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Estudos de Inadimplência

Inadimplência volta a cair no 5º bimestre do ano, aponta Indicador da Serasa

12/11/2002

O Indicador Serasa de Inadimplência, o único a incluir os registros de todos os meios de pagamentos, tais como cheques devolvidos, títulos protestados, sistema financeiro (bancos), cartões de crédito e financeiras, revela que a inadimplência total (pessoa física e jurídica) desacelerou significativamente o crescimento de janeiro a outubro deste ano, passando de 36% no primeiro bimestre de 2002 para 6,3% no quinto bimestre, ante iguais períodos do ano passado.

O indicador também apontou queda de inadimplência de pessoa física nos dez meses do ano, que atingiu 44% no primeiro bimestre (janeiro-fevereiro) deste ano e 16,4% no quinto bimestre (setembro-outubro), na comparação com iguais períodos de 2001.

Segundo o presidente da Serasa, Elcio Anibal de Lucca, no caso de pessoas físicas, a queda no ritmo de aumento da inadimplência vem sendo provocada pelo menor consumo e, portanto, menor demanda por crédito, e pela devolução do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que promoveu a regularização de pendências. O presidente destacou que o consumidor, apesar de cauteloso, está pronto para as compras de final de ano, que devem ser alavancadas pelo crédito, cujo segmento estará mais competitivo pelas promoções conjuntas (indústria/ comércio e financeiras).

O recuo de pessoa jurídica foi ainda maior, cresceu 30,7% no primeiro bimestre do ano e registrou queda de 13,5% (negativo) no quinto bimestre de 2002, ante iguais períodos de 2001.

No caso de pessoas jurídicas, aponta Elcio Anibal de Lucca, as elevadas taxas de juros e o câmbio têm impactado como custo na atividade, sem espaço para o repasse integral dessa pressão para o mercado. “A inadimplência das empresas não cresceu porque a renegociação tem sido a palavra de ordem junto aos concedentes de crédito”, afirmou.

A Serasa verificou que houve um aumento na utilização de metodologia de crédito na hora da concessão.

De acordo com o índice da Serasa, os cheques sem fundos apresentam queda na representatividade nos últimos três anos na inadimplência (PF+ PJ). Nos primeiros dez meses de 2000, a participação de cheques devolvidos no Indicador Serasa de Inadimplência foi de 48%. No mesmo período de 2001, foi de 42%. Nos dez meses deste ano, os cheques devolvidos representaram 37% do total do indicador.

O segundo índice na representatividade é o registro de inadimplência de cartões de crédito e financeiras, que apresenta crescimento. Nos primeiros dez meses de 2000, representou 24%; em igual período de 2001, 26%; de janeiro a outubro deste ano, 31%. O índice registros no sistema financeiro (bancos) tem a terceira maior participação no indicador: nos primeiros dez meses deste ano, 25%; em igual período de 2001, 23% e 16% em 2000. A menor representatividade, na comparação semestral, foi dos títulos protestados, 7% este ano, 8% em 2001 e 11% em 2000.

Segundo o estudo, o valor médio das anotações negativas de cheques sem fundo (PF+PJ) nos últimos dez meses foi de R$ 671,74; de títulos protestados foi de R$ 884,37; de registros no sistema financeiro foi de R$ 2.333,86; e de registros outros segmentos (cartões de crédito) foi de R$ 320,37.

O Indicador Serasa de Inadimplência revela que o volume de crédito na economia (PF+PJ) teve um ritmo de crescimento maior do que o da inadimplência global. O índice mostra que as linhas de financiamento cresceram 71% de janeiro de 1999 até setembro de 2002, último dado disponível pelo Banco Central, enquanto a inadimplência subiu 61% no período de janeiro de 1999 a outubro de 2002.
Isolando apenas os dados de pessoa física, a diferença é mais expressiva. O volume de dinheiro destinado aos empréstimos subiu 139%, enquanto a inadimplência 84%.

Os dados de pessoa jurídica revelam que enquanto o crédito evoluiu, entre janeiro de 1999 a setembro de 2002, 55%, a inadimplência caiu 2%, no período de janeiro de 1999 a outubro de 2002.

O Indicador Serasa de Inadimplência é o primeiro modelo estatístico de múltiplas variáveis, que contempla todos os meios de pagamentos da economia brasileira e sua representatividade relativa. O Indicador foi lançado pela Serasa em julho deste ano e será divulgado bimestralmente.

A Serasa identificou a necessidade de se apurar um índice único para a inadimplência há cinco anos. O ponto de partida e ferramental exclusivo é o banco de dados da Serasa, uma das maiores empresas do mundo em informações e análises econômico-financeiras para apoiar decisões de crédito e negócios. A Serasa é a única organização que tem o registro de todos os segmentos econômicos do país e de todas as modalidades de crédito.

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