Conhece-te a ti mesmo

 
 


A idéia do auto-conhecimento também passou para a Grécia. O pensamento ocidental moderno, como conhecemos hoje, deriva do que os filósofos teriam nos falado, principalmente Sócrates. Ele começou a construir o pensamento ocidental e sua frase predileta era: Conhece-te a ti mesmo.

Como ganho auto-conhecimento? O auto-conhecimento pode evoluir, derivar de um processo de análise, com o auxílio de uma outra pessoa. Por isso existem psicólogos e psicanalistas. Para quê? Para que você se conheça melhor. Quando vai ao consultório do psicanalista, do psicólogo você fala com ele a respeito de si próprio. Dos seus sofrimentos, de suas angústias, de algo que está ali em seu peito, atrapalhando-o, impedindo-o de ser feliz.

Conversar com seu psicólogo fará com que se conheça melhor e conheça, especialmente, qual é a origem de suas angústias para aprender a lidar com elas. Mas também temos a alternativa da auto-análise, de conversarmos com nós mesmos, promovendo os diálogos internos.

Você pode deitar no travesseiro à noite e pensar em como foi o seu dia, o que fez certo, o que fez errado. Sobre aquilo que fez errado, como poderia ter feito diferente para ter acertado? Sobre aquilo que acertou, o que poderia ter feito para acertar ainda mais?

Só que não temos este hábito. Normalmente deitamos a cabeça no travesseiro à noite e ficamos pensando nos problemas do dia, nos problemas que temos de resolver no dia seguinte. Sobre aquilo que está fora de nós, e não sobre o que está dentro.

Antes de falarmos em auto-análise, com o auxílio de um psicólogo, devemos lembrar que existem outras pessoas que não são profissionais da área, mas que cumprem essa função. Por exemplo, nossa mulher, nosso marido, nosso amigo, nosso irmão, nosso colega de trabalho. Às vezes estamos com uma ansiedade no peito – todo mundo já passou por isso – quando você está com uma angústia assim, o que é que você quer? Quer um amigo para repartir o problema. O Vinícius de Moraes tinha uma frase bonita, que dizia assim: Eu preciso de um amigo para não ficar louco. Nós precisamos conversar. Depois de um desabafo com alguém, parece que nos sentimos melhor. Mas, na verdade, não é porque você desabafou, mas porque você entendeu melhor sua angústia ao falar dela. Você entende melhor quando conversa sobre ela.

Se estou angustiado e quero que alguém entenda minha angústia, tenho de transformar o sentimento em pensamento, o pensamento em palavra, com as palavras formar frases para que, então, o outro entenda. Nada mais é que um exercício pedagógico que faz com que eu compreenda melhor aquilo que está acontecendo comigo. Aliás, vamos ao psicólogo exatamente para isso. Curiosamente pagamos esse profissional para falarmos com nós mesmos.

Ao falar, você se entende melhor. Um amigo também pode cumprir esse papel. Não com a mesma propriedade que um psicólogo, preparado para isso. Mas a relação humana é que é importante. O homem, primeiro, começou a falar, e foi o falar que estimulou o seu pensamento. Em Psicologia sabemos disso: a linguagem antecede o pensamento.

Podemos também usar outras ferramentas, como a leitura, a literatura, os diálogos com outras pessoas, as notícias, a observação da natureza, a música, o cinema, o teatro, a poesia, a levitação, a ioga. Isso ajuda você a se conhecer melhor. O exercício físico, por exemplo, o entrar em contato com o próprio corpo, também tem a finalidade de aumentar o seu auto-conhecimento. Sem isso, é muito difícil promovermos o desenvolvimento integral.

 

     
 
 
 
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