Estudo da Serasa, maior empresa do Brasil em pesquisas, informações e
análises econômico-financeiras para apoiar decisões de crédito e negócios e
referência mundial no segmento, revela que nos sete primeiros meses de 2004 o
volume de cheques sem fundos permaneceu estável em relação ao mesmo período de
2003. De janeiro a julho de 2004, foram devolvidos 15,9 cheques a cada mil
compensados, no país, mesmo índice registrado nos sete primeiros meses de
2003. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, em julho de 2004 o número
total de cheques sem fundos, 2,71 milhões, foi 14,7% menor do que o registrado
em julho de 2003, 3,18 milhões. Na análise do número de cheques devolvidos em
relação a cada mil compensados, também houve queda. Em julho deste ano foram
devolvidos por insuficiência de fundos, em todo o país, 15,6 cheques a cada
lote de mil compensados. O número apresentou queda de 7,1% em relação a julho
de 2003, quando foram devolvidos 16,8 cheques a cada mil, a segunda maior
devolução registrada em 2003. Para os técnicos da Serasa, a estabilidade do número de cheques devolvidos
por falta de fundos a cada mil compensados na variação anual (julho/04 –
julho/03) é resultado de um conjunto de fatores que sinalizam a retomada do
nível de atividade econômica, como o recuo da taxa de desemprego, melhoria da
massa salarial decorrente da reposição de perdas inflacionárias anteriores,
obtida por trabalhadores de algumas importantes categorias. O ambiente econômico favorável, combinado com o fato de os consumidores
terem optado pela contratação de crédito pessoal, que possibilitou trocar
dívidas de maior custo por opções mais baratas, possibilitou aumentar a renda
disponível para consumo. O destaque nesses empréstimos tem sido as operações
consignadas em folha de pagamento, cujas taxas situam-se próximas de 2% ao mês.
Segundo o Banco Central, no primeiro semestre deste ano o crédito destinado a
Pessoa Física cresceu 12%. Em igual período de 2003, este aumento foi de
6,3%. A análise da variação de julho em relação ao mês anterior aponta alta de
6,8%, segundo o estudo da Serasa. Em junho de 2004, foram devolvidos 14,6
cheques a cada lote de mil compensados, contra os 15,6 do mês seguinte. De acordo com os técnicos da Serasa, o mês de julho tradicionalmente
apresenta uma elevação do número de cheques devolvidos em relação a junho.
Contribuíram também para esse aumento o alongamento nos prazos de recebimento
de cheques pré-datados, aceitos como se fossem cheque à vista por empresas com
processos de crédito menos estruturados, isto é, aquelas que não adotam
metodologia adequada de crédito para a gestão deste meio de pagamento.