A pesquisa aponta que de janeiro a junho a inadimplência de pessoa física
teve ligeira alta de 1%. Já o primeiro semestre do ano passado, comparado com o
mesmo período de 2002 teve crescimento de 5,3%. O Indicador Serasa de Inadimplência – o único do país baseado em modelo
estatístico de múltiplas variáveis, que contempla todas as modalidades de
inadimplência da economia brasileira (registros de cheques devolvidos, títulos
protestados, dívidas vencidas com instituições financeira, empresas do varejo,
cartões de crédito e financeiras) - apontou desaceleração da inadimplência de
consumidores. De janeiro a junho de 2004, a inadimplência de pessoa física
subiu 1% na comparação com o mesmo período de 2003, que registrou crescimento
da inadimplência de 5,3% na comparação com 2002. Na relação junho deste ano com o mês anterior (maio 2004), a pesquisa
apontou uma queda da inadimplência de 4,5%. Segundo técnicos da Serasa*, a
redução da inadimplência de pessoa física em junho de 2004 é resultado da
melhora do nível de atividade econômica, verificada a partir de abril deste
ano, que tem contribuído com a abertura de novas vagas de trabalho e com a
melhor negociação salarial obtida por trabalhadores de algumas categorias
através da reposição de perdas inflacionárias, e da opção do consumidor por
regularizar suas pendências financeiras, em vez de assumir novas dívidas. Os consumidores tem optado pela contratação de crédito pessoal para a
complementação da renda das famílias e, assim, pagar as dívidas. O destaque
nesses empréstimos é para as operações consignadas em folha de pagamento, cujas
taxas situam-se próximas de 2% ao mês. Para o consumidor, o desemprego, a queda da renda, os juros elevados, o
aumento das tarifas públicas, a não correção da tabela de Imposto de Renda e a
criação de novos impostos e taxas formam um conjunto de fatos determinantes
para a menor renda disponível, o que dificulta o pagamento de compromissos
assumidos anteriormente. A administração e o equilíbrio do orçamento doméstico
foram os maiores desafios para o consumidor no primeiro semestre do ano, fato
que definiu a priorização dos pagamentos e renegociação das dívidas,
simultaneamente ao menor consumo. O Indicador Serasa de Inadimplência apontou que os cheques sem fundos
registraram a maior representatividade na inadimplência de consumidores em
comparação com 2003. No primeiro semestre deste ano, os cheques devolvidos
representaram 36% do total do indicador de PF (Pessoa Física). O percentual é o
mesmo registrado nos seis primeiros meses do ano passado. Em 2002, foi 37%. O segundo maior índice na representatividade é o registro de inadimplência
de cartões de crédito e financeiras, que no semestre teve participação de 33%,
a mesma registrada em 2003. Já em 2002, a participação era 35%. O índice que
aponta os registros no sistema financeiro (bancos) apresentou a terceira maior
participação no indicador, com 29%; a mesma em 2003. Em 2002, 24%. Com a menor
representatividade estão os títulos protestados, 2% em 2003, mesma variação
apresentada em 2002 e em 2001. O valor médio das anotações negativas de cheques sem fundos (PF) foi R$ 432
em junho de 2004. Já o de títulos protestados foi R$ 622; registros no sistema
financeiro, R$ 908, e de registros outros segmentos (cartões de crédito e
financeiras), R$ 240.