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Déjà Vu
Fátima Turci
Mediadora do 4° Painel Econômico Serasa
Eu acho que já vi esse filme!
Com todo o brilhantismo e a criatividade dos renomados economistas condutores do Painel Econômico Serasa, a maioria dos participantes do encontro 2006 não escapou dessa sensação de déjà vu. Como enfrentar os desafios do crescimento econômico? As respostas já foram dadas, muitas, muitas vezes. E foram novamente apontadas, citadas, quase num grito de desespero por parte de consultorias que passam 365 dias no ano vendo as oportunidades desse crescimento escapar pelas mãos.
Como todos os participantes do encontro puderam apreender e como todos poderão ler nos textos que se seguem de cada uma das seis palestras, a história se repete. Brasil, país do futuro. Para quem? Todos os elementos básicos estão colocados para ser amanhã, no curto-prazo, mas sempre esbarrando na vontade política de empreender as mudanças.
Falta de inovação dos palestrantes? Longe disso. Coerência nas proposições exatamente pela falta de ação do poder público. Recomendações básicas, como necessidade de investimentos em infra-estrutura, controle de gastos do governo, redução de juros e mecanismos de estímulo à poupança interna e aos investimentos privados, constam em qualquer receituário de bom senso econômico.
Para cumprir suas missões, os economistas não poderiam deixar de apontar riscos eminentes para o País, começando pela estagnação, passando pela dualidade da necessidade de crescimento com falta de energia ou o famoso risco do apagão, indo até a questão fundamental de qualquer nação emergente, a educação. Tônica presente, de uma forma ou de outra, na maior parte das exposições, indicando a necessidade de uma atenção redobrada ou com lente de aumento para o assunto.
Exemplos não faltaram tanto no comparativo das soluções internacionais como das experiências tupiniquins, mostrando muito mais do que alguns avanços, alardeados pelos governos, as oportunidades perdidas, seja na área do câmbio na esfera econômica ou nas reformas prometidas e não cumpridas na esfera política tanto pelo executivo como pelo legislativo. Ganhos reais podem ser contados nos dedos, da manutenção do controle inflacionário à segmentada competitividade das exportações.
Distância entre necessidade e realizações. Talvez esse tenha sido o fio condutor de todas as apresentações. Não importa a área – do crédito em falta para a expansão econômica até a chamada justiça social, refletida em ganhos efetivos de renda, de saúde, de infra-estrutura e de educação. Uns mais otimistas quanto ao futuro, outros céticos, os palestrantes foram unânimes quanto às chances perdidas por este Brasil no passado, como podemos relembrar em cada uma de suas exposições aqui retratadas.
E esse passado, repetido inúmeras vezes, com aconselhamentos deixados de lado, engavetados, negligenciados, acabou dando essa tônica de uma situação já vivenciada.
Para concluir sem tom derrotista, precisaram arrancar do fundo do baú uma coleção de indicadores de esperança. Novamente, um filme já visto: o país do futuro, com todas as precondições para alcançar, mas, sempre sem chegar lá, pelo menos nos próximos quatro anos, segundo alguns, tempo em que as “barbas ficarão de molho”. Cautela e freio de mão puxado andam de mãos dadas com a esperança. Alento que provém da expectativa de um aprendizado tardio do governo para acelerar o processo de reformas e de investimentos indispensáveis para o crescimento.
Divergências entre pontos de vista das consultorias só quanto à forma; o objetivo ficou, mais uma vez, intocável. O Brasil precisa e merece CRESCER.
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