Últimas Notícias

Estudos de Inadimplência

Volume de cheques sem fundos é recorde em março, aponta estudo nacional da Serasa

13/04/2006

Estudo nacional da Serasa aponta recorde no volume de cheques sem fundos a cada mil compensados, em março de 2006. No terceiro mês deste ano, foram devolvidos 24,3 cheques sem fundos a cada mil compensados, o que representa uma alta de 20,9% em relação a fevereiro de 2006, mês que registrou 20,1 cheques devolvidos por mil compensados.

O índice de março de 2006 é o maior já registrado desde 1991, ano em que foi criado o indicador da Serasa. O recorde anterior pertencia a março de 2005, mês em que foram registrados 20,8 cheques sem fundos a cada mil compensados. Na comparação março de 2006 com março de 2005, houve um aumento de 16,8% no volume de cheques devolvidos por falta de fundos a cada mil compensados.

De acordo com o levantamento, foram compensados 166,5 milhões de cheques em março de 2006, dos quais 4,0 milhões, devolvidos por falta de fundos. Em março de 2005, o total de compensações havia sido de 170,4 milhões de cheques e de devoluções, 3,5 milhões. Já em fevereiro deste ano, foram devolvidos 2,5 milhões de cheques sem fundos, de um total de 124,1 milhões de compensados, em todo o país.

No trimestre

Segundo o estudo da Serasa, a maior empresa do Brasil em pesquisas, informações e análises econômico-financeiras para apoiar decisões de crédito e negócios, no primeiro trimestre de 2006, foram devolvidos 21,3 cheques sem fundos a cada mil compensados. Em relação ao mesmo período de 2005, quando verificou-se 17,4 cheques devolvidos por mil compensados, houve uma alta de 22,4%.

No acumulado dos três primeiros meses de 2006, foram compensados 447,9 milhões de cheques, dos quais 9,5 milhões voltaram por falta de fundos. De janeiro a março de 2005, o número de cheques compensados totalizou 492,2 milhões, contra 8,5 milhões de cheques devolvidos.

Argumentação

Para os técnicos da Serasa, o crescimento do volume de cheques devolvidos a cada mil compensados no primeiro trimestre de 2006 está relacionado ao maior comprometimento da renda dos consumidores com os parcelamentos assumidos em prazos mais longos no Natal de 2005, e por conta do aumento no volume de crédito concedido em todas as modalidades.

A concentração de impostos e despesas característicos do início de ano (IPTU, IPVA, matrículas e compra de material escolar) também dificulta o orçamento doméstico no início do ano e tem seu momento mais crítico em março (sobretudo despesas escolares e última parcela do IPVA), o que faz com que sazonalmente o mês registre o maior índice de cheques sem fundos do ano.

No entanto, apesar da inadimplência com cheques em março ser alta na série histórica desse meio de pagamento, ela ainda é baixa em relação ao mercado, pois 24,3 cheques devolvidos a cada mil compensados significa 2,43%.

Outro fator importante que contribuiu para este comportamento foi a aceitação de cheques pré-datados sem o uso de metodologia adequada para a análise de crédito e o gerenciamento do risco de inadimplência. Para reduzir o risco dessas operações de crédito e contribuir para uma queda nos indicadores de inadimplência, é necessário que as empresas adotem práticas adequadas na concessão de crédito. Entre as principais práticas, podem ser destacadas a definição de políticas de crédito, compatíveis com a conjuntura e o segmento de atuação da empresa, e a monitoração contínua do risco da carteira de clientes.

A aprovação do projeto de lei que trata do cadastro positivo sobre o crédito, em 2006, irá aumentar a segurança do crédito e, portanto, reduzir seus custos e ampliar os recursos e sua abrangência tanto para pessoa física quanto para jurídica, com impactos para a queda dos indicadores de inadimplência e insolvência.

  • 2012 Serasa Experian. Todos os direitos reservados.