Estudo de 10 anos do Plano Real elaborado pela Serasa aponta que houve
melhora da gestão das empresas, nunca antes alcançada, diante do acirramento da
concorrência, decorrente da globalização que permitiu a diminuição das
barreiras, alterando o ambiente no qual as empresas estavam acostumadas a
atuar. Estudo elaborado pela Serasa mostra que nos 10 anos do Plano Real, criado em
julho de 1994, houve um fortalecimento financeiro das grandes empresas dos
setores da Indústria, Comércio e Serviços, pelo aumento da geração de caixa e
crescimento de vendas acima da inflação. O estudo da Serasa foi realizado com
base nos demonstrativos contábeis de 3 mil das maiores empresas do País, tanto
as de capital aberto como de capital fechado, dos três setores (Indústria,
Comércio e Serviço). De acordo com o levantamento, o faturamento líquido das empresas da
Indústria, Comércio e Serviços registrou crescimento real de 46,6%, entre 1994
e 2003. Segundo a Serasa, maior empresa do Brasil em pesquisas, informações e
análises econômico-financeiras para apoiar decisões de crédito e negócios e
referência mundial no segmento, a expansão das vendas foi impulsionada pelos
setores da Indústria e do Comércio, que apresentaram evolução de 68,4% e 60,2%,
respectivamente. O segmento de Serviços registrou 15,6% de variação no
período. Os técnicos da Serasa apontam que a eficiência na estrutura de custos, a
melhora dos processos de qualidade, a padronização das operações entre
fornecedores e clientes, automação permitindo controle mais eficaz dos
estoques, a agilidade nos processo de logística, resultaram numa melhora da
gestão financeira das empresas, levando-as a um fortalecimento financeiro,
nunca antes alcançado, que conseguiu otimizar a relação das dívidas, mesmo
elevadas, com a capacidade de pagamento, no qual o índice de cobertura de
dívidas pela geração de caixa (Ebitda) consegue ser reduzido de 7,5 anos em
2002 para 5,4 anos em 2003. Isto é, hoje uma grande empresa brasileira leva em
média 5,4 anos para pagar suas dívidas. Em 2002, ela precisava de 7,5 anos. O estudo da Serasa apontou três importantes ciclos de 1994 a 2004. O
primeiro ciclo começa em 1994 e vai até 1996. Segundos os técnicos da Serasa, o
início do Plano Real teve dois fatores importantes. Um deles foi o processo de
estabilização da moeda, que inseriu um maior número de pessoas no mercado
consumidor, representando uma alavancagem do faturamento das empresas e o outro
foi o processo de globalização, que fez com que as empresas brasileiras se
deparassem com o mercado competitivo. Aquelas que souberam detectar as
necessidades de implementar mudanças ou que resolveram investir em métodos e
processos destinados a elevar a eficiência operacional, aproveitaram a
oportunidade. Para aquelas que já enfrentavam dificuldades em razão de
inadequações operacionais ou administrativas, o acirramento da concorrência,
principalmente com o processo de globalização, expôs as limitações em mudar
rapidamente o foco de atuação e adequar-se ao novo cenário de competição,
provocando desequilíbrios financeiros e posterior insolvência. As vendas da Indústria e do Comércio foram favorecidas no início Plano Real,
situação contrária à verificada no setor de Serviços, penalizado principalmente
pela manutenção das tarifas públicas entre 1994 e 1995. Em 1996, as tarifas
públicas voltaram a ser reajustadas, refletindo positivamente no faturamento
dessas empresas. De 1994 a 1996, as vendas dos três setores analisados
cresceram 12%, no período. A geração de caixa das empresas (Ebitda) neste período, apresentou queda,
causada pela redução da inflação e pelo aumento da concorrência que reduziu as
margens. Observando o lucro, nota-se um grande crescimento em 1994, em função
do aumentos nos preços, forte queda em 1995, em função da elevada inadimplência
e retorno do lucro em 1996, devido a redução das despesas financeiras. O segundo ciclo (1997-1999) foi caracterizado pelas crises financeiras dos
países do sudeste asiático, pela moratória da Rússia, elevação das taxas de
juros, agravamento das contas externas, obrigando o País a fazer o Acordo
Preventivo com o FMI, e pela mudança do regime cambial, com adoção do câmbio
flutuante. Apesar deste cenário, as vendas das empresas cresceram 12,3% no período, com
destaque para a Indústria, que foi beneficiada pela mudança cambial, com
reflexo positivo nas exportações e na substituição das importações e para o
setor de Serviços que foi favorecido pelo reajustes das tarifas. Contudo, o
setor de Comércio foi prejudicado pela elevação das taxas de juros e redução
dos prazos de financiamento. Houve manutenção da geração de caixa (Ebitda) e o lucro apresentou queda,
motivada pelo aumento dos juros e das dívidas atreladas ao dólar, resultando em
prejuízo no ano de 1999. Verifica-se neste período uma mudança do patamar de
endividamento, causada pela elevação dos juros e pela necessidade de
investimentos, principalmente nas empresas recém privatizadas. Em 2000, impulsionada pela recuperação iniciada no segundo semestre do ano
anterior, a conjuntura econômica nacional mostrou-se positiva, caracterizada
pelo bom desempenho das exportações, continuidade das expectativas positivas
dos consumidores, melhora do nível de emprego, redução das taxas de juros,
queda da inadimplência e maior volume de crédito concedido, fatores que
garantiram o aumento das vendas nos três setores. O impacto no desempenho das
empresas foi direto, refletindo em crescimento do faturamento (8,5% no ano), da
geração de caixa (Ebitda) e retorno dos lucros em patamares elevados,
interrompendo a taxa de crescimento do endividamento. O terceiro ciclo (2001-2003) foi caracterizado pela menor taxa de
crescimento das vendas, quando comparada aos outros ciclos, tendo evoluído 7,4%
no período, em razão dos seguintes fatores: racionamento de energia elétrica, a
crise financeira da Argentina, elevação da taxa de câmbio, desaceleração da
economia mundial, menor nível de atividade econômica, perda de poder aquisitivo
da população, alto índice de desemprego, restrições creditícias, as incertezas
geradas pela eleição presidencial e as altas taxas de juros. A conjunção dos
fatores mencionados impactou o desempenho das vendas dos setores do Comércio e
de Serviços. Por outro lado, as vendas da Indústria foram beneficiadas pela
substituição das importações e pela ampliação da exportação de produtos a novos
mercados. O pior desempenho dos resultados foi registado em 2002 quando houve menor
geração de caixa (Ebitda), elevação das dívidas de curto e longo prazo,
causando prejuízo às empresas. Em 2003 o quadro é revertido pelo bom desempenho da Indústria que apresentou
redução das dívidas, motivada pela redução da taxa de câmbio, e com a elevação
dos preços das commodities no mercado internacional houve crescimento da
geração de caixa (Ebitda) e o lucro obtido foi o maior dos 10 anos do Plano
Real. Os técnicos da Serasa apontam que o grande aprendizado dos 10 anos do Plano
Real foi a melhora da gestão das empresas diante do acirramento da
concorrência, decorrente da globalização que permitiu a diminuição das
barreiras, alterando o ambiente no qual as empresas estavam acostumadas a
atuar.