A ligeira queda da inadimplência de pessoa física em 2004 é resultado da
reação da atividade econômica, verificada nos primeiros cinco meses do ano, e
da opção do consumidor por regularizar suas pendências financeiras, em vez de
assumir novas dívidas O Indicador Serasa de Inadimplência – o único do país baseado em modelo
estatístico de múltiplas variáveis, que contempla todas as modalidades de
inadimplência da economia brasileira (registros de cheques devolvidos, títulos
protestados, dívidas vencidas com instituições financeira, empresas do varejo,
cartões de crédito e financeiras) - apontou ligeira queda da inadimplência de
consumidores. De janeiro a maio de 2004, a inadimplência de pessoa física caiu
0,1% na comparação com o mesmo período de 2003. Segundo técnicos da Serasa, a ligeira queda da inadimplência de pessoa
física em 2004 é resultado da reação da atividade econômica, verificada nos
primeiros cinco meses do ano, e da opção do consumidor por regularizar suas
pendências financeiras, em vez de assumir novas dívidas. Os consumidores buscam a contratação de crédito pessoal para a
complementação da renda das famílias e, assim, pagar as dívidas. O destaque
nesses empréstimos é para as operações consignadas em folha de pagamento, cujas
taxas situam-se próximas de 2% ao mês. Em maio, o total desse tipo de crédito
oferecido pelos bancos estava em R$ 7,8 bilhões, valor 8% maior do que o
verificado em abril. Para o consumidor, o desemprego, a queda da renda, os juros elevados, o
aumento das tarifas públicas, a não correção da tabela de Imposto de Renda e a
criação de novos impostos e taxas formam um conjunto de fatos determinantes
para a menor renda disponível, o que dificulta o pagamento de compromissos
assumidos anteriormente. A administração e o equilíbrio do orçamento doméstico
foram os maiores desafios para o consumidor nos primeiros cinco meses do ano,
fato que definiu a priorização dos pagamentos e renegociação das dívidas,
simultaneamente ao menor consumo. O Indicador Serasa de Inadimplência apontou que os cheques sem fundos
registraram a maior representatividade na inadimplência de consumidores em
comparação com 2003. Em maio deste ano, os cheques devolvidos representaram 36%
do total do indicador de PF (Pessoa Física). O percentual é o mesmo registrado
em maio do ano passado. O segundo maior índice na representatividade é o registro de inadimplência
de cartões de crédito e financeiras, que em maio teve participação de 33%, a
mesma registrada em 2003. O valor médio das anotações negativas de cheques sem fundos (PF) foi R$ 421
em maio de 2004. Já o de títulos protestados foi R$ 597; registros no sistema
financeiro, R$ 902, e de registros outros segmentos (cartões de crédito e
financeiras), R$ 229.