstico do Sebrae, essa assimetria é um dos principais fatores que impede o crédito para as micro e pequenas empresas”, afirmou.

Barboza falou também do esforço do Sebrae em relação à “Revolução no Atendimento”, ampliando o número de cursos e projetos para atender cada vez mais um número maior de pequenos negócios. “Apresentei um instrumento, desenvolvido pelo Sebrae, capaz de aumentar a competitividade, a Gestão Estratégica Orientada para Resultados. Um instrumento que focaliza as ações do Sebrae e orienta os projetos para resultados finalísticos”.

De acordo com Barboza, a idéia futuramente é conjugar o cadastro desenvolvido pelo Sebrae com o do Serasa. “Somando as duas competências teremos uma ferramenta poderosa que ajudará a resolver o problema de crédito da micro e pequena empresa brasileira”, disse.

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