A pesquisa aponta ainda que, de janeiro a agosto, a inadimplência de pessoa
física teve ligeira alta de 0,9%. O Indicador Serasa de Inadimplência – o único do país baseado em modelo
estatístico de múltiplas variáveis, que contempla todas as modalidades de
inadimplência da economia brasileira (registros de cheques devolvidos, títulos
protestados, dívidas vencidas com instituições financeira, empresas do varejo,
cartões de crédito e financeiras) - apontou desaceleração acentuada da
inadimplência de consumidores. De janeiro a agosto de 2004, a inadimplência de pessoa física teve ligeira
alta de 0,9% na comparação com o mesmo período de 2003, que registrou
crescimento da inadimplência de 5,4% na comparação com iguais meses de 2002. A
queda acentuada este ano fica mais evidente quando comparada com a
inadimplência de 23,9% apresentada no ano 2002, contra 2001. Na relação agosto
deste ano com o mês anterior, a pesquisa apontou uma queda da inadimplência de
4,3%. Segundo técnicos da Serasa, a redução da inadimplência de pessoa física em
agosto de 2004 é resultado da melhora do nível de atividade econômica,
verificada a partir de abril deste ano, que tem contribuído com a abertura de
novas vagas de trabalho e com a melhor negociação salarial obtida por
trabalhadores de algumas categorias através da reposição de perdas
inflacionárias, e da opção do consumidor por regularizar suas pendências
financeiras, em vez de assumir novas dívidas. Os consumidores tem optado pela contratação de crédito pessoal para a
complementação da renda das famílias e, assim, pagar as dívidas. O destaque
nesses empréstimos é para as operações consignadas em folha de pagamento, cujas
taxas situam-se próximas de 2% ao mês. Para o consumidor, o desemprego, a queda da renda, os juros elevados, o
aumento das tarifas públicas, a não correção da tabela de Imposto de Renda e a
criação de novos impostos e taxas formam um conjunto de fatos determinantes
para a menor renda disponível, o que dificulta o pagamento de compromissos
assumidos anteriormente. A administração e o equilíbrio do orçamento doméstico
foram os maiores desafios para o consumidor no ano, fato que definiu a
priorização dos pagamentos e renegociação das dívidas. O Indicador Serasa de Inadimplência apontou que os cheques sem fundos
registraram a maior representatividade na inadimplência de consumidores em
comparação com 2003. De janeiro a agosto deste ano, os cheques devolvidos
representaram 36% do total do indicador de PF (Pessoa Física). O percentual é o
mesmo registrado nos mesmos meses do ano passado. Em 2002, foi 37%, em igual
período. O segundo maior índice na representatividade é o registro de inadimplência
de cartões de crédito e financeiras, que no acumulado do ano teve participação
de 33%, a mesma registrada em 2003. Já em 2002, a participação era 35%. O
índice que aponta os registros no sistema financeiro (bancos) apresentou a
terceira maior participação no indicador, com 29%; a mesma em 2003. Em 2002,
26%. Com a menor representatividade estão os títulos protestados, 2% em 2003,
mesma variação apresentada em 2002 e em 2001. O valor médio das anotações negativas de cheques sem fundos (PF) foi R$ 441
em agosto de 2004. Já o de títulos protestados foi R$ 630; registros no sistema
financeiro, R$ 927, e de registros outros segmentos (cartões de crédito e
financeiras), R$ 244.