Competência

 
 


Competência, normalmente, está relacionada com a capacidade de resolver problemas, de atingir objetivos. Hoje está mais ligada com a capacidade de competir, mas não é isso. A competência é equacionada por meio de algumas fórmulas, como essa: competência é igual ao resultado sobre tempo mais recurso.

Ou seja: não importa mais se você é capaz de atingir resultados, importa quanto tempo levou para atingir o resultado, quanto tempo gastou para atingir o resultado.

O tempo, hoje, é um dos patrimônios mais importantes que temos. Normalmente, as coisas que fazemos no dia-a-dia têm um grau de importância e um grau de urgência. Em 80% do tempo fazemos coisas importantes e urgentes. Sabe, então, o que acontece? Nós nos estressamos. E, quando nós nos estressamos, promovemos fugas, escapes. Toca o telefone, corremos para atender e ficamos batendo papo, falando sobre outras coisas.

É uma fuga porque você está estressado. As pessoas chegam em casa e vão lavar o cachorro. E você pergunta para essa pessoa: “Você não tinha que fazer um projeto para a empresa?” E ela responde: “Mas o cachorro estava sujo”. Quer dizer, você acaba fazendo coisas que não são importantes, que não são urgentes, para fugir do estresse. Isso quando o certo seria fazer o que é importante, mas não é urgente. Porque quando elas forem urgentes, já estarão prontas e você não terá se estressado.

Outro conceito de competência: competência é igual a conhecimento vezes habilidade vezes atitude mental. É saber, poder e querer. E atenção porque nessa fórmula é “vezes”. Se um dos fatores for zero, o resultado será zero. O que é um indivíduo competente? É aquele que faz o que se espera dele. E o incompetente? Aquele que não faz ou faz menos do que se espera. E o que é um metacompetente? É aquele que faz mais. Este é o indivíduo que o mundo quer hoje. Ele está além da competência.

Duas fórmulas da metacompetência. Primeira: metacompetência é a competência essencial mais as competências transversais. Competência essencial é aquela mínima, sem a qual você não será contratado para fazer o trabalho. E as transversais são as que ajudam no exercício desta. Exemplo: qual é a competência essencial de um motorista? Saber dirigir. Mas, entender de mecânica, por exemplo, é uma competência transversal. Outro: qual é a competência essencial do Guga? Saber jogar tênis. Quais as competências transversais? Ter força muscular, ter mais fôlego, alongamento, ter mais capacidade de se concentrar. Sabe o que é mais cruel nisso? É que treinando tênis na quadra ele ganha tênis de alto nível. Mas para ganhar as competências transversais precisa treinar musculação, fazer corrida, alongamento, ioga.

E qual é a competência essencial do médico? Diagnóstico e tratamento. É isso que ele aprendeu na faculdade. Quando vai abrir sua clínica, percebe que tem que entender de administração geral, de gestão de pessoas, de informática, de marketing, de planejamento estratégico etc.

Eu gostaria que vocês fizessem esse exercício: quais são as minhas competências essenciais ao meu trabalho? E quais são outras que, se eu desenvolver, vão me ajudar na minha função?

Para terminar, a última fórmula de competência, a competência ética, potencializada pelas qualidades humanas. Hoje nós queremos pessoas que são tecnicamente boas, mas que têm também valores humanos. Alguém já foi atendido por uma telefonista e teve certeza que ela estava sorrindo do outro lado? E quem já foi atendido por uma que lhe transmitiu a certeza de que iria bater o telefone na sua cara?

Quem já foi atendido por um garçom que demonstrava prazer e orgulho em servir? E quem já foi atendido por um outro que lhe causou medo? Outro dia, eu estava em Belém do Pará, e fui comer pato ao tucupi, em um restaurante, e o garçom, como se tratava de um prato exótico, ficou do meu lado me ensinando a comer: “Agora o senhor toma o caldo. Queimou a língua...agora o senhor põe a farinha, o arroz.” Ou seja, ele usou toda a sua competência ao me servir. Em outras palavras foi metacompetente. Existem garçons que têm prazer e orgulho em servir porque percebem a dignidade ao servir outra pessoa. Outros, não: ficam com raiva porque acham que você se considera superior porque ele está lhe servindo. Esquecem de um algo fundamental: o ser humano nasceu para servir ao seu semelhante. A única hora em que nós temos competência na vida é quando servimos ao outro. Todos temos que servir e render. Não importa qual o cargo que você tenha na sua empresa. Eu mesmo fico batendo de porta em porta vendendo o meu serviço para que comprem minha consultoria e não há nada de negativo nisso.

Você já foi atendido por um médico, que você tinha a certeza de que ele era competente, estava cheio dos diplomas nas paredes, mas não olhava nos seus olhos? Ele pode ser muito competente, mas deixa a desejar no aspecto humano. Nós queremos um médico que nos olhe como pessoas. Queremos um médico que tenha pena da gente, que nos abrace, que deixe-nos chorar em seu ombro.

Quem descobriu isso foi Patch Adams. Segundo ele, se levasse alegria para seus pacientes, eles sarariam mais depressa. Então colocava nariz de palhaço e ia brincar com as crianças do hospital infantil. Até que o diretor de sua faculdade disse assim: “Que história é essa? Aqui é um lugar de gente séria, pare com essa palhaçada...” e ameaçou expulsá-lo, nomeou uma comissão. Sabe por que ele não foi expulso? Porque quando foram ver suas notas, só haviam notas boas. Ele não era só uma boa pessoa, um grande ser humano, ele era um bom estudante de Medicina.

Eu me lembro que, em minha infância, havia um sujeito que em casa chamavam-no para arrumar tudo: hidráulica, eletricidade, marcenaria, alvenaria. Ele fazia tudo mal feito. Mas era tão boa gente. Porém uma pessoa como essa já não teria mais espaço no mercado de trabalho. Não basta ser boa gente, tem que ser bom no que faz. E também ser boa gente. Porque se você for bom, mas for um sujeito de maus modos, o mercado também não o quer.

 

     
 
 
 
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