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Estudos Econômicos
Maiores empresas no Brasil atingem sua melhor forma e batem recorde de faturamento, diz Serasa
26/07/2004

Estudo de 10 anos do Plano Real elaborado pela Serasa aponta que houve melhora da gestão das empresas, nunca antes alcançada, diante do acirramento da concorrência, decorrente da globalização que permitiu a diminuição das barreiras, alterando o ambiente no qual as empresas estavam acostumadas a atuar.

Estudo elaborado pela Serasa mostra que nos 10 anos do Plano Real, criado em julho de 1994, houve um fortalecimento financeiro das grandes empresas dos setores da Indústria, Comércio e Serviços, pelo aumento da geração de caixa e crescimento de vendas acima da inflação. O estudo da Serasa foi realizado com base nos demonstrativos contábeis de 3 mil das maiores empresas do País, tanto as de capital aberto como de capital fechado, dos três setores (Indústria, Comércio e Serviço).

De acordo com o levantamento, o faturamento líquido das empresas da Indústria, Comércio e Serviços registrou crescimento real de 46,6%, entre 1994 e 2003. Segundo a Serasa, maior empresa do Brasil em pesquisas, informações e análises econômico-financeiras para apoiar decisões de crédito e negócios e referência mundial no segmento, a expansão das vendas foi impulsionada pelos setores da Indústria e do Comércio, que apresentaram evolução de 68,4% e 60,2%, respectivamente. O segmento de Serviços registrou 15,6% de variação no período.

Os técnicos da Serasa apontam que a eficiência na estrutura de custos, a melhora dos processos de qualidade, a padronização das operações entre fornecedores e clientes, automação permitindo controle mais eficaz dos estoques, a agilidade nos processo de logística, resultaram numa melhora da gestão financeira das empresas, levando-as a um fortalecimento financeiro, nunca antes alcançado, que conseguiu otimizar a relação das dívidas, mesmo elevadas, com a capacidade de pagamento, no qual o índice de cobertura de dívidas pela geração de caixa (Ebitda) consegue ser reduzido de 7,5 anos em 2002 para 5,4 anos em 2003. Isto é, hoje uma grande empresa brasileira leva em média 5,4 anos para pagar suas dívidas. Em 2002, ela precisava de 7,5 anos.

O estudo da Serasa apontou três importantes ciclos de 1994 a 2004. O primeiro ciclo começa em 1994 e vai até 1996. Segundos os técnicos da Serasa, o início do Plano Real teve dois fatores importantes. Um deles foi o processo de estabilização da moeda, que inseriu um maior número de pessoas no mercado consumidor, representando uma alavancagem do faturamento das empresas e o outro foi o processo de globalização, que fez com que as empresas brasileiras se deparassem com o mercado competitivo. Aquelas que souberam detectar as necessidades de implementar mudanças ou que resolveram investir em métodos e processos destinados a elevar a eficiência operacional, aproveitaram a oportunidade. Para aquelas que já enfrentavam dificuldades em razão de inadequações operacionais ou administrativas, o acirramento da concorrência, principalmente com o processo de globalização, expôs as limitações em mudar rapidamente o foco de atuação e adequar-se ao novo cenário de competição, provocando desequilíbrios financeiros e posterior insolvência.

As vendas da Indústria e do Comércio foram favorecidas no início Plano Real, situação contrária à verificada no setor de Serviços, penalizado principalmente pela manutenção das tarifas públicas entre 1994 e 1995. Em 1996, as tarifas públicas voltaram a ser reajustadas, refletindo positivamente no faturamento dessas empresas. De 1994 a 1996, as vendas dos três setores analisados cresceram 12%, no período.

A geração de caixa das empresas (Ebitda) neste período, apresentou queda, causada pela redução da inflação e pelo aumento da concorrência que reduziu as margens. Observando o lucro, nota-se um grande crescimento em 1994, em função do aumentos nos preços, forte queda em 1995, em função da elevada inadimplência e retorno do lucro em 1996, devido a redução das despesas financeiras.

O segundo ciclo (1997-1999) foi caracterizado pelas crises financeiras dos países do sudeste asiático, pela moratória da Rússia, elevação das taxas de juros, agravamento das contas externas, obrigando o País a fazer o Acordo Preventivo com o FMI, e pela mudança do regime cambial, com adoção do câmbio flutuante.

Apesar deste cenário, as vendas das empresas cresceram 12,3% no período, com destaque para a Indústria, que foi beneficiada pela mudança cambial, com reflexo positivo nas exportações e na substituição das importações e para o setor de Serviços que foi favorecido pelo reajustes das tarifas. Contudo, o setor de Comércio foi prejudicado pela elevação das taxas de juros e redução dos prazos de financiamento.

Houve manutenção da geração de caixa (Ebitda) e o lucro apresentou queda, motivada pelo aumento dos juros e das dívidas atreladas ao dólar, resultando em prejuízo no ano de 1999. Verifica-se neste período uma mudança do patamar de endividamento, causada pela elevação dos juros e pela necessidade de investimentos, principalmente nas empresas recém privatizadas.

Em 2000, impulsionada pela recuperação iniciada no segundo semestre do ano anterior, a conjuntura econômica nacional mostrou-se positiva, caracterizada pelo bom desempenho das exportações, continuidade das expectativas positivas dos consumidores, melhora do nível de emprego, redução das taxas de juros, queda da inadimplência e maior volume de crédito concedido, fatores que garantiram o aumento das vendas nos três setores. O impacto no desempenho das empresas foi direto, refletindo em crescimento do faturamento (8,5% no ano), da geração de caixa (Ebitda) e retorno dos lucros em patamares elevados, interrompendo a taxa de crescimento do endividamento.

O terceiro ciclo (2001-2003) foi caracterizado pela menor taxa de crescimento das vendas, quando comparada aos outros ciclos, tendo evoluído 7,4% no período, em razão dos seguintes fatores: racionamento de energia elétrica, a crise financeira da Argentina, elevação da taxa de câmbio, desaceleração da economia mundial, menor nível de atividade econômica, perda de poder aquisitivo da população, alto índice de desemprego, restrições creditícias, as incertezas geradas pela eleição presidencial e as altas taxas de juros. A conjunção dos fatores mencionados impactou o desempenho das vendas dos setores do Comércio e de Serviços. Por outro lado, as vendas da Indústria foram beneficiadas pela substituição das importações e pela ampliação da exportação de produtos a novos mercados.

O pior desempenho dos resultados foi registado em 2002 quando houve menor geração de caixa (Ebitda), elevação das dívidas de curto e longo prazo, causando prejuízo às empresas.

Em 2003 o quadro é revertido pelo bom desempenho da Indústria que apresentou redução das dívidas, motivada pela redução da taxa de câmbio, e com a elevação dos preços das commodities no mercado internacional houve crescimento da geração de caixa (Ebitda) e o lucro obtido foi o maior dos 10 anos do Plano Real.

Os técnicos da Serasa apontam que o grande aprendizado dos 10 anos do Plano Real foi a melhora da gestão das empresas diante do acirramento da concorrência, decorrente da globalização que permitiu a diminuição das barreiras, alterando o ambiente no qual as empresas estavam acostumadas a atuar.

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