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Inadimplência nos 100 dias do governo Lula cresce 3,8%, mas em ritmo menor do que em 2002

14/04/2003

O Indicador Serasa de Inadimplência, o único a incluir os registros de cheques devolvidos, títulos protestados, sistema financeiro (bancos), cartões de crédito e financeiras, revela que a inadimplência total (pessoa física e jurídica) apresentou aumento na comparação dos 100 primeiros dias de 2003/2002, mas registrou significativa queda do ritmo de crescimento. Os 100 dias de 2003 teve aumento de 3,8% na inadimplência, na comparação com o mesmo período de 2002, que registrou elevação de 28,9% em relação aos mesmos dias de 2001.

O indicador também apontou queda do ritmo de crescimento de pessoa física. Nos 100 primeiros dias de 2003, a inadimplência de pessoa física cresceu 8,9% na comparação com o mesmo período de 2002, que evoluiu 36,7% ante 2001. O índice Serasa de Inadimplência de pessoa jurídica mostrou estabilidade, com aumento de 0,6% nos 100 primeiros dias de 2003/2002 ante crescimento de 19,3% em igual período de 2002/2001.

Segundo o presidente da Serasa, Elcio Anibal de Lucca, no caso de pessoa física, a queda no ritmo do aumento da inadimplência verificada ao longo de 2002 foi provocada pela menor atividade econômica e, portanto, pela menor demanda por crédito. Ademais, os recursos liberados pelo acordo sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), promoveram a regularização de pendências, se estendendo em janeiro de 2003 com a liberação de novo lote. O presidente destacou que o consumidor, apesar de cauteloso, no final de 2002 respondeu aos apelos de marketing do varejo, que se utilizou da flexibilidade do prazo e de competitivas condições de pagamento para gerar caixa, ante os representativos encargos dos meses de dezembro e janeiro.

Elcio Anibal de Lucca destaca que a maior utilização do crédito nas vendas do final de 2002 também foi decorrente da renda real do consumidor em queda, por conta do impacto inflacionário sobre seus rendimentos. O crédito efetivamente recuperou parte do poder aquisitivo da população no período.

Entretanto, Elcio Anibal de Lucca diz que a prática de alongamento do prazo na concessão de crédito envolve riscos maiores, sobretudo em ambiente combinado de juros elevados e renda em queda, o que exige modelo de gestão apropriado e metodologia adequada, incluindo soluções avançadas tais como scoring de crédito, para a decisão de crédito e realização dos negócios.

Esse conjunto de fatos determinou uma redução na qualidade do crédito concedido no final de 2002, o que justifica a variação positiva nos 100 primeiros dias de 2003/2002, que também carrega sazonalidade de início de ano, segundo Elcio Anibal de Lucca.

No caso de pessoa jurídica, Elcio Anibal de Lucca diz que as empresas promoveram ajustes em suas estruturas de capital ao longo de 2001 e 2002, por conta da elevada taxa de juros e do câmbio, de forma a reduzir a dependência por capital de terceiros para o financiamento de sua atividade, que acompanhou o ritmo da economia.

De acordo com o índice da Serasa, os cheques sem fundos apresentaram queda na representatividade, nos primeiros 100 dias dos últimos três anos, na inadimplência total (PF+ PJ). Em 2003, os cheques devolvidos representaram 36% do total do indicador. No mesmo período de 2002, foi de 38%, e no de 2001, a participação de cheques devolvidos no Indicador Serasa de Inadimplência foi de 44%.

O segundo índice na representatividade é o registro de inadimplência de cartões de crédito e financeiras, que apresentou nos 100 dias de 2003 participação de 31%, a mesma participação registrada em igual período de 2002, e 25% nos 100 primeiros dias de 2001.

O índice registros no sistema financeiro (bancos) mantém a terceira maior participação no indicador, com 26% nos 100 dias de 2003; 24% no mesmo período de 2002 e 22% no de 2001. Com a menor representatividade, mantêm-se os títulos protestados, 7% em 2003, mesma variação apresentada durante os 100 dias de 2002, e 9% em 2001.

Segundo o estudo, o valor médio das anotações negativas de cheques sem fundos (PF+PJ) nos 100 dias de 2003 foi de R$ 672,5; de títulos protestados foi de R$ 923,5; de registros no sistema financeiro foi de R$ 1.911; e de registros outros segmentos (cartões de crédito e financeiras) foi de R$ 313,3.

O Indicador Serasa de Inadimplência revela que o volume de crédito (PF+PJ) na economia teve um ritmo de crescimento maior do que o da inadimplência total. O índice mostra que as linhas de financiamento cresceram 75,3% de janeiro de 1999 até fevereiro de 2003, último dado disponível pelo Banco Central, enquanto a inadimplência subiu 64% no período de janeiro de 1999 a março de 2003, isto sem considerar o crédito mercantil (entre empresas) e aquele concedido via cheques pré-datados que, de acordo com outro estudo inédito da Serasa, totalizam montante superior ao concedido por todo o sistema financeiro.

Isolando apenas os dados de pessoa física, a diferença é mais expressiva. O volume de dinheiro destinado aos empréstimos do sistema financeiro subiu 139,0%, enquanto a inadimplência 87%, nos períodos respectivamente assinalados.

Os dados de pessoa jurídica revelam que enquanto o crédito do sistema financeiro evoluiu 59,6%, entre janeiro de 1999 a fevereiro de 2003, a inadimplência subiu 20%, entre os períodos em análise.

O Indicador Serasa de Inadimplência é o primeiro modelo estatístico de múltiplas variáveis, que contempla todos os meios de pagamentos da economia brasileira e sua representatividade relativa. O Indicador foi lançado pela Serasa em julho de 2002 e é divulgado bimestralmente.

A Serasa identificou a necessidade de se apurar um índice único para a inadimplência há cinco anos. O ponto de partida e ferramental exclusivo é o banco de dados da Serasa, uma das maiores empresas do mundo em informações e análises econômico-financeiras para apoiar decisões de crédito e negócios. A Serasa é a única organização que tem o registro de todos os segmentos econômicos do país e de todas as modalidades de crédito.

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