A pesquisa aponta ainda que, de janeiro a setembro, a
inadimplência de pessoa física teve ligeira alta de 1%. Já os primeiros nove
meses do ano passado, comparado com o mesmo período de 2002, tiveram
crescimento de 5,3%
O Indicador Serasa de Inadimplência – o único do país
baseado em modelo estatístico de múltiplas variáveis, que contempla todas as
modalidades de inadimplência da economia brasileira (registros de cheques
devolvidos, títulos protestados, dívidas vencidas com instituições financeira,
empresas do varejo, cartões de crédito e financeiras) - apontou desaceleração
acentuada da inadimplência de consumidores. De janeiro a setembro de 2004, a inadimplência de pessoa
física teve ligeira alta de 1% na comparação com o mesmo período de 2003, que
registrou crescimento da inadimplência de 5,3% na comparação com iguais meses
de 2002. A queda acentuada este ano fica mais evidente quando comparada com a
inadimplência de 30% apresentada no ano de 2002, contra 2001 (veja tabela
abaixo). Na relação setembro deste ano com o mês anterior, a pesquisa
apontou queda de 2,4%. Na comparação anual setembro2004/setembro2003, foi
registrado um aumento de 1,2%. O Indicador Serasa de Inadimplência apontou que os cheques
sem fundos têm a maior representatividade na inadimplência de consumidores. Nos
primeiros nove meses deste ano, os cheques devolvidos representaram 36% do
total do indicador de PF (Pessoa Física). O percentual é o mesmo registrado nos
mesmos meses do ano passado. Em 2002, foi 37%, em igual período. O segundo maior índice na representatividade é o registro de
inadimplência de cartões de crédito e financeiras, que no acumulado do ano teve
participação de 33%, a mesma de 2003. Já em 2002, a participação era 35%. O
índice que aponta os registros no sistema financeiro (bancos) apresentou a
terceira maior participação no indicador, com 29%; a mesma em 2003. Em 2002,
26%. Com a menor representatividade estão os títulos protestados, 2% em 2004,
mesma variação apresentada em 2003 e 2002. O valor médio das anotações negativas de cheques sem fundos
(PF) foi R$ 447 em setembro de 2004. Já o de títulos protestados foi R$ 629;
registros no sistema financeiro, R$ 935, e de registros outros segmentos
(cartões de crédito e financeiras), R$ 244. Segundo técnicos da Serasa, a queda da inadimplência em
setembro de 2004 é resultado da melhora do nível de atividade econômica
verificada a partir de abril, que tem contribuído com a abertura de novas vagas
de trabalho e com a melhor negociação salarial obtida por trabalhadores de
algumas categorias através da reposição de perdas inflacionárias, e da opção do
consumidor por regularizar suas pendências financeiras, em vez de assumir novas
dívidas. Os consumidores tem optado pela contratação de crédito
pessoal para a complementação da renda das famílias e, assim, pagar as dívidas.
O destaque nesses empréstimos é para as operações consignadas em folha de
pagamento, cujas taxas situam-se próximas de 2% ao mês. De acordo com o último
dado apresentado pelo Banco Central, a variação de janeiro a setembro de 2004,
o volume de crédito concedido a pessoas físicas cresceu 21,4% em relação a
igual período de 2003. De acordo com os técnicos, a inadimplência no acumulado do
ano (janeiro a setembro de 2004) ainda apresenta uma ligeira alta, 1%,
influenciada pelo menor ritmo econômico no início do ano. Os técnicos ressaltam que desde 2003 verifica-se uma
desaceleração do ritmo da inadimplência de pessoa física, devido ao crescimento
gradual da economia. A maior renda verificada no final do ano, por conta do
décimo terceiro salário, ajuda na queda da inadimplência, embora a parcela
maior acaba indo para o consumo e o comércio já trabalha com a expectativa de
um final de ano bastante favorável.
Indicador Serasa de Inadimplência – Pessoa
Física
jan-set2000/jan-set1999 6,0%
jan-set2001/jan-set2000 34,8%
jan-set2002/jan-set2001 30,0%
jan-set2003/jan-set2002 5,3%
jan-set2004/jan-set2003 0,9%