Diálogos Externos

 
 


Na segunda parte de nossa “mandala”, estão as relações. Como o homem precisa dos diálogos internos, nas relações precisamos dos diálogos externos.

Como me relaciono com o mundo? Nesses diálogos externos também existem seis aspectos que são importantes. Três deles dizem respeito à relação com outras pessoas, como colegas de trabalho, clientes, família e a sociedade em geral. É curioso que, às vezes, existem pessoas que se dão muito bem com um colega no ambiente de trabalho, mas tem problemas de diálogo em casa. E existem aquelas que são o contrário: têm uma boa relação em casa, mas dificuldades para repetir essa boa relação no ambiente de trabalho.

Os outros três: profissão, empresa e dificuldade. São situações que nós estabelecemos com fatos e com situações. Não nos relacionamos só com outras pessoas, mas também com fatos e situações. O que é um fato? A minha profissão é um fato. E, às vezes, com o passar dos anos, percebemos e começamos a ter questionamentos em relação à nossa profissão. Todos passamos por isso. É completamente normal.

Eu mesmo, por exemplo, sou apresentado como médico. Mas eu não exerço mais Medicina. Exerci durante muitos anos. Mas, ao longo da minha vida, sempre fui médico e professor. E, de repente, comecei a perceber que tinha muito mais prazer, que gostava muito mais de ser professor do que de ser médico. No entanto, fiquei mais tempo me dedicando à Medicina do que ao Magistério. Tinha quase 50 anos de idade – 48 para 49 anos – quando eu decidi que a minha relação com a minha profissão não era o que eu queria. E eu abri mão de uma clínica própria, na cidade de Curitiba, e parei de fazer Medicina para me dedicar a dar aula, ganhando muito menos, evidentemente, no começo. Depois procurei fazer consultoria, dar palestras, que é do que gosto.

Estou muito mais feliz do que se estivesse dentro de um consultório médico. Isso porque, no consultório, tinha uma pessoa na minha frente e sabe o que eu queria fazer? Queria ensinar para o meu paciente por que ele estava doente. E o problema é que ele não queria saber. Ele queria o quê? A receita. Eu só acredito na saúde que vem da educação. Tive que quebrar isso na minha vida. Foi traumático, na época. Em 1998, eu encerrei a minha atividade de médico, que já vinha encerrando de 95 para cá, e comecei tudo de novo. Então tive que entender a relação que eu tinha com a minha profissão.

Profissão e empresa são coisas diferentes. Um engenheiro que trabalha em uma construtora, por exemplo, pode gostar muito de engenharia, mas não daquela área, em particular.

 

     
 
 
 
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